Resposta argumentativa

Para revisar o tema resposta argumentativa, vamos lançar uma polêmica: na sua opinião, qual é a maior banda de rock da atualidade? Você verá nessa aula a discussão dessa pergunta e a estrutura de uma boa resposta argumentativa para ela. Vamos lá?

Há vestibulares que exigem uma resposta argumentativa para perguntas sobre temas de alguma disciplina. Por exemplo, o vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina traz quatro questões abertas que devem ser respondidas obedecendo a uma estrutura simples.

Nesse tipo de situação, é preciso saber como responder à questão de forma clara, objetiva coesa e coerente. A estrutura de uma resposta argumentativa lembra a estrutura de um texto dissertativo.

O famigerado justifique sua resposta

Primeiramente, você já deve saber que a resposta argumentativa está na vida escolar e faz parte dos processos de avaliação. Inclusive, o “justifique sua resposta é o terror durante as provas de vários estudantes. 

Sendo assim, é importante que você lembre que o cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo enunciado é de extrema importância na hora de produzir sua resposta. E que, além do conteúdo, é importante saber que a argumentação tem como propósito principal convencer, persuadir e/ou influenciar quem vai ler a resposta.

Por tais motivos, uma das coisas que pode te ajudar na produção de respostas argumentativas é se basear nos textos de apoio – ou motivadores – para formular sua argumentação e convencer o revisor. E, para convencer, é preciso construir um argumento. Então, para isso, vamos partir de dois pontos básicos:

  1. Um raciocínio que se sustente, que seja consistente.
  2. Evidências de provas.

Por exemplo, pense na redação do ENEM. Nos parágrafos de desenvolvimento, você deve trazer provas para sustentar a sua tese. E, por falar em parágrafo, você sabe o que é um? 

O parágrafo é uma ideia

Primeiramente, o parágrafo é uma ideia, uma tese. Sendo assim, a resposta argumentativa deve partir de uma afirmação inicial. Para esta revisão, vamos considerar que a afirmação inicial corresponde ao conceito de tópico frasal, ou seja, será sempre a primeira oração de cada parágrafo.

Devemos entender que o parágrafo-padrão é formado por duas ou, às vezes, três partes. São elas:

  • a introdução, que é formada por um ou dois períodos curtos em que se expressa de maneira objetiva o tópico frasal;
  • o desenvolvimento, que é a explanação do tópico frasal; defesa da tese;
  • e a conclusão, que pode não aparecer nos parágrafos mais curtos em que o tópico frasal não apresenta maior complexidade; confirmação do ponto de vista;
Exemplo de redação nota mil

Abaixo, retiramos da Cartilha do Participante – Redação do ENEM 2019 um exemplo de parágrafos de introdução, cuja redação tirou nota mil. Observe a estrutura:

Redação de CAROLINA MENDES PEREIRA

Em sua canção “Pela Internet”, o cantor brasileiro Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas plataformas digitais para seus usuários. No entanto, com o avanço de algoritmos e mecanismos de controle de dados desenvolvidos por empresas de aplicativos e redes sociais, essa abundância vem sendo restringida e as notícias, e produtos culturais vêm sendo cada vez mais direcionados – uma conjuntura atual apta a moldar os hábitos e a informatividade dos usuários. Desse modo, tal manipulação do comportamento de usuários pela seleção prévia de dados é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Análise do parágrafo

Primeiramente, temos o tópico frasal que é a introdução do parágrafo. Ou seja, a primeira afirmação que, além de abrir o parágrafo, já nos diz sobre o que trata o assunto: a quantidade de informações que pode ser consultada na internet pelos usuários.

Enquanto isso, no segundo período temos o desenvolvimento da ideia apresentada, ou seja, a apresentação do problema. A locução conjuntiva “no entanto”, no início do período, além de fazer a conexão com o tópico frasal, avisa ao leitor que temos um problema. As ideias se contrastam entre a quantidade de informação e controle de dados desenvolvidos por empresas de aplicativos e redes sociais. 

Enfim, Carolina conclui seu parágrafo fazendo mais uma vez o uso de um conectivo, a locução conjuntiva “desse modo”. O uso dessa locução já nos leva à conclusão que é a seleção prévia de dados é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento, segundo a autora.

Os parágrafos a seguir – dois de desenvolvimento e um de conclusão – seguem a mesma estrutura: introdução com um tópico frasal, apresentação e/ou defesa da ideia com base em argumento, fatos e dados e a conclusão.

Você deve ter notado, estudante, que neste parágrafo, temos apenas três pontos finais. O período mais “longo” é o do desenvolvimento, onde podemos encontrar a maior quantidade de orações. Ao mesmo tempo, o período de introdução (tópico frasal) e o de conclusão são os mais curtos, pois possuem menos orações. 

Esperamos que você tenha percebido como as ideias de cada período estão conectadas por locuções conjuntivas, mas poderiam ser apenas conjunções, já que a função dessa classe gramatical é ligar orações.

Coesão e coerência da resposta argumentativa

Primeiramente, todas as vezes que você ouvir falar sobre coesão, você imaginará uma seta apontando para a sua direita. Sim, pois o texto é escrito “nessa direção”. Coesão tem a ver com o jeito com que a palavras estão articuladas no texto para nos passar a informação, a ideia do parágrafo. Por exemplo, usar mas no lugar de embora é, também, um problema de coesão.

Sendo assim, quando você se deparar com um parágrafo que não está coeso, é porque tem alguma palavra ou ideia que não faz sentido. Pode até estar gramaticalmente correto, mas se não está coeso, não passa a mensagem como se deseja.

Já quando o assunto for coerência, imagine uma seta apontando para baixo. O texto vem da introdução, passa por alguns parágrafos de desenvolvimento (geralmente dois) e termina no parágrafo de conclusão. A coerência trata do tema do parágrafo. Sua resposta argumentativa precisa se iniciar e terminar tratando sempre do mesmo tema proposto.

E a nossa resposta argumentativa?

Bem, aqui vai nossa reposta argumentativa sobre a pergunta que ilustra nossa revisão. Lembrando da pergunta: na sua opinião, qual é a maior banda de rock da atualidade?

Todo clássico precisa atravessar décadas e, ainda assim, continuar atual e sem perder a identidade. A banda The Rolling Stones, além de ser referência no mundo da música, continua fiel ao seu estilo. Além disso, a banda também mantém o equilíbrio entre inovar e renovar. A prova disso, mesmo com quase 60 anos de carreira, é o anúncio de um novo disco para 2020. Sendo assim, podemos afirmar que The Rolling Stones é a maior banda de rock deste e de todos os tempos.

Em síntese, é isso, estudante! Para finalizar sua revisão, veja esta videoaula do canal Grupo do Saber

Por último, é hora de resolver alguns exercícios sobre o assunto.

Por fim, até mais, estudante!

Exercícios sobre resposta argumentativa
TEXTO: 1 – Comum à questão: 1

imagem exercício resposta argumentativa

Lei de Abuso de Autoridade não ameaça qualquer prática jurisdicional

Em corpos diferenciados do funcionalismo público emerge, naturalmente, um corporativismo construído pelo elitismo do seu “espírito de corpo”. Trata-se, de fato, de um anel protetor do bom e do mau uso que seus membros podem fazer de suas prerrogativas. Um exemplo disso é a que o País assiste agora, perplexo: a reação à lei que combate os possíveis abusos de autoridade nos Três Poderes da República.

Eventuais dúvidas sobre julgamentos são analisadas com recurso a instâncias jurídicas superiores (colegiadas), porque só outros juízes podem avaliar a razoabilidade de outro juiz. O preparo da ação e o julgamento são influenciados por muitos fatores (inclusive a “visão de mundo” de cada um deles). O importante, entretanto, é que, se o paciente não se conformar com o resultado, há a possibilidade de recorrer a instâncias superiores que, eventualmente, terão a oportunidade de corrigi-lo. Esses parcos conhecimentos me levaram nos últimos 70 anos a aceitar tal mecanismo como satisfatório para minimizar os riscos do sistema.

É por isso que estou surpreso com a reação corporativista contra a Lei de Abuso de Autoridade, que, obviamente, não ameaça qualquer prática jurisdicional que obedeça ao espírito e à letra da Lei. Sobre o poder do Congresso de produzi-la e aprová-la, e o poder do presidente de sancioná-la ou vetá-la parcialmente, não há dúvidas. Entretanto, a palavra final sobre ela (pela rejeição de eventuais vetos) pertence ao Congresso. Mas há um problema lógico muito interessante, apontado pelo competente Elio Gaspari. No caso de eventual denúncia de abuso de autoridade, quem vai julgá-lo? O próprio Judiciário! Logo, se um funcionário da Receita, do Coaf, um promotor ou um juiz se julga ameaçado, porque será “controlado” pelo próprio Judiciário, é porque ele não acredita em nada do que foi dito acima! 

(Delfim Netto, revista Carta Capital, 28 de agosto de 2019)
Questão 01)

Um dos questionamentos levantados pelo autor (que o faz concordar com Elio Gaspari) é:

a) a possibilidade de recurso ao Supremo afastar qualquer temor de julgamento equivocado em primeira instância.

b) julgamentos estarem sujeitos, dentre vários fatores, às visões particulares de cada magistrado.

c) a prática jurisdicional obediente ao espírito e à regra da Constituição não acarretar prejuízos a funcionários públicos.

d) um funcionário, seja da Receita ou do Coaf, seja um juiz ou promotor, sentir-se coagido pelo Judiciário e não confiar na justeza da lei.

e) o arrazoado de um juiz só poder ser julgado ou avaliado por outro juiz.

Gabarito: D

TEXTO: 2 – Comuns às questões: 2, 3

Os fenômenos da linguagem examinavam- se outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras expletivas ou de realce os termos sobejantes¹ unidos à oração ou nela encravados.

Hoje que a ciência da linguagem investiga os fatos sem deixar-se pear² por antigos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta da superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado de todos os dias.

Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras.

(Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semânticas, RJ)

¹ sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras. 

² pear: prender.

Questão 02)

Conforme o autor:

a) A gramática e a lógica reconheciam outrora a análise das partículas de realce.

b) A gramática e a lógica analisavam apenas os termos sobejantes da oração.

c) A linguagem era iluminada outrora apenas pela análise dos termos de realce.

d) As palavras excedentes encaixadas na oração, classificadas como termos de realce, constituíam, até então, os limites da análise.

e) As palavras expletivas e ilógicas sobravam nas orações de realce, desde que reconhecidas como fenômenos da linguagem.

Gabarito: D

Questão 03)

Segundo o autor, não seria um contrassenso:

a) Nos tempos atuais, a ciência linguística prender-se a superfluidades.

b) A ciência linguística ainda estar entravada por preconceitos.

c) Os antigos preconceitos já não influírem na investigação linguística dos fatos.

d) A ciência da linguagem deixar-se permear pela gramática.

e) Considerar palavras ou expressões de realce como sendo inútil por excesso.

Gabarito: C

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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