Como abordar temas de política e cidadania na redação do Enem

Aprenda técnicas argumentativas para escrever sobre temas envolvendo política e cidadania. Com estas dicas você vai fazer uma redação incrível no Enem!

O tema da Redação do Enem é sempre uma “caixinha de surpresas”. Mas, saber lidar com um tema que envolva questões políticas e sociais é essencial.

Se eu pudesse apostar em um tema para o Enem deste ano, com certeza envolveria estes temas geradores! Então, nesta aula, vou te dar dicas de como compreender e investigar a coletânea de informações fornecidas pela proposição de tema, assim como elaborar bem o caminho que você vai trilhar ao longo de sua escrita. Vamos lá?

Quando você se depara com um tema que aborde política e cidadania, é sempre importante que “de cara” você reflita sobre algumas questões pertinentes ao tema. Você precisa fazer mentalmente algumas perguntas sobre o tema que irão te orientar na montagem da sua redação. Veja alguns exemplos:

– Em relação ao tema proposto, como é a nossa realidade?
– Por que ela é assim? Quais as causas disso?
– Quais as possíveis consequências disso?
– Sempre foi assim ou em outras épocas era diferente?
– Como é em outras culturas?
– Trata-se de algo benéfico/maléfico para qual aspecto?
-É possível mudar? É necessário mudar?
– Como esse tema é abordado pelas artes (literatura, artes plásticas, cinema etc.)?
– Existem exemplos concretos (atuais, históricos, fictícios)?

Esse brainstorming nos ajuda a selecionar informações mais críticas e adequadas ao gênero dissertativo. Por exemplo, vamos imaginar que para o próximo Enem caísse o tema: Os valores do século XXI. Como poderíamos partir de algo tão amplo a um texto dissertativo organizado e objetivo? Como trabalhar nesse tema as questões de política e cidadania? Vamos refletir um pouquinho com base nas perguntas listadas acima.

– Quais são os valores do século XXI de acordo com a nossa realidade? Podemos selecionar grandes área que sejam passíveis de comprovação. Por exemplo, na Economia, os valores são regidos por critérios capitalistas, tais como meritocracia, liberdade em relação ao Estado, exploração das forças de trabalho, livre concorrência e acúmulo de capital. Para um texto dissertativo, poderíamos escolher algum desses valores e desenvolvê-lo. Vamos trabalhar com a meritocracia e o acesso à educação?

– Quais são as causas de valores capitalistas na sociedade atual? Podemos apontar fatos históricos, como a ascensão do Neoliberalismo após a Segunda Guerra Mundial – os Estados Unidos se afirma como principal país neocolonialista, coordenando diversos acordos político – econômicos; como a abertura do mercado brasileiro no governo de Kubitschek, o que aumenta o poder de consumo do país com preços mais baratos, mas não o resguarda socialmente, o que a longo prazo acirra a desigualdade social e influencia novamente o potencial de consumo.

– Quais as possíveis consequências disso? A suposta desvinculação da Economia com o Estado traz diversas consequências sociais ao país, como o desmonte das escolas públicas devido aos poucos investimentos sociais de base. Isso acentua a desigualdade social e aumenta a tensão em relação a medidas de curto prazo, como o sistema de cotas em universidades.

– Sempre foi assim ou em outras épocas era diferente? O sistema capitalista não é um privilégio do século XXI, mas dentro de seu contexto, apresenta batalhas complexas, como o cumprimento dos Direitos Humanos num sistema que privilegia a posse de capital para ascensão social. Ou seja, para qualificar-se profissionalmente e ter acesso à casa própria, lazer, alimentação adequada; é necessário acesso à educação, o que acontece para a maior parte da população via instituições particulares, seja no Ensino Básico ou Superior (devido à concorrência desproporcional em vestibulares de universidade públicas).

– Como é em outras culturas? Nem toda cultura é afetada pelo capitalismo da mesma forma. Pelo Brasil ser um país em desenvolvimento, com histórico de Colônia de Exploração, os avanços sociais não encontram tanta vazão em iniciativas econômicas, havendo grande dependência do Estado para acentuar desigualdades sociais. Por exemplo, o país necessita cada vez mais de mão de obra qualificada, mas a maioria dos adolescentes têm acesso à educação pública com investimento escasso e pouca infraestrutura.

– Trata-se de algo benéfico/maléfico para qual aspecto? No contexto atual, o sistema meritocrático de educação é falho, pois não oferece as mesmas oportunidades e viabilidades sociais para que haja livre concorrência e estimulação de mercado. Os jovens de baixa renda não possuem o mesmo acesso à ensino e oportunidades e profissionalização.

-É possível mudar? É necessário mudar? Uma sociedade socialmente equilibrada gera maior consumo e estimula projetos que possam torná-la sustentável numa parceria de comunidades regionais, educação e economia.

– Como esse tema é abordado pelas artes (literatura, artes plásticas, cinema etc.)? Muitos autores modernistas trabalham esse tema, como Jorge Amado com Capitães da Areia ou Clarice Lispector em A hora da estrela.

– Existem exemplos concretos (atuais, históricos, fictícios)? Podemos mencionar as cotas para a população negra e indígena, além do congelamento de 20 anos nos investimentos na educação.

Dessa forma, esse esquema nos ajuda a selecionar informações que podem ser utilizadas de maneira mais sucinta na defesa de uma tese:

-Introdução com o ponto de vista a ser defendido: Valores econômicos capitalistas, como a supervalorização da posse de capital e meritocracia tem eficiência questionável no contexto brasileiro.
-Argumentos que o comprovam no desenvolvimento: Pelo nosso esquema, podemos apontar questões históricas, consequências sociais e até mesmo relação literárias.
-Conclusão com medida de intervenção: Podemos mencionar que é preciso mudar e quais fatos concretos poderiam ser trabalhados.

Vamos analisar uma redação de verdade com o mesmo tema? De que maneira esse texto poderia ser melhor elaborado se houvesse um brainstorming mais amplo?

O tema da Redação do Enem é sempre uma “caixinha de surpresas”. Mas, saber lidar com um tema que envolva questões políticas e sociais é essencial. Se eu pudesse apostar em um tema para o Enem deste ano, com certeza envolveria estes temas geradores! Então, nesta aula, vou te dar dicas de como compreender e investigar a coletânea de informações fornecidas pela proposição de tema, assim como elaborar bem o caminho que você vai trilhar ao longo de sua escrita. Vamos lá? Acompanhe este post para arrebentar na sua Redação Enem!

Quando você se depara com um tema que aborde política e cidadania, é sempre importante que “de cara” você reflita sobre algumas questões pertinentes ao tema. Você precisa fazer mentalmente algumas perguntas sobre o tema que irão te orientar na montagem da sua redação. Veja alguns exemplos:

– Em relação ao tema proposto, como é a nossa realidade?
– Por que ela é assim? Quais as causas disso?
– Quais as possíveis consequências disso?
– Sempre foi assim ou em outras épocas era diferente?
– Como é em outras culturas?
– Trata-se de algo benéfico/maléfico para qual aspecto?
-É possível mudar? É necessário mudar?
– Como esse tema é abordado pelas artes (literatura, artes plásticas, cinema etc.)?
– Existem exemplos concretos (atuais, históricos, fictícios)?

Esse brainstorming nos ajuda a selecionar informações mais críticas e adequadas ao gênero dissertativo. Por exemplo, vamos imaginar que para o próximo Enem caísse o tema: Os valores do século XXI. Como poderíamos partir de algo tão amplo a um texto dissertativo organizado e objetivo? Como trabalhar nesse tema as questões de política e cidadania? Vamos refletir um pouquinho com base nas perguntas listadas acima.

– Quais são os valores do século XXI de acordo com a nossa realidade? Podemos selecionar grandes área que sejam passíveis de comprovação. Por exemplo, na Economia, os valores são regidos por critérios capitalistas, tais como meritocracia, liberdade em relação ao Estado, exploração das forças de trabalho, livre concorrência e acúmulo de capital. Para um texto dissertativo, poderíamos escolher algum desses valores e desenvolvê-lo. Vamos trabalhar com a meritocracia e o acesso à educação?

– Quais são as causas de valores capitalistas na sociedade atual? Podemos apontar fatos históricos, como a ascensão do Neoliberalismo após a Segunda Guerra Mundial – os Estados Unidos se afirma como principal país neocolonialista, coordenando diversos acordos político – econômicos; como a abertura do mercado brasileiro no governo de Kubitschek, o que aumenta o poder de consumo do país com preços mais baratos, mas não o resguarda socialmente, o que a longo prazo acirra a desigualdade social e influencia novamente o potencial de consumo.

– Quais as possíveis consequências disso? A suposta desvinculação da Economia com o Estado traz diversas consequências sociais ao país, como o desmonte das escolas públicas devido aos poucos investimentos sociais de base. Isso acentua a desigualdade social e aumenta a tensão em relação a medidas de curto prazo, como o sistema de cotas em universidades.

– Sempre foi assim ou em outras épocas era diferente? O sistema capitalista não é um privilégio do século XXI, mas dentro de seu contexto, apresenta batalhas complexas, como o cumprimento dos Direitos Humanos num sistema que privilegia a posse de capital para ascensão social. Ou seja, para qualificar-se profissionalmente e ter acesso à casa própria, lazer, alimentação adequada; é necessário acesso à educação, o que acontece para a maior parte da população via instituições particulares, seja no Ensino Básico ou Superior (devido à concorrência desproporcional em vestibulares de universidade públicas).

– Como é em outras culturas? Nem toda cultura é afetada pelo capitalismo da mesma forma. Pelo Brasil ser um país em desenvolvimento, com histórico de Colônia de Exploração, os avanços sociais não encontram tanta vazão em iniciativas econômicas, havendo grande dependência do Estado para acentuar desigualdades sociais. Por exemplo, o país necessita cada vez mais de mão de obra qualificada, mas a maioria dos adolescentes têm acesso à educação pública com investimento escasso e pouca infraestrutura.

– Trata-se de algo benéfico/maléfico para qual aspecto? No contexto atual, o sistema meritocrático de educação é falho, pois não oferece as mesmas oportunidades e viabilidades sociais para que haja livre concorrência e estimulação de mercado. Os jovens de baixa renda não possuem o mesmo acesso à ensino e oportunidades e profissionalização.

-É possível mudar? É necessário mudar? Uma sociedade socialmente equilibrada gera maior consumo e estimula projetos que possam torná-la sustentável numa parceria de comunidades regionais, educação e economia.

– Como esse tema é abordado pelas artes (literatura, artes plásticas, cinema etc.)? Muitos autores modernistas trabalham esse tema, como Jorge Amado com Capitães da Areia ou Clarice Lispector em A hora da estrela.

– Existem exemplos concretos (atuais, históricos, fictícios)? Podemos mencionar as cotas para a população negra e indígena, além do congelamento de 20 anos nos investimentos na educação.

Dessa forma, esse esquema nos ajuda a selecionar informações que podem ser utilizadas de maneira mais sucinta na defesa de uma tese:

-Introdução com o ponto de vista a ser defendido: Valores econômicos capitalistas, como a supervalorização da posse de capital e meritocracia tem eficiência questionável no contexto brasileiro.
-Argumentos que o comprovam no desenvolvimento: Pelo nosso esquema, podemos apontar questões históricas, consequências sociais e até mesmo relação literárias.
-Conclusão com medida de intervenção: Podemos mencionar que é preciso mudar e quais fatos concretos poderiam ser trabalhados.

Vamos analisar uma redação de verdade com o mesmo tema? De que maneira esse texto poderia ser melhor elaborado se houvesse um brainstorming mais amplo?

Exemplo de redação

Colorida Primavera

Iracemas, Capitus. Os operários da Tarsila, o grito do Munch. Cada um desses personagens e imagens representa uma época, um valor. Como José de Alencar pintaria Iracema hoje? Como seriam os olhos de Capitu? Talvez os operários continuariam apáticos , e o grito continuaria profundo. No entanto, seriam, certamente, cinzas. Borrada, disforme, opaca: essa é a imagem do nosso tempo.

Em vez do verde reluzente, uma grande pista de concreto. Nesse ritmo frenético de vida faz cada vez mais perdemos as cores do nosso cotidiano. A revolução Industrial e os avanços no desenvolvimento tecnológico não mudaram apenas a produção e as relações comerciais; mudara, sobremaneira, a aquarela do mundo. Cada vez mais fumaça, mais asfalto. O mundo caminha para a homogeneidade cromática, e nossos olhos não enxergam mais o verde da mata, o azul do céu e o amarelo do sol. Nesse quadro, os cabelos de Iracema seriam tão negros quanto as águas do Tietê, e a morena virgem seria tão veloz quanto o último modelo da Ferrari. Seus pés não acariciariam mais a pelúcia da mata nascente, mas sofreriam com a imundice das calçadas e ruas.

Além da ausência do verde da mata, há a ausência da empatia no olhar das pessoas. A cada dia, acostumamo-nos a dar as costas ao sofrimento alheio. Temos contas a pagar, tarefas a cumprir, coisas a comprar. Nessa sociedade de concreto e de consumo, Não há espaço para imagens de solidariedade e amor genuíno. Não visualizamos o correr dos rios porque estamos vidrados na possibilidade de comprar um piano e pagar em 12 vezes, sem juros, no cartão. Esse consumismo substituiu o amor ao próximo pelo amor ao produto e agora a nossa face expressa a indiferença ao outro. Nesse contexto, as relações pessoais se tornariam opacas, vazias. A imagem de um homem bicho catando lixo não mais indigna os Bandeiras, e os olhos de Capitu, dissimulados, seriam de um cinza paulistano um tanto tóxico.

Apesar do semblante apático da maioria dos operários modernos, ainda há Pedro Balas gritando por socorro, suplicando por mudanças. O grito profundo e desesperado clama por mais respeito ao próximo e ao meio ambiente. As manifestações de jovens conectados ao mundo mostram que nossa geração pode transformar a realidade: basta que ela grite e se proponha a agir. Afinal, não transformamos o quadro cinza de hoje em uma linda imagem de primavera sem que haja vontade e mobilização.

Iracemas, Capitus, os operários de Tarsila e o grito de Munch. Muitas imagens foram criadas na literatura e nas artes, a fim de representarem uma época, uma realidade. O desenvolvimento da indústria e tecnologia moldurado pelo capitalismo faz do nosso tempo um grande borrão cinza: sem paisagem, sem semblante, sem nada. No entanto, mudanças estão por vir, evidenciando o poder do grito jovem, para fazer do quadro do amanhã não uma imagem expressionista, mas um colorido quadro de primavera.

Análise da redação

A partir desse exemplo de redação, veja como um corretor do Enem analisaria a produção textual:

Introdução: X autorx inicia a redação com exemplos da literatura e das artes plásticas. Em seguida, traz perguntas que os relacionam com atualidade. É importante ressaltar que essas perguntas precisam ser respondidas durante o texto e que devem direcionar à tese.

Desenvolvimento: X autor x inicia o primeiro argumento com uma imagem que sugere a destruição da natureza, tópico frasal do parágrafo. Em seguida, inicia a discussão da ideia com argumentos que remontam à causa da destruição da natureza e finaliza o parágrafo com um exemplo da literatura.

X autor x introduz o segundo argumento por meio de uma expressão aditiva, evidenciando a relação semântica com o parágrafo anterior, e mostra a ideia central que será desenvolvida no parágrafo (relações pessoais). Para desenvolver a ideia, faz uma reflexão crítica, repleta de intertextualidades. O autor finaliza o parágrafo com exemplos da literatura. Nesse momento, já seria interessante trabalhar também com dados, fatos ou eventos histórias, de modo a sair da analogia e evidenciar como isso ocorre em sociedade.

O terceiro argumento é introduzido por uma conjunção concessiva (apesar de), o que demonstra a relação semântica com o parágrafo anterior, além de evidenciar, por meio de uma intertextualidade, o tópico frasal que será desenvolvido. A ideia central é desenvolvida por meio de uma reflexão crítica, com linguagem metaforizada. Para finalizar a ideia, o autor, faz referência, de forma implícita, a um acontecimento recente: a Primavera Árabe, o qual poderia ser aproveitado de forma mais direta.

Conclusão: A conclusão do texto traz, no início, a retomada dos exemplos mencionados na introdução. É importante notar que as analogias feitas com a literatura são úteis, mas deixam a desejar na aplicação de conceitos, como a própria noção de capitalismo. É necessário aliá-la à abordagem de fatos sociais. Assim, apesar da síntese de argumentos, a tese (ideia defendida ficou pouco objetiva.

Agora, para melhorar ainda mais sua técnica de produção textual, veja agora essa videoaula:

E também essa outra:

https://www.youtube.com/watch?v=PPKX1c7Fhuc