Pandemia, epidemia e surto: veja nas fases do Covid-19

Com quase 6 milhões de mortos no mundo, sendo mais de 600 mil no Brasil, a pandemia do Coronavírus é a maior crise sanitária da nossa história. Saiba quando uma doença é classificada como surto, epidemia ou pandemia.

A infecção causada pelo Covid-2019 tomou conta dos noticiários durante 2020 e 2021. E uma das coisas que pudemos observar nos primeiros meses após da descoberta da doença foi a trajetória de classificações nos noticiários: surto, epidemia e, por fim, pandemia. Nesta aula, você vai conhecer as diferenças entre esses termos que são importantes para sua vida e para as questões do Enem.

A OMS e a classificação das doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma organização especializada das Nações Unidas, criada especialmente para tratar questões relativas à saúde. Fundada em 1948, a OMS preza pela saúde humana agindo em diversas áreas, desde a prevenção de doenças até a atuação em emergências de saúde.

Uma das suas formas de atuação da organização é o monitoramento e a classificação das doenças em surto, epidemia e pandemia. Essa classificação tem como objetivo otimizar as ações da instituição e alertar os Estados para que passem a ativar protocolos de segurança de saúde para conter o avanço de doenças.

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Em março de 2020, a OMS decretou que a infecção pelo novo coronavírus deve ser considerada como uma pandemia. Esse termo é usado com muita cautela pela organização, uma vez que pode dar a impressão de que uma doença está fora de controle e que nada mais pode ser feito, gerando pânico entre a população.

No entanto, com o crescimento do número de casos de Covid-19, essa classificação não pôde mais ser evitada. Isso porque o número de contaminados fora do país de origem, a China, cresceu de forma incrivelmente rápida.

Mapa de casos da pandemia de coronavírus
Infográfico demonstrando a localização e o número de casos de coronavírus em 13 de março de 2020. Fonte da imagem: BBC Brasil

Sendo assim, com a nova classificação, o nível de alerta em todos os países aumentou e protocolos de segurança sanitária foram ativados. Um exemplo disso é o que alguns países fizeram em seus aeroportos, monitorando as pessoas que vêm de lugares com grande incidência da infecção.

Pandemia, epidemia e surto

Confira agora no resumo de introdução com a professora Juliana Evelyn Santos as diferenças básicas entre cada um dos termos de classificação utilizados pela Organização Mundial da Saúde:

Em seguida, veja a descrição de cada uma das classificações.

Surto

Dizemos que há um surto de uma determinada doença quando ocorre um repentino aumento no número de casos de uma infecção em um curto espaço de tempo em certa região. Para que uma doença seja considerada um surto, é necessário que o número de casos seja muito maior que o esperado pelas autoridades de saúde dessa região.

Podemos citar como exemplo de surto a infecção causada pelo letal vírus ebola em 1976 no Zaire (atual República Democrática do Congo). Nesse surto, 318 pessoas de uma mesma comunidade foram contaminadas e, em pouco tempo, 280 morreram.

Outro exemplo de surto, um pouco mais atual, é o sarampo. Por conta dos movimentos anti-vacinas, muitas pessoas passaram a estar expostas ao sarampo.

Sendo assim, há registros de surtos da doença em 16 estados brasileiros e já há registro de óbitos causados pelo sarampo, o que não ocorria no país há quase 20 anos.

Epidemia

Consideramos que uma doença se tornou uma epidemia quando há casos espalhados por várias regiões. Uma epidemia é como uma progressão de um surto, que se espalha à medida que o número de casos aumenta rapidamente e passam a acontecer em diversas áreas ao mesmo tempo.

Dependendo do quanto uma doença se espalhe, uma epidemia pode ser uma preocupação de saúde pública para um município, um estado ou até mesmo um país.

Um exemplo de epidemia é a dengue. Todos os anos há um grande número de casos de dengue em vários estados, sendo um dos principais problemas de saúde pública do nosso país.

Pandemia

O prefixo pan que inicia essa palavra significa “tudo” ou “totalidade”. Sendo assim, você já deve imaginar o que significa pandemia, certo? Pandemia é um termo que utilizamos para nos referirmos a uma doença que se espalhou pelo mundo inteiro.

Mas, aqui é importante ressaltar que além do registro de casos em diferentes regiões do globo, é importante também que existam muitos casos fora da região de origem da infecção para que se classifique uma doença como pandemia.

Para você entender melhor, voltemos ao caso do ebola. Entre 2018 e 2019 ocorreu uma nova epidemia de ebola em alguns países da África. Alguns poucos casos foram registrados também nos Estados Unidos e na Europa.

Todos de profissionais da saúde que haviam atuado na crise do continente africano. Apesar de termos esses casos em diferentes países ao redor do globo, essa epidemia não foi chamada de pandemia porque não houve um grande número de casos fora da África.

Endemia

Outra nomenclatura que talvez você já tenha visto sendo usada por órgãos de saúde é o termo endemia. Uma endemia é uma classificação que não está diretamente relacionada ao número de casos de uma doença, mas sim à região onde uma doença ocorre.

Dizemos que uma doença é uma endemia (ou endêmica) quando há, ao longo do tempo, repetidos casos dessa infecção em determinada região. Ou seja, é uma doença típica de um local. Um exemplo de infecção endêmica é a malária, que acontece recorrentemente nos estados do Norte do país.

Veja as diferenças entre epidemia, endemia e pandemia:

Pandemia de Covid-19*

No final de 2019, na China, e no início de 2020, em toda a Terra, a infecção do Covid-19, causada pelo novo coronavírus, tomou conta dos noticiários. Desde então, a morte viaja por sobre o mundo, como uma verdadeira peste.

As perdas em todo mundo chegaram aos 4,69 milhões de óbitos na segunda metade de setembro de 2021. O Brasil superou a triste marca de 590 mil óbitos no mesmo período. É a maior tragédia da história do país.

As vacinas que chegaram no Brasil a e as que foram fabricadas no país partir de janeiro de 2021 ainda não foram suficientes para uma cobertura preventiva da população. Apenas pouco mais de 37% da população recebeu a segunda dose ou imunização completa até 20 de setembro, o que é muito baixo na comparação internacional.

Veja as piores pandemias da história

A Peste Negra – Ao longo da história da humanidade, já tivemos diversos episódios semelhantes ao de agora. A Peste Negra (peste bubônica), na década de 1340, matou praticamente um terço da população europeia com a disseminação da bactéria Yersinia pestis. O nome de Peste Negra foi dado à doença porque ela provoca manchas escuras na pele.

Foi a  maior tragédia sanitária da humanidade. A Inglaterra teve um novo ciclo da Peste Negra em 1665. E, em 1720, um surto de peste bubônica virou uma epidemia e matou 200 mil pessoas na região de Marselha, na França. Morreu a metade da população ali. Veja aula completa sobre a Peste Negra.

Cólera – Em 1817 teve início um longo ciclo de pandemias de cólera, inicialmente no subcontinente Índico, e depois chegando à Asia e à Europa alcançando o ano de 1820. A doença é provocada pela bactéria vibrio cholerae. 

Gripe Espanhola – De 1918 até 1920 o mundo viveu o drama da Gripe Espanhola, que atacou forte inclusive no Brasil em 1918, com a chegada e disseminação do vírus Influenza H1N1. Morreram mais de 50 milhões de pessoas no mundo todo. Foi uma pandemia devastadora. Perdemos 35 mil brasileiros naquela pandemia da Gripe Espanhola.

A pandemia de Covid-19 e as mortes no Brasil

No final de maio de 2021, os mortos pelo Covid  eram 3.534.435 em todos os países, sendo 461.057 óbitos no Brasil. Porém, em apenas quatro meses o Brasil passou para 590.955 mortos no dia 20 de setembro. No mundo todo eram 4.697.978 vidas perdidas.

Veja no quadro as mortes no Brasil e no mundo em 20 de setembro de 2021 e compare como as taxas de óbitos são muito mais altas no país. Os números mostram que a gravidade no Brasil é muito maior que nos demais países. Veja o resumo dos números na imagem acima.

Compare o Brasil com os dados globais

O Brasil tem apenas 2,71% da população mundial. Mas, em relação ao número de mortos pela Covid, temos mais de 12,5% do total global de falecimentos. Temos 4,5 vezes mais mortes no Brasil do que na média mundial.

Os dados mostram uma situação gravíssima em nosso país. De acordo com o painel de monitoramento dos casos de Covid-19 mantido pela Johns Hopkins University, o Brasil está entre as piores taxas de mortes por milhão de habitantes dentre todos os países.

Brasil bate recorde negativo

Infelizmente, temos 2.774 mortos no Brasil em cada um milhão de habitantes, na contagem do dia 20 de setembro 2021. A média mundial é de 602 mortes por milhão.  Somos um dos piores países do mundo no combate à Pandemia. Estamos entre os seis lugares do mundo onde mais se morre por COVID-19. Veja a triste liderança do Brasil no ranking mundial de mortes.

A diferença entre a média de mortes no Brasil por milhão de habitantes, de 2.774, contra 602 na média mundial, mostra que perdemos 2.172 pessoas a mais que no restante do mundo em cada 1 milhão de habitantes. Em outras palavras, no Brasil já morreram 465 mil pessoas a mais do que seria o minimamente razoável para a execução de uma política pública preventiva adequada.

O médico e cientista ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 2020, dr. Charles Rice, acusou o presidente da república, Jair Bolsonaro, e sua equipe, como responsáveis pelas mortes em excesso. E que estas mortes em excesso no Brasil poderiam ter sido evitadas, disse o Dr. Rice.

O Brasil vai mal na pandemia

É a maior taxa de mortos por milhão de habitantes dentre todos os países da América do Sul, perdendo apenas para a tragédia do Peru. As mortes provocadas pelo Covid-19 durante a pandemia são o retrato de uma tragédia de grandes dimensões no Brasil. Se o país tivesse ficado na média mundial teríamos perdido 100 mil pessoas, e não 530 mil.

Entre as causas que os pesquisadores internacionais apontam para o quadro no Brasil ser mais grave que nos demais países está o comportamento do próprio presidente da república e de outras lideranças que adotaram uma postura denominada de “negacionista“.

O país perdeu mais de um ano contra o vírus enquanto o presidente da república ficava divulgando remédios ineficazes como a Cloroquina e a Ivermectina em vez de apoiar as vacinas. É uma das causas das mortes muito mais intensas no Brasil que no restante do mundo.

Brasil atrasado na busca da vacina

Esta lógica negacionista dizia que o novo Coronavírus provocaria só “uma gripezinha”, afastando a gravidade do problema. Depois da Pandemia instalada, o negacionismo desrespeitava as regras de isolamento social, boicotava o uso de máscaras e anunciava remédios ou tratamentos que não têm efeito comprovado pela medicina.

O próprio presidente da república ficou mais de um ano fazendo propaganda de Cloroquina e Ivermectiva, remédios que não funcionam contra a doença do Covid-19. E, quando teve início a vacinação pela Coronavac no Brasil, o presidente voltou a criticar os produtos, acusando – sem provas, de falta de comprovação científica.

Estes fatos todos são contrários à ciência e às recomendações da OMS. Eles criaram no Brasil uma falsa sensação de segurança em grande parte da população – que acabou se colocando em risco quando deveria se proteger. O resultado são muito mais mortes do que a média mundial.

Veja aqui uma aula completa sobre o Coronavírus Covid-19 para você ter a real dimensão do que significa a crise de saúde pública que chegou no Brasil.

HIV-AIDS e Gripe Espanhola

Podemos ainda citar um exemplo clássico de pandemia: o HIV, vírus que causa a Aids. Encontramos pessoas contaminadas com HIV em países de todo o mundo. Veja um resumo simples e rápido sobre o que é um vírus como o do tipo HIV-AIDS com a professora Juliana Evelyn Santos:

Muito bom este resumo da professora Juliana Evelyn Santos. Têm mais vídeos de Biologia com ela no canal do Curso Enem Gratuito.

A Gripe Espanhola

Outro exemplo famoso de pandemia é a gripe espanhola. Essa foi a maior pandemia já registrada, matando cerca de 50 milhões de pessoas. Só no Brasil, a gripe espanhola fez mais de 35 mil vítimas.

Gripe espanhola Hospital de montado no Kansas (EUA) para atender as vítimas da gripe espanhola em 1918. O número de mortos na Gripe Espanhola passou de 50 milhões de pessoas em todo o planeta.

Veja na imagem uma síntese da Gripe Espanhola:

O Brasil também foi alcançado pelo vírus da Gripe Espanhola com muita violência.

Na época da Gripe Espanhola as estratégias eficazes para conter a disseminação e tentar reduzir a mortalidade eram o isolamento ou a quarentena, da mesma forma como na pandemia de Covid-2019.

Veja neste material de divulgação de 1918 as recomendações médicas para evitar o contágio pela Gripe Espanhola:

A reprodução dos vírus

Veja agora um resumo simples e rápido para você compreender como os vírus se utilizam do corpo humano para se reproduzir, para se replicar. E, com isso, debilitam o nosso organismo, provocando as doenças, conforme o caso, até mesmo a morte.

(*) O texto original desta aula foi modificado pelo editor do CEG, prof. e jornalista João Vianney, que fez a inclusão do bloco de informações a partir de “Pandemia de Covid-19”. É, portanto, de responsabilidade do editor a versão final desta publicação nos aspectos de jornalismo e opinião.

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

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