Acidente Nuclear e sua implicação para a humanidade

O acidente nuclear de Chernobyl e de Fukushima, são exemplos de acidentes que aconteceram envolvendo a energia nuclear. Além desses eventos, o urânio não é uma energia renovável causando até poluição de rios e oceanos.

Acidente nuclear, é aquilo que acontece quando não se esperava que uma usina de energia nuclear viesse a se romper e assim despejar lixo radioativo na atmosfera. Esse evento está marcado em nossa história com casos que são presentes até hoje.

O principal problema das usinas nucleares é o fato de que o seu combustível normalmente é o elemento químico urânio. Porém, esse elemento é um recurso não renovável, apesar de existir em grande quantidade na natureza.

Acidentes nucleares no mundo

Assim como falamos anteriormente, grande parte de algum acidente nuclear envolve a energia gerada pelo urânio. Essa fonte de energia é desenvolvida a partir do núcleo do átomo. Dessa maneira sendo liberada por meio do processo de fusão nuclear, que representa a união de núcleos atômicos.

Ela ainda, pode ser gerada a partir do processo de fissão nuclear, que representa quebras de núcleos atômicos, dentro dos reatores nucleares. O emprego dessa forma de energia envolve certos riscos. Por exemplo, um deles é a dificuldade para o descarte do lixo radioativo. Dessa forma é gerado a poluição térmica dos rios e oceanos, causada pelo descarte da água usada nas usinas.

Vamos conhecer alguns dos acidentes nucleares que marcaram a história do mundo.

– Acidente nuclear de Ontário, 1952 e 1958

Em 12 de dezembro de 1952, na cidade de Ontário, Canadá, o reator dos Laboratórios Chalk River sofreu uma explosão que destruiu o núcleo do reator, causando a fusão do combustível nuclear.

Logo em seguida seis anos depois em 1958, ocorreu o segundo acidente nuclear em Chalk River. Dessa vez, várias barras de combustível nuclear de urânio superaqueceram e se romperam no núcleo do reator.

Porém, de acordo com registros da época, as pessoas que tiveram contato com as explosões e os gases gerados, além dos operários que trabalharam para sanar os problemas, não tiveram contato com níveis excessivos de radiação, e tampouco efeitos adversos à saúde.

– Acidente nuclear de Windscale, 1957

Após a segunda guerra mundial, a Inglaterra ingressa no programa nuclear. Em 1957, o reator de Windscale sofreu um incêndio que provocou o vazamento de material radioativo para a atmosfera. Esse acontecimento levou ao aumento de vários casos de câncer entre as cidades vizinhas.

– Acidente nuclear de Mayak, 1957

Em 29 de setembro de 1957 ocorreu um acidente nuclear na usina de Mayak, responsável pelo reprocessamento de combustível nuclear na União Soviética.

Este acidente apresentou nível 6 na Escala INES (Escala Internacional de Eventos Nucleares), que é usada para quantificar a gravidade de uma ocorrência nuclear, cujo índice vai até o nível 7.

Ocorreu uma falha no sistema de refrigeração do compartimento de armazenamento de resíduos nucleares, que provocou uma explosão em um tanque com várias toneladas de material radioativo. Várias pessoas foram evacuadas de suas residências e muitas morreram devido a exposição à radiação.

– Acidente de Yucca Flat, 1970

Em 18 de dezembro de 1970 em Yucca Flat, EUA, uma região de testes nucleares, que fica em Nevada, a 65 km de Las Vegas, um dispositivo foi detonado no subsolo, provocando rachaduras que lançaram detritos radioativos na atmosfera. Cerca de oitenta e seis trabalhadores foram expostos à radiação.

– Acidente de Bohunice, 1977

Em 22 de fevereiro de 1977 ocorreu um acidente na usina de Bohunice, antiga Tchecoslováquia, devido a mudança de combustível nuclear. Os absorventes de umidade que cobriam as barras de combustível não foram removidos corretamente, provocando o aquecimento do combustível.

O acidente foi encoberto pelo governo, não havendo estimativas sobre número de mortos ou de feridos.

– Acidente de Three Mile Island, 1979

Em 28 de março de 1979 a usina nuclear de Three Mile Island, localizada próxima a Harrisburg, capital da Pensilvânia, sofreu um superaquecimento no núcleo do reator, em razão de um problema mecânico.

Não houve explosão pois os técnicos na época liberaram os vapores e gases produzidos para evitar explosões. Não houve casos de mortes pela radiação, mas cerca de 25 mil pessoas entraram em contato com os gases, cujas doses foram consideradas baixas para níveis de contaminação.

– Acidente de Tsuruga, 1981

Em março de 1981 ocorreram quatro vazamentos radioativos na usina nuclear de Tsuruga, no Japão, contaminando mais de 278 pessoas que viviam na província de Fukui.

Acidente nuclear de Chernobyl, 1986

Na atual Ucrânia, em 26 de abril de 1986 ocorreu o maior acidente nuclear da história até os dias atuais.

Nesse dia, na usina nuclear de Chernobyl, foram feitos testes de segurança no reator número quatro da usina. Esse teste simulava uma falta de energia na estação, durante a qual os sistemas de segurança de emergência e de regulagem de energia são desligados.

Entretanto, um erro humano causou a fusão do reator, onde o combustível nuclear reagiu em contato com o ar do local, provocando uma explosão.

Como aconteceu o acidente nuclear de Chernobyl

Um dos motivos que desencadeou o acidente foi o erro cometido no momento de um teste de rotina de produtividade da usina. Dessa maneira, vários elementos químicos foram expostos na atmosfera, como o xenônio-133, o iodo-131, o telúrio-132 e o mais perigoso de todos, o césio-137, que apresenta meia vida de 30 anos, tornando impossível a vida na vila de Chernobyl, comunidade que viva ao em torno da Usina.

Esse acidente nuclear foi classificado como de nível 7 pela INES (Escala Internacional de Eventos Nucleares). Para você ter uma ideia da gravidade desse evento, durante 10 dias o combustível nuclear ficou queimando, liberando radiação equivalente a duzentas bombas atômicas.

Um dos grandes problemas do acidente nuclear ocorrido em Chernobyl foi a falta de informações referente tanto ao acidente, quanto ao que causou de fato a explosão que expôs o reator. Até os dias atuais a área de Chernobyl ainda é tóxica e radiotiva.

O legado de Chernobyl após o acidente nuclear

Fotografia da Usina de Chernobyl parcialmente destruída após a explosão do reator 4 em 1986. Fonte da imagem: tecmundo.com.brFotografia da Usina de Chernobyl parcialmente destruída após a explosão do reator 4 em 1986. Fonte da imagem: tecmundo.com.br

A foto acima representa a destruição do prédio onde se localizava o reator 4 da usina de Chernobyl. Segundo os registros, 31 pessoas morreram por influência direta da explosão. Porém, os efeitos da radiação que se espalhou rapidamente fizeram milhares de vítimas.

O número de mortos atualmente está estimado em 25 mil pessoas, mas acredita-se que seja muito maior. Sem contar as inúmeras pessoas que apresentaram sequelas provocadas pela radiação anos depois.

Fotografia de um parque de diversões abandonado em Pripryat, na Ucrânia, após o acidente nuclearFotografia de um parque de diversões abandonado em Pripryat, na Ucrânia.

Na tentativa de encobrir o acidente, a cidade de Pripryat que ficava próxima da usina só foi evacuada mais de 24 horas após a explosão. Os habitantes da região foram expostos a altíssimas doses de radiação, vindo a desenvolver várias sequelas e muitos morreram ao longo dos anos.

Cerca de 200.000 mil pessoas precisaram ser deslocadas de suas casas que ficavam dentro da zona de exclusão de Chernobyl.

O acidente nuclear da Sibéria, 1993

Em abril de 1993, a usina de Tomsk-7, localizada na Sibéria, sofreu um acidente nuclear em que um tanque com substâncias radioativas explodiu, eliminando gases na atmosfera. Uma nuvem radioativa se formou na região. Hoje a cidade é fechada e somente pode ser visitada a convite. O número de vítimas é desconhecido.

– Acidentes de Tokaimura, 1997 e 1999

Em 11 de março de 1997, a usina experimental de reprocessamento de Tokaimura, no Japão, foi paralisada depois de um incêndio.

Pouco tempo depois, em 30 de setembro de 1999, houve outro acidente em que funcionários não colocaram a quantidade de urânio adequada dentro do reator, o que provocou uma reação nuclear descontrolada. Houve vazamento de radiação e mais de 600 pessoas foram expostas à radiação.

– Acidente nuclear de Mihama, 2004

Em 2004, na usina nuclear de Mihama, no Japão, houve o vazamento de grande quantidade de vapor não radioativo, através de um encanamento que acabou se rompendo. Esse evento provocou a morte de cinco funcionários por queimaduras.

– Acidente de Tricastin, 2008

Em 23 de julho de 2008 durante a operação de manutenção nos reatores da usina nuclear de Tricastin, localizada no sul da França, substâncias radioativas foram eliminadas, contaminando vários funcionários.

O Acidente nuclear de Fukushima, 2011

Em 11 de março de 2011 no Japão, ocorreu um terremoto de magnitude igual a 9 pontos na escala Richter seguido de um tsunami que atingiu a usina nuclear de Daiichi em Fukushima.

O sistema de resfriamento sofreu sérios danos e os técnicos japoneses começaram a usar água do mar nos reatores. Três reatores superaqueceram e explodiram, liberando vários materiais radioativos na atmosfera e a água usada para resfriar os reatores foi lançada no mar.

Os níveis de radiação no entorno da usina superaram em oito vezes o limite de segurança permitido, fazendo com que cerca de 200 mil pessoas fossem evacuadas de suas casas, milhares de plantações foram interditadas e o consumo de água cortado.

O acidente nuclear de Fukushima foi classificado como nível 7 pela Escala Internacional de Acidentes Nucleares, sendo que a maior parte da radiação foi lançada no Oceano Pacífico contaminando toda a cadeia marinha. Fonte: Marsemfim.comO acidente nuclear de Fukushima foi classificado como nível 7 pela Escala Internacional de Acidentes Nucleares, sendo que a maior parte da radiação foi lançada no Oceano Pacífico contaminando toda a cadeia marinha. Fonte: Marsemfim.com

Goiânia e o acidente nuclear no Brasil em 1987

Em 13 de setembro de 1987 em Goiânia, dois catadores de lixo entraram no interior das antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, que havia se mudado para outro endereço em 1985.

Os dois homens encontraram nas ruínas um equipamento de teleterapia (espécie de radioterapia) abandonado no local. Com um carrinho de mão os dois cidadãos transportaram o aparelho até o ferro velho do senhor Devair Ferreira, onde a máquina foi desmontada.

Dentro do aparelho foi encontrada uma cápsula que continha 19,26 gramas de um pó branco, muito parecido com o sal de cozinha, e eles perceberam que este pó no escuro brilhava adquirindo uma coloração azul.

O perigo da exposição ao césio 137 no Brasil

Como os catadores não sabiam do que se tratava o objeto acabaram interagindo com o elemento radioativo. O sal ou o pó que havia no objeto, era o cloreto de césio 137, que é um isótopo radioativo do césio. O dono do ferro velho levou o sal para sua casa, mas ninguém sabia o que era a substância, e várias outras pessoas levaram quantidades do sal para suas casas também.

Algumas horas após o contato com o sal as pessoas começaram a sentir os sintomas do envenenamento radioativo: vômito, diarreia e tonturas, mas ninguém sabia o motivo deles estarem passando mal.

A esposa do dono do ferro velho acreditou que o pó seria o responsável pelos sintomas, e o encaminhou para análise na Vigilância Sanitária. Somente no dia 29 de setembro de 1987 os sintomas foram identificados como contaminação radioativa.

A repercussão do acidente nuclear de Goiânia

A Secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária começaram a rastrear as pessoas que tiveram contato com o pó, e isolaram as pessoas e seus objetos pessoais.

O trabalho para descontaminar o local foi muito intenso. O material contaminado pelo césio incluía roupas, utensílios domésticos, a casa das pessoas, totalizando quase 6 mil toneladas de lixo radioativo, que estão armazenados em um depósito na cidade de Abadia de Goiás.

O dono do ferro velho, sua esposa e dois funcionários faleceram junto com uma menina, filha do dono do ferro velho, que ingeriu a substância. A associação de vítimas do césio 137 estima que cerca de 6 mil pessoas foram atingidas pela radiação.

Em 1996, a justiça condenou e julgou por homicídio culposo os três sócios donos do Instituto de Radioterapia, por não terem feito o descarte adequado do equipamento.

Podemos observar que no acidente com o césio 137 houve falta de informação, falta de conhecimento e total falta de responsabilidade por parte dos donos do instituto e das pessoas que tiveram contato com a substância.

Podemos perceber também que em quase todos os acidentes ocorridos há falta de informações detalhadas ou estas são apenas estatísticas sobre a quantidade de mortos e feridos, sobre as sequelas dos sobreviventes, e as consequências ambientais decorrentes desses vazamentos.

Video-aula

Exercícios

1)(ENEM-2005)
Um problema ainda não resolvido da geração nuclear de eletricidade é a destinação dos rejeitos radiativos, o chamado “lixo atômico”. Os rejeitos mais ativos ficam por um período em piscinas de aço inoxidável nas próprias usinas antes de ser, como os demais rejeitos, acondicionados em tambores que são dispostos em áreas cercadas ou encerrados em depósitos subterrâneos secos, como antigas minas de sal. A complexidade do problema do lixo atômico, comparativamente a outros lixos com substâncias tóxicas, se deve ao fato de:

  1. a) emitir radiações nocivas, por milhares de anos, em um processo que não tem como ser interrompido artificialmente.
  2. b) acumular-se em quantidades bem maiores do que o lixo industrial convencional, faltando assim locais para reunir tanto material.
  3. c) ser constituído de materiais orgânicos que podem contaminar muitas espécies vivas, incluindo os próprios seres humanos.
  4. d) exalar continuamente gases venenosos, que tornariam o ar irrespirável por milhares de anos.
  5. e) emitir radiações e gases que podem destruir a camada de ozônio e agravar o efeito estufa

2)(ENEM-2004)
O debate em torno do uso da energia nuclear para produção de eletricidade permanece atual. Em um encontro internacional para a discussão desse tema, foram colocados os seguintes argumentos:

  1. Uma grande vantagem das usinas nucleares é o fato de não contribuírem para o aumento do efeito estufa, uma vez que o urânio, utilizado como “combustível”, não é queimado mas sofre fissão.
  2. Ainda que sejam raros os acidentes com usinas nucleares, seus efeitos podem ser tão graves que essa alternativa de geração de eletricidade não nos permite ficar tranquilos.

A respeito desses argumentos, pode-se afirmar que:

  1. a) o primeiro é válido e o segundo não é, já que nunca ocorreram acidentes com usinas nucleares.
  2. b) o segundo é válido e o primeiro não é, pois de fato há queima de combustível na geração nuclear de eletricidade.
  3. c) o segundo é válido e o primeiro é irrelevante, pois nenhuma forma de gerar eletricidade produz gases do efeito estufa.
  4. d) ambos são válidos para se compararem vantagens e riscos na opção por essa forma de geração de energia.
  5. e) ambos são irrelevantes, pois a opção pela energia nuclear está se tornando uma necessidade inquestionável.

GABARITO

1 – A

2 – D

Sobre o(a) autor(a):

Texto elaborado por Roseli Prieto, professora de Química e Biologia da rede estadual de São Paulo. Já atuou em diversas escolas públicas e privadas de Santos (SP). É Gestora Ambiental e Especialista em Planejamento e Gestora de cursos a distância.

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