Street art

Na década de 1980, Nova York foi o grande palco para uma técnica artística gerada em forma de protesto até então marginalizada, mas que ganharia o mundo nas décadas seguintes: a street art. Saiba mais sobre esse movimento artístico e arrebente em Ciências Humanas no Enem!

Embora o ato de se expressar desenhando em paredes seja um hábito antigo que acompanha a humanidade desde a pré história, no fim da década de 60 e início da década de 70 a arte urbana surgia com mais força na Filadélfia. Entretanto, outros lugares do mundo também desenvolviam essa vertente.

Artistas pioneiros na street art como Taki183 e Stan153 foram os “marcos iniciais” do grafite moderno, bastante parecido com o que conhecemos hoje. Nesse período, inicialmente, os grafiteiros dedicavam-se à cultura popular e desenhos animados. Esse movimento acabara por criar uma nova cultura estética e social.

Street artJá em meados da década de 80, autoridades de Nova York empenhavam-se em reprimir e acabar com a arte de rua, a qual consideravam vandalismo. Paralelamente, museus e galerias interessavam-se cada vez mais pelo potencial artístico e criativo dos grafiteiros.

Nesse âmbito, artistas como Futura 2000 (1955) e Dondi White (1961-1998) foram um “divisor de águas”, causando um impacto inquestionável para a arte contemporânea. Jean Michel Basquiat (1960-1988) e Keith Haring (1958-1990) também percorreram ruas, metrôs e casas noturnas de Nova York com suas poéticas e narrativas visuais para, posteriormente, serem abraçados em sua totalidade pela arte institucionalizada, sob a alcunha de “Arte do grafite”.

Juntamente com o graffiti e a pichação, despontava uma cultura que abarcaria um verdadeiro estilo de vida: o hip hop. É imprescindível que falemos dele juntamente com os primórdios dessa cultura do grafitti que conhecemos hoje. Surgido na década de 70 como um movimento de inclusão de latino-americanos, jamaicanos e afro-americanos em Nova York.

O pioneiro do movimento é o disc jockey (DJ) Afrika Bambaataa que, em 1973, fundou a Zulu Nation, organização que promovia o amor, a paz e a diversão através de quatro pilares: MCing (rapper), DJing (quem produzia melodias), Bboying (dança) e Graffiti (street art, tratava da visualidade do movimento). O hip hop, dessa forma, ajudou ainda mais a alavancar a street art de forma geral.

Pois bem, voltando ao graffiti não atrelado ao hip hop, Haring é, ainda hoje, um dos grandes ícones da arte urbana. Um dos elementos fundamentais em sua trajetória são as obras no sistema de transporte público. Andando na contramão de seus contemporâneos, ao invés de pintar em trens repletos de outras imagens, o artista desenhava com giz em espaços publicitários vazios nas estações de metrô.

Como era uma ação ilegal, Haring desenvolveu um estilo de narrativa visual que tinha traços fluidos, simples e com poucos detalhes.

Street art - mural
HARING, Keith. Mural, 1986. Fonte: https://bit.ly/2DPlw71

O mural acima, em que a tradução é Crack é uma droga, está localizado numa autoestrada em Nova York. Foi pintado ao lado de uma quadra de handebol abandonada e tinha o intuito de deflagrar a inércia e falta de ação do governo quanto à crescente epidemia de droga na cidade. Devido ao conteúdo (além, é claro, de ser ilegal), a obra causou um grande frenesi e Haring foi condenado por transgressão e o mural foi apagado.

A comunidade local não aceitou bem o fato e, dessa forma, as autoridades locais deram a Haring a oportunidade de pintar novamente o mural. Ainda hoje, a pintura é cartão de visita e um destino popular entre os aficionados por arte.

Na contemporaneidade, um dos artistas mais ovacionados dessa transgressora vertente artística é Banksy, nascido em Bristol, Inglaterra, em 1973. Por diversos anos o artista manteve sua identidade secreta e ainda hoje seu nome de batismo não é confirmado. Suas obras possuem um grande cunho contestador do governo e a diversas formas de poderio.

Podemos encontrá-las em Bristol, Los Angeles, Londres, Nova York e Paris, por exemplo. Embora a maior parte de seu acervo esteja nas ruas, sabe-se que galeristas e leiloeiros pleiteiam suas obras, que possuem um alto valor mercadológico.

A obra a seguir foi concebida na Palestina e traz um soldado carregando flores ao invés de armas.

Street art - flowers
BANKSY, Soldier throwing flowers. Fonte: https://bit.ly/2KiKewP

No Brasil, inúmeros artistas são adeptos do graffiti, tais como Osgêmeos (SP) e Eduardo Kobra (SP).

Street art - gemeos
OSGEMEOS, mural, NYC. (fonte: http://ilovegraffiti.de/blog/2017/10/07/new-osgemeos-hip-hop-mural-in-new-york/)

É importante observar que a arte de rua tem diversos desdobramentos: se, por um lado, Os gêmeos se considerem artistas plásticos (e de fato o são) e Kobra se considere um muralista, suas poéticas passeiam entre os diversos conceitos da arte de rua.

Agora, para aprender um pouco mais sobre Street Art, assista ao vídeo a seguir do canal Vivieuvi que define a diferença entre graffiti e pichação:

Para finalizar, que tal testar seus conhecimentos?

1- “Seja para demarcar um território, criticar o sistema, expressar ideias e sentimentos ou mostrar o nome ao mundo, a arte urbana mantém a ideia de passar uma mensagem adiante. O grafite, principal vertente desse tipo de arte, passou por várias mutações desde que surgiu e hoje tem sua estética adotada por setores antes combatidos na sua própria ideologia”.

(SILVA, H., NETTO, D. G. R., RODRIGUES, C. “Galeria Urbana: O Uso da Rua Como Suporte Artístico e a Incorporação da Estética do Graffiti como Item de Consumo e Obra de Arte”. Disponível em: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XVII Prêmio Expocom 2010 – Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação)

Assinale a alternativa CORRETA que apresenta artistas importantes da técnica do graffiti.

a) Alexandre Criscuolo, Beth Moysés, José Rufino, Banksy. B

b) Banksy, Albano Afonso, José Rufino, Basquiat.

c) Banksy, Os Gêmeos, Alexandre Criscuolo, Basquiat.

d) Sandra Cinto, Basquiat, Albano Afonso, Alexandre Criscuolo.

e) Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto, José Rufino, Os Gêmeos.

2- (Enem 2009)

Quatro olhos, quatro mãos e duas cabeças formam a dupla de grafiteiros “Osgemeos”. Eles cresceram pintando muros do bairro Cambuci, em São Paulo, e agora têm suas obras expostas na conceituada Deitch Gallery, em Nova Iorque, prova de que o grafite feito no Brasil é apreciado por outras culturas. Muitos lugares abandonados e sem manutenção pelas prefeituras das cidades tornam-se mais agradáveis e humanos com os grafites pintados nos muros. Atualmente, instituições públicas educativas recorrem ao grafite como forma de expressão artística, o que propicia a inclusão social de adolescentes carentes, demonstrando que o grafite é considerado uma categoria de arte aceita e reconhecida pelo campo da cultura e pela sociedade local e internacional.

Disponível em: http://www.flickr.com. Acesso em: 10 set. 2008 (adaptado).

No processo social de reconhecimento de valores culturais, considera-se que

a) grafite é o mesmo que pichação e suja a cidade, sendo diferente da obra dos artistas.

b) a população das grandes metrópoles depara-se com muitos problemas sociais, como os grafites e as pichações.

c) atualmente, a arte não pode ser usada para inclusão social, ao contrário do grafite.

d) os grafiteiros podem conseguir projeção internacional, demonstrando que a arte do grafite não tem fronteiras culturais.

e) lugares abandonados e sem manutenção tornam-se ainda mais desagradáveis com a aplicação do grafite.

3- O movimento hip-hop é tão urbano quanto as grandes construções de concreto e as estações de metrô, e cada dia se torna mais presente nas grandes metrópoles mundiais. Nasceu na periferia dos bairros pobres de Nova Iorque. É formado por três elementos: a música (o rap), as artes plásticas (o grafite) e a dança (o break). No hip-hop os jovens usam as expressões artísticas como uma forma de resistência política.

Enraizado nas camadas populares urbanas, o hip-hop afirmou-se no Brasil e no mundo com um discurso político a favor dos excluídos, sobretudo dos negros. Apesar de ser um movimento originário das periferias norte-americanas, não encontrou barreiras no Brasil, onde se instalou com certa naturalidade – o que, no entanto, não significa que o hip-hop brasileiro não tenha sofrido influências locais. O movimento no Brasil é híbrido: rap com um pouco de samba, break parecido com capoeira e grafite de cores muito vivas.

(Adaptado de Ciência e Cultura, 2004)

De acordo com o texto, o hip-hop é uma manifestação artística tipicamente urbana, que tem como principais características

a) a ênfase nas artes visuais e a defesa do caráter nacionalista.

b) a alienação política e a preocupação com o conflito de gerações.

c) a afirmação dos socialmente excluídos e a combinação de linguagens.

d) a integração de diferentes classes sociais e a exaltação do progresso.

e) a valorização da natureza e o compromisso com os ideais norte-americanos.

GABARITO:

1-C, 2-D, 3-C

Sobre o(a) autor(a):

Renata Gambagorte é formada em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná com pós graduação em Cenografia pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente atua na rede de ensino em Curitiba. Facebook: https://www.facebook.com/renatagmbgrt