Caule: o que é, função, estruturas, tipos e exemplos

Os caules são as estruturas que sustentam as partes aéreas das plantas. Além de possuírem função de sustentação, abrigam os vasos condutores das plantas.

Talvez, neste momento, você esteja sentado/a sobre uma cadeira de madeira ou seu computador esteja sobre uma mesa desse material. A madeira utilizada como matéria prima para esses móveis vem do caule de alguns vegetais.

Mas, apesar de geralmente nos lembrarmos dos caules como estruturas lenhosas, os caules têm diferentes morfologias e funções.

O que é e quais as funções do caule

O caule é uma estrutura que, em geral, sustenta as partes aéreas, especialmente as folhas. Como comumente cresce em direção ao céu, o caule faz com que as folhas recebam melhores condições de iluminação, facilitando a fotossíntese.

No seu interior, encontramos tanto tecidos que darão sustentação à sua estrutura, como também os vasos condutores. Esses vasos levarão a seiva bruta das raízes até as folhas (vasos do xilema) e também das folhas até as raízes (vasos do floema).

Os caules também podem atuar como estruturas de reserva de energia, como na batata inglesa. Ou, ainda, como estruturas de reserva de água, como ocorre nas cactáceas.

Por fim, há caules que também podem realizar a fotossíntese, como o que ocorre nas plantas jovens.

Crescimento dos caules

Em geral, os caules apresentam fototropismo positivo. Isso quer dizer que os caules tendem a crescer em direção à luz. Ao mesmo tempo, os caules apresentam também um gravitropismo negativo, ou seja, crescem na direção contrária à aceleração da gravidade.

Morfologia externa

Partes externas de um caule
Imagem 1: Desenho esquemático da estrutura externa de um caule.

Gema apical

Também chamada de gema terminal ou ponto vegetativo, a gema apical é uma zona de crescimento em altura do vegetal.

Na gema apical encontramos o meristema primário, com células indiferenciadas que se multiplicam para aumentar o tamanho do vegetal e, em seguida, diferenciam-se.

Nesses meristemas surgem os primórdios foliares, pequenas protuberâncias que ficam na ponta do caule protegendo a gema apical e que, posteriormente, formam as folhas.

Gemas laterais

Nas axilas das folhas encontramos as estruturas chamadas de gemas laterais ou gemas auxiliares. Elas contêm tecidos meristemáticos que darão origem aos ramos laterais (galhos) da planta.

Essas gemas, no desenvolvimento inicial das plantas, ficam geralmente dormentes. Após certo tempo de desenvolvimento, as gemas laterais são ativadas e passam a desenvolver os ramos.

Nós

Chamamos de nó a região do caule onde se encontra a gema lateral.

Entrenó

Entrenós são as regiões do caule localizadas entre dois nós.

Morfologia interna

Estrutura primária dos caules

Podemos observar a estrutura primária dos caules quando fazemos um corte transversal em uma região mais jovem do caule.

Externamente, sua estrutura primária é revestida pela epiderme. Internamente, é comum que encontremos parênquima clorofiliano, já que é muito comum que esses caules inicialmente também realizem fotossíntese.

Internamente, é comum encontrarmos tecidos de sustentação, como o colênquima.

Apesar da estrutura descrita acima, em plantas monocotiledôneas e em dicotiledôneas herbáceas não há grande diferenciação entre o córtex do caule e o seu cilindro central.

Isso porque os feixes vasculares nessas plantas espalham-se no interior do caule, organizados de maneira concêntrica dentro do parênquima fundamental.

Outro fator importante desses feixes é que são mistos. Ou seja, nesses feixes vasculares há tanto vasos lenhosos (xilema) quanto liberianos (floema) organizados em um único feixe. É possível perceber que os vasos liberianos estão todos voltados para o exterior do caule. Já o lenho está voltado para o interior.

Já na grande maioria das dicotiledôneas os feixes vasculares estão dispostos em forma de anel, organizados em volta de uma medula de tecido parenquimal.

Os feixes vasculares nessas plantas também são líbero-lenhosos (têm tanto xilema quanto floema). No entanto, entre os dois tipos de vasos encontramos o câmbio fascicular.

Nessas dicotiledôneas também podemos perceber que há diferenças entre o córtex do caule e sua medula.

Cortes transversais de uma monocotiledônea e de uma dicotiledônea
Imagem 2: Na imagem há dois cortes transversais de caules coloridos artificialmente e observados ao microscópio óptico. Do lado esquerdo vemos a estrutura primária do caule de uma monocotiledônea. Do lado esquerdo, vemos os caules de uma dicotiledônea. Observe que há bastante diferença entre eles: enquanto no primeiro os feixes vasculares (bolinhas escuras) se espalham por todo o caule, no segundo eles se organizam mais na periferia, em volta de uma medula.

Estrutura secundária dos caules

Encontramos estruturas secundárias em caules em dicotiledôneas. Nesses caules vemos um crescimento em diâmetro. Sendo assim, a estrutura desses caules é formada a partir do desenvolvimento do câmbio e também do felogênio, presente no córtex.

Além do câmbio fascicular encontrado entre o xilema e o floema na estrutura primária do caule, há também o chamado câmbio interfascicular. Esses dois tecidos serão responsáveis pela formação do floema (mais externo) e do xilema (mais interno).

Já o felogênio dará origem externamente ao súber, um tecido cujas células são mortas e têm a parede celular reforçada pela suberina e forma a casca do caule. Internamente o felogênio formará a feloderme, cujas células são vivas. Esses três tecidos, juntos, formam a periderme.

Quando cortamos alguns caules lenhosos é possível ver a formação de uma região mais externa de tonalidade clara, chamada de alburno. Essa região é composta de xilema em atividade. Já na região interna dos caules há uma zona mais escura chamada de cerne. No cerne encontramos o xilema mais velho, que não é mais funcional e se encontra bastante comprimido. O cerne ajuda a dar certa estrutura ao tronco.

Anéis de crescimento

Em algumas plantas de regiões com estações do ano bem marcadas e distintas, há a formação de diferentes anéis em seu tronco. Esses anéis são chamados de anéis de crescimento. Cada anel (formado de uma parte mais clara e outra mais escura) corresponde a um ano de vida da planta. Por isso podemos definir a idade de uma planta contando seus anéis.

Nessas plantas, durante o período da primavera, quando há bom suprimento de água, o câmbio irá produzir vasos condutores com paredes mais finas e grandes cavidades. Esse tecido formado na primavera é chamado de lenho primaveril e tem grande eficiência no transporte de seiva.

Já em verões e outonos mais secos, com pouca quantidade de água nos solos, o câmbio produzirá células com paredes mais grossas e cavidades pequenas. Esse tecido será chamado de lenho estival. Como no inverno há condições desfavoráveis ao crescimento, não há a formação de novos tecidos.

Anéis de crescimento
Imagem 3: Infográfico demonstrando os anéis de crescimento em um tronco.

Tipos de caules

Como você viu até aqui, os caules podem ter diferentes morfologias internas e funções. Cada vegetal terá caules com características adaptadas ao ambiente em que vive.

Dessa maneira, classificamos os diferentes tipos de caules de acordo com a região onde crescem: caules aéreos, caules subterrâneos e caules aquáticos.

Caules aéreos

Os caules aéreos são aqueles que crescem acima do solo. Há diversos tipos de caules aéreos, classificados de acordo com suas funções:

a) Caule tipo tronco

Os caules troncos são aqueles que possuem uma casca bastante espessada e lenhosa. Por conta do espessamento da casca, esses caules são bastante resistentes. Em geral, apresentam várias ramificações em galhos. São os caules típicos das plantas arbóreas e arbustivas.

Caule de um pau-brasil
Imagem 4: Fotografia do caule de um pau-brasil. O pau-brasil, assim como outras plantas arbóreas e arbustivas são plantas que possuem caules do tipo tronco. Fonte: Getty Images.
b) Caule tipo estipe

Os caules estipe, assim como os caules tronco, são caules lenhosos. Porém, são caules mais alongados e cilíndricos que não possuem ramificações. As folhas desses caules desenvolvem-se apenas próximas à gema apical. São os caules típicos das palmeiras.

Caule estipe
Imagem 5: Fotografia do caule de um açaizeiro. A palmeira de açaí tem um caule do tipo estipe. Fonte da imagem: Getty Images.
c) Caule tipo haste

As hastes são caules verdes e maleáveis. Por serem verdes (com grande quantidade de cloroplastos), além de sustentarem as partes aéreas, esses caules são responsáveis por fazerem fotossíntese. São encontrados em plantas jovens e também em herbáceas.

Haste
Imagem 6: Fotografia de vários coentros. Os caules do coentro são do tipo haste. Fonte da imagem: Getty Images.
d) Caule tipo colmo

Os caules do tipo colmo são caules que possuem nós e entrenós bastante visíveis. Além disso, não se ramificam. Podem ser ocos internamente, como é o caso dos bambus, ou preenchidos com substâncias de reserva, como a cana-de-açúcar.

Colmo
Imagem 7: Fotografia de uma plantação de cana-de-açúcar. A cana-de-açúcar tem um caule do tipo colmo. Fonte da imagem: Getty Images.
e) Caule do tipo volúvel

Os caules volúveis são encontrados em plantas que se escoram em suportes para crescerem. São tão flexíveis e maleáveis que se enrolam em suportes. Por conta disso, são também chamados de caules trepadores. Encontramos caules volúveis, por exemplo, no chuchu, nas parreiras de uva e de maracujá.

Caule do tipo volúvel
Imagem 8: Fotografia das gavinhas de uma parreira de uvas. As parreiras de uvas têm caules do tipo volúvel. Fonte: Getty Images.
f) Caule do tipo rastejante

Os caules rastejantes crescem paralelamente aos solos. São caules maleáveis e pouco resistentes. A melancia e a abóbora possuem caules rastejantes.

Caule rastejante
Imagem 9: Fotografia de um pé de abóbora. As abóboras possuem caules do tipo rasteiro. Fonte: Getty Images.
g) Caule do tipo cladódio

Os caules cladódios são caules que reserva grande quantidade de água e, muitas vezes, reservam também nutrientes. Além disso, são caules verdes e responsáveis pela fotossíntese das plantas que os apresentam, já que nessas plantas as folhas são transformadas em espinhos. Os cladódios são os caules típicos das cactáceas.

Caule tipo cladódio
Imagem 10: Fotografia de um cacto. Os cactos têm caules do tipo cladódio. Fonte da imagem: Getty Image.

Caules subterrâneos

Os caules subterrâneos são aqueles que crescem abaixo do solo. Em geral, crescem bem perto da superfície e se desenvolvendo paralelamente ao solo.

a) Caule do tipo tubérculo

Caules tubérculos são caules subterrâneos que reservam grande quantidade de energia na forma de amido. A reserva de nutrientes permite que os vegetais que possuem caules tubérculos consigam sobreviver a períodos de baixa insolação e escassez de água.

Além disso, o fato de serem subterrâneos ajuda a diminuir a herbivoria, já que a reserva de amido seria bem atrativa para herbívoros. A batata inglesa, o cará e o inhame são caules tubérculos.

Tubérculo
Imagem 11: Fotografia de um pé de batata. As batatas inglesas têm caules do tipo tubérculo. Fonte da imagem: Getty Images.
b) Caule do tipo rizoma

Os caules do tipo rizoma crescem paralelamente ao solo e produzem vários ramos e folhas aéreas. O gengibre é um típico caule do tipo rizoma.

Outro típico exemplo é a bananeira. O “caule” esverdeado que costumamos ver não é um caule verdadeiro, é um pseudocaule. O caule da bananeira é um rizoma e o que vemos acima da terra é uma estrutura formada pela bainha das folhas enroladas.

Rizoma
Imagem 12: Fotografia de gengibres. Os gengibres têm caules do tipo rizoma. Fonte da imagem: Getty Images.
c) Caule do tipo bulbo

Os caules do tipo bulbo são caules muito pequenos, geralmente circulares. Eles são circundados por folhas modificadas, os catafilos, que armazenam substâncias nutritivas. Encontramos caules bulbos na cebola e no alho.

Bulbo
Imagem 13: Fotografia de vários alhos com suas raízes e folhas. O alho tem um caule do tipo bulbo. As partes comestíveis do alho são seus catafilos. Fonte da imagem: Getty Images.

Caules aquáticos

Os caules aquáticos se desenvolvem no ambiente aquático, dentro da água. Comumente esses caules apresentam parênquima aerífero, fazendo com que boiem, elevando as estruturas aéreas. As vitórias-régias possuem esse tipo de caule.

Videoaula

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Exercícios

Em seguida, faça os exercícios que selecionei para você:

1- (FCM PB/2015)    

A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo, sendo produzida na maioria dos países tropicais, representa a quarta fonte de energia depois do milho, arroz e trigo. A banana possui variável fonte de minerais, sendo um importante componente na alimentação em todo o mundo. Seu sabor é um dos mais importantes atributos de qualidade, a polpa verde é caracterizada por uma forte adstringência determinada pela presença de compostos fenólicos solúveis, principalmente taninos; o caule da bananeira tem função de reserva e propagação vegetativa. Assinale a alternativa CORRETA para a denominação deste tipo de caule.

a) Bulbo

b) Tubérculo

c) Pecíolo

d) Limbo

e) Rizoma

2- (UEPG PR/2015)    

Um tipo de caule de plantas comum e conhecido é o tronco, que é aéreo e vertical, com ramificações. No entanto, muitas plantas apresentam caule com adaptações especiais. Em relação às adaptações especiais de caule, assinale o que for correto.

01. O tubérculo é um caule subterrâneo rico em material nutritivo, exemplo: a batata.

02. Cladódio é um caule aéreo modificado com função fotossintetizante e/ou de reserva de água.

03. O caule volúvel é ereto e rígido, possuindo poucas folhas e com espinhos.

04. Rizóforo é um caule cilíndrico em que se observem nitidamente os nós e entrenós, formando os gomos, como ocorre no bambu.

05. Rizoma é um caule aéreo rastejante em que há enraizamento em vários pontos. Se a ligação entre um enraizamento e outro for interrompida, a planta morre.

3- (UDESC SC/2016)    

Fornecer suporte às folhas e transporte das seivas bruta e elaborada são as principais funções dos caules. Analise as proposições em relação à informação.

I. O caule do tipo volúvel é um caule aéreo, ereto e lenhoso, a exemplo, uva, chuchu e feijão.

II. O caule do tipo colmo é um tipo de caule lenhoso e rastejante no qual são nitidamente observadas as regiões de nó e interno, a exemplo, palmito e coqueiro.

III. O caule do tipo rizoma é um caule subterrâneo com desenvolvimento perpendicular à superfície, a exemplo, batata inglesa, cenoura e aipim.

IV. O caule do tipo bulbo é um caule subterrâneo, de tamanho reduzido e envolvido por folhas modificadas, a exemplo, cebola e alho.

V. O caule do tipo estipe é um caule com muitos galhos e lenhoso, a exemplo, laranjeira e coqueiro.

Assinale a alternativa correta.

a) Na afirmativa IV a descrição do caule está correta, assim como os exemplos deste tipo de caule.

b) Na afirmativa I a descrição do caule está correta, assim como os exemplos deste tipo de caule.

c) Na afirmativa II a descrição do caule está correta, porém os exemplos são de outro tipo de caule.

d) Na afirmativa III a descrição do caule está correta, assim como os exemplos deste tipo de caule.

e) Na afirmativa V a descrição do caule está correta, porém os exemplos não são deste tipo de caule.

GABARITO: 

  1. E
  2. 03
  3. A

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

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