Aumentativos e Diminutivos: Língua Portuguesa
Você já percebeu como o português é uma língua cheia de nuances e variações? Entre as muitas ferramentas linguísticas, os aumentativos e diminutivos se destacam por suas versatilidades e por enriquecerem a comunicação. Esses dois recursos morfológicos são usados para expressar diferentes intensidades, tamanhos, afetos ou até mesmo ironia. Mas, para dominá-los de maneira eficaz, é preciso entender como eles funcionam e quando usá-los corretamente. Neste artigo, vamos explorar as definições, regras e exemplos de aumentativos e diminutivos no português, além de apresentar algumas dicas práticas para aplicá-los no seu dia a dia.
O que são aumentativos e diminutivos?
No português, o aumentativo e o diminutivo são formas derivacionais que alteram o significado de uma palavra, atribuindo-lhe, respectivamente, a ideia de “maior” ou “menor” em relação ao seu tamanho, intensidade ou importância. Essas alterações podem ser aplicadas a substantivos, adjetivos e, em alguns casos, a outros tipos de palavras, proporcionando uma rica variedade de expressões na comunicação.
Aumentativo
O aumentativo é utilizado para conferir à palavra uma ideia de intensidade, grandeza ou importância superior ao significado original. É a maneira de tornar algo maior, mais forte ou mais significativo. Por exemplo, a palavra “casa” no aumentativo pode ser transformada em “casarão”, indicando uma casa grande. Outros exemplos incluem:
Cão → Cãozarrão (cão grande)
Livro → Livrão (livro grosso ou volumoso)
Festa → Festança (festa grande ou animada)
Pedra → Pedregulho (pedra grande)
Rapaz → Rapagão (rapaz alto, grande)
Povo → Povaréu (grande quantidade de pessoas)
Chapéu → Chapelão (chapéu grande)
Dente → Dentão (dente grande)
Diminutivo
Já o diminutivo é utilizado para dar a ideia de algo menor, mais delicado, frágil ou até mais amigável. Em muitos casos, o diminutivo é também uma maneira de expressar carinho, afetividade ou, em alguns contextos, ironia. Exemplos incluem:
Cachorro → Cachorrinho (cachorro pequeno ou de forma carinhosa)
Flor → Florzinha (flor pequena ou com afeto)
Mesa → Mesinha (mesa pequena)
Pão → Pãozinho (pão pequeno)
Mulher → Mulherzinha (mulher pequena ou mulher que não é considerada digna de respeito)
Livro → Livreto (livro pequeno)
Rua → Ruela (rua pequena)
Filho → Filhinho (filho pequeno, forma carinhosa)
Lugar → Lugarejo (lugar pequeno)
Bar → Barzinho (bar pequeno)
Bolo → Bolinho (bolo pequeno)
Animal → Animalzinho (animal pequeno, indefeso)
Faca → Faquinha (faca pequena)
Sala → Salinha, saleta (sala pequena)
Como funcionam as regras de formação?
Para formar o aumentativo e diminutivo, o português usa sufixos específicos que são adicionados à raiz da palavra. O uso desses sufixos, no entanto, varia de acordo com o final da palavra original e, em alguns casos, com a região ou variação linguística. Vamos ver mais detalhes sobre essas regras de formação.
Sufixos de Aumentativo
Os principais sufixos de aumentativo são:
-ão / -ona: Usado para formar o aumentativo de palavras que indicam tamanho ou intensidade. É o sufixo mais comum no aumentativo em português.
Exemplo: Livro → Livrão
Amiga → Amigona (grande amiga)
-zão / -zorra: Este sufixo pode ter um sentido de aumento de tamanho ou, em alguns casos, pode sugerir um caráter mais intenso ou exagerado.
Exemplo: Cão → Cãozão (cão grande ou agressivo)
Mão → Mãozorra (mão grande)
-ar / -ona: Usado para indicar tamanho grande, especialmente em substantivos que têm relação com seres humanos ou objetos que possuem grandeza ou importância.
Exemplo: Mulher → Mulherona (mulher grande, em tom de brincadeira)
Sufixos de Diminutivo
Já os sufixos de diminutivo são bem conhecidos e variam ligeiramente dependendo da palavra:
-inho / -inha: Este é o sufixo mais usado no diminutivo e pode ter uma conotação de pequenez ou carinho.
Exemplo: Cachorro → Cachorrinho (cachorro pequeno ou afetivo)
-zinho / -zinha: Este sufixo também indica tamanho pequeno, mas com um tom ainda mais afetivo ou carinhoso.
Exemplo: Flor → Florzinha
-ico / -ica: Mais usado em algumas regiões do Brasil, esse sufixo denota um diminutivo com tom de pequenez.
Exemplo: Burro → Burrico (burro pequeno)
-iscar / -isco: Usados na formação de verbos com noção diminutiva (chuviscar, mordiscar).
Chuva → Chuvisco
Quando e por que usar aumentativos e diminutivos?
Tanto o aumentativo quanto o diminutivo têm um papel fundamental na comunicação, pois permitem uma expressividade maior. Esses recursos são usados em diferentes contextos para transmitir nuances de significado, como:
Expressar Tamanho ou Intensidade:
O aumento ou diminuição do tamanho de um objeto ou situação é o uso mais óbvio desses sufixos. Eles ajudam a caracterizar melhor algo, seja dando a ideia de grandeza (aumentativo) ou pequenez (diminutivo).
Exemplo de aumentativo: “Ele mora em um casarão no centro da cidade.
Exemplo de diminutivo: “Ela comprou uma florzinha para o jardim.”
Veja o exemplo da tirinha abaixo:

Mostrar Carinho ou Afeto:
O diminutivo é muito usado para transmitir sentimentos de afeto ou ternura. É uma forma de tornar o discurso mais próximo e afetuoso.
Exemplo: “Que gato bonito! Ele é tão fofinho!”
Exemplo: “Vamos comprar docinhos para a festa?”
Na tirinha abaixo, o pai da Mafalda está fazendo uso do diminutivo para se expressar de forma carinhosa e afetuosa com a filha.

Criar Ironia ou Exagero:
O aumentativo também pode ser usado para criar uma ideia de exagero ou ironia. Por exemplo, quando alguém diz que algo é “um livrão“, a pessoa pode estar se referindo a um livro volumoso, mas também pode estar usando o termo para exagerar ou criticar de forma irônica.
Exemplo de ironia: “Que amigão, hein!”
Diferenciação Regional:
O uso de aumentativos e diminutivos pode variar conforme a região ou a tradição linguística. Em algumas partes do Brasil, é mais comum usar determinados sufixos ou combinações de sufixos.
Antes de seguirmos para mais exemplos, vamos dar uma conferida nessa explicação da professora Fernanda sobre flexão dos substantivos em gênero, número e grau:
Agora ficou bem mais simples. Concordam?
Exemplos de Aumentativos e Diminutivos no Cotidiano
A seguir, apresentamos alguns exemplos práticos para que você possa entender como utilizar aumentativos e diminutivos no cotidiano.
Aumentativo:
Carro → Carrão (um carro grande ou de luxo)
“Meu tio ganhou na loteria e comprou um carrão.”
Filme → Filmaço (um filme excelente, de qualidade)
“Assisti um filmaço ontem na Netflix!”
Nariz → Narigão (um nariz muito grande)
“Que narigão!”
Diminutivo:
Caneta → Canetinha (caneta pequena ou com conotação carinhosa)
“As crianças adoram colorir usando canetinha.”
Café → Cafezinho (um café pequeno ou como forma afetuosa)
“Aceita um cafezinho?”
Bola → Bolinha (bola pequena ou de brinquedo)
“O cachorro ficou brincando com a sua nova bolinha.”
Considerações Finais: Como usar com Sabedoria
Embora aumentativos e diminutivos sejam recursos poderosos e criativos da língua portuguesa, é importante usá-los com sabedoria. O exagero ou o uso inadequado desses sufixos pode soar excessivo ou até mesmo desrespeitoso, dependendo do contexto. Ao utilizar o diminutivo ou o aumentativo, considere a situação, o público e o tom da sua mensagem.
Além disso, sempre que possível, busque o equilíbrio. Evite usar aumentativos ou diminutivos em excesso, pois isso pode dar a impressão de que sua fala ou escrita está sendo excessivamente informal, forçada ou até carinhosa demais, dependendo do contexto. O domínio desses sufixos é um excelente recurso para melhorar suas habilidades de comunicação e enriquecer seu vocabulário em português.
A compreensão e o uso adequado dos aumentativos e diminutivos em português é uma das chaves para se expressar com precisão e clareza. Esses sufixos oferecem uma gama de possibilidades para criar nuances no significado das palavras e são ferramentas úteis tanto na comunicação formal quanto na informal. Ao dominar esses recursos linguísticos, você vai enriquecer sua forma de se comunicar, tornando-a mais expressiva, afetiva e, por vezes, até mais divertida. Agora chegou a hora de colocarmos o nosso conhecimento em prática, vamos lá?
Questão-01 – (UEG GO/2020)
Observe a tirinha a seguir.

Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Acesso em: 30 ago. 2019.
O sentido global da tirinha é constituído a partir de uma relação
a) sociolinguística, baseada numa variante linguística incompatível com a fala de crianças.
b) antonímica, que se estabelece contextualmente entre as palavras “muros” e “pontes”.
c) sintática, expressa pelo uso da construção adversativa no primeiro quadrinho.
d) dialógica, devido à negação enfática da personagem no segundo quadrinho.
e) morfológica, que se manifesta pela formação do diminutivo de “tijolinho”.
TEXTO: 1 – Comum à questão: 2
[…]
116 Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, 117 cercava a criaturinha. Silêncio completo, 118 nenhum sinal de vida nos arredores. O galo 119 velho não cantava no poleiro, nem Fabiano 120 roncava na cama de varas. Estes sons não 121 interessavam Baleia, mas quando o galo 122 batia as asas e Fabiano se virava, 123 emanações familiares revelavam-lhe a 124 presença deles. Agora parecia que a 125 fazenda se tinha despovoado.
126 Baleia respirava depressa, a boca aberta, os 127 queixos desgovernados, a língua pendente 128 e insensível. Não sabia o que tinha 129 sucedido. O estrondo, a pancada que 130 recebera no quarto e a viagem difícil no 131 barreiro ao fim do pátio desvaneciam-se no 132 seu espírito.
133 Provavelmente estava na cozinha, entre as 134 pedras que serviam de trempe. Antes de se 135 deitar, sinhá Vitória retirava dali os carvões 136 e a cinza, varria com um molho de 137 vassourinha o chão queimado, e aquilo 138 ficava um bom lugar para cachorro 139 descansar. O calor afugentava as pulgas, a 140 terra se amaciava. E, findos os cochilos, 141 numerosos preás corriam e saltavam, um 142 formigueiro de preás invadia a cozinha.
143 A tremura subia, deixava a barriga e 144 chegava ao peito de Baleia. Do outro peito 145 para trás era tudo insensibilidade e 146 esquecimento. Mas o resto do corpo se 147 arrepiava, espinhos de mandacaru 148 penetravam na carne meio comida pela 149 doença.
150 Baleia encostava a cabecinha fatigada na 151 pedra. A pedra estava fria, certamente 152 sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se 153 muito cedo.
154 Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num 155 mundo cheio de preás. E lamberia as mãos 156 de Fabiano, um Fabiano enorme. As 157 crianças se espojariam com ela, rolariam 158 com ela num pátio enorme, num chiqueiro 159 enorme. O mundo ficaria todo cheio de 160 preás, gordos, enormes.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas, 82ª ed. Rio de Janeiro: Record. 2001. p. 85-91.
Questão-02 – (UECE/2019)
Do ponto de vista estilístico, o uso da forma no diminutivo das palavras criaturinha (Ref.117) e cabecinha (Ref.150) expressa o sentido de
a) afetuosidade.
b) pequenez.
c) ironia.
d) desprezo.
TEXTO: 2 – Comum à questão: 3
Conheça 5 atitudes simples para preservar o meio ambiente
75 É possível mudar muito fazendo atitudes 76 simples em seu cotidiano.
77 Não é mais nenhum segredo que as 78 mudanças climáticas e agressão ao meio 79 ambiente estão entre as ameaças mais 80 graves à humanidade e, se nada for feito, 81 em poucos séculos, a Terra como 82 conhecemos pode deixar de existir. Mas 83 […] pouca gente parece perceber ou 84 compreender o que pode fazer de fato para 85 mudar a situação. Não é preciso muito: 86 atitudes simples no dia a dia podem ajudar 87 a minimizar os danos causados no meio 88 ambiente.
89 Economize energia
90 Comece trocando as lâmpadas por modelos 91 eficientes. […]. Em seguida, preste atenção 92 para não deixar luzes acesas em cômodos 93 que não estão sendo utilizados e desligue o 94 computador durante a noite. Nas tarefas 95 domésticas, busque ser mais eficiente, por 96 exemplo, esperando acumular roupas o 97 suficiente para encher uma máquina antes 98 de lavá-las.
99 Economize papel
100 Evite impressões desnecessárias: ingressos 101 (quando há a opção de e-ticket), extratos 102 de banco, via da compra no cartão, contas 103 que podem ser pagas online… […] Ao usar 104 papel para anotações, certifique-se de usálo 105 por completo antes de reciclar. E, na hora 106 de dar presentes, experimente reutilizar 107 papéis antigos ou buscar novas formas 108 criativas de embrulhá-los.
109 Tenha um dia vegetariano
110 Você não precisa parar de comer carne, 111 mas experimente deixar de consumir carne 112 por somente um dia. São necessários 9,5 113 mil litros de água para produzir cada meio 114 quilo de carne, e cada hambúrguer que vem 115 de animais que pastam em áreas 116 desmatadas causou a destruição de cinco 117 metros quadrados de floresta.
118 Desligue a torneira
119 Só de desligar a torneira ao escovar os 120 dentes, por exemplo, é possível economizar 121 18 litros de água por dia. Experimente fazer 122 o mesmo quando for ensaboar as mãos ou 123 as louças na pia na hora de lavá-las para 124 economizar ainda mais.
125 Reduza o consumo de plástico
126 Você já deve ter ouvido falar da ilha de 127 plástico no Pacífico. Ela é formada por 4 128 milhões de toneladas de plástico […]. 129 Reduzir o consumo de plástico no dia a dia 130 é fundamental para reverter este cenário. 131 Muitas cidades brasileiras já aboliram a 132 sacola plástica no supermercado […]. 133 Tenha a própria garrafinha para quando 134 precisar tomar água: cerca de 90% das 135 garrafas de plástico não são recicladas e 136 acabam em aterros. E, se for usar copos 137 plásticos, […] adote a técnica de marcar o 138 nome com uma caneta em vez de jogá-lo 139 no lixo cada vez que for tomar algo.
Adaptado de MARASCIULO, Marília. Conheça 5 atitudes simples para preservar o meio ambiente. Revista Galileu.
Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2019/01/conheca-5-atitudes-simplespara- preservar-o-meio-ambiente.html.2019. Acesso em: 20 de maio de 2019.
Questão-03 – (UECE/2019)
Algumas palavras da língua portuguesa são formadas a partir da combinação de morfemas. Sobre esse aspecto, atente para as seguintes afirmações:
I. O sufixo inha do vocábulo garrafinha (Ref. 133) indica diminutivo e o processo de formação dessa palavra se chama derivação sufixal.
II. Os prefixos re e des dos vocábulos reutilizar e desligar (Refs. 106 e 119) indicam,respectivamente, repetição de uma ação enegação, e o processo de formação dessaspalavras se chama derivação prefixal.
III. O prefixo ex do vocábulo extratos (Ref. 101) significa que algo está fora e o processo de formação dessa palavra é denominado derivação prefixal.
Estão corretas as assertivas contidas em
a) I e II apenas.
b) I e III apenas.
c) II e III apenas.
d) I, II e III.
GABARITO:
1 – B
2 – A
3 – A
Rafaela Tavares é formada em Letras – Português e Inglês pela UNICESUMAR e atua como professora de inglês, revisora de texto e redatora em agência publicitária.