Minimalismo

Atualmente fala-se muito sobre o Minimalismo como uma cultura do ‘ter menos’, ou do ‘menos é mais’. Entretanto, o termo originou-se nas artes visuais e dá nome a um conjunto de movimentos artísticos do século XX. Para saber mais, é só vir com a gente!

O termo Minimalismo, que remete a menos, pouco, ou apenas o necessário, originou-se do título de um ensaio escrito em 1965 pelo filósofo britânico Richard Wollheim (1923-2003).

Wollheim procurava refletir sobre o esforço manual mínimo dos artistas que o circundavam. Assim, o filósofo concedeu a alcunha “Minimalista” referindo-se às pinturas de abstração cromática de Ar Reinhart (1923-1967) e ao ready-made* de Marcel Duchamp (1887-1968).

Entretanto, outros artistas norte-americanos posteriormente também foram reconhecidos como minimalistas, tais como Carl Andre (1935), Sol Lewitt (1928-2007) e Robert Morris (1931).

Todos eles produziram objetos com formas simplificadas e não tinham a pretensão de representar algo. A obra a seguir mostra a estética minimalista, apresentando formas bastante simplificadas.

minimalismo - Robert Morris
MORRIS, Robert, Sem título (Vigas em L), 1965. Fonte: https://bit.ly/2NehTN8

Porém, para que se chegasse nas esculturas, pintores como Reinhart e Frank Stella (1936) foram os precursores. Stella, em 1959, apresentou em Nova York tiras pintadas de preto (‘Pinturas negras’) separadas por faixas de tela sem pintura.

Essas telas não continham nenhuma referência ou significado secreto. Foi o ponto de partida para que escultores apresentassem obras com pouca variação de cores, formas geométricas simplificadas, repetições com padrões simétricos.

Além disso, os artistas preferiam materiais e métodos da produção em massa, tais como vigas de madeira, alumínio, aço, azulejos de magnésio e luzes fluorescentes.

minimalismo - Dan Flavin
FLAVIN, Dan. “Diagonal de 25 de maio de 1963 (para Constantin Brancusi)”, 1963. Fonte: https://bit.ly/2xf3CVG

Dan Flavin (1933-1996) foi o primeiro artista a usar iluminação elétrica como meio artístico. As obras do artista, tal como “Diagonal de 25 de maio de 1963 (para Constantin Brancusi)”, atravessaram o escultural e passaram a interagir de fato com o ambiente do entorno. Obras assim brincam com o que está ao redor num jogo de sombras e luzes coloridas. O artista criou também corredores de luz, que intensificavam os efeitos.

Embora todos os artistas tenham a mesma relevância para essa vertente, nenhum deles é tão próximo da idealização e do conceito minimalista quanto o americano Carl Andre, que dividiu um atelier com Frank Stella. Em sua trajetória artística, passou por linguagens como a poesia, a pintura e a escultura.

Sobre sua pintura, defendia que não possuía formas transcendentes ou ainda características intelectuais ou espirituais. Era apenas o que era. Sem a intenção de algum significado por detrás. Essa é a tônica do movimento. Influenciado por visitas a sítios históricos como Stonehenge, acreditava que sua obra deveria dialogar com o entorno.

Parece um tabuleiro de xadrez, não é mesmo? Pois bem. A obra, que apresenta 36 placas (metade em aço e metade em zinco) colocadas lado a lado no chão, forma um quadrado maior que remete ao tabuleiro.

Para o artista, essa obra não tinha um começo ou fim, ou mesmo parte de cima e de baixo. Dessa forma, Andre incita a possibilidade de o espectador caminhar sobre a obra, atribuindo-lhe seu próprio significado, direção e perspectiva.

ANDRE, Carl. “Plano em aço e zinco”. Fonte: https://bit.ly/2OjK9Kz

Esse viés artístico estava presente em outras linguagens, como na música (através de composições com poucas notas musicais e mínimo de variações sonoras), na literatura (através de microcontos, com uso de poucas palavras) e também no design (com o uso de cores neutras, por exemplo).

O minimalismo e alguns de seus representantes fizeram com que a arte caminhasse, posteriormente, para um outro caminho, o da arte conceitual.

* PRA REFRESCAR A MEMÓRIA: ready-made é a principal técnica artística utilizada por Duchamp que apropria-se de objetos industrializados e os transforma em obra de arte.

Assista o vídeo do canal Arte & Educação:

Exercícios:

1. (UEL 2010) O Minimalismo foi uma tendência artística da segunda metade do séc. XX que usava o mínimo de recursos formais e visuais para que o espectador tivesse a chance de se relacionar de forma expressiva não apenas com a obra de arte, mas consigo mesmo em relação à obra de arte e com o espaço no qual a obra fosse inserida, criando uma relação harmoniosa para a fruição: obra, espectador e espaço.

minimalismo - exercício
(MORRIS, R. Sem título (cubos de espelho), 1965. Placas de espelho e madeira. (91,4×91, 4×91, 4 cm – cada um)

Com base nesses dados, na observação da imagem e nos conhecimentos sobre o Minimalismo, assinale a alternativa correta.

a) A unidade do trabalho artístico, que Robert Morris chama de formas unitárias, está na concisão de que tudo deve ser apreendido em um único olhar, ou seja, de imediato.

b) Embora primasse pela simplicidade das formas, o rebuscamento manual do trabalho de alguns dos artistas dificultava o entendimento das obras durante sua exposição.

c) Ao agrupar e ordenar tijolos em ordem diversa, o artista Carl Andre pretendia compará-los ao ambiente das grandes cidades, ambiente comum ao homem moderno.

d) Apesar de usar formas simples em seus trabalhos, Robert Morris mantinha o uso de base em cada uma das peças, em referência respeitosa à tradição escultórica européia.

e) Ao elaborar trabalhos decompostos parte por parte, o artista Donald Judd fazia alusão à “estética cubista”, ou seja, decompositiva.

2. O Minimalismo é um movimento artístico que surgiu nos Estados Unidos na década de 1960 e foi denominado de arte “ABC” ou minimal art. Influenciado pelas correntes abstracionistas das vanguardas artísticas do início do século XX tais como o suprematismo e o neoplasticismo, entre outros , o Minimalismo se expandiu pela arte e pela arquitetura. Para Giulio Carlo Argan (1909-1992) historiador e teórico da arte , o objetivo da minimal art seria realizar uma síntese de volume e cor, criando formas elementares a partir de estruturas geométricas primárias, capazes de se impor na paisagem ao mesmo tempo apinhada e desolada das megalópoles industriais.

A partir do texto acima e considerando as relações estabelecidas com outras manifestações artísticas, conclui-se que o Minimalismo

a) adotou, como o neoplasticismo, a ideia de que uma obra de arte deve ser concebida durante sua execução.

b) celebrou o racionalismo e um modo matemático de pensar, tal como o expressionismo abstrato.

c) compartilhou com o impressionismo, um compromisso com o rigor conceitual, relacionando a arte com a ciência e a tecnologia.

d) descreveu o ambiente consumista e sua mentalidade, assim como a pop art na década de 1950.

e) substituiu a instantaneidade perceptiva de base gestáltica pela leitura sequencial e relacional do cubismo.

GABARITO:

1-A, 2-A

Sobre o(a) autor(a):

Renata Gambagorte é formada em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná com pós graduação em Cenografia pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente atua na rede de ensino em Curitiba. Facebook: https://www.facebook.com/renatagmbgrt