Veja as 10 melhores redações Enem nota mil: textos e as dicas

Somente textos aprovados pelo MEC na correção oficial. Veja os modelos de redação Enem nota 1000 publicados no Guia do Participante, e as dicas para você também mandar bem

E quem não quer tirar nota 1000 na Redação do Enem? Seria mesmo excelente, pois abre muitas portas para vencer a disputa das notas de corte. Mas, é preciso se ligar que tirar uma nota acima de 700 pontos já coloca você entre os vencedores.  Veja as dez melhores redações Enem nota 1000 escolhidas entre os textos excelentes selecionados pelo MEC e o INEP.  E, confira as dicas para você também chegar lá.

Como fazer a Redação do Enem

O caminho para uma boa nota, para ficar entre as melhores redações do Enem começa bem antes. É preciso ler bastante. Jornais, revistas, portais de notícia, e-books, e principalmente ler livros impressos ou livros online. Assim você ganha vocabulário e fluência na construção de frases no idioma português.

E, combinar o “ler” com o “escrever”. Escreva todo dia. Crie um diário online, crie uma narrativa do seu dia a dia de estudos, conte ou invente histórias só pra você ou publique nas suas redes sociais. Ler e Escrever  é o “feijão com arroz” para você chegar vitaminado e conseguir um lugar entre as melhores redações do Enem. Nota 1000? Por que não? Veja como chegar lá  no resumo a seguir com a professora Tharen Teixeira.

Viu que não tem segredo para você ficar entre as melhores redações do Enem? Têm mais aulas com a Tharen no canal do Curso Enem Gratuito. Ela explicou de maneira simples e rápida como organizar suas ideias para o texto dissertativo-argumentativo, que é obrigatório no Enem.

Agora, leia a primeira redação nota mil selecionada, e depois veja com a professora Daniela Garcia como você pode fazer uma Introdução perfeita.

Veja as 10 melhores redações Enem nota 1000

 

1 – Redação da Ana Carolina S. T de Deus

No filme “Matrix, clássico do gênero ficção científica, o protagonista Neo é confrontado pela descoberta de que o mundo em que vive é, na realidade, uma ilusão construída a fim de manipular o comportamento dos seres humanos, que, imersos em máquinas que mantêm seus corpos sob controle, são explorados por um sistema distópico dominado pela tecnologia.

Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, os mecanismos tecnológicos têm contribuído para  a  alienação  dos  cidadãos,  sujeitando-os  aos  filtros  de  informações  impostos  pela mídia, o que influencia negativamente seus padrões de consumo e sua autonomia intelectual.

Em  princípio,  cabe  analisar  o  papel  da  internet  no  controle  do  comportamento sob a perspectiva do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman. Segundo o autor, o crescente desenvolvimento  tecnológico,  aliado  ao  incentivo  ao  consumo  desenfreado,  resulta  numa sociedade que anseia constantemente por produtos novos e por informações atualizadas.

Nesse contexto, possibilita-se a ascensão, no meio virtual, de empresas que se utilizam de algoritmos programados para selecionar o conteúdo a ser exibido aos internautas com base em seu perfil socioeconômico, oferecendo anúncios de produtos e de serviços condizentes com suas recentes pesquisas em sites de busca ou de compras. Verifica-se, portanto, o impacto da mídia virtual na criação de necessidades que fomentam o consumo entre os cidadãos.

Ademais, a influência do meio virtual atinge também o âmbito intelectual. Isso ocorre na medida em que, ao ter acesso apenas ao conteúdo previamente selecionado de acordo com seu perfil na internet, o indivíduo perde contato com pontos de vista que divergem do seu, o que compromete significativamente a construção de seu senso crítico e de sua capacidade de diálogo.  Dessa  maneira,  surge  uma  massa  de  internautas  alienados  e  despreocupados em  checar  a  procedência  das  informações  que  recebem,  o  que  torna  ambiente  virtual propício à disseminação das chamadas “fake news”.

Assim,   faz-se   necessária   a   atuação   do   Ministério   da   Educação,   em   parceria com a mídia, na educação da população — especialmente dos jovens, público mais atingido pela influência digital — acerca da necessidade do posicionamento crítico quanto ao conteúdo exposto e sugerido na internet.

Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras, que, ao serem ministradas em escolas e universidades, orientem os brasileiros no sentido de buscar informação em fontes variadas, possibilitando a construção de senso crítico. Além disso, cabe às entidades em governamentais a elaboração de medidas que minimizem os efeitos das propagandas que visam incentivar o consumismo. Dessa forma, será possível tornar o meio virtual um ambiente mais seguro e democrático para a população brasileira. (fonte: Guia do Participante do Enem. MEC/INEP)

Gostou do texto da Ana Carolina? Ela está mesmo de parabéns, o MEC selecionou a redação dela e publicou. Então, está entre as melhores redações Enem nota 1000.

As dicas da Introdução da Redação

Confira agora  um resumo com a professora Daniela Garcia. Ela é uma campeã em treinar alunos para tirar altas notas no texto dissertativo-argumentativo. Veja como elaborar uma Introdução perfeita:

Mandou bem demais a Professora Daniela. Se quiser ver mais, assista uma aula completa sobre a Introdução Perfeita. Veja agora mais um texto que está entre as melhores redações Enem nota 1000:

2 – Texto de Pedro Assaad S. M. da Rocha 

As primeiras duas décadas do século XXI, no Brasil e no mundo globalizado, foram marcadas por consideráveis avanços científicos, dentre os quais destacam-se as tecnologias de informação e comunicação (TICs). Nesse sentido, tal panorama promoveu a ampliação do acesso ao conhecimento, por intermédio das redes sociais e mídias virtuais.

Em contrapartida, nota-se   que   essa   realidade   impôs   novos   desafios   às   sociedades   contemporâneas, como  a  possibilidade  de  manipulação  comportamental  via  dados  digitais.  Desse  modo, torna-se premente analisar os principais impactos dessa problemática: a perda da autonomia de pensamento e a sabotagem dos processos políticos democráticos.

Em   primeira   análise,   é   lícito   postular   que   a   informação   é   um   bem   de   valor social, o qual é responsável por modular a cosmovisão antropológica pessoal e influenciar os  processos  de  decisão  humana.  Nesse  raciocínio,  as  notícias  e  acontecimentos  que chegam   a   um   indivíduo   exercem   forte   poder   sobre   tal,   estimulando   ou   suprimindo sentimentos como empatia, medo e insegurança. É factual, portanto, que a capacidade de selecionar  –  via  algoritmos  –  as  reportagens  e  artigos  que  serão  vistos  por  determinado público constitui uma ameaça à liberdade de pensamento crítico.

Evidenciando o supracitado, há  o  livro  “Rápido  e  devagar:  duas  formas  de  pensar”,  do  especialista  comportamental Daniel Khaneman, no qual esse expõe e comprova – por meio de décadas de experimentos socioculturais  –  a  incisiva  influência  dos  meios  de  comunicação  no  julgamento  humano. Torna-se clara, por dedução analítica, a potencial relação negativa entre a manipulação digital por dados e a autonomia psicológica e racional da população.

Ademais,  é  preciso  compreender  tal  fenômeno  patológico  como  um  atentado  às instituições  democráticas.  Isso  porque  a  perspectiva  de  mundo  dos  indivíduos  coordena suas  escolhas  em  eleições  e  plebiscitos  públicos.  Dessa  maneira,  o  povo  tende  a  agir segundo o conceito de menoridade, do filósofo iluminista Immanuel Kant, no qual as decisões pessoais são tomadas pelo intelecto e influência de outro. Evidencia-se, assim, que o domínio da seletividade de informações nas redes sociais, como Facebook e Twitter, pode representar uma sabotagem ao Estado Democrático.

Em suma, a manipulação comportamental pelo uso de dados é um complexo desafio hodierno  e  precisa  ser  combatida.  Dessarte,  as  instituições  escolares  –  responsáveis  por estimular  o  pensamento  crítico  na  população  –  devem  buscar  fortalecer  a  capacidade  de julgamento e posicionamento racional nos jovens. Isso pode ser feito por meio de palestras, aulas  e  distribuição  de  materiais  didáticos  sobre  a  filosofia  criticista  e  sociologia,  visando aprimorar o raciocínio autônomo livre de influências.

Em paralelo, as grandes redes sociais, interessadas  na  plenitude  de  seus  usuários,  precisam  restringir  o  uso  indevido  de  dados privilegiados. Tal ação é viável por intermédio da restrição do acesso, por parte de entidades políticas,  aos  algoritmos  e  informações  privadas  de  preferências  pessoais,  objetivando proteger a privacidade do indivíduo e o exercício da democracia plena. Desse modo, atenuar- se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do controle comportamental moderno, e a sociedade alcançará o estágio da maioridade kantiana. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP. Ali estão as melhores redações Enem nota 1000)

As dez melhores redações Enem nota 1000

3 – Redação da Natália Cristina P. da Silva

 A utilização dos meios de comunicação para manipular comportamentos não é recente no Brasil: ainda em 1937, Getúlio Vargas apropriou-se da divulgação de uma falsa ameaça comunista  para  legitimar  a  implantação  de  um  governo  ditatorial.  Entretanto,  os  atuais mecanismos de controle de dados, proporcionados pela internet, revolucionaram de maneira negativa  essa  prática,  uma  vez  que  conferiram  aos  usuários  uma  sensação  ilusória  de acesso à informação, prejudicando a construção da autonomia intelectual e, por isso, demandam intervenções.

Ademais, é imperioso ressaltar os principais impactos da manipulação, com destaque à influência nos hábitos de consumo e nas convicções pessoais dos usuários.

Nesse  contexto,  as  plataformas  digitais,  associadas  aos  algoritmos  de  filtragem  de dados,  proporcionaram  um  terreno  fértil  para  a  evolução  dos  anúncios  publicitários.  Isso ocorre porque, ao selecionar os interesses de consumo do internauta, baseado em publicações feitas por este, o sistema reorganiza as informações que chegam até ele, de modo a priorizar os anúncios complacentes ao gosto do usuário.

Nesse viés, há uma pretensa sensação de liberdade de escolha, teorizada pela Escola de Frankfurt, já que todos os dados adquiridos estão sujeitos à coerção econômica. Dessa forma, há um bombardeio de propagandas que influenciam os hábitos de consumo de quem é atingido, visto que, na maioria das vezes, resultam na aquisição do produto anunciado.

Somado a isso, tendo em vista a capacidade dos algoritmos de selecionar o que vai ou não ser lido, estes podem ser usados para moldar interesses pessoais dos leitores, a fim de  alcançar  objetivos  políticos  e/ou  econômicos.  Nesse  cenário,  a  divulgação  de  notícias falsas  é  utilizada  como  artifício  para  dispersar  ideologias,  contaminando  o  espaço  de autonomia previsto pelo sociólogo Manuel Castells, o qual caracteriza a internet como ambiente importante para a amplitude da democracia, devido ao seu caráter informativo e deliberativo.

Desse modo, o controle de dados torna-se nocivo ao desenvolvimento da consciência crítica dos usuários, bem como à possibilidade de uso da internet como instrumento de politização. Evidencia-se,   portanto,   que   a   manipulação   advinda   do   controle   de   dados   na internet é um obstáculo para a consolidação de uma educação libertadora. Por conseguinte, cabe  ao  Ministério  da  Educação  investir  em  educação  digital  nas  escolas,  por  meio  da inclusão  de  disciplinas  facultativas,  as  quais  orientarão  aos  alunos  sobre  as  informações pessoais  publicadas  na  internet,  a  fim  de  mitigar  a  influência  exercida  pelos  algoritmos e,  consequentemente,  fomentar  o  uso  mais  consciente  das  plataformas  digitais.  

Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça, em parceria com empresas de tecnologia, crie  canais  de  denúncia  de  “fake  news”,  mediante  a  implementação  de  indicadores  de confiabilidade nas noticias veiculadas – como o projeto “The Trust Project” nos Estados Unidos

com o intuito de minimizar o compartilhamento de informações falsas e o impacto destas na  sociedade.  Feito  isso,  a  sociedade  brasileira  poderá  se  proteger  contra  a  manipulação e a desinformação. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP)

Gostou da Redação Enem nota 1000 da Natália? Ela mandou mesmo muito bem, e por isso foi selecionada pelo Ministério da Educação para ter o texto publicado. Está de parabéns!

Dicas para o Desenvolvimento da Redação

Você já aprendeu que o modelo dissertativo-argumentativo exigido pelo MEC e pelo INEP á obrigatório para você ficar entre as melhores redações do Enem. Você precisa se organizar para cumprir três blocos no seu texto: 1 – Introdução; 2 – Desenvolvimento; e, 3 – Conclusão.  Veja agora as dicas para mandar bem no Desenvolvimento:

Então, agora você já sabe as dicas para fazer um Desenvolvimento perfeito, e conseguir colocar o seu texto entre as melhores redações do Enem.

5 – Redação Enem nota 1000: Júlia Paula Celem 

Sob a perspectiva de uma revolução Tecno-Científico-Informacional, vivese o auge da evolução humana em sua relação com a tecnologia, em que se destaca a ascensão do papel da internet no cotidiano social. Entretanto, tal avanço não é apenas benéfico, de modo que  a  popularidade  existente  no  uso  das  redes  virtuais  possibilitou  seu  aproveitamento malicioso para que ela atue como um meio influenciador de comportamentos.

Nesse contexto, configura-se um quadro alarmante correlacionado ao potencial de manipulação do usuário por meio do controle dos dados expostos a ele, o que decorre de interesses organizacionais e gera um processo de alienação social. Em um primeiro plano, é imperioso ressaltar que a busca por adesão a um interesse financeiro ou ideológico intensifica o controle da internet como um formador comportamental.

De acordo com as pesquisas dos sociólogos Adorno e Horkheimer sobre Indústria Cultural, as mídias digitais possuem uma grande capacidade de atuar como formadoras e moldadoras de opinião. Assim, com o aumento abrupto do uso das redes virtuais, diversas organizações usufruem desse poder em prol de atingir sua causa com a imposição de informações selecionadas as quais limitam a escolha do usuário. Essa seleção permite que empresas comerciais, por exemplo, atraiam um mercado consumidor maior e ampliem suas vendas ao restringir as opções de compra ao perfil do indivíduo, que, em vez de escolher, apenas  obedece  ao  sistema.  

Ademais,  governos  autoritários  também  se  aproveitam  do potencial manipulador para permitir que somente notícias favoráveis a sua ideologia possam ser acessadas pelos seus cidadãos, o que evita rebeliões. Depreende-se, pois, a privação da liberdade pessoal pelo direcionamento de comportamentos no meio digital.

Sob  outro  prisma,  é  válido  analisar  que  o  controle  de  dados  na  internet  fomenta a alienação da sociedade. Essa problemática ocorre porque, quando conteúdos previamente selecionados,   descontextualizados   ou   alterados   são   a   maior   parte   das   informações acessíveis  ao  público,  este  passa  a  reproduzir  os  comportamentos  esperados  pelos órgãos manipuladores e influencia as pessoas ao seu redor por apresentar tais fatos como verdades, o que gera um estado de desinformação.

Nesse viés, percebe-se que a seleção informacional como um meio alienante antecede a internet, de modo a ser visto, por exemplo, no  período  ditatorial  do  Brasil,  que,  ao  censurar  notícias  negativas  sobre  o  panorama  do país,  criou  a  ideia  de  uma  nação  livre  de  problemas  sociais,  econômicos  e  de  segurança. Infere-se, então, que o uso maléfico da internet na moldagem de opiniões por meio de ações controladoras propicia uma redução na capacidade de senso crítico da comunidade.

Torna-se  evidente,  portanto,  a  complexa  situação  que  envolve  a  manipulação  do indivíduo com a seleção de dados na rede virtual. Para amenizar o quadro, cabe ao Poder Legislativo reformular o Marco Civil, que é responsável por regularizar o uso do meio digital. Essa medida deverá ocorrer por intermédio da inclusão de uma cláusula a qual irá reforçar os limites no controle dos conteúdos expostos, de forma a ampliar o espectro de escolhas do  usuário.  Tal  ação  objetiva  impedir  que  a  internet  seja  utilizada  para  a  moldagem  de comportamentos. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP)

Excelente o texto da Julia. Parabéns mesmo. É mesmo muito justo o reconhecimendo do MEC e do INEP ao publicar o texto que ela elaborou.

Como fazer a Conclusão da Redação

Você já leu textos premiados, aprendeu os fundamentos do modelo dissertativo-argumentativo, e já dominou as estratégias para uma Introdução e um Desenvolvimento perfeito. Agora, chegou a vez de pegar as dicas da Proposta de Intervenção, na conclusão da Redação do Enem. Veja:

Pegou as dicas da professora Daniela Garcia, para uma Conclusão Perfeita, sem defeito? Se precisar , vale apena ver de novo!

6 -Redação de Luisa Souza L. Leite 

A   Revolução   Técnico-científico-informacional,   iniciada   na   segunda   metade   do século  XX,  inaugurou  inúmeros  avanços  no  setor  de  informática  e  telecomunicações. Embora  esse  movimento  de  modernização  tecnológica  tenha  sido  fundamental  para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado pela invasão da privacidade de usuários, em virtude do controle de dados efetuado por empresas de tecnologia.

Tendo em vista que o uso de informações privadas de internautas pode induzi-los a adotar comportamentos intolerantes ou a aderir a posições políticas, é imprescindível buscar alternativas que inibam essa manipulação comportamental no Brasil.

A  princípio,  é  necessário  avaliar  como  o  uso  de  dados  pessoais  por  servidores  de tecnologia contribui para fomentar condutas intolerantes nas redes sociais. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente.

Todavia, a filtragem de informações efetivada pelas redes digitais inibe o contato do usuário com conteúdos que divergem dos seus pontos de vista, uma vez que os algoritmos utilizados favorecem publicações compatíveis com o perfil do internauta. Observam-se, por consequência, restrições ao debate e à confrontação de opiniões, que, por sua vez, favorecem a segmentação da  comunidade  virtual.  Esse  cenário  dificulta  o  exercício  da  convivência  com  a  diferença, conforme defendido por Arendt, o que reforça condutas intransigentes como a discriminação.

Em seguida, é relevante examinar como o controle sobre o conteúdo que é veiculado em sites favorece a adesão dos internautas a certo viés ideológico. Tendo em vista que os servidores de redes sociais como “Facebook“ e “Twitter” traçam o perfil de usuários com base  nas  páginas  por  eles  visitadas,  torna-se  possível  a  identificação  das  tendências  de posicionamento político do indivíduo.

Em posse dessa informação, as empresas de tecnologia podem privilegiar a veiculação de notícias, inclusive daquelas de procedência não confirmada, com o fito de reforçar as posições políticas do usuário, ou, ainda, de modificá-las para que se adequem aos interesses da companhia. Constata-se, assim, a possibilidade de manipulação ideológica na rede.

Portanto, fica evidente a necessidade de combater o uso de informações pessoais por empresas de tecnologia. Para tanto, é dever do Poder Legislativo aplicar medidas de caráter punitivo às companhias que utilizarem dados privados para a filtragem de conteúdos em suas redes. Isso seria efetivado por meio da criação de uma legislação específica e da formação de uma comissão parlamentar, que avaliará as situações do uso indevido de informações pessoais.  

Essa  proposta  tem  por  finalidade  evitar  a  manipulação  comportamental  de usuários e, caso aprovada, certamente contribuirá para otimizar a experiência dos brasileiros na internet. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP)

7 – Redação de Matheus Martins W. Cardoso

 O advento da internet possibilitou um avanço das formas de comunicação e permitiu um maior acesso à informação. No entanto, a venda de dados particulares de usuários se mostra um grande problema. Apesar dos esforços para coibir essa prática, o combate à manipulação de usuários por meio de controle de dados representa um enorme desafio. Pode-se dizer, então,  que  a  negligência  por  parte  do  governo  e  a  forte  mentalidade  individualista  dos empresários são os principais responsáveis pelo quadro.

Em  primeiro  lugar,  deve-se  ressaltar  a  ausência  de  medidas  governamentais  para combater  a  venda  de  dados  pessoais  e  a  manipulação  do  comportamento  nas  redes. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grandes  empresas  sentem-se  livres  para  invadir  a  privacidade  dos  usuários  e  vender informações pessoais para empresários que desejam direcionar suas propagandas.

Dessa forma, a opinião dos consumidores é influenciada, e o direito à liberdade de escolha é ameaçado. Outrossim, a busca pelo ganho pessoal acima de tudo também pode ser apontado como responsável pelo problema. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade.

Ao vender dados particulares e manipular o comportamento de usuários, empresas invadem a privacidade dos indivíduos e ferem importantes direitos da população em nome de interesse individuais. Desse modo, a união da sociedade é essencial para garantir o bem-estar coletivo e combater o controle de dados e a manipulação do comportamento no meio digital.

Inferese,  portanto,  que  assegurar  a  privacidade  e  a  liberdade  de  escolha  na internet  é  um  grande  desafio  no  Brasil.  Sendo  assim,  o  Governo  Federal,  como  instância máxima  de  administração  executiva,  deve  atuar  em  favor  da  população,  através  da criação de leis que proíbam a venda de dados dos usuários, a fim de que empresas que utilizam  essa  prática  sejam  punidas  e  a  privacidade  dos  usuários  seja  assegurada.  

Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham valores culturais e sociais, deve atuar em conjunto e combater a manipulação e o controle de informações, por meio de boicotes e campanhas de mobilização, para que os empresários sintam-se pressionados pela população e sejam obrigados a abandonar a prática.  Afinal, conforme afirmou Rousseau: “a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos”. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP)

. Veja mais dois textos classificados entre as melhores redações Enem nota 1000

 

8 -Redação nota mil: Carolina Mendes Pereira

 Em sua canção  “Pela  Internet”,  o  cantor  brasileiro  Gilberto  Gil  louva  a  quantidade de   informações   disponibilizadas   pelas   plataformas   digitais   para   seus   usuários.   No entanto, com o avanço de algoritmos e mecanismos de controle de dados desenvolvidos por empresas de aplicativos e redes sociais, essa abundância vem sendo restringida e as notícias, e produtos culturais vêm sendo cada vez mais direcionados – uma conjuntura atual apta a moldar os hábitos e a informatividade dos usuários.

Desse modo, tal manipulação do comportamento de usuários pela seleção prévia de dados é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa: esta consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, demandando ampla informatividade prévia.

Assim, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum – já que suas fontes de informação estão direcionadas –, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, a manipulação do comportamento não pode ser aceita em nome do combate, também, ao individualismo e do zelo pelo bem grupal.

Em  segundo  lugar,  vale  salientar  como  o  controle  de  dados  pela  internet  vai  de encontro  à  concepção  do  indivíduo  pós-moderno.  Isso  porque,  de  acordo  com  o  filósofo pós-estruturalista Stuart-Hall, o sujeito inserido na pós-modernidade é dotado de múltiplas identidades.  Sendo  assim,  as  preferências  e  ideias  das  pessoas  estão  em  constante interação, o que pode ser limitado pela prévia seleção de informações, comerciais, produtos, entre outros.

Por fim, seria negligente não notar como a tentativa de tais algoritmos de criar universos culturais adequados a um gosto de seu usuário criam uma falsa sensação de livre- arbítrio e tolhe os múltiplos interesses e identidades que um sujeito poderia assumir.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, as  instituições  escolares  são  responsáveis  pela  educação  digital  e  emancipação  de  seus alunos, com o intuito de deixá-los cientes dos mecanismos utilizados pelas novas tecnologias de comunicação e informação e torná-los mais críticos.

Isso pode ser feito pela abordagem da temática, desde o ensino fundamental – uma vez que as gerações estão, cada vez mais cedo, imersas na realidade das novas tecnologias – , de maneira lúdica e adaptada à faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca dos novos meios comunicativos.

Por meio, também, de palestras com profissionais das áreas da informática que expliquem como os alunos poderão ampliar seu meio de informações e demonstrem como lidar com tais seletividades, haverá um caminho traçado para uma sociedade emancipada. (fonte: Guia do Participante. MEC/INEP)

Você leu o texto da Carolina? Viu só como ela conseguiu conquistar os avaliadores com uma linguagem e o raciocínio bem estruturados? Você também pode.

Vícios de Linguagem na Redação

Veja agora um resumo da professora Mercedes, com as dicas da Língua Portuguesa para você mandar bem no Enem e não perder pontos com erros de Vícios de Linguagem. Dar um vacilo, e colocar uma Cacofonia no texto é perder pontos na certa. Confira:

Excelente esta aula da professora Mercedes. Veja agora os mais dois textos premiados entre as melhores redações Enem nota 1000.

9 – Redação de Úrsula Gramiscelli Hasparyk

A plena formação acadêmica dos deficientes auditivos, uma parcela das chamadas Pessoas com Deficiência (PCD), é um direito assegurado no recém aprovado Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, também conhecido como Lei da Acessibilidade.

Além de um direito legalmente garantido, a educação para esse grupo social é sociologicamente analisada como essencial para uma sociedade tolerante e inclusiva. Entretanto, observa-se o desrespeito a essa garantia devido ao preconceito, muitas vezes manifestado pela violência simbólica, e à insuficiência estrutural educacional brasileira.

Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias de se garantir aos surdos a plena formação acadêmica. Segundo Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, os ambientes e as instituições públicas – inclusive as escolas e as faculdades – têm que ser completamente inclusivas a todos do espectro social para exercer sua total funcionalidade e genuinidade.

Analogamente, para atuarem como aparato democrático, tais instituições devem ser preparadas e devem garantir o espaço e a educação para os deficientes auditivos, constituindo, assim, uma sociedade diversificada, tolerante e genuína.

Além disso, outra importância é o cumprimento dos direitos à educação e ao desenvolvimento intelectual, assegurados no Estatuto da PCD e na Constituição Federal de 1988, que não discrimina o acesso à cidadania a nenhum grupo social, sendo, dessa forma, uma obrigação constitucional.

Contudo, observam-se algumas distorções para essa garantia educacional. Infelizmente, os surdos são alvo de preconceito e são vistos erroneamente como incapazes. Isso é frequentemente manifestado na forma de violência simbólica, termo do sociólogo Pierre Bordieu, que inclui os comportamentos, não necessariamente agressivos física ou verbalmente, que excluiriam moralmente grupos minoritários, como a PCD, exemplificados na colocação desses indivíduos em postos de trabalho menos valorizados e menos remunerados.

Adicionalmente, nota-se que outra manifestação dessa violência é a falta de uma infraestrutura escolar de qualidade com professores capacitados e com material adequado para garantir a devida formação educacional.

Consequentemente, as vítimas dessa agressão simbólica tenderiam a se isolar, gerando, por exemplo, evasão escolar e redução da procura pela qualificação profissional e acadêmica por esses deficientes.

Dessa forma, é necessário que , para garantir o ensino de qualidade e estruturado, o Ministério da Educação leve profissionais educadores especialistas em Libras para capacitar os professores já atuantes acerca do ensino aos deficientes auditivos e da adaptação às suas necessidades particulares na sala de aula. Isso deve ser feito com palestras instrucionais para os docentes de toda a hierarquia pedagógica.

Complementarmente, o Ministério da Saúde deve disponibilizar profissionais, como psicólogos, que dêem o apoio e o estímulo para a continuidade educacional dos deficientes e desconstruam, com atividades lúdicas e interativas com todos os alunos, como simulações da surdez, os preconceitos acerca desse grupo social. (fonte: Guia do Participante do Enem – MEC/INEP – Texto reproduzido entre as melhores redações Enem nota 1000)

10 Redação Nota mil: Alan de Castro Nabor

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, os deficientes auditivos compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao processo de formação educacional, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender a essa demanda.

Nesse contexto, torna-se evidente a carência de estrutura especializada no acompanhamento desse público, bem como a compreensão deturpada da função social deste. O filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado.

Nessa lógica, é notável que o poder público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona aos surdos o acesso à educação com a qualidade devida, o que caracteriza um irrespeito descomunal a esse público.

A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os deficientes auditivos é percebida no déficit deixado pelo sistema educacional vigente no país, que revela o despreparo da rede de ensino no que tange à inclusão dessa camada , de modo a causar entraves à formação desses indivíduos e , por conseguinte, sua inserção no mercado de trabalho.

Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos surdos para alcançar a formação educativa se dá na falta de apoio enfrentada por muitos no âmbito familiar, causada pela ignorância quanto às leis protetoras dos direitos do deficiente, que gera uma letargia social nesse aspecto.

Esse desconhecimento produz na sociedade concepções errôneas a respeito do papel social do portador de deficiências: como consequência do descumprimento dos deveres constitucionais do Estado, as famílias – acomodadas pela pouca instrução – alimentam a falsa ideia de que o deficiente auditivo não tem contribuição significante para a sociedade, o que o afasta da escolaridade e neutraliza a relevância que possui.

Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, proporcione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo – com profissionais especializados em atendê-lo –, a fim de gerar maior igualdade na qualificação e na disputa por emprego.

É imprescindível, ainda, que as famílias desses deficientes exijam do poder público a concretude dos princípios constitucionais de proteção a esse grupo, por meio do aprofundamento no conhecimento das leis que protegem essa camada, para que , a partir da obtenção do saber, esse empenho seja fortalecido e , assim, essa parcela receba o acompanhamento necessário para atingir a formação educacional e a contribuição à sociedade. (fonte: Guia do Participante do Enem – MEC/INEP)

Mandaram muito bem a Úrsula e o Alan nos textos premiados pelo Ministério da Educação e pelo INEP. Os dois colocaram o nome na história do Exame Nacional do Ensino Médio, e ficaram entre as melhores redações Enem nota 1000.

Agora é a sua vez de também chegar lá

Nota técnica: Todos os textos desta página sobre as melhores redações Enem nota 1000 são originais e autênticos. Foram retirados das Edições de 2019 e 2018 do Guia do Participante do Enem. Publicado pelo Ministério da Educação e pelo INEP todos os anos, o Guia traz a orientação de como os candidato deve produzir a redação.

A única alteração feita pela equipe do Curso Enem Gratuito foi incluir mais entradas de parágrafo em alguns “pontos” dos textos, de forma a deixar mais espaços de conforto para a leitura pelos usuários que utilizam smartphones com telas pequenas. Então, se você chegou até aqui, parabéns pelo seu esforço. É um bom começo para no futuro aparecer em nossos portais entre os melhores da redação Enem nota 1000.

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