A filosofia de Platão

Nesta revisão sobre Platão, entenda o que o filósofo quis dizer com o Mito da Caverna e aprenda a concepção dele sobre o mundo das ideias e o mundo dos sentidos. Esse assunto é super cobrado no Enem!

Platão é uma figura clássica da filosofia grega. Nascido em Atenas, no ano de 428 a.C., recebeu o nome de Arístocles. Mas, devido à sua composição física, tendo os ombros bastante largos, recebeu o apelido de Platão, que do grego, significa ombros largos.

Platão foi discípulo de Sócrates e, após a condenação e morte de seu professor (por acusações como “não acreditar nos costumes e deuses gregos) ficou decepcionado com a democracia ateniense e passou a viajar por outras cidades. Retornou no ano de 387 a.C. a Atenas, fundou sua escola filosófica: a Academia. Sócrates morreu em 348 a.C

A Academia de Platão

Platão deu este nome à sua escola filosófica em homenagem a um legendário herói grego chamado de Academo. Até hoje usamos o termo Academia para as Universidades – veja: as matérias são chamadas de disciplinas acadêmicas e os estudantes são chamados de acadêmicos.

Além de propagar sua própria linha de pensamento com a demarcação entre o mundo das ideias, onde a perfeição seria possível, e o mundo dos sentidos, onde impera a percepção da realidade, a obra de Platão resgata o pensamento de Sócrates.

O mundo das ideias

Platão acreditava que por de trás de nossa realidade material existe uma realidade abstrata.

Vamos exemplificar: quando você vai à padaria e encontra um monte de pães parecidos, já se perguntou por que estes pães ficam quase do mesmo tamanho e do mesmo formato? Se estiveres pensando que é por causa da forma, acertou.

A forma, como o nome já diz, dá o formado parecido de todos os pães. Para Platão, todas as coisas do mundo são como os pães da padaria, ou seja, por trás de tudo que existe, há uma forma.

No mundo das ideias, existem todas as ideias primordiais, sendo que essas ideias são perfeitas e eternas – as formas. Uma cadeira, por exemplo, pode mudar o formado (redonda, quadrada, 3 ou 4 pés), mas a “ideia cadeira” sempre será a mesma: um objeto para sentar.

Segundo Platão, só podemos alcançar essa realidade – o mundo das ideias – por meio da razão.

O mundo dos sentidos

O mundo dos sentidos para Platão é o mundo que habitamos – o mundo material. Este mundo é uma cópia do mundo das ideias. No entanto, por ser uma cópia, ela está sujeito ao erro e não é eterno, tem um tempo de duração.

Na verdade, com a criação destes dois mundos, Platão resolve um problema criado pelos pré-socráticos: Parmênides e Heráclito. O problema era a respeito do movimento: se para Heráclito tudo está em constante movimento e nada dura para sempre, para Parmênides este movimento é uma ilusão.

Para Platão, no mundo das ideias não existe mudança, pois tudo é eterno – assim como Parmênides – e, no mundo dos sentidos, tudo está mudando e sujeito ao erro, assim como para Heráclito.

O verdadeiro conhecimento

Se você entendeu a diferença entre o mundo dos sentidos e o mundo das ideias, pode afirmar, seguindo as ideias de Platão, onde se encontra o verdadeiro conhecimento.

Se no mundo dos sentidos tudo está sujeito o erro, Platão conclui que o conhecimento verdadeiro se encontra no mundo das ideias, onde estão as ideias primordiais. Lembra que acima eu disse que, segundo o filósofo, só podemos chegar ao mundo das ideias por meio da razão? Platão afirma isso porque acredita que o uso dos sentidos nos leva ao erro.

Para Platão, o homem é um ser dual, isto é, corpo e alma. O corpo está ligado ao mundo dos sentidos, tem defeitos e tem um fim. Já alma é a morada da razão, ela é eterna, abstrata, não conseguimos ver e nem tocar. Se alma é eterna e o mundo das ideias também é eterno ela sempre viveu lá, apenas passou habitar um corpo.

Na ótica de Platão, não se ensina nada nada a ninguém, pois nossa alma (que é a morada da razão) já sabe de tudo, só que ao habitar um corpo, ela se esquece do que já sabe.

Aprender, portanto, é apenas recordar – o que ele chama de reminiscência. Em outras palavras, é sairmos do mundo dos sentidos para o mundo das ideias, para o conhecimento teórico.

Para reforçar o conteúdo, veja esta revisão sobre Platão do nosso canal no Youtube:
Para finalizar, faça os exercícios sobre Platão que selecionamos:

Questão 01 – (UEPA/2015)

Platão:

A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente.

(Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17)

Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à:

a) oligarquia
b) república
c) democracia
d) monarquia
e) plutocracia

Questão 02 – (UEG GO/2009)

Para Platão, a polis é o modelo de vida em grupo. É na República que o autor apresenta os vários grupos que compõem a sociedade. De acordo com suas ideias, o grupo que deve governar a polis é o dos:

a) comerciantes que, sabendo da importância das riquezas para as cidades-estados da Grécia, levariam riquezas para a polis.
b) filósofos que, por conhecer a verdade e o bem através da contemplação do mundo das ideias, proporcionariam o maior bem comum a todos.
c) guerreiros, pois se caracterizavam por sua força, integridade e seu grande amor aos sentimentos mais nobres, como fidelidade e bravura.
d) trabalhadores que, por meio das mais diversas profissões e movidos pela ambição do lucro, garantiriam o sustento de toda a polis.

GABARITO:

1) Gab: C

2) Gab: B

Sobre o(a) autor(a):

Gilson Luiz Corrêa é bacharel em Filosofia pela UNISUL, Licenciado em Filosofia pela UFSC e Especialização em Psicopedagogia pela FMP. Professor do Colégio Catarinense e do Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima.