Análise da prova de Linguagens e Códigos do Enem 2019

Veja o que nossa professora achou sobre a prova de Linguagens e Códigos do Enem 2019. Veja as questões mais complexas e os principais temas abordados.

Depois de um ano inteiro se perguntando se o tom da prova do Enem mudaria, eis que temos a resposta: apesar de evitar temas “polêmicos” (como foi o caso da ausência de questões sobre a Ditadura Militar em Humanas), a prova contou com questões sociais que abordavam bullying, saúde alimentar, violência contra a mulher, entre outros temas. Vamos então para a análise da prova de Linguagens e Códigos do Enem 2019?

Análise da prova de Linguagens e Códigos do Enem 2019

Todos sabem o quanto o Enem cobra interpretação de texto e nessa edição não foi diferente. Textos longos, muitas vezes cansativos, rechearam a prova do primeiro dia. Mas, segundo nossa professora de Literatura, Camila, os temas não foram repetitivos e exigiram bastante atenção dos estudantes. Para a professora, podemos classificar a prova como “surpreendente”, pois sua expectativa era que fossem evitados temas considerados polêmicos.

Um dos pontos principais da prova foi a abordagem da tecnologia, considerada importante pela professora principalmente pelo fator da contemporaneidade. A tecnologia permeou diversas questões e trouxe questionamentos sobre exposição na web, importância de softwares livres, perfis nas redes sociais, entre outros pontos.

Inclusive a professora Camila apontou a questão sobre os perfis nas redes sociais como uma das mais simples da prova, já que não exigia muita interpretação de texto e era tranquila encontrar a resposta correta.

Na parte de Educação Física, mesclando com interpretação de texto, tivemos questões importantes envolvendo a saúde alimentar das pessoas. Esse tema chegou a ser cogitado em apostas de professores para o tema de redação de 2019. Foram abordados temas como emagrecimento e distúrbios associados à imagem do corpo.

Literatura na prova de Linguagens e Códigos do Enem 2019

As questões do Modernismo, como antecipamos, estiveram presentes na prova. Esse ano teve destaque para a geração de 22 e para o autor João Cabral de Melo Neto. As mulheres da geração de 45, que costumavam aparecer com frequência na prova, ficaram de fora dessa edição (como Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles).

Apesar de não constar essas autoras, uma grata surpresa foi o poema de Hilda Hist, que é bastante contemporâneo. Outra ausência sentida foi de Machado de Assis, que comemorou 180 anos em 2019.

Questões mais complicadas

Separamos algumas das questões consideradas mais difíceis pela professora e também pelos alunos que responderam nossas enquetes nas redes sociais. A questão mais comentada foi a do pintor Pollock. A resposta correta seria a apropriação parodística das técnicas e materiais utilizados, isso porque o Enem perguntava sobre a matéria prima, que no caso seria o chocolate.

A questão ficava um pouco mais complexa por não parecer uma paródia logo de cara. Estamos acostumados com paródias que envolvem deboche e ironia, ausentes nessa questão.

Por isso, é necessário que o aluno interprete o enunciado e não vá com tanta ânsia às alternativas. A professora Camila destaca que é necessário prestar atenção principalmente aos verbos das questões, para entender para qual lugar o Enem está te direcionando.

Esse é o caso da questão sobre a violência contra a mulher. Se não olhasse com calma, o aluno poderia passar batido pela questão do duplo sentido em todas as expressões da canção. Para a professora, a princípio a letra parece algo amoroso, mas era necessário identificar o duplo sentido em expressões como: “24 horas lado a lado” que indicava o ciúmes, o olhar como intimidação, o calafrio como medo, entre outros.

O aluno aqui podia se confundir com a questão da revelação da submissão da mulher, mas não era esse o ponto que a campanha focava. Além disso, em nenhum momento há algo que remetesse à denúncia na letra da canção, ou seja, podemos descartar essa alternativa também. Assim, ficamos com a que abordava o duplo sentido.

Outra questão que ficou confusa para alguns alunos foi a do texto “Menina”, que narrava a angústia de uma menina enquanto matutava em sua cabeça se deveria questionar a mãe sobre uma palavra. Para Camila, a importância dessa questão estava na análise do período em que o texto foi escrito: na década de 1960. É preciso relembrar que era um momento extremamente conservador no país, de valorização da religião e da família.

A menina queria saber o que seria desquitada, já que provavelmente a mãe estava sendo chamada por esse adjetivo desconhecido. Assim, o texto narra o momento em que a mãe é pega desprevenida e fica sem reação. Por isso, podemos descartar a alternativa em que destacava a angústia da menina (correto) e a reação da mãe intempestiva (incorreto). A mãe permanece em transe e não age de forma intempestiva. Já sobre a alternativa da ausência da figura paterna, em nenhum momento do texto há algum elemento que remeta isso. Assim, ficamos com a alternativa que remetia às representações de estigmas sociais.

Na análise de Linguagens e Códigos do Enem 2019, outras duas questões chamaram atenção. Na prova de Artes, a cabeça de touro de Picasso gerou confusão entre alguns alunos. Porém, bastava analisar a mudança de funcionalidade do bronze, que geralmente é utilizado em fábricas, para fazer grandes contêineres ou até mesmo joias.

Por fim, a questão sobre o texto desenvolvido pela inteligência artificial trouxe a reflexão acerca da subjetividade e da criatividade humana, uma vez que o computador foi incapaz de criar personagens com efeitos, qualidades, pensamentos, etc.

Em suma, a prova de Linguagens foi bem abrangente, trazendo temas contemporâneos e autores já consagrados no Enem. Mais uma vez, a interpretação de texto foi essencial para que o aluno conseguisse bons resultados, além da preparação física e mental para a grande quantidade de textos.