Filo dos Equinodermos

Estrelas-do-mar, ouriços-do-mar, pepinos-do-mar… Você conhece os representantes do Filo dos Equinodermos e suas características? Não? Então, vem com a gente revisar esse Filo de animais para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

Você provavelmente já ouviu falar dos enormes problemas enfrentados pelos ecossistemas marinhos. A poluição causada pelas ações humanas tem colocado em risco as variadas espécies de animais que habitam os oceanos. Imagine, então, o quanto esses problemas podem afetar um grupo onde todos os representantes são exclusivamente marinhos! As estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar e as bolachas-da-praia são os representantes mais conhecidos do Filo dos Equinodermos, um grupo de animais com representantes exclusivamente marinhos.

Você conhece as principais características desse grupo? Não? Então vem comigo nesta aula de Biologia para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

Características gerais do Filo dos Equinodermos

O Filo dos Equinodermos surgiu no fim período Cambriano. Dentro desse grupo há cerca de 13.000 espécies de extintas, descritas através do registro fóssil, e 7.000 espécies atuais descritas. Dentro desse grupo, encontramos animais exclusivamente marinhos e bentônicos. Ou seja, todas as espécies desse grupo vivem sobre o substrato marinho, fixando-se sobre esse substrato ou deslocando-se lentamente sobre ele.

A principal característica do grupo dos Equinodermos e que, inclusive, dá nome a este grupo (equino = espinho e derma = pele), é o fato que os animais desse filo possuem espinhos em suas peles.

Anatomia dos equinodermos

Como você acabou de ver, a principal característica do Filo dos Equinodermos é a presença de estruturas semelhantes a espinhos na pele desses animais. Podem ter formato variado, com o corpo achatado ou arredondado. A presença de braços, como os que encontramos nas estrelas-do-mar, é comum, aparecendo em boa parte das espécies de equinodermos.

ouriços exemplo de equinodermos
Imagem 1: Fotografia de dois ouriços-do-mar nas areias de uma praia.

Simetria dos Equinodermos

Os equinodermos são os animais invertebrados mais próximos dos vertebrados na escala evolutiva. Porém, ao contrário dos vertebrados, os equinodermos possuem simetria radial quando adultos, assim como animais mais simples, como os cnidários. Isso quer dizer que seus corpos podem ser divididos em várias fatias e que cada uma das fatias é semelhante às demais.

Como muitos dos equinodermos possui cinco braços, podemos dizer que essa simetria é pentarradial, ou seja, cada braço é igual aos demais.

A simetria radial, em geral, está relacionada aos animais que possuem pouca mobilidade, como o que encontramos em animais do filo dos equinodermos, que possuem movimentação bastante lenta.

estrela do mar equinodermos
Imagem 2: Fotografia de uma estrela-do-mar com retas vermelhas dividindo-a em diferentes planos para demonstrar a simetria pentarradial.

Porém, fique atento(a): durante a fase larval, esses animais possuem simetria bilateral, ou seja, apenas dois lados iguais/simétricos.

– Desenvolvimento embrionário dos equinodermos

Os equinodermos são animais triblásticos. Ou seja, possuem os três folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme e endoderme). Sendo assim, têm diferentes tecidos e órgãos derivados desses conjuntos de células embrionárias.

Além disso, esses animais são também classificados como celomados. Isso quer dizer que possuem uma cavidade interna revestida por tecidos provenientes da mesoderme. Dentro dessa cavidade, estão abrigados alguns dos órgãos desses animais, como o sistema ambulacral que veremos mais adiante.

Em relação ao desenvolvimento embrionário, outra característica importante a ser lembrada no Filo dos Equinodermos é o fato de serem os primeiros animais deuterostômios (assim como os vertebrados) da escala zoológica.

Eles são assim classificados porque durante o seu desenvolvimento embrionário, na fase de gástrula, o blastóporo (abertura presente no embrião) dará origem ao ânus. Nos demais animais invertebrados, o blastóporo dará origem à boca (protostômios).

– Revestimento externo dos Equinodermos

Externamente os equinodermos são revestidos por uma epiderme simples. Essa epiderme está situada sobre o endoesqueleto e os espinhos do animal, que tornam algumas regiões de sua pele mais proeminentes. Alguns equinodermos podem ter substâncias tóxicas cobrindo os espinhos, utilizadas na defesa do animal.

Muitas espécies de equinodermos têm na base dos espinhos estruturas chamadas de pedicelárias. As pedicelárias são espécies de pinças que podem ajudar o animal a se defender ou apenas auxiliar na “limpeza” da superfície corpórea do animal.

– Musculatura e sustentação dos equinodermos

Os equinodermos possuem um endoesqueleto formado por pequenos “ossinhos” calcificados, chamados de placas calcárias. Apesar dessas placas terem uma composição muito semelhante aos ossos de alguns vertebrados e de se localizarem internamente em seus corpos, os equinodermos são considerados invertebrados. Isso porque seu endoesqueleto não possui vértebras nem crânio, sendo, portanto, invertebrados.

As placas que formam o endoesqueleto dos equinodermos podem ser fixas, formando carapaças resistentes, ou móveis. Nesse último caso, pequenos músculos irão ligar uma placa na outra.

– Circulação dos equinodermos

Os equinodermos não possuem um sistema exclusivo para a circulação de substâncias. Porém, possuem um sistema exclusivo desse grupo que auxilia na circulação de substâncias: o sistema ambulacral.

O sistema ambulacral (ou ambulacrário) é um conjunto de canais que percorre o corpo do animal. Dentro dele circula água do mar que entra por um ou mais orifício na região dorsal do corpo do animal, chamados de madreporitos. Os madreporitos se localizam em uma região chamada de placa madrepórica, localizada perto do ânus do animal.

sistema ambulacrário estrela do mar
Imagem 3: Desenho esquemático demonstrando o sistema ambulacrário de uma estrela-do-mar.

Ao circular por dentro desses vasos hidráulicos, a diferença de pressão faz com que o animal se mova, para que possa se locomover ou capturar presas. Além disso, ligados a esses vasos, há centenas de pequenos prolongamentos chamados de pés ambulacrais. Os pés ambulacrais são também utilizados na locomoção.

Para entender melhor o funcionamento desses sistema na locomoção de uma estrela-do-mar, veja este interessante vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=uGQAl7leyBg&t=2s

– Sistema digestório:

O sistema digestório dos equinodermos é completo. Ou seja, possuem boca e ânus. Na maior parte das espécies de equinodermos, a boca está voltada para o substrato. Já o ânus está voltado para cima, juntamente com o madreporito.

Nos ouriços-do-mar e bolachas-da-praia existe uma estrutura chamada lanterna-de-aristóteles. Essa estrutura é formada por um conjunto de cinco dentes calcários organizados concentricamente, utilizados para raspar estruturas.

boca ouriço do mar
Imagem 4: Fotografia da boca de um ouriço-do-mar. Nela podemos ver 5 pequenos “dentinhos” que compõem a lanterna-de-aristóteles.

Já algumas espécies de estrelas-do-mar podem everter parte do seu estômago para capturar suas presas.

estrela do mar(equinodermos) capturando peixe
Imagem 5: Fotografia de uma estrela capturando um peixe. Note os muitos pequenos pés ambulacrários usados pela estrela para segurar o peixe.

Para entende melhor a alimentação das estrelas do mar, veja esse vídeo:

– Sistema respiratório:

As trocas gasosas dos equinodermos são realizadas através de respiração branquial. Para isso, há um conjunto de brânquias localizadas em volta da boca e também pequenas brânquias que acompanham os pés ambulacrais. Essas brânquias trocam oxigênio diretamente com os tecidos e estão ligadas ao sistema ambulacral, que carrega água pelo corpo e ajuda a transportar os gases respiratórios.

– Excreção:

Não há estruturas exclusivas para a excreção nos equinodermos. A eliminação de excretas será realizada com o auxílio do sistema ambulacral.

– Sistema nervoso:

O sistema nervoso dos equinodermos é um sistema nervoso ganglionar. Isso quer dizer que esses animais possuem concentrações de células nervosas em alguns lugares do corpo, chamados de gânglios nervosos. Porém, como a simetria desses animais quando adultos é pentarradial, não há cefalização (cabeça). Dessa maneira, não há um grande gânglio central, como vemos nos artrópodes, por exemplo.

Sendo assim, os órgãos sensoriais e os pequenos gânglios do sistema nervoso se encontram distribuídos simetricamente pelo corpo do animal. Algumas espécies podem ter células fotorreceptoras (para percepção de claro/escuro) e quimiorreceptoras (percepção de “cheiros”) distribuídas pelas laterais do corpo desses animais. Assim, o animal consegue perceber estímulos vindos de todas as direções do ambiente, algo bastante característico de animais de vida fixa ou com pouca mobilidade.

– Ecologia:

Como você já sabe, os equinodermos são animais exclusivamente marinhos. São animais bentônicos, podendo viver fixos ao substrato ou se movimentando livremente sobre ele. São todos de vida livre, ou seja, não há animais parasitas nesse grupo. Todos são animais carnívoros, alimentando-se de pequenos animais, como moluscos e corais.

– Reprodução:

Em geral, os equinodermos são animais dioicos, ou seja, possuem sexos separados. Além disso, geralmente esses animais realizam fecundação externa, ou seja, liberam no ambiente seus gametas. Após a fecundação forma-se um ovo. Esse ovo dará origem a uma larva, com simetria bilateral. Sendo assim, dizemos que o desenvolvimento dos equinodermos é indireto.

Além da reprodução sexuada, alguns equinodermos podem realizar reprodução por regeneração. As estrelas, por exemplo, caso tenham um de seus braços arrancados irão regenerar seu braço e o braço perdido também dará origem a um novo animal.

Conseguiu aprender um pouco mais sobre os equinodermos? Beleza! Então, para tirar todas as suas dúvidas, veja esta videoaula do canal Biologia Prof. Guilherme:

Agora, para finalizar sua revisão, que tal resolver os exercícios que selecionei para você?

Questão 01 – (Mackenzie SP/2019)    

O sistema ambulacrário e outros sistemas do ouriço-do-mar estão representados na figura abaixo.

exercício sistema ambulacrário equinodermos
Disponível em: http://www.planetabio.com/invertebrados2.html (Acesso em 23 set. 2018)

É correto afirmar que

a) o sistema ambulacrário está relacionado à digestão, respiração, excreção e locomoção.

b) o sistema ambulacrário compreende as estruturas assinaladas pelos números 2, 3, 5, 7, 11 e 12.

c) a locomoção do ouriço-do-mar é promovida pelos pés ambulacrais representados na estrutura nº 3.

d) a água do mar entra pela boca (7), circula pelo canal pétreo (4), canal circular (12), canais radiais (11) e pés ambulacrais (3).

e) o sistema ambulacrário é exclusivo dos animais enterocelomados e deuterostômios.

Questão 02 – (UCB DF/2017)    

O grupo de invertebrados composto por animais marinhos de esqueleto interno, fina camada de tegumento, com simetria radial, o qual pode ser representado pelas estrelas-do-mar, é o dos

a) moluscos.

b) poríferos.

c) equinodermas.

d) celenterados.

e) artrópodes.

Questão 03 – (Fac. de Ciências da Saúde de Barretos SP/2014)    

A figura 1 mostra uma larva de ouriço-do-mar e a figura 2 mostra o animal adulto. O estágio larval apresenta simetria bilateral, enquanto o adulto apresenta simetria radial.

larva ouriço do mar
Figura 1 (http://cifonauta.cebimar.usp.br)

 

equinodermo adulto
Figura 2 (www.oceanario.pt)

A simetria radial favorece a fixação do animal ao substrato, já a simetria bilateral proporciona

a) a cefalização.

b) a reprodução sexuada.

c) a fecundação externa.

d) o desenvolvimento direto.

e) o hermafroditismo.

GABARITO: 

1) Gab: C

2) Gab: C

3) Gab: A

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.