México no pós-independência e a revolução mexicana

O México, país localizado na região norte das américas, chegou a ter uma breve experiência monárquica após a sua emancipação. Hoje ele é um país com governo presidencialista.

O processo de independência do México iniciou-se em 1810, tendo como alguns de seus principais líderes populares Miguel Hidalgo e José Maria Morelos. Dez anos após seu início, a independência foi consolidada em 1821, porém, sem se configurar em um governo popular.

Assim como no Brasil, a história do México contou com o embate entre forças que lutavam por maior autonomia regional e controle centralizado. A república veio em 1823, mas o país estava longe de ter uma política estável. Antes de conhecermos um pouco sobre a revolução mexicana vamos revisitar o tema das independências.

Um século de independências para o mundo

O século XIX foi o século em que a maioria das nações americanas entrou em independência. Este processo histórico pode ser compreendido como consequência dos privilégios dos europeus sobre o continente americano e das guerras napoleônicas que ocorria no velho mundo.

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A invasão da Espanha pela França se configurou como um momento de enfraquecimento do reino que detinha o maior domínio colonial das Américas. Sendo assim, não é uma simples coincidência que naquele momento muitas regiões latino-americanas reclamassem sua emancipação.

A partir do ano de 1811 a 1828, todos os países da América do Sul obtiveram sua independência. Neste mesmo intervalo de tempo em 1821, o país mexicano que faz parte da América do Norte, tornava-se independente da Espanha.

Como aconteceu a independência do México

No século XIX a forma de governo que estava em alta era a República. Inspirada nos ideais iluministas europeus, configurava-se como o modelo a ser copiado pela burguesia das antigas colônias. Os Estados Unidos haviam adotado o modelo republicano, e, por algum momento, os franceses também o fizeram.

Foi então que o processo de independência do México começou em 1810. Assim como o Brasil e diferentemente do resto das nações latino-americanas, a primeira forma de governo do país mexicano não foi a república, mas sim a monarquia. Tratou-se do governo imperial de Agustín de Iturbide, que durou até 1823.

Augustin Iturbide, ou Augusto I, do México. Augustin Iturbide, ou Augusto I, do México.

Com a expansão dos Estados Unidos para o Oeste, o México acabou perdendo parte importante do seu território ainda na primeira metade do século.

Dê uma repassada no conteúdo sobre independências da América Espanhola com este vídeo do canal Parabólica:

 

Por um momento, o México chegou a ser controlado pela França de Napoleão III, Luís Bonaparte, entre 1862 e 1867. Tal período foi fruto de uma aliança das forças conversadoras mexicanas com os franceses com o objetivo de tirar os liberais do poder. O país foi governado neste período por Fernando Maximiliano, da Áustria, que morreu executado em 1867.

O Porfiriato do México

Em 1876 Porfírio Diaz sobe ao poder. Diaz havia sido um dos comandantes que atuaram no processo que pôs fim a monarquia de Maximiliano. Após algumas tentativas de candidatar-se a presidência do México, Diaz chega ao poder por meio de um golpe de Estado.

Em 1884 Porfírio Diaz assume mais uma vez a presidência, sucedendo Manuel González, presidente que ele havia ajudado a ser eleito. Seu governo significou uma centralização do poder, por isto é lembrado como um período ditatorial. No período em que esteve no poder foram favorecidos os investimentos estrangeiros e suprimidas revoltas populares.

Apesar de terem sido implementadas novas estradas de ferro e de ser percebido um processo de urbanização, o governo de Diaz não atendia os problemas das classes mais frágeis. Trabalhadores tinham poucos direitos e mesmo organizados não conseguiam fazer frente aos patrões.

No governo, a oposição que não aceitava ser cooptada não tinha chances na disputa pelo poder.

A Revolução Mexicana

Foto de Pancho Villa montado em um cavalo branco com uma arma na cela. Foto de Pancho Villa montado em um cavalo branco com uma arma na cela.

Após seis mandatos presidenciais, nas eleições de 1910, Porfírio Diaz se candidatara a um novo mandato. Competindo com Diaz, Francisco Ignacio Madero, um membro das elites mexicanas do norte, mas prejudicado pela concorrência estadunidense, faz frente ao militar. Durante o processo eleitoral, Madero acaba sendo preso para que Porfírio vença facilmente a eleição.

Exilado nos Estados Unidos, Madero conclamou a oposição de Diáz para derrubar seu governo. Em 1911 Madero chega ao poder, mas as classes populares ainda não eram representadas por ele.

O projeto de Madero e a revolução no México

Sendo assim, o projeto de Madero ainda é um projeto capitalista e os revolucionários do Partido Liberal Mexicano lutavam pela distribuição de terra e pelo fim da especulação estrangeira.

Nesse contexto, surgem Emiliano Zapata, uma importante liderança entre os camponeses no sul e José Doroteo Arango Arámbula, mais conhecido como Pancho Villa, no Norte.

Zapata e Villa foram representantes das classes não atendidas nem por Porfírio Diaz e nem por Madero: camponeses e indígenas. O capitalismo mexicano ainda era sustentado pelo latifúndio, e muitas famílias pobres viviam sem terra a mercê do poder de grandes fazendeiros.

As forças camponesas e a nova constituição do México

Dessa maneira, no processo que ficou conhecido como Revolução Mexicana, camponeses organizados lutaram contra este status quo, exigindo-se uma reforma agrária e uma política nacionalista.

Em 1914 as forças camponesas de Zapata e Villa chegam a Ciudad de Mexico, capital do país. São obtidas conquistas populares como o direito de greve e a jornada de trabalho de oito horas. Porém, em 1915 os líderes camponeses são afastados da capital por forças constitucionalistas durante o governo de Venustiano Carranza.

Em 31 de janeiro de 1917 foi aprovada uma nova constituição para o México, encerrando a Revolução, que incorporava algumas demandas populares como forma de apaziguar o clima revolucionário. Na nova Carta Magna eram garantidos direitos aos trabalhadores, diminuição dos poderes da igreja sobre a máquina pública era regulamentada a reforma agrária. Chegava ao fim a Revolução Mexicana.

Video-aula:

Exercícios

1 – (UFU MG/2018)

“A Revolução Mexicana, que marca o início da Idade Contemporânea na América Latina, (…) derrotou a hegemonia da oligarquia, substituindo-a por uma burguesia agrária, desencadeando mudanças significativas na economia, na política, na diplomacia, nos campos social e cultural e nas relações entre Estado e Igreja.”

___RAMPINELLI, W.J. A Revolução Mexi-cana: seu alcance regional, precursores, a luta de classes e a relação com os povos originários. Revista Espaço Acadêmico, n.126, nov.2011, p.90.

Sobre os adventos que envolvem o processo revolucionário mexicano, é INCORRETO afirmar que

a) Porfírio Diaz, um dos principais nomes da revolução, defendia a realização de reformas trabalhistas e agrárias já no decurso do processo revolucionário, sem esperar as decisões de um futuro Poder Legislativo.

b) os intelectuais tiveram papel fundamental como precursores da revolução, em especial, aqueles vinculados às classes média e baixa, como Ricardo Flores Magón.

c) o programa do Partido Liberal Mexicano, de 1906, foi o primeiro documento público com a exposição dos 52 pontos que continham as principais ideias da revolução, fazendo um chamado ao povo sobre a vida nacional.

d) Emiliano Zapata comandava o Exército Libertador do Sul, que era formado essencialmente por camponeses, que não dispunham de uma visão nacional da revolução, apenas buscavam a defesa de suas tradições e de suas terras.

2 – (FGV/2017)

No mesmo ano em que o Nafta [1994] entrou em vigor, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), liderado pelo subcomandante Marcos, deu a conhecer ao mundo sua objeção ao tratado. (…) os zapatistas reclamaram uma nova atitude do Estado mexicano perante grupos sociais indígenas condenados a séculos de pobreza, exploração e abandono.

(Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino. História da América Latina, 2014)

Referência do movimento citado, Emiliano Zapata foi um

a) líder camponês, comandante do Exército Libertador do Sul, que ofereceu importante contribuição para a vitória da Revolução Mexicana de 1910 e defendia a continuidade das terras do pueblo nas mãos das comunidades camponesas.

b) líder guerrilheiro que, depois de 1911, integrou o governo revolucionário mexicano, representando os interesses dos trabalhadores urbanos, assim como dos operários das minas de prata e da construção de ferrovias.

c) nacionalista mexicano que elegeu como o maior inimigo do povo do seu país os Estados Unidos, interessados especialmente na exploração do petróleo e da construção e administração das ferrovias no México.

d) presidente revolucionário mexicano, que assumiu o governo após a queda de Porfírio Dias, e, em 1913, foi emboscado e morto a mando de Venustiano Carranza, outra importante liderança popular da Revolução Mexicana.

e) partidário do ditador Porfírio Dias, que rompeu com o antigo aliado e, ao associar-se ao revolucionário Francisco Madero, organizou e liderou milícias populares com o objetivo de derrubar o regime autoritário mexicano.

3 – (FMABC SP/2015)

A Revolução Mexicana, ocorrida entre em 1910 e 1917,

a) encerrou-se com a derrubada de Francisco Madero e a convocação de eleições livres em todos os níveis.

b) instaurou uma ditadura socialista no país, liderada por Emiliano Zapata, que perdurou até o final do século XX.

c) representou uma reação à ocupação norteamericana de parte significativa do território do México e uma defesa das propriedades rurais da Igreja Católica.

d) facilitou o avanço das propostas, defendidas por Pancho Villa, de retorno à organização comunal existente antes da chegada dos espanhóis ao México.

e) envolveu lutas operárias, camponesas e indígenas e a reação liberal ao regime autoritário de Porfirio Díaz.

GABARITO

1 – A

2 – A

3 – E

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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