Teníase e cisticercose – Verminoses causadas por Platelmintos

Vem comigo revisar o ciclo da vida das tênias e aprender mais sobre as doenças que elas causam: a teníase e cisticercose! É Biologia para o Enem!

Um dos conteúdos mais recorrentes no Enem e nos vestibulares é saúde humana. Neste universo da Biologia, vários são os pontos que podem ser abordados. Mas, as provas em geral têm predileção especial por doenças que são transmitidas por problemas ambientais, como a falta de saneamento básico. Sendo assim, nesta aula de biologia para o Enem você vai revisar uma verminose que é figurinha carimbada nas provas de Biologia: a teníase. Para você ter uma ideia, ela já apareceu dez vezes só na prova do Enem. Então, não dá para marcar bobeira, certo?

Vermes causadores da teníase e da cisticercose

Tanto a teníase quanto a cisticercose são causadas no Brasil por duas espécies de vermes: a Taenia solium e a Taenia saginata. Esses dois vermes são animais do Filo dos Platelmintos, onde encontramos animais com simetria bilateral e corpo achatado dorsoventralmente. Ambas as espécies pertencem à Classe Cestoda, onde encontramos vermes sem sistema digestório e com o corpo metamerizado.

Esses dois vermes são conhecidos popularmente como solitárias. Isso porque as infecções causadas por indivíduos dessas espécies costumam ter apenas um verme adulto se desenvolvendo no hospedeiro.

São animais que podem atingir impressionantes 10 metros dentro de seus hospedeiros definitivos (humanos). Seus corpos são divididos, basicamente, em três partes: escólex, colo e proglotes (ou proglótides). O escólex se assemelha uma cabeça e seu formato varia entre as espécies. Sua principal função é a fixação do verme dentro do intestino do hospedeiro. Para isso, ambas as espécies possuem quatro ventosas para aderir às paredes do intestino.

Porém, podemos diferenciar as duas espécies pelo formato do escólex e pela presença ou não de espinhos. A Taenia solium possui um escólex arredondado onde as ventosas se organizam ao longo da circunferência e no topo há estruturas semelhantes a pequenos espinhos ou ganchos, chamados de acúleos. Já a Taenia saginata tem um escólex mais quadrado e todas as ventosas se situam no mesmo plano. Além disso, essa última espécie não apresenta acúleos.

esquema das taenias
Imagem 1: Na figura acima há duas fotomicrografias feitas a partir de microscópio óptico do escólex das duas espécies de tênia citadas nessa aula. Na frente de cada uma, há imagens dos hospedeiros intermediários de cada espécie.

O colo das tênias é a parte mais fina do seu organismo. Ele está situado logo após a cabeça e é a região onde serão produzidas novas proglotes. Para você ter uma ideia, uma tênia muito grande chega a ter mais de mil proglotes.

tênia e teníase
Imagem 2: Fotografia de tênia dentro do intestino de um hospedeiro. Note o corpo segmentado em proglótides.

À medida que as proglotes se afastam do colo, elas crescem e amadurecem. Dentro de cada uma das proglotes há, ao mesmo tempo, gônadas femininas e masculinas. Sendo assim, as tênias são consideradas hermafroditas ou monoicas.

Como elas são solitárias, ou seja, encontram-se sozinhas dentro de seus hospedeiros, elas realizam autofecundação. Assim, os espermatozoides produzidos pela proglote irão fecundar seus próprios óvulos. Depois da fecundação, serão formados ovos que ficam dentro das proglotes.

Sendo assim, essas proglotes passam a ser chamadas de proglotes grávidas e vão se aproximando da ponta mais distante do escólex. Quando estão maduras, elas podem se soltar do animal, carregando os ovos que irão ser depositados no ambiente.

Além de realizarem reprodução, as proglotes são também responsáveis pela absorção e alimentos. Como as tênias quando adultas vivem dentro do intestino delgado dos seres humanos, elas absorvem alimentos já digeridos que ali se encontram.

Hospedeiros intermediários

As tênias têm um ciclo de vida em que precisam de um hospedeiro intermediário. Na biologia, consideramos que um ser vivo é hospedeiro intermediário quando um parasita se utiliza de seu organismo para fazer reprodução assexuada e, às vezes, mudanças de forma corpórea (metamorfose). Já um hospedeiro definitivo é aquele no qual um parasita realiza uma reprodução sexuada.

Para ambas as espécies de tênias estudadas aqui, em geral, os hospedeiros definitivos são os seres humanos. Porém, as tênias têm hospedeiros intermediários diferentes. As Taenia solium têm como hospedeiros intermediários os porcos. Já as Taenia saginata têm como hospedeiros intermediários os bois.

Ciclo da teníase

Uma tênia adulta se aloja no intestino delgado de um ser humano. Nesse ambiente, a tênia vai crescendo e, à medida que cresce, produz novas proglotes. Com o passar do tempo, essas proglotes realizam autofecundação, produzindo ovos e tornando-se grávidas.

Quando estão maduras, as proglotes grávidas se descolam do verme adulto e acabam sendo eliminadas junto com as fezes do hospedeiro. Cada proglote pode carregar entre trinta e oitenta mil ovos!

Se a pessoa parasitada viver em uma região onde não há saneamento básico, suas fezes irão contaminar o ambiente. Depois de alguns dias no solo, as proglotes se abrem e liberam os ovos. Assim, bovinos e suínos podem acabar ingerindo esses ovos juntamente com seus alimentos.

Uma vez nos intestinos desses animais, o ovo (também chamado de oncosfera) eclode e libera um embrião microscópico. Esse embrião perfura a parede intestinal e migra para alguns tecidos do corpo do animal. Em geral, os embriões irão se alojar na musculatura e no fígado desses hospedeiros intermediários.

Nesses órgãos, o embrião irá formar um pequeno cisto, chamado de cisticerco. No interior desses cistos há uma pequena larva. Esses cistos podem ser vistos a olhos nus e como são esbranquiçados e arredondados, assemelham-se a um pequeno milho de canjica. Por tal motivo, as pessoas costumam chamar o cisticerco de canjiquinha ou pipoquinha.

Quando uma pessoa come uma carne mal passada de porco ou de boi que contenha o cisto, a larva pode ainda estar viva. Sendo assim, em nosso sistema digestório a proteção da larva é digerida, liberando-a. A larva então se fixa às paredes do intestino delgado da pessoa com seu escólex e ali irá começar a se desenvolver.

Assim, essa larva irá crescer e começar a produzir novas proglotes e, consequentemente novos ovos, reiniciando o ciclo.

ciclo de vida tênia
Imagem 3: Desenho esquemático do ciclo de vida de uma tênia.
Sintomas da teníase

Em geral, a teníase é assintomática. Como o verme é único e bastante fino, em geral é muito difícil que ele cause obstrução do intestino. Além disso, como ele se alimenta apenas do alimento já digerido pelo hospedeiro, não irá causar anemias ou outros problemas semelhantes como ocorre com outros vermes. Porém, o paciente poderá notar um aumento da sua fome e, em alguns casos, enjoos, dores abdominais e diarreias.

Por ser assintomática, essa verminose é de difícil diagnóstico. Sendo assim, em geral, só é identificada a partir de exames de fezes.

Tratamento da teníase

O tratamento da teníase é feito com vermífugos específicos que irão fazer com que o verme seja expelido com as fezes. Porém, em alguns casos os medicamentos podem não ser eficazes, eliminando apenas as proglotes. Assim, caso o escólex permaneça, ele pode voltar a formar novas proglotes. Nesses casos, pode ser necessário uma pequena intervenção cirúrgica.

tratamento teníase
Imagem 4: Retirada de tênia de um paciente através da boca.
Prevenção da teníase

A principal maneira de prevenir a teníase, assim como outras verminoses de transmissão fecal-oral é a implementação de medidas de saneamento básico. Redes de tratamento de esgoto e fossas sépticas ajudam a diminuir os riscos de contaminação do solo e de pastagens, interrompendo assim o ciclo de vida do parasita.

Além disso, uma outra medida importante para prevenir a teníase é comer apenas carnes com selo de inspeção da vigilância sanitária. Também podemos prevenir consumindo essas carnes somente se elas estiverem bem cozidas.

Ciclo da cisticercose

Em casos mais raros, o ser humano pode se tornar o hospedeiro intermediário das tênias. Isso acontece quando uma pessoa ingere um alimento ou água contaminados com os ovos desses vermes. Assim, quando as oncosferas entrarem no seu sistema digestório, o embrião será liberado. Em seguida, irá perfurar as paredes do intestino em busca de um tecido no qual possa se instalar e formar cistos.

Assim como nos porcos e bois, as larvas tendem a se instalar na musculatura e no fígado. Porém, em casos mais graves, as larvas podem acabar se instalando em tecidos nervosos, como no cérebro e no tecido cardíaco. Assim, a larva poderá causar lesões irreversíveis nesses órgãos, afetando o seu funcionamento.

cérebro humano
Imagem 5: Corte de cérebro humano com inúmeros cisticercos.
Sintomas da cisticercose

Os sintomas da cisticercose dependem da região do organismo afetado. Se as larvas se alojarem na musculatura do indivíduo, em geral ele não irá apresentar sintomas. Porém, caso as larvas atinjam órgãos vitais, poderão causar sérios problemas.

Quando as larvas se alojam no cérebro, por exemplo, a pessoa terá fortíssimas dores de cabeça, pode ter tonturas e transtornos de visão, convulsões, vômito e demência.

Tratamento da cisticercose

Assim como na teníase, o tratamento pode ser feito com medicamentos antiparasitários. Porém, dependendo da região afetada pode ser necessário realizar uma intervenção cirúrgica.

Prevenção da cisticercose

Assim como na teníase, serviços de saneamento básico evitam que o ambiente seja contaminado com os ovos da tênia. Além disso, como a cisticercose é transmitida através de água e alimentos contaminados, lavar bem os alimentos crus ou cozinhá-los bem e beber somente água tratada também diminuem os riscos de infecção.

Aprendeu mais sobre a teníase e a cisticercose? Beleza! Agora, para tirar todas as suas dúvidas, veja esta videoaula do professor Kennedy Ramos:

Agora, para finalizar sua revisão, teste seus conhecimentos resolvendo os exercícios que selecionei para você:

Questão 01 – (ENEM/2013)    

Dupla humilhação destas lombrigas, humilhação de confessá-las a Dr. Alexandre, sério, perante irmãos que se divertem com tua fauna intestinal em perversas indagações: “Você vai ao circo assim mesmo? Vai levando suas lombrigas? Elas também pagam entrada, se não podem ver o espetáculo? E se, ouvindo lá de dentro, as gabarolas do palhaço, vão querer sair para fora, hem? Como é que você se arranja?” O que é pior: mínimo verme, quinze centímetros modestos, não mais — vermezinho idiota — enquanto Zé, rival na escola, na queda de braço, em tudo, se gabando mostra no vidro o novelo comprovador de seu justo gabo orgulhoso: ele expeliu, entre ohs! e ahs! de agudo pasmo familiar, formidável tênia porcina: a solitária de três metros.

ANDRADE, C. D. Boitempo. Rio de Janeiro: Aguiar, 1988.

O texto de Carlos Drummond de Andrade aborda duas parasitoses intestinais que podem afetar a saúde humana. Com relação às tênias, mais especificamente, a Taenia solium, considera-se que elas podem parasitar o homem na ocasião em que ele come carne de

a) peixe mal-assada.

b) frango mal-assada.

c) porco mal-assada.

d) boi mal-assada.

e) carneiro mal-assada.

Questão 02 – (UEL PR/2019)    

Leia o texto a seguir.

A ocorrência de verminoses, como as causadas por platelmintos parasitas, está relacionada a situações socioeconômicas desfavoráveis. Frequentemente essas doenças afetam pessoas que vivem em condições precárias de habitação, saneamento e de maus hábitos de higiene.

Adaptado de LINHARES, S. ; GEWANDSZNAJDER, F. Biologia hoje.
São Paulo: Ática. 2. ed. 2013, p. 132. v.2.

Com base nos conhecimentos sobre teníase, assinale a alternativa correta.

a) Uma característica da Taenia é a presença de tubo digestório, uma vez que esses parasitas precisam digerir o alimento retirado do intestino do hospedeiro.

b) O hospedeiro intermediário da Taenia solium é o boi e o da Taenia saginata é o porco e, em ambos os casos, a tênia adulta vive presa à parede do intestino grosso desses animais, de onde são eliminados os ovos produzidos por reprodução sexuada.

c) Uma parte importante do ciclo da teníase é quando as fezes do porco ou do boi, contaminadas por cisticercos, acidentalmente caem na água e são ingeridas pelos humanos.

d) O ser humano contamina-se ao ingerir carne crua ou mal cozida que contém cisticercos, os quais, no intestino delgado, sofrem algumas alterações e prendem-se à mucosa intestinal através do escólex.

e) A teníase, quando comparada com a cisticercose humana, é a forma mais grave da parasitose, porque neste caso, o ser humano fica por muito tempo liberando ovos de Taenia saginata no ambiente, podendo contaminar outras pessoas.

Questão 03 – (FM Petrópolis RJ/2019)    

A neurocisticercose é um importante problema de saúde pública, principalmente em regiões onde as condições sanitárias são deficientes. É a infecção parasitária mais comum do sistema nervoso central e se caracteriza pela instalação, no cérebro, de uma larva da Taenia solium que pode causar sequelas neurológicas graves.

Um indivíduo adquire a neurocisticercose por meio da

a) ingestão da carne de porco com cisticercos viáveis do nematódeo.

b) absorção de larvas do parasita ingeridas com a carne de boi.

c) penetração ativa de larvas do helminto através da pele.

d) deglutição dos ovos ou proglotes gravídicos do platelminto.

e) picada do mosquito contendo formas larvais do verme.

GABARITO: 

1) Gab: C

2) Gab: D

3) Gab: D

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.