Coronavírus: o novo vírus que surgiu na China

Muito tem se falado sobre o novo surto de Coronavírus. Mas você sabe como ele é transmitido? Como pode ser prevenido? Não? Então vem com a gente!

O ano de 2020 começou com uma notícia recorrente nas diferentes mídias: a nova infecção por Coronavírus. O recém-descoberto vírus da família Coronavírus foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China, e se espalhou rapidamente. Além de atingir milhares de pessoas em seu país de origem, centenas de casos ao redor do mundo já foram confirmados.

Mas, do que se trata esse vírus? Quais os seus sintomas? Temos motivos para nos preocuparmos com esta nova infecção? Vem comigo nesta aula de Biologia e Atualidades e aprenda tudo o que você precisa saber sobre o Coronavírus!

O que é Coronavírus?

Coronavírus é uma grande família de vírus de RNA conhecidos desde a década de 1960. Nessa família os vírus são de RNA simples de sentido positivo. Isso quer dizer que eles são compostos por um capsídeo dentro do qual se encontra uma molécula de RNA. Esse material genético é usado diretamente para a síntese de proteínas assim que entra na célula hospedeira.

Essa característica é diferente, por exemplo, dos vírus HIV que também são vírus de RNA. Porém, no caso dos vírus que causam a Aids, após entrar na célula hospedeira, o RNA viral é utilizado para fazer DNA viral através da enzima transcriptase reversa. Por isso, os HIV são chamados de retrovírus. Ao contrário dos Coronavírus, cuja atividade é direta, como você viu acima.

coronavírus
Representação esquemática de um Coronavírus.

Os vírus da família Coranavírus parasitam várias espécies de animais vertebrados. Em geral, assim como a maior parte dos vírus, os vírus dessa família são muito específicos, parasitando exclusivamente uma espécie de hospedeiro.

Até o momento, há 7 cepas de conhecidas de Coronavírus que parasitam seres humanos. Dentre elas a SARS-COV, que causou a Síndrome Aguda Respiratória (SARS – do inglês “Severe Acute Respiratory Syndrome”) em 2002 na Ásia, matando 916 pessoas durante o surto.

Como os vírus dessa família são de RNA, é muito comum que sofram mutações (em frequência muito maior do que aqueles que têm DNA). Isso acontece com esses tipos de vírus porque as enzimas que acompanham seu material genético, como a RNA polimerase e a RNA integrase, não conseguem corrigir erros que ocorrem durante a produção de RNA.

Dessa maneira, algumas das mutações que surgem podem possibilitar que algumas cepas de vírus parasitem outras espécies de animais que não a de seus hospedeiros habituais. Por tal motivo, a maior parte das infecções conhecidas causadas por Coronavírus são diretamente relacionadas a reservatórios naturais, como algumas espécies de aves e mamíferos.

O atual surto de Coronavírus foi nomeado oficialmente pela OMS como “Doença Respiratória de 2019-nCoV”. Durante investigações sobre esse vírus, o genoma da nova cepa foi sequenciada e os cientistas descobriram que ele se assemelha bastante ao encontrados nas cepas de Betacoronavírus que parasitam morcegos. Sendo assim, há a suspeita de que a cepa que vem se espalhando pelo mundo tenha tido origem nesses animais, sofrendo uma mutação que permitiu que passassem a parasitar seres humanos.

Como o Coronavírus é transmitido?

Apesar da nossa urgência em saber mais sobre os modos de transmissão para podermos melhor prevenir a infecção, é importante salientar que o novo vírus foi descoberto muito recentemente. Sendo assim, as pesquisas sobre as características do Coronavírus 2019-nCov estão em andamento neste momento.

Dessa maneira, ainda não se tem total certeza dos modos de transmissão desse Coronavírus. Porém, como ele parasita especialmente as vias aéreas, é muito provável que ele seja transmitido da mesma forma que gripes e resfriados: tosses e espirros que jogam esses vírus no ambiente e contaminam superfícies e objetos. Assim, ao respirarmos o ar com gotículas de secreções provenientes dos doentes ou levarmos ao rosto objetos ou as mãos contaminadas, podemos estar nos infectando.

Quais são os sintomas da infecção causada por Coronavírus?

O vírus parasita especialmente as vias aéreas, ou seja, os tecidos da faringe, da laringe e da traqueia. Sendo assim, os sintomas são semelhantes aos de um resfriado comum: febre baixa, tosse, espirros, coriza e dor de cabeça. Em geral, essa infecção é autolimitada, vindo a desaparecer em poucos dias.

Porém, observou-se que em alguns casos a infecção tem uma piora rápida. Isso acontece quando o vírus passa a parasitar também os brônquios e bronquíolos, afetando os pulmões. Assim, os sintomas de resfriado evoluem rapidamente para uma pneumonia, causando febre alta, dificuldade e dor ao respirar. Caso a pneumonia se agrave, a pessoa pode vir a falecer.

É importante salientar que uma pesquisa publicada no renomado The Lancet (um dos mais importantes periódicos médicos e científicos do planeta) indica que há fatores que aumentam o risco de morte. Segundo o estudo, dos 99 indivíduos estudados que faleceram em um hospital de Wuhan, 55% sofriam de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, e 37% eram idosos. A partir desse estudo, podemos perceber que, assim como outras doenças infecciosas do trato respiratório, idosos, crianças e pessoas com algum tipo de debilidade estão mais sujeitas ao agravamento da doença.

Como é feito o tratamento da Doença Respiratória de 2019-nCoV?

Não existe tratamento específico, como antibióticos, para o novo Coronavírus. Sendo assim, o tratamento da infecção é sintomático. Ou seja, a pessoa deve tomar, sob orientação médica, medicamentos para o alívio da dor e da febre. Além disso, é recomendado o repouso e o uso de umidificadores de ambiente, para diminuir o incômodo nas vias respiratórias.

É importante aqui ressaltar o alerta do Ministério da Saúde: assim que os primeiros sintomas surgirem, é essencial procurar ajuda médica imediata para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento dos sintomas. Especialmente se você teve contato com pessoas que voltaram de viagens à China recentemente.

Como prevenir a infecção causada por Coronavírus?

Como a descoberta do vírus 2019-nCOV é muito recente, não houve tempo hábil para a produção de uma vacina. Sendo assim, a prevenção se concentra nos cuidados pessoais e monitoramento das agências de saúde.

Como suspeita-se que a transmissão se dá pelo ar e pelo contato próximo e direto com pessoas contaminadas, as formas de prevenção são as mesmas que para outras doenças do trato respiratório. Veja:

– Evitar o contato com pessoas que estão com sintomas de infecções respiratórias;

– Lavar as mãos frequentemente, especialmente se você teve contato com pessoas doentes ou ambientes onde se encontram essas pessoas. Também fique atento a esta etapa de higiene caso você precise frequentar locais com grande tráfego de pessoas, como o transporte público.

– Se possível, evite aglomerações de pessoas e ambientes fechados;

– Utilize lenços descartáveis para a higiene nasal;

– Cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;

– Evite tocar constantemente o rosto, especialmente as mucosas do nariz, da boca e dos olhos;

– Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres e copos;

Preciso ficar preocupado(a) com o surto de Coronavírus?

O vírus 2019-nCOV tem preocupado as agências de saúde especialmente pela rapidez com que se espalha. E, em um mundo globalizado em que o trânsito de pessoas é constante, conter uma infecção transmitida pelo ar é uma tarefa das mais difíceis. Por isso, governos e as mídias estão em estado de alerta.

Porém, vale lembrar que até agora os estudos mostram que a taxa de mortalidade dessa infecção por Coronavírus é baixa. Mais baixa, inclusive, que de outras infecções causadas por outros vírus da família, chegando a ser comparada com a mortalidade de algumas cepas de gripe. Ainda assim, é preciso atenção e uma grande mobilização para controlar o espalhamento da doença. Como você viu, esses vírus sofrem mutações com relativa facilidade e, ao acaso, podem acabar se tornando mais virulentos, mais transmissíveis, mais fatais.

Apesar disso, muitos especialistas dizem que não há motivos para pânico entre a comunidade brasileira. Segundo eles é preciso sim estar alerta para cuidados básicos de higiene. Mas, você não precisa se isolar em sua casa ou sair por aí usando máscaras.

Muitas espécies de parasitas sofrem mutações constantemente e é provável que você e eu ainda vejamos muitos novos surtos de doenças surgindo e se alastrando pelo mundo ao longo de nossas vidas. O que importa é saber que a ciência avança a cada dia na busca por tratamentos e prevenções à essas novas doenças. E, ainda mais importante que isso, é saber que devemos lutar para que todas as populações possam ter acesso à serviços de saúde de qualidade, diminuindo assim os prováveis hospedeiros e rompendo os ciclos dessas doenças.

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.