Tipos de solo do Brasil

Qual será a composição dos solos brasileiros? Será que o país tem as terras mais ricas e férteis do mundo? Nesta aula, você vai aprender um pouco mais sobre os tipos de solo do Brasil.

O Brasil é um dos países de grande destaque internacional em termos de comercialização de produtos agropecuários e diferentes minérios. Todavia, você já se perguntou qual é a composição do solo brasileiro? Nesta aula, você vai aprender tudo sobre os tipos de solo do Brasil.

Classificando os solos

Primeiramente, vamos entender como os solos são classificados. Eles formam um meio contínuo ao longo do relevo. Além disso, a transição lateral de um tipo a outro ocorre de modo gradual, dificultando a definição dos limites entre os tipos.

Há diversas possibilidades de classificação dos solos, conforme distintos critérios. Os que predominam costumam ser os critérios genéticos, morfológicos ou morfogenéticos. Isso depende do país e seus centros de pesquisa.

Nesse sentido, a classificação mais difundida no mundo é a chamada Soil Taxonomy, formulada nos Estados Unidos. Ela define 12 ordens de solos, subdivididos em subordens, grandes grupos, grupos, famílias e séries.

Podemos ver um exemplo dessa classificação na Figura 01, que representa os solos do continente americano. Nessa imagem, é possível perceber quais são os solos predominantes no Brasil de acordo com essa classificação.

Afinal, qual a importância de classificar os tipos de solo?

Classificar é fundamental para desenvolver a cartografia do solo. Isso porque possibilita as similaridades e relações entre solos de diferentes partes do planeta. O mapa de solos do continente americano (Figura 01) evidencia para quem o lê que a distribuição dos solos se dá em função de fatores principais. Esses fatores são a latitude e a altitude. Portanto, essa distribuição está relacionada ao clima e à vegetação.

Figura 01 – Mapa de solos do continente americano
tipos de solo do brasil mapa do continente americano
Figura 1: Mapa do continente americano com as localizações dos principais tipos de solos. Fonte: EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. – Rio de Janeiro: EMBRAPA-SPI, 2006.

Solos Tropicais

Considerando o fator latitudinal, percebemos nas regiões tropicais, como é o caso do Brasil, que embora cada tipo de solo possua propriedades físicas, químicas e morfológicas específicas, o conjunto desses solos apresenta de modo geral um certo número de características em comum.

Dentre elas estão a composição mineralógica simples (quartzo, caulinita, oxi-hidróxidos de ferro e de alumínio), grande espessura e horizontes com cores predominantemente amarelas ou vermelhas.

Mas, afinal, o que são horizontes?

A maioria dos solos forma diferentes camadas durante seu desenvolvimento. Sua composição e aparência recebem o nome de perfil do solo. Os perfis do solo são formados por até seis horizontes, que são camadas de distintas cores e texturas, comumente paralelas à superfície terrestre. Cada tipo de horizonte é nomeado com uma letra e possui características específicas, como está descrito e ilustrado na Figura 02.

Figura 02 – Representação de um perfil de solo
representação de um perfil de solo
Fonte: Guia do Estudante. Disponível em: <https://guiadoestudante.abril.com.br/curso-enem-play/caracteristicas-dos-solos-processo-de-formacao-e-fertilidade/>. Acesso em 15/05/2020.

Por causa dos seus processos e do longo período até sua formação, os solos tropicais têm uma composição química pobre. Por isso, esses solos têm fertilidade menor do que os solos de clima temperado, que são ricos em argilominerais.

Mas para que servem os argilominerais? Eles têm a capacidade de segurar os elementos químicos que auxiliam o metabolismo das plantas. Dessa forma, é importante destacar que os solos tropicais abrigam ecossistemas frágeis, em grande medida vulneráveis às ações antrópicas. Além disso, quando sujeitos ao manejo inadequado e à degradação, esses solos podem ser destruídos.

Tipos de solo do Brasil: classificação

O Brasil está localizado quase totalmente no domínio tropical úmido. As exceções são a região Sul, de clima subtropical, e o Nordeste semiárido. Isso fez com que o fator climático fosse preponderante na formação de sua cobertura pedológica, o que se reflete em suas características. Além disso, a estabilidade estrutural de seu embasamento também fez com que preponderasse o fator climático. Isso porque, desde o final do período Cretáceo, seu embasamento não sofreu movimentações consideráveis.

Sendo assim, como o solo do Brasil é classificado? A EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) possui um serviço cartográfico e vem realizando, desde a década de 1960, levantamentos sistemáticos sobre os solos do território brasileiro. Com isso, foi possível desenvolver uma classificação própria, disponibilizada em 1999, que separa os solos em classes.

No primeiro nível, podemos distinguir 14 grandes tipos de solo do Brasil. Há grande predominância dos latossolos e argissolos, que se estendem por cerca de 58% do território. Além disso, são solos profundos, altamente intemperizados, de baixa fertilidade natural, ácidos e, algumas vezes, saturados de alumínio. Essas 14 classes se diferenciam entre si pelas características que você pode observar na tabela abaixo.

Tabela com os 14 tipos de solo do Brasil

Solo
Características
Neossolo Solo pouco evoluído, com ausência de horizonte B. Predominam as características herdadas do material original.
Vertissolo Solo com desenvolvimento restrito; apresenta expansão e contração pela presença de argilas 2:1 expansivas.
Cambissolo Solo pouco desenvolvido, com horizonte B incipiente.
Chernossolo Solo com desenvolvimento médio; atuação de processos de bissialitização, podendo ou não apresentar acumulação de carbonato de cálcio.
Luvissolo Solo com horizonte B de acumulação (B textural), formado por argila de atividade alta (bissialitização); horizonte superior lixiviado.
Alissolo Solo com horizonte B textural, com alto conteúdo de alumínio extraível; solo ácido.
Argissolo Solo bem evoluído, argiloso, apresentando mobilização de argila da parte mais superficial.
Nitossolo Solo bem evoluído (argila caulinítica – oxi-hidróxidos), fortemente estruturado (estrutura em blocos), apresentando superfícies brilhantes (cerosidade).
Latossolo Solo bem evoluído, laterizado, rico em argilominerais 1:1 e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio.
Espodossolo Solo evidenciando a atuação do processo de podzolização; forte eluviação de compostos aluminosos, com ou sem ferro; presença de humus ácido.
Planossolo Solo com forte perda de argila na parte superficial e concentração intensa de argila no horizonte subsuperficial.
Plintossolo Solo com expressiva plintinização (segregação e concentração localizada de ferro).
Gleissolo Solo hidromórfico (saturado em água), rico em matéria orgânica, apresentando intensa redução dos compostos de ferro.
Organosolo Solo essencialmente orgânico; material original constitui o próprio solo.

Os tipos de solo que mais aparecem no Brasil

No Brasil, os latossolos se destacam e ocorrem em praticamente todas as regiões bioclimáticas, acima de diferentes tipos de rochas. Outros tipos de solos aparecem, em geral, por causa de especificidades nas condições de formação e evolução. Por exemplo: o clima semiárido no Nordeste favorece a formação de vertissolos e entissolos (segundo a “Soil Taxonomy”).

Além disso, é importante observar as áreas de ocorrência e a distribuição das diferentes classes de solo pelo território brasileiro – conforme está representado na Figura 03. Ademais, é importante observar a relação de proporcionalidade entre elas, em termos de área e porcentagem, o que podemos constatar analisando a tabela da Figura 04.

Figura 03 – Distribuição dos solos no Brasil, segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos
distribuição tipos solo do Brasil
Fonte: EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. – Rio de Janeiro: EMBRAPA-SPI, 2006.
Figura 04 – Extensão e distribuição das classes de solos no Brasil
extensão e distribuição dos tipos de solo do Brasil
Fonte: EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. – Rio de Janeiro : EMBRAPA-SPI, 2006.

Os quatro principais tipos de solo do Brasil

Além disso, podemos também considerar, de modo mais geral, que há quatro tipos de solo do Brasil principais. São eles:

Terra roxa

Esse é um solo bastante fértil, com a cor avermelhada, que recobre grandes áreas da bacia do Paraná (região Sul, oeste de São Paulo, Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e Goiás). Além disso, provém da decomposição do basalto, que é uma rocha de origem vulcânica. A presença desse solo é um testemunho de que em épocas remotas, nessa área, houve um grande derramamento de lavas, causado por intenso vulcanismo.

Massapé

Esse tipo de solo tem uma cor escura e é encontrado no litorial da região Nordeste. Assim como o tipo de solo anterior este é também bastante fértil. Além disso, é resultante da decomposição de rochas como gnaisses escuros, os cacários e os filitos.

Salmorão

Esse solo é formado pela decomposição de rochas graníticas e gnaisses claros, de granulação grossa. Além disso, é encontrado na porção centro-sul do país.

Aluviais

Por fim, esse tipo de solo é resultante dos acúmulos de sedimentos em várzeas, vales, etc. Além disso, encontra-se espalhado por todo o país.

Enfim, para você chegar no Enem pisando em terra firme, estude mais sobre os tipos de solo do Brasil com esta videoaula do canal ProEnem:

Por fim, faça os exercícios sobre tipos de solo do Brasil que selecionei para você. Um grande abraço e bons estudos!
Questão 01 – (Fac. Santo Agostinho BA/2020) No Planalto Meridional do Brasil destaca-se a ocorrência de solos de terra roxa, caracterizados por elevada fertilidade natural e muito utilizados nas atividades agrícolas. O tipo de rocha e a estrutura geológica que dá origem ao solo de terra roxa são, respectivamente, o:

a) arenito, uma rocha sedimentar marinha da Bacia Sedimentar do Paraná.

b) granito, uma rocha ígnea intrusiva do Escudo Cristalino do Brasil Central.

c) gnaisse, uma rocha metamórfica do Escudo Cristalino Atlântico.

d) basalto, uma rocha ígnea da Bacia Sedimentar do Paraná.

e) cristalina, rochas formadas a bilhões de anos compostas de minerais metálicos.

Questão 02 – (PUC SP/2020)

A palavra fertilidade, tão associada ao solo, tem um significado que leva em consideração sua utilidade para os humanos. Os solos são férteis em razão de sua eficácia em produzir tipos de vegetação (incluindo plantações) ou comunidades vegetais. Eles são um dos mais importantes e vulneráveis recursos naturais.

(Fundamentos de geografia física, página 224, Ed.cengage-2015).

A expressão “em se plantando tudo dá” surgiu de forma equivocada da célebre carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, Dom Manuel, ao retratar parte da potencialidade das novas terras encontradas. A famosa expressão nunca existiu de fato, mas a intenção original seguia no mesmo caminho, o da fertilidade do solo.

Texto do autor.

Analisando os dois textos acima, assinale a alternativa CORRETA.

a) Pero Vaz de Caminha estava, de forma geral, equivocado, pois o Brasil não possui majoritariamente solos desenvolvidos e de grande fertilidade natural. A região amazônica, por exemplo, apresenta, em sua maioria, solos arenosos e com uma limitada camada superficial de nutrientes (húmus) que são absorvidos rapidamente pelas árvores.

b) O cerrado brasileiro possui em quase toda sua extensão solos extremamente férteis, originados do intemperismo de rochas basálticas, conhecidas, popularmente, como Terra Roxa Estruturada, ideal para o plantio de grãos como milho, soja e café.

c) Os solos são compostos por quatro componentes básicos: matéria inorgânica, água, ar e matéria orgânica. Esses componentes estão distribuídos de maneira proporcional. O que, de fato, distingue sua fertilidade são os minerais contidos na matéria inorgânica.

d) A quantidade de matéria orgânica nos solos tende sempre a aumentar em direção às áreas de baixas latitudes, tornando essa região do globo a mais desenvolvida para as atividades agrícolas, tanto em pequena, como em grande escala de produção.

Questão 03 – (UFU MG/2015) Solo do sudoeste gaúcho sofre processo de arenização.

Jean Ramos, de 27 anos, nasceu e foi criado no pampa. É um homem simples como todos os moradores da localidade de Jacaquá, única região do interior do município de Alegrete. De pé sobre uma pedra, Jean vê se estender a seus pés uma paisagem insólita: em vez dos infindáveis campos e lavouras característicos do lugar, uma mancha de areia de 83 hectares, equivalente a cerca de 111 campos de futebol, que avança sobre os quintais das casas.

Disponível em: <http://www.sescsp.org.br/online/artigo/
compartilhar/2430_AREIA+AMEACA+O+PAMPA> (Adaptado) Acesso em: 12 de fev. 2015.

O processo de arenização na área descrita tem se intensificado em decorrência da

a) mudança climática e a diminuição das chuvas.

b) superexploração agrícola e a pecuária extensiva.

c) laterização do solo e a ação do vento.

d) monocultura da cana-de-açúcar e a geração do vinhoto.

Questão 04 – (UFT TO/2014)

“A formação dos solos é resultado da interação de muitos processos, tanto geomorfológicos como pedológicos. Esses processos retratam uma variabilidade temporal e espacial significativa, sendo dessa forma importante abordar os solos como um sistema dinâmico”.

Fonte: VITEE, A. C.; GUERRA, A. J.T. (ORGS) Reflexões sobre a geografia física no Brasil.
2ª Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

Geralmente os solos estão dispostos em camadas mais ou menos horizontais denominadas de horizontes do solo e são identificadas pelas letras O, A, B, C e R, com suas respectivas características. Todas as características abaixo estão relacionadas aos horizontes aos quais pertencem, com exceção do:

a) horizonte O – corresponde ao acúmulo de material orgânico decomposto e incorporado aos horizontes inferiores

b) horizonte A – apresenta grande atividade biológica e muitas raízes dos vegetais

c) horizonte B – apresenta acúmulo de compostos de ferro, argila e quartzo

d) horizonte C – camada superficial escura, normalmente o horizonte mais fértil do perfil

e) horizonte R – camada mineral constituído da rocha matriz com algumas fendas

Questão 05 – (UEFS BA/2013)
extensão e distribuição dos tipos de solo do Brasil_2
EXTENSÃO E DISTRIBUIÇÃO das classes e de solos do Brasil. Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/arroz/arvore/
CONT000fesi63xh02wx5eo0y53mhyx67oxh3>. Acesso em: 5 dez. 2012.

A partir da análise da tabela e dos conhecimentos sobre solos brasileiros, marque V nas afirmativas verdadeiras e F, nas falsas.

(   )   Os latossolos e argissolos se distribuem em, aproximadamente, 58% do território nacional, são solos ácidos e profundos, altamente intemperizados, e, em certos casos, saturados por alumínio.

(   )   A erosão laminar é facilmente percebida nos solos dos cerrados, uma vez que, após o período chuvoso, pode-se observar a presença de sulcos de profundidades variadas no solo.

(   )   Os cambissolos do Sertão nordestino, de todos os solos brasileiros, é o mais intemperizado, porque ocorre nas superfícies mais antigas e em relevo plano ou levemente ondulado.

(   )   A maior parte dos solos da Amazônia situa-se em locais bem drenados, regionalmente denominados de terra firme, sendo esses solos pobres em nutrientes.

A alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é.a

a) F F V V

b) F V F V

c) V F V F

d) V F F V

e) V V F F

GABARITO: 1. D; 2. A; 3. B; 4. D; 5. D.

Referências:

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ).  Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. – Rio de Janeiro: EMBRAPA-SPI, 2006.

LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado, Geografia geral e do Brasil, volume único – São Paulo: Saraiva, 2014.

MORAES, Paulo Roberto. Geografia geral e do Brasil, 2. ed. – São Paulo: Editora Harbra, 2003.

TEIXEIRA, Wilson. et al. Decifrando a Terra. São Paulo, Oficina de Textos, 2000.

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: jotama[email protected]

Compartilhe: