Geografia física da África

A África é onde tudo começou. Entenda o motivo estudando com a gente para não vacilar no Exame Nacional do Ensino Médio e nos vestibulares!

Você conhece a geografia física do continente africano? Sabia que o nosso país tem diversas características semelhantes e até mesmo a sua origem em comum com a África? Pois então! Nessa revisão poderemos conhecer um pouquinho mais da diversidade natural desse continente. Vamos lá?

A África tem uma formação geológica muito antiga, sendo um dos primeiros blocos rochosos de terras emersas do planeta, constituído por um escudo cristalino tabular, com mais de 2 bilhões de anos. As estruturas cristalinas são resistentes, mas essa apresenta-se bastante erodida justamente por datar do primeiro momento da história geológica da Terra, estando todo esse tempo sujeita aos diversos agentes erosivos. O elemento básico do seu relevo é um velho planalto com altitudes consideradas baixas (600 a 700 metros) e com grandes bacias sedimentares – com destaque à do Saara e do Congo.

Num passado remoto a África separou-se, por meio da deriva continental, do supercontinente chamado Gondwana, composto também por América do Sul, Austrália, Índia e Antártida. Do choque da placa tectônica Africana com a placa Eurasiana, na Era Terciária, surgiram as cordilheiras alpinas.

A Cordilheira do Atlas, única formação montanhosa recente considerada grande e elevada do relevo africano, tem sua origem nesse processo. Essa cadeia de montanhas tem como ponto culminante o monte Tubkhal (4.165m), no extremo oeste. Mas existem outros importantes maciços antigos espalhados pelo continente.

geografia física - relevo
Relevo do continente africano

Fonte dos dados altimétricos: NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration. Mapa elaborado por Paulo Roberto Vela Jr.

Na porção centro-oriental africana ocorre uma expansão da crosta terrestre por meio de várias falhas geológicas que demonstram o início da formação de uma dorsal oceânica, sendo a separação da península arábica e o surgimento do Mar Vermelho, durante a Era Terciária, o primeiro efeito desse processo. Originadas de movimentos tectônicos recentes, de mais ou menos 70 milhões de anos, elas compõem o Vale do Rift. Essa região possui grandes montanhas e profundas depressões, e é onde está o Monte Kilimanjaro (5.895m), ponto culminante do continente, ao norte da Tanzânia.

Como 80% do território africano está na zona intertropical, há o predomínio de climas quentes e temperaturas médias elevadas na maior parte do continente. Em termos latitudinais, sua metade mais ao sul pode ser comparada ao território brasileiro. Entretanto, esses climas variam no que se refere aos índices de precipitação. Os climas equatoriais e tropicais são mais chuvosos e os climas semiáridos e desérticos são extremamente secos. Essas diferenças climáticas explicam a grande variedade de formações vegetais nas paisagens naturais africanas.

Podemos considerar os climas africanos e suas influências na vegetação da seguinte forma (Garcia e Bellucci, 2013):

Clima equatorial: clima quente que prevalece na porção mais central do continente, com temperaturas elevadas (acima de 25°C) e chuvas abundantes o ano todo. Por causa desse clima predomina na região a floresta equatorial, densa e com grande diversidade de espécies vegetais e animais, semelhante à nossa floresta amazônica.

Clima tropical: esse clima ocorre em grande parte do continente, caracterizando-se por elevadas temperaturas o ano todo, com médias entre 22° e 25°C. Caracteriza-se por duas estações bem definidas, o verão chuvoso e o inverno seco. As precipitações anuais atingem aproximadamente 1.400 milímetros. Nesse clima, predomina a savana, vegetação formada por árvores e arbustos dispersos na paisagem, com capins e gramíneas cobrindo os solos. Podemos comparar essa vegetação, especificidades à parte, ao cerrado brasileiro.

Clima desértico: predomina em uma extensa faixa ao norte do território africano, onde está o deserto do Saara, e também na parte sudoeste, onde encontram-se os desertos da Namíbia e do Kalahari. As chuvas nesse clima são extremamente escassas e as amplitudes térmicas acentuadíssimas, com temperaturas que podem chegar a 50°C durante o dia e abaixo de 0°C durante a noite. As paisagens desérticas dessas regiões são cobertas por dunas e solos pedregosos, com uma vegetação escassa adaptada ao rigoroso clima. Cactos, alguns tipos de palmeiras e plantas rasteiras são as espécies encontradas.

Clima semiárido: ocorre em áreas de transição entre climas chuvosos e desérticos. Apresenta pouquíssimas chuvas, com índices pluviométricos variando entre 500 e 1.000 milímetros anuais. As temperaturas são elevadas praticamente o ano todo. As paisagens têm uma vegetação de estepes, com gramíneas, arbustos e árvores dispersas.

Clima mediterrâneo: presente tanto no extremo sul, como no extremo norte, esse clima é caracterizado por duas estações bem distintas. Os verões são secos e quentes, com temperaturas de até 30°C. Já os invernos são chuvosos e frios, com temperaturas chegando a 0°C. As chuvas variam, com índices de 500 a 1.000 milímetros anuais. Plantas arbustivas se desenvolvem nesse clima, sendo chamadas de garrigues, quando apresentam pequeno porte e estão mais esparsas na paisagem, ou de maquis, quando são mais densas e fechadas.

Há alguns focos de clima temperado e de montanha em áreas elevadas de países como África do Sul, Etiópia, Eritreia e Quênia, entre outros.

Esses diferentes domínios climáticos causam uma distribuição irregular da rede hidrográfica. Os rios maiores e mais importantes concentram-se no centro do continente, dominado pelos climas mais chuvosos. O elevado índice pluviométrico abastece as nascentes e cursos de rios como o Nilo, o Congo, o Níger, e seus afluentes. Já nas áreas secas, desérticas e semiáridas, os rios são raros e geralmente apresentam regimes temporários.

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Um grande abraço e bons estudos!

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]