Relevo brasileiro: classificação, características e mapas

Planaltos, Planícies e Depressões são o resultado da ação de agentes modeladores internos e externos do relevo. Veja as particularidades e características no resumo de Geografia.

Para estudar o relevo brasileiro, é importante saber que grande parte da estrutura geológica brasileira é bastante antiga. Ou seja, as Formas do Relevo atual são a consequência do nosso passado geológico.

Para começar bem este revisão, confira com o professor Raphael Carrieri quais são os Agentes Modeladores do Relevo. O Carrieri é do canal de aulas do Curso Enem Gratuito.

Estrutura geológica do Brasil

As bacias sedimentares, por exemplo, datam do Paleozoico e do Mesozoico. Por sua vez, os terrenos cristalinos datam do Pré-Cambriano (Arqueano e Proterozoico). Já os processos que modelaram – e seguem modelando – as formas do território brasileiro como se apresentam atualmente são, de modo geral, recentes (Era Cenozoica).

Uma boa parte das rochas que servem de base para as formas do relevo brasileiro é anterior à configuração atual do subcontinente sul-americano. Ele apenas se formou após a abertura do oceano Atlântico, fato ocorrido no Mesozoico. Entretanto, temos bacias de sedimentação recente, como as do Pantanal mato-grossense, a parte oeste da bacia amazônica e alguns trechos litorâneos das regiões Nordeste e Sul, que são do Terciário e Quaternário (Cenozoico).

A grande diversidade de formas de relevo presentes no Brasil (serras, escarpas, planícies, depressões, planaltos, chapadas, entre muitas outras) foi sendo produzida por contínuos desgastes erosivos. Além disso, todos os compartimentos existentes estão em permanente transformação. Esses compartimentos do relevo compõem, juntos, a altimetria da superfície brasileira.

Em seguida, na Figura 01, você verá uma representação da escala do tempo geológico. Isso vai facilitar a sua compreensão das unidades de tempo e dos diferentes momentos da história do nosso planeta.

Esses momentos são bastante mencionados nesse tipo de conteúdo, como você já deve ter notado em nosso texto até aqui.escala do tempo geológicoFigura 1: Escala do Tempo Geológico, com indicação de alguns eventos importantes na evolução da vida. (modif. de Tarbuck & Lutgens 1996 e Gradstein et al. 2004). Fonte: https://bit.ly/3k1j9zJ

A classificação de Azevedo para o relevo brasileiro

Primeiramente, foi apenas na década de 1940 que foi criada uma primeira classificação dos compartimentos do relevo brasileiro. Essa novidade foi lançada pelo professor Aroldo de Azevedo (1910-1974), do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP). Ao analisar as cotas altimétricas, ele elaborou a seguinte definição:

  • Planaltos: são terrenos acidentados, acima de 200 metros de altitude.
  • Planícies: são superfícies planas, com altitude abaixo de 200 metros.

Dessa forma, o território brasileiro foi dividido em oito unidades de relevo, com os planaltos ocupando 59% da área do país, e as planícies ocupando os outros 41%.

A classificação do relevo brasileiro de Aziz Ab’Saber

Aziz Nacib Ab’Saber (1924-2012) também foi professor do Departamento de Geografia na USP. Ele publicou no ano de 1958 um trabalho no qual propunha mudanças nos critérios de definição do relevo em relação à proposta de Aroldo de Azevedo. Sendo assim, Ab’Saber lançou as seguintes definições:

  • Planaltos: são áreas em que os processos de erosão superam os de sedimentação.
  • Planícies: são áreas mais ou menos planas em que os processos de sedimentação superam os de erosão, independentemente das cotas altimétricas.

Deste modo, o Brasil passava então a apresentar 10 compartimentos de relevo, com os planaltos correspondendo a 75% e as planícies a 25% da superfície do território nacional.

divisão do relevo brasileiro I
Figura 2: Divisão do relevo brasileiro formulada por Aroldo de Azevedo no início da década de 1940. Fonte: https://bit.ly/3hUW2F8

Nas figuras 2 e 3 podemos perceber as semelhanças e diferenças entre as proposições relativas ao relevo brasileiro feitas por esses dois importantes geógrafos.

divisão do relevo brasileiro II
Figura 3: Divisão do relevo brasileiro formulada por Aziz Ab’Saber no final da década de 1950. Fonte: https://bit.ly/39Q9bN1

A classificação do relevo brasileiro de Jurandyr Ross

Por fim, vamos estudar a classificação do relevo brasileiro de Jurandyr Luciano Sanches Ross. Ele nasceu em 1947 e, atualmente (2020), é professor titular do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Na década de 1990, propôs uma nova classificação, atualizando as proposições de Ab’Saber e Aroldo de Azevedo.

Com base na análise de imagens de radar obtidas no período de 1970 a 1985, através do Projeto Radambrasil, foi possível fazer um mapeamento completo e detalhado do país. Dessa forma, foram descobertas potencialidades naturais do território (minérios, madeiras, solos férteis, recursos hídricos, entre outros).

Em seus estudos, além dos planaltos e planícies, Ross detalhou também um terceiro tipo de compartimento: as depressões. Na Figura 05, podemos com detalhes a divisão elaborada por ele.

De acordo com essa proposição, podemos utilizar as seguintes definições para os compartimentos existentes no relevo brasileiro:

divisão do relevo brasileiro III
Figura 4: Brasil: divisão do relevo de acordo com Jurandyr Ross. Fonte: https://bit.ly/33k75DI
Planaltos

Planaltos são formas residuais do processo erosivo, que atua há bilhões de anos. Além disso, são as porções mais salientes do relevo, que têm maior resistência ao processo erosivo. Os planaltos encontram-se:

    • Sobre bacias sedimentares, como é o caso do planalto da Amazônia Oriental (número 1 no mapa), dos planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba (2) e dos planaltos e chapadas da bacia do Paraná (3).
    • Em intrusões e coberturas residuais de plataformas (escudos). São formações antigas da Era Pré-Cambriana. Grande parte da sua extensão é recoberta por terrenos sedimentares, como os planaltos residuais Norte-Amazônicos (5).
    • Em núcleos cristalinos arqueanos, que são formas arredondadas, isoladas e distantes, como o planalto da Borborema (10).
    • Em cinturões orogênicos, que são vestígios de antigos dobramentos ocorridos no Pré-Cambriano. É o caso das serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, que integram os planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste (7) – é como se fossem “os Andes no futuro”, isto é, depois de serem rebaixados ao longo de muito tempo pelos agentes modeladores do relevo.
Planícies

Planícies são superfícies planas, nas quais o processo de sedimentação supera o de erosão. Além disso, são os menores compartimentos do território brasileiro, dividindo-se em:

    • Costeiras: situadas em contato com o litoral brasileiro. É o caso das planícies e tabuleiros litorâneos (28).
    • Continentais: presentes no interior do continente. É o caso da planície do Pantanal (26), formada pela sedimentação mais recente verificada no território brasileiro (período Quaternário).
Depressões

Depressões: nelas, a erosão se sobrepõe à sedimentação. Situam-se entre as bacias sedimentares e os maciços antigos. Além disso, são formas rebaixadas por processos erosivos iniciados na Era Cenozoica, divididas em:

    • Periféricas: encaixadas nas áreas de contato entre a estrutura cristalina e sedimentar, como a Depressão Periférica da Borda Leste do Paraná (21) e a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense (22).
    • Marginais: situam-se nas bordas das bacias sedimentares, como a Depressão Marginal Norte-Amazônica (13).
    • Interplanálticas: mais baixas que os planaltos ao redor, como a Depressão Sertaneja e do São Francisco (19).

Perfis topográficos

perfis topográficos do brasil
Figura 5: Três grandes recortes: perfis topográficos do relevo brasileiro. Fonte: Guia do Estudante. São Paulo, abr. 2009, p. 31 (modificado).

Primeiramente, o perfil topográfico número 1 da representação acima refere-se à região Norte, e está no sentido noroeste-sudeste. Com cerca de 2.000 km, inicia-se nas altas serras roraimenses até chegar ao estado do Mato Grosso. Demonstra as faixas de planície às margens do rio Amazonas, a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies.

Em seguida, o perfil topográfico número 2 retrata trecho da região Nordeste, com cerca de 1.500 km, indo do Maranhão a Pernambuco. É um retrato efetivo da região, com destaque para dois planaltos (da bacia do Parnaíba e da Borborema) cercando a Depressão Sertaneja, que é uma superfície de aplainamento.

Por fim, temos o perfil topográfico número 3, representando o Centro-Oeste e o Sudeste. Esse recorte, com cerca de 1.500 km, vai do Mato Grosso do Sul até o litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se observar a bacia do Paraná, formada por rios de planalto, abrigando grandes hidrelétricas.

Videoaula

Parabéns! Se chegou até aqui, você já elevou o “nível altimétrico” do seu conhecimento. Para ter uma nota “planáltica” no Enem, estude ainda mais com a videoaula abaixo.

Exercícios

Por fim, busque também exercitar suas aprendizagens sobre fazendo algumas questões.

1- (IFBA) 

As formas de relevo da superfície terrestre são resultantes da interação de duas grandes forças: a endógena (interna) e a exógena (externa).

questão sobre relevo brasileiro
Disponível em: <http://dc397.4shared.com/doc/FII3kDmr/preview.html>. Acesso em: 07/09/2013.

Baseando-se na proposta de classificação do relevo do território brasileiro assinalada no mapa acima e em seus conhecimentos sobre o assunto, é correto afirmar que

I. no mapa, as porções do território mais escuras correspondem às depressões, estruturas geológicas que remontam à era Pré-Cambriana.

II. no mapa, as porções do território mais escuras correspondem às planícies e aos dobramentos modernos, estruturas geológicas que remontam à era Pré-Cambriana.

III. classificação do relevo assinalada no mapa foi proposta por Aziz Ab´Sáber, como resultado do levantamento do território nacional realizado pelo Projeto Radambrasil e nos estudos anteriores sobre o relevo, sobretudo do professor Aroldo de Azevedo.

IV. classificação do relevo assinalada no mapa foi proposta por Aroldo de Azevedo, como resultado do levantamento do território nacional realizado pelo Projeto Radambrasil e nos estudos anteriores sobre o relevo, sobretudo do professor Aziz Ab´Sáber.

V. a classificação de relevo assinalada no mapa foi apresentada por Jurandyr Ross, sendo considerada a mais completa proposta de relevo contando com 28 unidades entre planaltos, planícies e depressões.

As proposições corretas dizem respeito apenas às alternativas

  1. a) I e III.
  2. b) II e III.
  3. c) III e IV.
  4. d) Apenas III.
  5. e) Apenas V.
2- (UENP)
relevo do brasil classificação de azis absaber
Relevo do Brasil: classificação de Aziz Ab Saber.

I. A classificação do relevo brasileiro, de Aziz Ab Saber, levou em consideração os processos morfoclimáticos responsáveis pela dinâmica atual e pretérita do relevo; o título da sua classificação é Domínios Morfoclimáticos do Brasil.

II. As principais planícies do Brasil, evidenciadas na classificação de Aziz Ab’Saber, são a Amazônica, a do Pantanal e a Costeira.

III. A classificação do relevo brasileiro, de Aroldo de Azevedo, em bacias sedimentares e planaltos cristalinos, serviu de referência para a classificação de Ab Saber.

IV. O Planalto das Guianas consiste na principal região de nascente dos rios afluentes da margem direita do rio Amazonas, que vão desaguar na Ilha de Marajó.

Estão corretas:

a) apenas I e II

b) apenas II e III

c) apenas III e IV

d) apenas I e IV

e) todas as assertivas

3- (UNIMONTES)

Para a atual proposta de identificação das macrounidades do relevo brasileiro, elaborada por Ross (1989), foram fundamentais os trabalhos de Ab’Saber e os relatórios e mapas produzidos pelo Projeto Radambrasil. Ross passou a considerar para o relevo brasileiro, conforme as suas origens, as unidades de planaltos, depressões e planícies.

Adaptação: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005.

Quais as unidades do relevo brasileiro que, de acordo com a gênese, segundo Ross, são resultantes de deposição de sedimentos recentes de origem marinha, lacustre ou fluvial?

a) Planícies.

b) Depressões.

c) Planaltos cristalinos.

d) Planaltos orogenéticos.

Gabarito: 1. E; 2. A; 3. A.

Referências:

LUCCI, Elian A.; BRANCO, Anselmo L.; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado, Geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Saraiva, 2014.

LUCCI, Elian A.; BRANCO, Anselmo L.; MENDONÇA, Cláudio. Geografia geral e do Brasil: ensino médio. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

TAMDJIAN, James Onnig; MENDES, Ivan Lazzari. Geografia geral e do Brasil: estudos para a compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2013.

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]

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