Tecido epitelial

O tecido epitelial cobre as superfícies do nosso corpo e contribui para a proteção do organismo. Saiba mais sobre o tecido epitelial e suas características nesta aula de Biologia para o Enem.

Assim como a maioria dos animais, nosso organismo é uma estrutura complexa formada por uma enorme variedade de células. Essas células, especializadas em diferentes funções, organizam-se formando o que chamamos de tecidos. Nesta aula de Biologia para o Enem, você vai estudar um dos tecidos que constituem nosso organismo: o tecido epitelial. Vem comigo aprender um pouco mais sobre histologia para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

Tecido epitelial

A primeira coisa que você deve lembrar sobre ele é que ele é, principalmente, um tecido de revestimento. Ele é responsável por cobrir toda a nossa pele externamente, assim como as cavidades presentes em nosso organismo, como as encontradas em nosso sistema digestório.

Além disso, estará presente revestindo e protegendo os órgãos internos. Dessa maneira, como você pode ver, é um tecido abundante em nosso organismo.

Publicidade

Outra coisa importante a ser lembrada logo de cara é a sua origem embrionária. Esse tecido, assim como os demais tecidos que compõem a pele, são todos originados na ectoderme.

Características gerais do tecido epitelial

A sua principal características é ter células justapostas. Isto quer dizer que as células se organizam de modo que pareçam tijolinhos em um muro, uma colada na outra. Dessa maneira, sobra pouco espaço para material extracelular. Sendo assim, nesse tecido não encontramos esse tipo de material entre as células.

Entre as células do tecido epitelial encontramos junções intercelulares, como os desmossomos. Essas junções têm  a função de manterem uma célula presa à outra. Isso confere ao tecido uma grande resistência à tração e diferentes tipos de atrito. Além disso, elas tornam difícil a passagem de qualquer coisa entre as células, ponto importantíssimo para que ele desempenhe uma de suas funções: a proteção.

Uma outra característica é o fato de não ser permeado por vasos sanguíneos ou nervos. Isso pode ser verificado, por exemplo, quando você corta as unhas e acaba tirando parte da cutícula ou da pele próxima a elas.

Nessa experiência, você pode notar que não há sangramento, nem dor. Porém, boa parte das células do tecido são células vivas e, portanto, precisam de oxigênio e nutrientes. Sendo assim, ele depende totalmente da “ajuda” de um tecido subjacente, o tecido conjuntivo.

O tecido conjuntivo, encontrado logo abaixo do tecido epitelial, possui uma série de vasos sanguíneos. Assim, ele passa nutrientes para as células que estão na base do tecido epitelial. E, as células da base do tecido passarão os nutrientes recebido para as demais células.

O tecido epitelial pode ser constituído de uma ou várias camadas de células. Nos vasos sanguíneos capilares, por exemplo, encontramos apenas uma camada de células. Já na pele, o tecido pode ter dezenas de camadas celulares.

A quantidade de camadas varia com a função que o tecido está realizando e também com o nível de atrito que o tecido recebe. Por exemplo, a pele dos seus pés é mais grossa que a pele da sua coxa. Isso porque nos pés há maior atrito e, portanto, apresenta um maior número de camadas celulares.

Quando o tecido possui um número grande de camadas, haverá a presença de camadas de células mortas. Isso porque as camadas celulares que se afastam da camada basal recebem cada vez menos nutrientes e oxigenação das camadas inferiores. Como consequência, acabam morrendo.

Tipos de tecido epitelial

Como você já sabe, o tecido epitelial pode ser formado de uma ou mais camadas de células. Quando ele tem apenas uma camada celular, dizemos que é um tecido simples.

Já quando possui mais de uma camada, dizemos que é um tecido estratificado. Há ainda os tecidos epiteliais pseudoestratificados. Como o nome já diz, eles têm uma “falsa estratificação”. Ou seja, parecem ter várias camadas, mas não têm. Isso porque suas células podem ter diferentes formatos, mais baixas ou mais altas, e a posição dos seus núcleos acaba confundindo o observador.

tecido epitelial pseudoestratificado
 Fotomicrografia feita a partir de um microscópio óptico de um tecido epitelial pseudoestratificado. Esse tecido pode ser encontrado, por exemplo, revestindo a traqueia. Note que as células possuem diferentes formatos e alturas em que seu núcleo se localiza, dando a impressão de várias camadas. Observe também que na superfície das células podemos notar a presença de cílios. Nesse caso, os cílios ajudam a filtrar o ar que está passando por essa região. Fonte: http://mol.icb.usp.br/index.php/2-28-tecido-epitelial-de-revestimento/

Ele também pode ser formado por células epiteliais com diferentes formatos. Por exemplo, nos alvéolos pulmonares encontramos um tecido cujas células têm formato achatado, semelhante às lajotas de calçamentos de ruas. Por tal motivo, esse tecido recebe o nome de tecido epitelial pavimentoso.

tecido epitelial pavimentoso
Fotomicrografia feita a partir de um microscópio óptico de um tecido epitelial pavimentoso estratificado visto de lado. Note as células achatadas, parecendo um pavimento. Fonte: http://mol.icb.usp.br/index.php/2-21-tecido-epitelial-de-revestimento/

Já no revestimento intestinal, encontramos um tecido cujas células possuem um formato de coluna. Sendo assim, este tecido é chamado de tecido epitelial prismático ou colunar. Encontramos também células que possuem um formato de cubos, como nos rins. Nesse caso, chamamos de tecido epitelial cúbico.

tecido epitelial colunar
Fotomicrografia feita a partir de um microscópio óptico de um tecido epitelial colunar. Observe que a camada de cima é formada por células compridas, no formato de coluna. Note também o quanto essas células são grudadas umas às outras, o que caracteriza a justaposição.

Há ainda tecidos epiteliais que possuem células com formato que muda de acordo com o formato que o órgão adquire em determinado momento. Esse é o caso do tecido epitelial de transição encontrado na bexiga. Quando a bexiga está cheia, as células estão mais achatadas. Quando está vazia, as células de transição ficam mais gordinhas.

tecido epitelial de transição
Fotomicrografia feita a partir de um microscópio óptico de um tecido epitelial de transição encontrado na bexiga humana. A linha preta mostra o limite entre o tecido conjuntivo (abaixo da linha) e o tecido epitelial (acima da linha). Fonte: http://mol.icb.usp.br/index.php/2-25-tecido-epitelial-de-revestimento/

Em alguns casos, há também algumas regiões do organismo onde as células desse tecido podem apresentar cílios. Esses cílios podem ter diferentes funções, como aumentar a área de contato para maior absorção (no intestino) ou para filtrar substâncias (como no caso dos brônquios).

tipos de tecidos epiteliais
Imagem contendo esquemas representando os diferentes tipos de tecidos epiteliais.

Funções do tecido epitelial

Em função das características desse tecido de revestimento, podemos dizer que sua principal função é a proteção. Suas células justapostas, bem juntinhas e aderidas, visam manter longe do organismo seres vivos oportunistas que podem nos parasitar, como bactérias e fungos.

Além disso, ele ajuda a evitar as perdas de água do organismo para o ambiente, diminuindo as chances de desidratação.

Outra função é a absorção de substâncias, como o que podemos observar no sistema digestório. O revestimento epitelial que recobre todo o sistema digestório internamente cumpre esta função. Além disso, muitas glândulas são derivadas do tecido epitelial. Sendo assim, podemos atribuir também a este tecido a função secretora.

Dessa maneira, uma das classificações usadas para o tecido leva em consideração suas funções. A maior parte do tecido epitelial presente em nosso organismo é chamado de tecido epitelial de revestimento, já que ele recobre as superfícies do nosso organismo. Mas, há também o tecido epitelial glandular ou secretor, responsável pelas glândulas.

A pele humana e o tecido epitelial

A pele humana é um órgão composto por três camadas de tecidos: epiderme (composta de tecido epitelial), derme (composta de tecido conjuntivo) e hipoderme (ou tela subcutânea, formada de tecido adiposo).

Como você já sabe, o tecido conjuntivo é essencial para auxiliar o tecido epitelial em sua nutrição e oxigenação. Já a hipoderme ajudará o organismo no controle térmico e na reserva de energia.

O tecido que reveste nossa pele externamente é um tecido estratificado pavimentoso. Sendo assim, como você acabou de estudar, teremos células vivas nas camadas basais e células mortas à medida que estas células se distanciam da base.

Além disso, à medida que estas células se distanciam da base, elas produzem cada vez mais uma proteína chamada de queratina. A queratina funciona como um impermeabilizante, auxiliando na proteção contra a desidratação.

células da pele humana
Fotomicrografia feita com m microscópio óptico de um corte de pele humana. A camada inferior, mais clara, corresponde ao tecido conjuntivo. Ela é mais clara porque as células são mais espaçadas, tendo entre elas muito material extracelular, característica do tecido. A camada do meio, roxa, é a parte do tecido epitelial constituída por camadas de células vivas. Já a camada mais acima, em vermelho, é a camada córnea, composta por células mortas altamente queratinizadas. Fonte: http://mol.icb.usp.br/index.php/2-23-tecido-epitelial-de-revestimento-2/

E aí? Conseguiu apender um pouquinho mais sobre nosso tema? Beleza! Para tirar qualquer dúvida que tenha sobrado, veja esta videoaula do canal Biologia com Samuel Cunha:

Exercícios

.

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

Compartilhe: