Aristóteles: biografia e pensamento sobre política e justiça

Você concorda que a natureza do homem é ser político? Quer entender como Aristóteles compreende o surgimento da pólis? Então continue estudando conosco para o Enem e fique por dentro deste tema.

Quem foi Aristóteles

Aristóteles foi um dos grandes pensadores da Grécia antiga. Aristóteles nasceu na antiga cidade de Estágira, na Macedônia, Grécia, no ano de 384 a.C. e viveu até o ano de 332 a.C. Seu pai era médico do rei Amintas III e, por isso, recebeu sólida formação em Ciências Naturais.

Assim como seu mestre Platão viveu na Grécia Antiga. Aristóteles desenvolveu uma teoria política, não se atendo tanto a forma de ideal que a Polis deveria ter, mas sim em que consiste “fazer política”, e também discutiu quem seriam os verdadeiros políticos de seu tempo.

Com 17 anos partiu para Atenas, foi estudar na “Academia de Platão”. Aristóteles estudou e questionou violentamente com seu professor, mas, apesar das brigas constantes, mestre e discípulo se adoravam mutuamente. Aristóteles se tornou o predileto de Platão.

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A vida de Aristóteles

Quando Platão morreu, em 347 a.C., Aristóteles fazia vinte anos de Academia e esperava ser o substituto natural do seu mestre na direção da escola. No entanto, foi rejeitado por ser considerado estrangeiro. Decepcionado, deixou Atenas e partiu para a Ásia Menor, onde se tornou conselheiro de estado de seu antigo colega, o filósofo e político Hermias.

Casou-se com Pítia, filha adotiva de Hermias, mas entrou em choque com a sede de riqueza de seu colega, em contraste com seus ideais de justiça. Quando os persas invadiram o país e crucificaram seu governante, mais uma vez Aristóteles ficou sem pátria.

Aristóteles voltou para a Macedônia em 343 a.C. e o rei Filipe II da Macedônia o chamou para ser o tutor de seu filho Alexandre. O rei queria que seu filho fosse um requintado filósofo. Aristóteles permaneceu com Alexandre durante dois anos e depois se separaram. O soldado partiu para conquistar o mundo, tornando-se posteriormente o conhecido Alexandre Magno (ou Alexandre o Grande). Ele e Aristóteles permaneceram amigos.

Em 335 a.C. Aristóteles abriu sua própria escola, chamada Liceu, por estar situada nos edifícios dedicados ao deus Apolo Lício. Além de cursos técnicos, ministrava aulas públicas para o povo em geral.

A sabedoria de Aristóteles chegou até nós através de alguns escritos, mas que representam, por si, uma enciclopédia inteira, pois contêm praticamente os começos de todas as nossas modernas artes e ciências.

O fim de Aristóteles foi trágico. Quando o rei da Macedônia, Alexandre Magno morreu, irrompeu em Atenas uma grande explosão de ódio, não somente contra o conquistador, mas contra todos os seus admiradores e amigos. Um dos melhores amigos de Alexandre era Aristóteles. Estava prestes a ser preso, quando conseguiu escapar em tempo.

Aristóteles deixou Atenas dizendo que não daria à cidade oportunidade de cometer um segundo crime contra a filosofia. Pouco tempo depois do exílio que se impusera, adoeceu. Desiludido com a ingratidão dos atenienses decidiu por fim à vida bebendo, como Sócrates, uma taça de cicuta.

Aristóteles morreu em 322 a.C., em Cálcia, na Eubéia. Em seu testamento determinou a libertação de seus escravos. Foi essa talvez, a primeira carta de alforria da história.

O pensamento de Aristóteles

“Minha Academia se compõe de duas partes: o corpo dos alunos e o cérebro de Aristóteles”, afirmava Platão.

Depois de estudar na Academia de Platão, Aristóteles partiu para tornar-se professor de filosofia e conselheiro de chefes de estado. Com o tempo, tornou-se famoso por suas próprias ideias e abriu sua própria escola.

  • Para começar, o discípulo de Platão afirma que somos seres políticos por natureza!
  • Você deve estar se perguntando: “mas, o que isso significa?”
  • Antes de mais nada: você sabe qual o significado de Polis? E de política? E político?

Animal político – “zoon politikon”

Aristóteles entendia que o ser humano trazia na sua natureza a sociabilidade, pois para sobreviver precisa relacionar-se com os seus semelhantes. Para realizar este fim, surge a pólis, ou seja, a cidade.

A polis, portanto, não é algo externo ao ser humano, mas vai-se construindo conforme o ser humano vai se relacionando com o outro, por isso, que por natureza, o homem é um animal político, pois naturalmente também é voltado a justiça, ao bem comum e a felicidade.

Democracia: a melhor forma de governo

Diferente de seu professor Platão, Aristóteles defendia a democracia (demos: povo e cracia: poder, poder na mão do povo), pois se o homem era por natureza um ser sociável e também era de sua natureza a busca do bem comum, então a democracia era a realização plena deste homem que tende se organizar politicamente.

Cabe ressaltar que para Aristóteles nem todos eram considerados cidadãos, pois afirmava que não havia diferenças naturais entre os seres humanos, por isso a igualde entre os homens se dava em razão de sua qualidade superiores. Ficavam de fora, portanto, as mulheres, os estrangeiros e as pessoas escravizadas ou economicamente pobres.

A constituição para Aristóteles

Aristóteles propunha uma constituição, ou seja, uma organização prévia e hierárquica das autoridades presentas na pólis. No entanto, o governante deveria estar submetido a esta constituição.

O estado para ele era um conjunto formado pelos cidadãos e pelo governante sendo ambos regidos pela constituição que era capaz de promover a virtude e o bem comum.

Quando Aristóteles afirma que ”o homem é um ser político por natureza”, ele quer dizer que por natureza temos necessidade de viver em sociedade e que precisamos desse convívio. E, por reconhecer essa necessidade, cada cidadão deve se responsabilizar pela Polis.

Em sua obra “Política”, Aristóteles afirma que: “A polis faz parte das coisas naturais e que o homem é por natureza um animal político.

A política, ou melhor a ação política, que significa “ação que visa o bem comum” é e pode ser prática por todos os cidadãos, ou melhor os políticos ( filhos da Polis).

Política + ética: pólis

O exercício da política não estava desassociado da ética, aliás, a política é uma continuidade da ética. Então vamos entender como ele compreendia a ética.

A ética para Aristóteles é a busca da virtude, ou seja, agir sempre na moderação, jamais a falta ou o excesso. Vou dar um exemplo para ficar melhor. Comer de menos não faz bem para o corpo, pois precisamos de muitos nutrientes e, por esse motivo, nosso prato deve conter um pouco de tudo.

No entanto, não pode conter tudo de um pouco, pois o excesso de um tipo de nutriente não é saldável, ou seja, devemos ter uma alimentação moderada.

A ética para Aristóteles é a busca da felicidade que se encontra na virtude, ou seja, agir moderadamente, ou como também é conhecido, ética do meio termo.  No entanto, a felicidade plena do ser humano está na sociabilidade, pois isso a vida política é uma continuidade da ética.

Videoaula

Questões sobre Aristóteles

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Sobre o(a) autor(a):

Gilson Luiz Corrêa é bacharel em Filosofia pela UNISUL, Licenciado em Filosofia pela UFSC e Especialização em Psicopedagogia pela FMP. Professor do Colégio Catarinense e do Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima.

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