Como o sucesso do Cinema BR na gringa pode te ajudar no Enem

Descubra como o filme O Agente Secreto pode turbinar sua redação do Enem com temas como ditadura, cultura, cidadania e memória histórica.


A madrugada deste domingo (11/01) entrou para os registros como um momento decisivo para o audiovisual brasileiro. “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, levou para casa duas estatuetas do Globo de Ouro 2026: a de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e a de Melhor Ator em Filme de Drama para Wagner Moura.

Este resultado inédito marca a primeira vez que o Brasil conquista duas categorias numa única edição da premiação. A conquista é ainda mais expressiva quando consideramos que o longa concorreu também na principal categoria da noite, Melhor Filme de Drama, perdendo apenas para “Hamnet”, dirigido pela cineasta chinesa Chloé Zhao.

Wagner Moura se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, superando nomes como Dwayne Johnson, Joel Edgerton, Oscar Isaac e Michael B. Jordan. Durante seu discurso de agradecimento, o ator emocionou ao finalizar em português: “Para todo mundo no Brasil assistindo isso agora, viva o Brasil, viva a cultura brasileira!”

O cinema brasileiro voltou a brilhar nos holofotes internacionais! O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi um dos grandes destaques no Festival de Cannes, levando quatro prêmios, incluindo Melhor Direção e Melhor Ator para Wagner Moura. Para além da consagração artística, esse reconhecimento internacional fortalece a imagem do Brasil no exterior e reforça o valor da nossa cultura.

O que isso tem a ver com o Enem?

A prova valoriza repertórios socioculturais atualizados e legítimos, principalmente na redação e nas questões de Ciências Humanas. Um filme premiado internacionalmente, que aborda temas centrais da história e sociedade brasileira, representa exatamente o tipo de referência que pode elevar significativamente a qualidade argumentativa de uma redação.

A competência 2 da redação do Enem, por exemplo, avalia justamente se o estudante sabe usar referências culturais para construir argumentos. E quando um filme brasileiro é premiado em Cannes e elogiado pela crítica mundial, ele se torna um repertório legitimado, ou seja, perfeito para usar na redação.

Sobre o que é “O Agente Secreto”?

O filme se passa no Recife de 1977, durante o governo do general Ernesto Geisel, período que marca a fase de distensão da ditadura militar brasileira. O protagonista é Marcelo, interpretado por Wagner Moura, um professor universitário de tecnologia de 40 anos que foge de São Paulo para a capital pernambucana durante o Carnaval, vivendo sob identidade falsa como “Armando”.

Viúvo e perseguido politicamente, Marcelo busca reconstruir sua existência e se reaproximar do filho pequeno que foi forçado a abandonar. A cidade que deveria ser seu refúgio, porém, se revela um ambiente igualmente hostil e perigoso. Ele rapidamente se vê enredado numa teia de vigilância, delação e repressão que caracterizava o aparato de controle do regime autoritário.

O enredo desvenda como a vida do protagonista foi despedaçada pela vingança e ganância de um burocrata do governo. Navegando entre o medo, a culpa e a tentativa de sobrevivência, Marcelo precisa equilibrar seus princípios éticos com as demandas de um sistema que criminaliza qualquer forma de dissidência.

Através dessa história pessoal, o filme expõe os mecanismos institucionais de opressão: a censura sistemática, as perseguições arbitrárias, os desaparecimentos forçados e o clima generalizado de medo que permeava o cotidiano brasileiro daquele período. Kleber Mendonça Filho reconstrói meticulosamente a atmosfera sufocante da ditadura, mostrando como vidas comuns eram trituradas pelas engrenagens do autoritarismo.

Um marco para o cinema nacional

Em maio de 2025, durante o 78º Festival de Cannes, o filme foi o mais premiado da mostra, conquistando quatro distinções: Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho, Melhor Ator para Wagner Moura, além dos prêmios FIPRESCI (críticos de cinema) e Art et Essai (associação francesa de cinema).

A estreia em Cannes foi recebida com 13 minutos de aplausos de pé, sinalizando desde o início o impacto que o longa teria na temporada de premiações. Wagner Moura se tornou o primeiro ator brasileiro a vencer o prêmio de atuação em Cannes, enquanto Kleber Mendonça Filho alcançou um feito conquistado anteriormente apenas por Glauber Rocha em 1969.

O reconhecimento não parou por aí. O filme também triunfou no New York Film Critics Circle Awards e no Los Angeles Film Critics Association Awards, levando o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro em ambas as cerimônias. Wagner Moura ainda levou o troféu de Melhor Ator do círculo de críticos nova-iorquinos.fundamentar uma redação com reflexão crítica sobre política, cidadania ou memória histórica.

Cinema brasileiro como expressão da nossa identidade

Desde o Cinema Novo dos anos 1960, com nomes como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues, o audiovisual brasileiro consolidou uma tradição de engajamento social. A proposta era clara: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, ou seja, produzir filmes de baixo orçamento, mas com forte conteúdo político e crítico.

Essa visão ressurge em momentos diferentes da história e é visível também em títulos mais recentes, como Cidade de Deus (2002), Tropa de Elite (2007) e Que Horas Ela Volta? (2015). Embora não sejam de “baixo orçamento” no sentido mais estrito do Cinema Novo, eles se destacam por conteúdo social e político, relevância crítica e qualidade artística.

Mesmo diante de cortes orçamentários, censura e desvalorização institucional, o cinema nacional persiste na produção de obras de grande relevância, abordando temas cruciais da realidade brasileira. Ele se reestrutura e adapta para tratar de assuntos como:

  • Memória histórica e democracia:
    • “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho: Um documentário seminal que revisita a história de João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado na ditadura militar, e o impacto da repressão, explorando a memória histórica e a luta pela democracia.
    • “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), de Leon Hirszman: Um drama que retrata a greve de operários em São Paulo durante a ditadura, abordando as relações de classe, a organização política e os dilemas da resistência em um período de repressão.
    • “Pra Frente Brasil” (1982), de Roberto Farias: Um thriller político que se passa durante a Copa do Mundo de 1970, expondo os métodos de tortura da ditadura e a violência do Estado em contraste com a euforia futebolística, discutindo memória histórica e censura.

  • Desigualdade social, relações de classe e violência urbana (sob diferentes perspectivas):
    • “O Beijo no Asfalto” (1981), de Bruno Barreto: Baseado na peça de Nelson Rodrigues, o filme expõe a hipocrisia social e a violência moral de uma sociedade que lincha um homem por um ato de compaixão, revelando as engrenagens da fofoca e do julgamento público em um contexto de relações sociais tensas.
    • “Tudo Bem” (1978), de Arnaldo Jabor: Uma comédia de costumes que se passa em um prédio carioca, revelando as pequenas e grandes violências cotidianas, as desigualdades e os conflitos de classe em um microcosmo da sociedade brasileira.
    • “Copacabana Mon Amour” (1970), de Rogério Sganzerla: Um filme experimental que, de forma anárquica, retrata uma Copacabana marginal e decadente, expondo a violência implícita na vida de personagens à margem da sociedade e uma crítica subversiva à cultura de consumo, refletindo sobre desigualdade e a falência de certos valores urbanos.

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, está inserido nessa linha de continuidade. Ao ambientar a narrativa no Brasil da ditadura militar, o filme retoma o debate sobre a repressão política e os mecanismos de controle do Estado. Mas mais do que relembrar o passado, o longa nos convida a pensar no presente: como lidamos hoje com a memória desse período? Quais paralelos podem ser traçados com a realidade atual? E como a arte pode contribuir para a construção de um futuro mais democrático e justo?

O cinema como poder de influência (Soft Power)

Soft power é a capacidade de um país influenciar o mundo não pela força, mas pelo prestígio da sua cultura, valores e ideias. Hollywood é o maior exemplo disso. E o Brasil, com sua diversidade cultural, também tem muito a dizer.

Quando um filme como O Agente Secreto ganha espaço em Cannes, o Brasil projeta não só sua arte, mas também suas questões sociais, sua história e sua visão de mundo. Essa é uma forma poderosa de diplomacia cultural. O cinema funciona como um embaixador simbólico, conectando nações e promovendo diálogo entre culturas.

Por que O Agente Secreto é um repertório estratégico para o Enem

O filme retrata o Brasil de 1977, sob a ditadura militar, e trata de temas como autoritarismo, delação, repressão e censura. Isso o conecta diretamente a diversos eixos temáticos do Enem, especialmente nas áreas de Ciências Humanas e na redação:

  • Memória histórica e justiça de transição;
  • Cidadania e direitos humanos;
  • Liberdade de expressão e controle da informação;
  • Construção da identidade nacional por meio da arte;
  • Soft power e cultura como instrumento de influência global.

Esse conjunto de temas sugere que o filme tem o potencial de ir muito além de uma narrativa de época. Ele promete se conectar diretamente com debates contemporâneos sobre democracia, participação política, identidade cultural e projeção internacional. Por isso, pode ser uma ótima referência pra você enriquecer a sua redação com um repertório que é legítimo, super em dia e que te ajuda a conectar ideias de várias áreas!

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Autor(a) Luana Beatriz dos Santos

Sobre o(a) autor(a):

Luana Beatriz dos Santos -

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