População brasileira chega a 213,4 milhões de habitantes: quais os impactos disso?
Descubra como o Brasil está enfrentando os desafios do crescimento populacional, seus impactos na economia e nas condições de vida.
Você já parou para pensar em quantos brasileiros existem hoje? Pois bem, segundo o IBGE, em 1º de julho de 2025 o Brasil tinha uma população estimada em 213,4 milhões de pessoas. Um número enorme, não é? Mas sabe o que chama mais atenção? Esse total representa um crescimento de apenas 0,39% em relação ao ano passado. Parece pouco? É mesmo, e esse detalhe diz muito sobre o ritmo do nosso crescimento populacional.
Mas antes de sair repetindo por aí que somos 213,4 milhões, vale um alerta: esse número é uma estimativa, não o resultado de um Censo. Qual a diferença? O Censo Demográfico (como o último, feito em 2022) conta cada morador do país. Já as estimativas anuais são projeções baseadas no Censo e atualizadas com dados como nascimentos e mortes.
“Ok, mas por que isso importa para mim?” Porque essa estimativa é usada pelo Tribunal de Contas da União para calcular quanto dinheiro cada estado e município vai receber do Fundo de Participação. Ou seja, não é só estatística: esse número influencia políticas públicas e a vida real de milhões de pessoas.
Bora entender como esses processos acontecem?
Crescimento mais lento: por que isso importa para o Enem?
A taxa de crescimento anual, de 0,39%, é um detalhe cheio de significado. Ela é menor do que a média de 0,52% registrada entre 2010 e 2022, que já tinha sido a mais baixa desde o primeiro Censo lá em 1872. Em outras palavras: a população continua aumentando, mas a passos cada vez mais curtos.
Esse cenário faz parte de um processo maior: a transição demográfica do Brasil. Para quem vai fazer o Enem, é um tema muito atual. As provas não focam mais na “explosão demográfica” do século passado, mas sim nas consequências desse crescimento mais lento e no envelhecimento da população.
Ou seja: não basta saber que temos 213,4 milhões de habitantes. É preciso entender o que isso significa para o futuro do país.
Confira a tabela que mostra como a população cresceu ao longo do tempo:
Ano | População (em milhões) | Taxa de Crescimento Anual (%) |
---|---|---|
1872 | 10 | – |
1950 | 54 | – |
2000 | 169,6 | – |
2010 | 190,8 | 1,17 |
2022 | 203,1 | 0,52 |
2025 | 213,4 | 0,39 |
Como a população cresce?
Quando falamos em crescimento populacional, existem dois fatores principais:
- Crescimento vegetativo (ou natural): diferença entre as taxas de natalidade (nascimentos) e mortalidade (óbitos).
- Saldo migratório: diferença entre quem chega (imigrantes) e quem sai (emigrantes).
Na história do Brasil, o crescimento sempre veio mais do número de nascimentos do que da migração. Mas isso está mudando. Quer um exemplo? Boa Vista (RR) foi a capital que mais cresceu segundo a estimativa de 2025, e isso aconteceu principalmente por causa da migração internacional, especialmente de venezuelanos: 98,24% dos migrantes internacionais que chegaram a Roraima entre 2017 e 2022 vieram da Venezuela, fugindo da crise no país vizinho.
Esse caso mostra como a dinâmica populacional não é só sobre nascer e morrer. Tem muito a ver com movimentos migratórios e fatores sociais e econômicos.
Em que fase estamos da transição demográfica brasileira?
A teoria da transição demográfica, criada por Frank Notestein, explica como as populações mudam ao longo do tempo:
- Fase 1: altas taxas de natalidade e mortalidade → crescimento lento.
- Fase 2: queda da mortalidade, natalidade continua alta → explosão demográfica.
- Fase 3: queda acentuada da natalidade → desaceleração.
- Fase 4: natalidade e mortalidade baixas → crescimento quase nulo ou negativo.
O Brasil começou essa transição entre 1940 e 1950. A partir de 1970, a natalidade caiu com força por fatores como:
- urbanização,
- participação das mulheres no mercado de trabalho,
- acesso a métodos contraceptivos.
Hoje, estamos na fase 3 (desaceleração) e caminhando para a fase 4 (estabilização). A estimativa de 2025, com taxa de crescimento de apenas 0,39%, é uma prova clara disso.
Pirâmide etária
A pirâmide etária é como uma foto da estrutura da população: mostra quantas pessoas existem em cada faixa etária e por sexo.
O Censo 2022 trouxe um dado marcante:
- A base da pirâmide (crianças e adolescentes) está encolhendo. Pela primeira vez, jovens representam menos de 20% da população (em 1980, eram 38,3%).
- O topo (idosos) está crescendo rápido: aumentou 57,4% entre 2010 e 2022, chegando a 10,9% da população.
- A parte do meio (pessoas em idade ativa) ainda é a maior, mas o formato triangular está sumindo e dando lugar a um cone invertido.
Esse é o retrato do envelhecimento populacional em andamento.
As tendências do Brasil
O envelhecimento populacional
O envelhecimento da população brasileira é uma das mudanças mais profundas que estamos vivendo. Quer um dado que mostra isso claramente? Em 2010, a idade mediana (aquela que divide a população ao meio) era de 29 anos. Em 2022, saltou para 35 anos. Isso significa que hoje metade dos brasileiros tem 35 anos ou mais.
Alguns estados já estão bem à frente nesse processo:
- Rio Grande do Sul: idade mediana de 38 anos (população mais envelhecida).
- Roraima: 26 anos (a mais jovem do país).
O que está por trás dessa mudança? Dois fatores principais:
- Menos nascimentos: famílias estão tendo menos filhos.
- Mais tempo de vida: avanços na saúde e na qualidade de vida aumentaram a expectativa de vida.
E isso tudo muda a forma como o país precisa se organizar. Saúde, previdência, mercado de trabalho: tudo terá que se adaptar para uma população cada vez mais idosa.
Urbanização e redistribuição
O Brasil é um país urbano, e isso ficou ainda mais evidente com o Censo 2022:
- 87,4% da população vive em cidades (eram 84,4% em 2010).
- A população rural caiu em todas as regiões, algo inédito.
Mas não é só o movimento do campo para a cidade. Agora vemos também um fenômeno chamado desconcentração urbana:
- Capitais como Salvador, Belo Horizonte, Natal e Porto Alegre estão perdendo moradores.
- Esses moradores estão se mudando para cidades menores nas regiões metropolitanas, buscando mais qualidade de vida e moradia mais barata.
Por outro lado, algumas capitais continuam crescendo muito:
- Boa Vista (RR): +3,26% – por causa da migração internacional (principalmente venezuelanos).
- Florianópolis (SC): +1,93% – com migração interna e internacional (haitianos e venezuelanos).
- Cuiabá (MT): +1,31% – impulsionada por migração interna.
Ou seja: a demografia brasileira é cada vez mais moldada por movimentos migratórios, seja entre cidades ou vindos de outros países.
Veja os números:
Capital | População Estimada (2025) | Crescimento (%) | Motivo principal |
---|---|---|---|
Boa Vista (RR) | 485.500 | +3,26% | Migração internacional |
Florianópolis (SC) | 587.486 | +1,93% | Migração interna e internacional |
Cuiabá (MT) | 682.000 | +1,31% | Migração interna |
Salvador (BA) | 2.658.918 | -0,18% | Desconcentração urbana |
Porto Alegre (RS) | 1.388.794 | -0,04% | Desconcentração urbana |
Quais são as oportunidades e os riscos?
O bônus demográfico, ou janela de oportunidade, é um momento único: quando a população em idade ativa (15 a 64 anos) é bem maior do que a população dependente (crianças e idosos). Nesse cenário, temos mais gente trabalhando e menos gente dependendo, o que facilita o crescimento econômico.
O Brasil entrou nessa fase por volta de 1995 e deve sair dela em 2055. O ponto mais favorável? Entre 2020 e 2025 – ou seja, agora!
Mas tem um problema: não aproveitamos como deveríamos. Organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, já alertaram que perdemos boa parte dessa chance porque não fizemos reformas estruturais.
E para piorar, o IBGE revisou as projeções:
- O pico populacional deve acontecer em 2041, não mais em 2047.
- Ou seja, o envelhecimento está vindo mais rápido do que esperávamos.
Ainda dá tempo de aproveitar? Sim, mas é urgente investir em educação, qualificação profissional e inovação.
Impactos nas políticas públicas e na economia
Essas mudanças demográficas vão influenciar tudo:
- Saúde e Previdência: mais idosos = mais gastos com saúde e aposentadoria. Com menos jovens no mercado, quem vai pagar essa conta?
- Educação: menos crianças = chance de melhorar a qualidade do ensino, em vez de focar só na quantidade.
- Mercado de trabalho: falta de mão de obra jovem pode aumentar salários, mas também acelerar a automação. E vamos ter que aprender a valorizar trabalhadores mais velhos.
Demografia e meio ambiente: qual é a relação?
Mais gente = mais impacto ambiental? Nem sempre é tão simples. O crescimento populacional aumenta a pressão sobre recursos, sim, mas o maior problema são os padrões de consumo.
Segundo a UNFPA (Fundo de População da ONU):
- O aumento populacional responde por 40% a 60% das emissões.
- Mas a maior parte vem dos países ricos e dos 20% mais ricos do mundo.
O desafio para o Brasil é crescer sem repetir modelos insustentáveis. Ou seja: pensar em desenvolvimento sem esgotar os recursos do planeta.

Sobre o(a) autor(a):
Luana Santos - Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, é redatora com foco em educação, produção de conteúdo para o Enem e vestibulares. Atualmente, integra a equipe da Rede Enem, onde cria materiais informativos e inspiradores para ajudar estudantes a alcançarem seus objetivos acadêmicos. Ama café, livros e uma boa conversa sobre educação.
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