Aristóteles: o Homem é um animal político – Filosofia Enem

Você concorda que a natureza do homem é ser político? Quer entender como Aristóteles compreende o surgimento da pólis? Então continue estudando conosco para o Enem e fique por dentro deste tema.

Quem foi Aristóteles? Ele foi um dos grandes pensadores da Grécia antiga. Aristóteles nasceu na antiga cidade de Estágira, na Macedônia, Grécia, no ano de 384 a.C. e viveu até o ano de 332 a.C. Seu pai era médico do rei Amintas III e, por isso, recebeu sólida formação em Ciências Naturais.

Com 17 anos partiu para Atenas, foi estudar na “Academia de Platão”. Aristóteles estudou e questionou violentamente com seu professor, mas, apesar das brigas constantes, mestre e discípulo se adoravam mutuamente. Aristóteles se tornou o predileto de Platão.

“Minha Academia se compõe de duas partes: o corpo dos alunos e o cérebro de Aristóteles”, afirmava Platão.

Depois de estudar na Academia de Platão, Aristóteles partiu para tornar-se professor de filosofia e conselheiro de chefes de estado. Com o tempo, tornou-se famoso por suas próprias ideias e abriu sua própria escola.

Animal político – “zoon politikon”

Aristóteles entendia que o ser humano trazia na sua natureza a sociabilidade, pois para sobreviver precisa relacionar-se com os seus semelhantes. Para realizar este fim, surge a pólis, ou seja, a cidade. Aristóteles

A polis, portanto, não é algo externo ao ser humano, mas vai-se construindo conforme o ser humano vai se relacionando com o outro, por isso, que por natureza, o homem é um animal político, pois naturalmente também é voltado a justiça, ao bem comum e a felicidade.

Democracia como melhor forma de governo

Diferente de seu professor Platão, Aristóteles defendia a democracia (demos: povo e cracia: poder, poder na mão do povo), pois se o homem era por natureza um ser sociável e também era de sua natureza a busca do bem comum, então a democracia era a realização plena deste homem que tende se organizar politicamente.

Cabe ressaltar que para Aristóteles nem todos eram considerados cidadãos, pois afirmava que não havia diferenças naturais entre os seres humanos, por isso a igualde entre os homens se dava em razão de sua qualidade superiores. Ficavam de fora, portanto, as mulheres, os estrangeiros e as pessoas escravizadas ou economicamente pobres.

Constituição

Aristóteles propunha uma constituição, ou seja, uma organização prévia e hierárquica das autoridades presentas na pólis. No entanto, o governante deveria estar submetido a esta constituição.

O estado para ele era um conjunto formado pelos cidadãos e pelo governante sendo ambos regidos pela constituição que era capaz de promover a virtude e o bem comum.

Política + ética: pólis

O exercício da política não estava desassociado da ética, aliás, a política é uma continuidade da ética. Então vamos entender como ele compreendia a ética.

A ética para Aristóteles é a busca da virtude, ou seja, agir sempre na moderação, jamais a falta ou o excesso. Vou dar um exemplo para ficar melhor. Comer de menos não faz bem para o corpo, pois precisamos de muitos nutrientes e, por esse motivo, nosso prato deve conter um pouco de tudo.

No entanto, não pode conter tudo de um pouco, pois o excesso de um tipo de nutriente não é saldável, ou seja, devemos ter uma alimentação moderada.

Conseguiu entender? A ética para Aristóteles é a busca da felicidade que se encontra na virtude, ou seja, agir moderadamente, ou como também é conhecido, ética do meio termo.  No entanto, a felicidade plena do ser humano está na sociabilidade, pois isso a vida política é uma continuidade da ética.

Biografia de Aristóteles

Quando Platão morreu, em 347 a.C., Aristóteles fazia vinte anos de Academia e esperava ser o substituto natural do seu mestre na direção da escola. No entanto, foi rejeitado por ser considerado estrangeiro. Decepcionado, deixou Atenas e partiu para a Ásia Menor, onde se tornou conselheiro de estado de seu antigo colega, o filósofo e político Hermias.

Casou-se com Pítia, filha adotiva de Hermias, mas entrou em choque com a sede de riqueza de seu colega, em contraste com seus ideais de justiça. Quando os persas invadiram o país e crucificaram seu governante, mais uma vez Aristóteles ficou sem pátria.

Aristóteles voltou para a Macedônia em 343 a.C. e o rei Filipe II da Macedônia o chamou para ser o tutor de seu filho Alexandre. O rei queria que seu filho fosse um requintado filósofo. Aristóteles permaneceu com Alexandre durante dois anos e depois se separaram. O soldado partiu para conquistar o mundo, tornando-se posteriormente o conhecido Alexandre Magno (ou Alexandre o Grande). Ele e Aristóteles permaneceram amigos.

Em 335 a.C. Aristóteles abriu sua própria escola, chamada Liceu, por estar situada nos edifícios dedicados ao deus Apolo Lício. Além de cursos técnicos, ministrava aulas públicas para o povo em geral.

A sabedoria de Aristóteles chegou até nós através de alguns escritos, mas que representam, por si, uma enciclopédia inteira, pois contêm praticamente os começos de todas as nossas modernas artes e ciências.

O fim de Aristóteles foi trágico. Quando o rei da Macedônia, Alexandre Magno morreu, irrompeu em Atenas uma grande explosão de ódio, não somente contra o conquistador, mas contra todos os seus admiradores e amigos. Um dos melhores amigos de Alexandre era Aristóteles. Estava prestes a ser preso, quando conseguiu escapar em tempo.

Aristóteles deixou Atenas dizendo que não daria à cidade oportunidade de cometer um segundo crime contra a filosofia. Pouco tempo depois do exílio que se impusera, adoeceu. Desiludido com a ingratidão dos atenienses decidiu por fim à vida bebendo, como Sócrates, uma taça de cicuta.

Aristóteles morreu em 322 a.C., em Cálcia, na Eubéia. Em seu testamento determinou a libertação de seus escravos. Foi essa talvez, a primeira carta de alforria da história.

Para terminar sua revisão sobre Aristóteles, assista ao vídeo a seguir, gravado pelo prof. Alan para o nosso canal no YouTube!

Vamos verificar seu você conseguiu entender o pensamento de Aristóteles? Resolva as questões que selecionamos para você e faça sua revisão para o Enem.

1- (Enem 2013) A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade. ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.

Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como:

A) busca por bens materiais e títulos de nobreza.

B) plenitude espiritual e ascese pessoal.

C) finalidade das ações e condutas humanas.

D) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.

E) expressão do sucesso individual e reconhecimento público.

2- (Enem 2009) Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”.

VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania:

A) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar.

B) era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade.

C) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica

D) tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais.

E) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles que se dedicavam à política e que tinham tempo para resolver os problemas da cidade.

3- (UEL – 2011) Leia o texto a seguir.

A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.

(Aristóteles. Ética a Nicômaco. Trad. de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Livro II, p. 273.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a situada ética em Aristóteles, pode-se dizer que a virtude ética

a) reside no meio termo, que consiste numa escolha situada entre o excesso e a falta.

b) implica na escolha do que é conveniente no excesso e do que é prazeroso na falta.

c) consiste na eleição de um dos extremos como o mais adequado, isto é, ou o excesso ou a falta.

d) pauta-se na escolha do que é mais satisfatório em razão de preferências pragmáticas.

e) baseia-se no que é mais prazeroso em sintonia com o fato de que a natureza é que nos torna mais perfeitos.

4- ((UEL-2004) Observe a charge e leia o texto a seguir.

Animal Político Não alimente

Fonte: LAERTE. Classificados. São Paulo: Devir, 2001. p. 25.

“É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem […].” (ARISTÓTELES. A política. Trad. de Nestor Silveira Chaves. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 13.)

Com base no texto de Aristóteles e na charge, é correto afirmar:

a) O texto de Aristóteles confirma a ideia exposta pela charge de que a condição humana de ser político é artificial e um obstáculo à liberdade individual.

b) A charge apresenta uma interpretação correta do texto de Aristóteles segundo a qual a política é uma atividade nociva à coletividade devendo seus representantes serem afastados do convívio social.

c) A charge aborda o ponto de vista aristotélico de que a dimensão política do homem independe da convivência com seus semelhantes, uma vez que o homem bastasse a si próprio.

d) A charge, fazendo alusão à afirmação aristotélica de que o homem é um animal político por natureza, sugere uma crítica a um tipo de político que ignora a coletividade privilegiando interesses particulares e que, por isso, deve ser evitado.

e) Tanto a charge quanto o texto de Aristóteles apresentam a ideia de que a vida em sociedade degenera o homem, tornando-o um animal.

5- (UEL 2009) Com base nos conhecimentos sobre o pensamento político de Aristóteles, é correto afirmar.

a) A reflexão aristotélica estabelece uma clara separação entre política e ética, uma vez que a parte (vida individual) não pode se confundir com o todo (comunidade política).

b) A lei, para Aristóteles, como expressão política da ordem natural e, portanto, intimamente ligada à justiça, é o princípio que rege a ação dos homens na pólis.

c) Aristóteles sustenta que cada homem, por sua liberdade natural, sempre age tendo em vista algo que lhe parece ser um bem, alcançando sua perfeição pela satisfação de suas paixões e necessidades individuais.

d) O conceito de felicidade a que, segundo Aristóteles, visa individualmente a ação humana, está desvinculado do conceito de justiça como um exercício político orientado ao bem comum.

e) Na concepção política de Aristóteles, torna-se evidente que a ideia de bom governo, de regime justo e de cidade boa depende da tripartição dos poderes.

Respostas:

1: c; 2: b; 3: a; 4: d; 5: B