Quem foi Walter Benjamin e sua importância para o mundo

Walter Benjamin foi um filósofo que discutiu os problemas da tecnologia no mundo moderno. Fique por dentro desse conteúdo importante para o ENEM.

O filósofo alemão Walter Benedix Schönflies Benjamin ou somente Walter Benjamin foi um dos integrantes pioneiros da renomada Escola de Frankfurt. Analogamente adepto da Teoria Crítica, o “camarada” Benjamin se inspirou no Marxismo para formular teorias filosóficas e ensaios literários.

Walter Benjamin foi um filósofo, ensaísta, sociólogo, crítico literário e tradutor. Nasceu na Alemanha 1892 e era judeu.Walter Benjamin foi um filósofo, ensaísta, sociólogo, crítico literário e tradutor. Nasceu na Alemanha 1892 e era judeu.

Embora ele tenha se destacado pela elaboração de uma visão não evolucionista da história, na verdade foram suas obras e teorias sobre a Estética que o tornaram conhecido por todo o mundo. Só para exemplificar, Walter Benjamin escreveu sobre arte numa época em que a sociedade se deparava com o crescimento maciço da Reprodutibilidade Técnica.

A arte de Walter Benjamin e a sua Aura

Por certo, Benjamin acredita que uma obra de arte só é aquilo que possui uma “Aura”, ou seja, uma espécie de selo de autenticidade da individualidade e da originalidade da produção artística. Em resumo, esse conceito surgiu para antagonizar o processo de produção massivo que na época era amparada pela tecnologia.

Assim, uma espécie de produto cultural feito em massa para as massas, surgiu no século XX. Portanto, a ideia da cultura ser um objeto a consumido pelas massas já era discutida por outros integrantes da Escola de Frankfurt, dentro das suas peculiaridades. Inclusive os filósofos Adorno e Horkheimer cunharam um termo para designar esse fenômeno, a Indústria Cultural.

A aura de Walter Benjamin e a produção de massa

Primordialmente, a cultura de massa foi especialmente incorporada pelo cinema. Todavia, para Benjamin, cada tentativa de reprodução artística feita pelo cinema, ou até mesmo de cópia, acabava por diluir a Aura do objeto copiado. Pois dessa maneira a individualidade daquela obra se perdia.

Sobretudo pode até parecer estranho pensar no cinema como uma expressão artística sem vida. Porém, com todos os efeitos especiais, as projeções 3D, as cadeiras e as imagens em alta definição, ele parece, em uma análise superficial, a mais viva das artes. Entretanto, na visão de Benjamin, isso não adiantava nada se não era possível a sustentação de uma Aura.

As salas de cinema hoje são verdadeiros templos da tecnologia áudio visual. Com telas alcançando resoluções de 10.000 por 7.000 pixels.As salas de cinema hoje são verdadeiros templos da tecnologia áudio visual. Com telas alcançando resoluções de 10.000 por 7.000 pixels.

A crítica de Walter Benjamin ao teatro e ao cinema

Assim como citado acima a falta de Aura, quando comparamos ao teatro, por exemplo, a pessoa que está interpretando um personagem é um sujeito dotado de tal Aura. Dessa maneira ele é capaz de transmiti-la para a plateia que por sua vez faz a interlocução da expressão. Desse modo configura-se uma dialética da arte, na qual a Aura protagoniza a excelência da obra, tornando-a única.

Por outro lado, no cinema não há público, apenas ferramentas tecnológicas para captar aquilo que servirá de base para reprodução das performances dos envolvidos. Dessa forma a interferência é tamanha que, por vezes, se sobressaem aos próprios atores e atrizes.

O cinema como ferramenta para uma nova narrativa

Apesar das críticas, Walter Benjamin acreditava que o cinema poderia ser uma excelente ferramenta para elucidação do povo. Principalmente por ser marxista, Benjamin teorizou uma possível construção da narrativa popular através do cinema. Dessa maneira ele imaginava que o cinema seria uma importante ferramenta, quando o povo chegasse a assumir seu lugar de direito.

Então podemos dizer que, a tecnologia é uma ferramenta para Benjamin que precisa ser usada com cautela. Sobretudo, ele havia teorizado que o século XX chegou até um limiar tecnológico capaz de extirpar o legado cultural dos povos. Ou seja, ao passo de que essa mesma tecnologia também seria capaz de criar novas conexões artísticas com o povo.

Tempos Modernos é uma obra cinematográfica de 1936 idealizada por Charles Chaplin, que retrata um pouco da visão de Walter BenjamimTempos Modernos é uma obra cinematográfica de 1936 idealizada por Charles Chaplin, que retrata bem como a modernidade incorporou a industrialização.

O capitalismo e o meio ambiente para Walter Benjamin

Para além das discussões acerca da arte, Walter Benjamin também foi um defensor do meio ambiente. Principalmente, na obra intitulada ‘Rua de mão única’, o filósofo alemão defendia a conservação dos recursos naturais e ainda argumentava que a exploração do planeta era uma maneira dos sistemas imperialistas se manterem no poder.

Então ele considerava que o resgate da natureza deve ser realizado como um ato revolucionário, ou seja, por uma destruição total do capitalismo. Decerto a revolução, além de ser um acontecimento contra a história, é um ato em defesa da natureza.

A obra de Walter Benjamin contra o capitalismo

Na obra citada anteriormente, Benjamin argumentou que a burguesia nos arrasta para o abismo. Dessa maneira, a produção desenfreada das mercadorias é uma ameaça capaz de obliterar a natureza como a conhecemos.

Entretanto, a revolução defendida pelos marxistas para Benjamin é algo que vai além de uma luta de classes. Também existe uma necessidade de impedir que soframos uma sina catastrófica nas mãos da burguesia capitalista.

Por causa de Walter Benjamim, existem atualmente diversos pensadores fazem uma abordagem marxista dos problemas ambientais. Eles partem do pressuposto de que problemas ambientais derivam do sistema social.Existem atualmente diversos pensadores fazem uma abordagem marxista dos problemas ambientais. Eles partem do pressuposto de que problemas ambientais derivam do sistema social.

A história contrapelo ou contrária

Outra temática abordada por ele é a interpretação da história contrapelo ou contrária, isto é, analisar a história do ponto de vista dos derrotados. Essa ideia parte do pressuposto de que a história é contada por aqueles que saíram triunfantes dos embates ao longo tempo.

Sendo assim, existe uma elite detentora da narrativa histórica que a usa e a molda conforme seus interesses. Dessa forma Walter Benjamin se posicionou contrário a essa tradição conformista do historicismo alemão.

Walter Benjamin e a Alemanha nazista

Por fim, Walter Benjamin viveu em um dos mais funestos momentos da história. Primordialmente com a ascensão do nazismo na Alemanha, durante a década de 30, ser um judeu tornou-se algo perigoso, para dizer o mínimo.

Em consequência dessa situação Benjamin buscou refúgio em Paris. Inicialmente o filósofo era apaixonado pela cidade das luzes, declarou mais de uma vez a admiração por um de seus ilustres filhos, o poeta Charles Baudelaire.

Posteriormente influenciado pelas galerias da capital francesa, Benjamin decidiu escrever o ‘Trabalho das Passagens’. Entretanto este livro foi a obra mais ambiciosa do filósofo, pois mais tarde uma tragédia interromperia de vez a sua produção.

Perseguição política a Walter Benjamin

Enquanto fugia do regime totalitário de Hitler, Walter Benjamin foi detido junto a um grupo de refugiados na cidade de Portbou na Espanha. Especula-se que a Gestapo, estaria no encalço do filósofo, o que provavelmente o deixou bastante atordoado.

Assim, no meio das aflições do holocausto, Walter Benjamin ingeriu uma alta dosagem de morfina, o que levou o filósofo a óbito. Contudo, as circunstâncias de sua morte ainda são misteriosas por causa do envolvimento da segunda guerra e toda a perseguição que sofreu.

Agora que você já revisou as partes mais importantes das ideias de Walter Benjamin, que tal ver uma vídeo-aula para complementar seus estudos? Veja esta excelente aula do canal Parabólica:

Video-aula

https://www.youtube.com/watch?v=5lqXIZJBGak

Exercícios

1 – (Uece 2019) 

“A crescente proletarização dos homens de hoje e a crescente formação das massas são dois lados de um mesmo acontecimento. O fascismo procura organizar as massas proletarizadas recém-surgidas sem tocar nas relações de propriedade, por cuja abolição elas pressionam. Ele vê sua salvação em deixar as massas alcançarem a sua expressão (de modo algum seu direito). As massas possuem um direito à mudança das relações de propriedade; o fascismo busca dar-lhe uma expressão conservando essas relações. O fascismo resulta, consequentemente, em uma estetização da vida política.”

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Porto Alegre: Zouk, 2012, p. 117.

Considerando o que diz Benjamin sobre os efeitos sociais da reprodutibilidade técnica dos objetos de fruição estética, é correto afirmar que

(A) o fascismo elimina a luta de classes, pois unifica a todos sob uma mesma bandeira e com a mesma camisa, unindo a nação no amor pela pátria e seus símbolos, tornando a política mais bela.

(B) a luta de classes é um elemento constitutivo do fascismo, que cria a propriedade privada e, portanto, estabelece antagonismos sociais insuperáveis pela política.

(C) a obra de arte tecnicamente reproduzida apresenta uma necessária superação do fascismo, pois a contemplação estética popularizada conduz as massas para um estado de gozo apolítico.

(D) o fascismo organiza o proletariado como massa, mas não põe em questão sua condição de classe, tornando a relação social mera aparência de unidade, sob símbolos, cores e gritos estandardizados — estetização.

2 – (Uem 2018) 

“Com o advento do século XX, as técnicas de reprodução atingiram tal nível que, em decorrência, ficaram em condições não apenas de se dedicar a todas as obras de arte do passado e de modificar de modo bem profundo os seus meios de influência, mas de elas próprias se imporem, como formas originais de arte. Com respeito a isso, nada é mais esclarecedor do que o critério pelo qual duas de suas manifestações diferentes – a reprodução da obra de arte e a arte cinematográfica – reagiram sobre as formas tradicionais de arte. À mais perfeita reprodução falta sempre algo: o hic et nunc (aqui e agora) da obra de arte, a unidade de sua presença no próprio local onde se encontra. É a essa presença, única, no entanto, e só a ela que se acha vinculada toda a sua história.”

(BENJAMIN, W. A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução. In: ARANHA, M. L. Filosofar com textos: temas e história da Filosofia. São Paulo: Moderna, 2012, p. 82).

A partir do texto citado, assinale o que for correto.

(01) Para o filósofo, a reprodução em escala das obras de arte as desvincula de seu tempo histórico.

(02) Para o filósofo, as técnicas de reprodução artística retiraram a originalidade das obras de arte.

(04) Para o filósofo, as técnicas de reprodução artística não conseguem produzir obras de mesmo nível artístico daquelas obras elaboradas antes do século XX, visto que essas técnicas se perderam ao longo do tempo.

(08) Para o filósofo, a arte cinematográfica e as reproduções artísticas são exemplos da perfeita vinculação da arte com o seu tempo.

(16) Para o filósofo, a obra de arte está ligada diretamente ao seu momento histórico de criação, o que é uma marca de sua originalidade.

3 – (Enem PPL 2017) 

A crítica é uma questão de distância certa. O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço livre da contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E, do mesmo modo que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de um bom filme.

BENJAMIN, W. Rua de mão única: infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 (adaptado).

O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter Benjamin, segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de análise crítica em virtude do(a)

(A) caráter ilusório das imagens.

(B) evolução constante da tecnologia.

(C) aspecto efêmero dos acontecimentos.

(D) conteúdo objetivo das informações.

(E) natureza emancipadora das opiniões.

Gabarito

  1. D, 2. 19 (1+2+16), 3. A.

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pelo professor Ernani Silva para o Blog do Enem. Ernani é formado em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista. Ministra aulas de Filosofia em escolas da Grande Florianópolis. Facebook: https://www.facebook.com/ErnaniJrSilva

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