Expansionismo alemão: entenda tudo sobre o Reich da Alemanha

A fome dos impérios por territórios parece insaciável. Voltemos aos séculos XIX e XX para ver o caso da Alemanha. Prepare sua estratégia de War e venha conosco nesta aula do Curso Enem Gratuito.

Nesta aula trataremos do expansionismo alemão no contexto entre guerras e durante a segunda guerra mundial. Para isso recomendamos as leituras dos textos sobre a Unificação Alemã e Italiana e sobre a Segunda Guerra Mundial. 

Porém, para entendermos melhor as motivações e os significados destas expansões precisaremos recuar no tempo até meados do século XIX. É naquele período que a Alemanha surgirá como território unificado. Tal unificação foi levada a cabo pela Prússia, que realizou as anexações essenciais para construir o II Reich. O que, por fim, transformou a Alemanha em uma potência europeia. Veja mais sobre o expansionismo alemão no nosso resumo de hoje!

O que contribuiu para o expansionismo alemão?

No território que hoje chamamos de Alemanha, em 1848, ocorria a Primavera dos Povos. Naquela década o ideal nacionalista tomava diversas populações do Velho Mundo, e na Europa Central não seria diferente. Entretanto naquela época a Alemanha era um conglomerado de reinos e ducados compostos, principalmente pela Confederação Germânica.

Publicidade

As nações germânicas mais proeminentes em meados do século XIX eram a Prússia e o Império Austro-húngaro. Nesse contexto a Prússia foi a responsável por unificar o território alemão. Para isso a nação fez essa unificação através de três guerras: contra a Dinamarca, Áustria e França. O principal nome por trás destes conflitos e pelo projeto de unificação alemã foi o Chanceler Otto Von Bismarck.

expansionismo alemãoMapa representando os domínios do Império Alemão, de 1871 até 1818. Seu território fazia fronteiras terrestres com a Dinamarca ao norte, Países Baixos, Bélgica, França ao oeste, Suíça ao sudoeste, Império Austro-húngaro no sul e sudeste e Rússia no leste. Dentro do território imperial estão representados os diferentes reinos alemães que o compõe.

O crescimento do nacionalismo alemão

O nacionalismo alemão em meados do século XIX era calcado, entre outras coisas, na diferenciação do seu povo com os franceses e os eslavos. Ele também tinha base na língua compartilhada pelos diferentes reinos germânicos da Europa Central. Então o contexto de industrialização também propiciava a dissolução de fronteiras, pois na prática elas significam mais impostos e burocracias.

Em 1832 isso já havia sido, em partes, rompido devido ao Zollverein com a União Aduaneira, proposta pelos prussianos, entre os diversos Estados germânicos. Nessa época também havia o Reichstag (parlamento alemão) com representações dos diferentes reinos. Porém um parlamento e o fim de barreiras comerciais não eram o mesmo que uma unificação política. Foi assim que a Prússia se industrializou rapidamente, mas o Império Austro-húngaro ainda era uma ameaça.

O significado do Reich alemão

Uma característica importante da Prússia era sua militarização. Os próprios japoneses foram estudar guerra com os alemães. O sentimento de reerguer o Reich (palavra em alemão para Império) era marcante. Estas características somadas a racionalidade nos acordos diplomáticos foram decisivos para unificar a Alemanha. Otto Von Bismarck, o chanceler prussiano, foi quem conduziu este processo.

Bismarck, primeiro, anexou os territórios de Schleswig e Holstein, da Dinamarca com o auxílio do exército da Áustria. Este conflito ficou conhecido como Guerra dos Ducados, e ocorreu em 1864.

Ao término deste conflito, houve uma divergência entre os vencedores. A Prússia buscava anexar parte do novo território ao seu e a Áustria queria criar um Estado para a Liga Alemã. Em 1866 as duas nações entram em guerra e a Prússia saí vitoriosa, anexando além dos dois territórios em debate, também regiões da Áustria.

expansionismo alemão - Otto Von BismarckFotografia de Otto von Bismarck, em preto e branco. Na imagem o chanceler alemão está com um grande bigode claro, com o olhar virado para a sua direita e vestindo um casaco preto. Apenas seu busto é retratado. Há algumas inscrições na parte inferior da imagem.

A unificação da nação alemã e o início do 2° Reich

A etapa final da unificação viria com a anexação das regiões da Alsácia e Lorena, que estavam sob domínio francês. Bismarck aproveitou a preocupação francesa com a sucessão do trono espanhol, que poderia ser assumido por uma dinastia alemã, para fazer Napoleão III entrar em guerra contra a Prússia.

Para criar conflito entre as nações, o próprio Chanceler alemão emitiu um telegrama adulterado, com tons de insulto, ao imperador francês. Então por causa disso este declarou a guerra. Dessa maneira Bismarck teve a oportunidade que buscava para unir a Alemanha e vencer o conflito.

Ao mesmo tempo Guilherme II subia ao trono em 1871 e estava instituído o II Reich (o I Reich corresponde a fundação do Sacro Império Romano-Germânico, por Carlos Magno, em 800). Esses foram alguns dos passos que contribuíram para o expansionismo alemão, agora vamos ver os seus desdobramentos no século XX.

Alemanha e a primeira Guerra Mundial

Apesar de Bismarck ter obtido a unificação do território, a Alemanha estava desprovida de domínios na África e na Europa. O mesmo ocorreu com a Itália, que unificou seu território no mesmo período. Ao contrário destes países, os franceses, portugueses, ingleses e holandeses já exploravam aqueles continentes há um período significativo.

O expansionismo alemão, até 1900, conquistou territórios em Camarões, Namíbia, Togo, África Oriental Alemã, Nova Guiné Alemã, algumas ilhas no Pacífico e a região de Kiautshu, na China. Parte significativa destas regiões ainda havia sido conquistada sob o comando de Bismarck.

Mas o nacionalismo alemão queria mais. Como chegaram atrasados nesta disputa, seus domínios não eram os melhores. A disputa por colônias em outros continentes foi um dos motivos para a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

O fim da 1° guerra mundial e o expansionismo alemão

A Alemanha, unida com o Império Austro-húngaro, Império Otomano e a Itália formaram a Tríplice Aliança. Juntos eles estavam em guerra contra o Império Russo, a Grã-Bretanha e a França. Posteriormente outros países, como Estados Unidos, Japão e Austrália, também entraram no conflito apoiando os diferentes lados. Por fim, esgotada, a Alemanha assina sua rendição em um vagão-restaurante em 11 de novembro de 1818.

Após a derrota na primeira guerra mundial, o povo inicia uma série de revoltas no território alemão, culminando assim para o fim do Império Germânico e no surgimento da República de Weimar.

As penalidades do fim da guerra

Mais tarde as negociações do pós-guerra deram origem ao Tratado de Versalhes. Nele foram impostas diversas penalidades aos alemães: devolução dos territórios da Alsácia e da Lorena para os franceses, redução do seu território, desmilitarização de regiões e redução dos exércitos.

Também exigia a entrega de 90% da frota marinha mercante, 10% do seu gado, pagamento de quarenta milhões de toneladas de carvão anualmente e pagamento de danos.

Alemanha na Segunda Guerra Mundial

Os termos do Tratado de Versalhes criaram um sentimento de revanchismo que foi aproveitado por Hitler. Foi nesse momento que Hitler é nomeado chanceler em 1933 após reunir apoiadores e formar sua milícia (SA), em uma trajetória turbulenta.

A partir de então ele fortificará a indústria e as forças armadas alemãs de forma rápida. Então o partido Nazista torna-se o único autorizado no país e é estabelecida uma aliança com a Itália e o Japão. Depois disso Hitler busca reunir a população germânica em torno da sua liderança para fundar o III Reich.

Como foi o III Reich alemão

Mapa da Europa representando as fronteiras em 1942 e os domínios do III Reich, Alemanha Nazista. O território alemão compreende a Europa Central, parte Ocidental da Rússia, França (regiões norte, oeste e centro), Noruega, Áustria, Sérvia e Polônia. Além do domínio alemão também estão representadas, em outras cores, outros domínios do Eixo (neste caso, somente os domínios da Itália), territórios nominalmente ocupados, países neutros e territórios dos aliados.

A retomada do expansionismo alemão teve como primeira conquista a Renânia, zona desmilitarizada pelo Tratado de Versalhes. Essa movimentação dos Alemães ocorreu antes da Guerra, em 1936. Apesar de tudo as potências ocidentais não contestaram a ocupação germânica.

Então após testar suas armas na Guerra Civil Espanhola, os nazistas marcharam sobre a Áustria em 1938. A partir disso, Hitler não teve problemas em prosseguir com a ocupação do país. Hitler tinha grande prestígio por lá e os países compartilhavam uma história e identidade comuns, acreditavam que haviam sido separados por imposição ao fim da Primeira Guerra.

O expansionismo alemão no III Reich

Ainda em 1838, Hitler invade a Tchecoslováquia, mas é só com a invasão da Polônia, em um acordo com a URSS, que a Inglaterra e a França acabam intervindo. Tem início a Segunda Guerra Mundial, com a expansão nazista durante a primeira metade do conflito. Hitler invade a Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França em 1940.

No ano seguinte os alemães empreendem a Operação Barbarossa, invadindo a URSS. A incursão estagna em Stalingrado, onde ocorre a mais sangrenta das batalhas, terminando com a vitória soviética. Daí em diante, combatendo em dois fronts, os alemães passam a ser empurrados de volta para seu território até a invasão de Berlim. Em maio de 1945 o III Reich chegava ao fim.

Bibliografia do texto:

– KITCHEN, Martin. História da Alemanha Moderna, de 1800 aos dias de hoje. Editora Cultrix, São Paulo, 2013.

– LIEBEL, Vinícius. Os Alemães. Editora Contexto, São Paulo, 2018.

– 1883: Alemanha tornava-se potência colonial. Disponível em < https://cutt.ly/BscOYN5>, acessado em 26 de julho de 2020.

Video- aula

Confira este vídeo do canal Nerdologia sobre a marinha Alemã na Segunda Guerra Mundial:

Exercícios

Questão 01 – (Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública/2017)

Pela força de sua economia, a Alemanha já havia assumido a liderança da Europa durante a crise de 2008 e a ameaça de quebradeira de países da zona do euro. Agora, além de pedra angular econômica, tornou-se baluarte dos valores de integração e democracia, enquanto os vizinhos vão derrapando no populismo nacionalista.

A LIDERANÇA relutante da Alemanha. Veja. São Paulo: Abril, e. 2510, a. 40, n. 52, 28 dez. 2016, p.71. Adaptado.

A liderança democrática exercida na atualidade pela Alemanha na Europa opõe-se a políticas autoritárias e agressivas vividas pelo país

a) no século XIX, com a política de unificação territorial desenvolvida por Bismarck, ministro do Império Alemão.

b) na I Grande Guerra, quando se aliou à França e dominou os territórios da península Ibérica.

c) no período do Imperialismo Colonial, quando se aliou à Inglaterra para o domínio do tráfico de escravos no norte da África.

d) na II Guerra Mundial, quando em luta contra a Itália para ocupar portos estratégicos no mar Mediterrâneo.

e) durante a Guerra Fria, quando apoiou a União Soviética na dominação do seu próprio território, impedindo a participação dos Estados Unidos.

Questão 02 – (UNCISAL AL/2017)

Em 23 de agosto de 1939, Hitler e Stalin assinaram um pacto de não agressão. Alemanha e União Soviética se comprometeram a não atacar uma à outra e se manter neutras se uma delas fosse atacada por uma terceira potência.

Stalin (segundo à direita) na assinatura do pacto

A assinatura desse pacto teve importância crucial para a Segunda Guerra Mundial, pois, sem medo de ser atacado pela União Soviética, Hitler dá início à guerra

a) invadindo a Polônia.

b) conquistando a Suíça.

c) ocupando os países baixos.

d) invadindo os países bálticos.

e) retomando a Alsácia-Lorena.

Questão 03 – (UNIFOR CE/2017)

Acerca do processo de unificação da Alemanha e seu impacto na Europa, é possível afirmar, exceto:

a) O Império Austríaco e o Reino da Prússia eram nações extremamente industrializadas que lutaram pelo domínio da Confederação Germânica, composta por 39 monarquias independentes, resultando na unificação alemã.

b) A Guerra Franco-Prussiana teve como pretexto a oferta, pelas Cortes espanholas, do trono da Espanha a um primo do Rei da Prússia, despertando a oposição da França. A vitória do exército prussiano garantiu a unificação da Alemanha.

c) A criação do Zollverein, política de cooperação aduaneira entre os estados da Confederação Germânica, feita sob liderança da Prússia, excluiu a participação do Império Austríaco, enfraquecendo-o economicamente.

d) Depois da Revolução de 1848 nos Estado Alemães, os conflitos militares que selaram o processo de unificação alemã são, em ordem cronológica: Guerra dos Ducados, Guerra Austro-Prussiana e Guerra Franco-Prussiana.

e) O processo de unificação da Alemanha, junto com o italiano, simbolizou um período de acirramento das disputas entre as economias europeias, preparando o terreno para a primeira guerra mundial.

GABARITO

1 – A

2 – A

3 – A

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

Compartilhe: