Doenças virais transmitidas pelo Aedes aegypti

O mosquito Aedes aegypti é o vetor responsável pela transmissão de várias doenças virais em nosso país. Você sabe quais são elas? Não? Então, vem com a gente revisar as doenças virais transmitidas pelo Aedes aegypti para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

O mosquito Aedes aegypti, popularmente conhecido como “mosquito da dengue”, é o principal vetor de várias doenças virais em nosso país. Dengue, febre amarela, zika e Chicungunha são responsáveis por milhares de enfermos e mortos todos os anos no Brasil.

Nessa aula de biologia para o Enem, você vai revisar sobre as características desse mosquito e de cada uma das doenças virais transmitidas por ele em território brasileiro. Vem comigo neta aula para mandar bem nas questões de Ciências da Natureza!

Características do Aedes aegypti

O mosquito Aedes aegypti é um inseto pequeno, com cerca de 1cm de comprimento. Possui coloração preta ou marrom escuro, com manchas brancas ao longo de suas patas. Em sua região torácica há manchas brancas que lembram uma lira (instrumento musical).

Mosquito Aedes aegypti
Imagem 1: Mosquito . A fotografia em macro mostra em detalhes as características do mosquito. É possível observar a coloração escura com as pintas brancas nas patas e ao longo do corpo. No tórax você pode ver em branco o desenho em forma de lira.

Esses mosquitos possuem hábitos crepusculares, picando suas vítimas geralmente no início da manhã ou ao entardecer. Além disso, têm voo baixo, voando a cerca de um metro do chão. Sendo assim, é comum que piquem os membros inferiores das pessoas.

Apesar de parecer ser um típico nativo das terras brasileiras, o mosquito Aedes aegypti é um animal exótico. Proveniente da África, a espécie rapidamente se adaptou ao clima quente e úmido da maior parte do Brasil.

Acredita-se que o mosquito da dengue já habite nosso território desde a época do tráfico de escravos africanos para o país. Porém, na década de 50, foi considerado erradicado depois de um grande esforço para exterminá-lo. Mas, na década seguinte, o Aedes já voltou a ser registrado no Brasil.

O seu sucesso em colonizar e se proliferar se deve à sua versatilidade. O mosquito da dengue se adaptou facilmente ao ambiente urbano, onde encontra tanto fonte de alimento quanto locais para se reproduzir. No cenário complexo das cidades brasileiras há inúmeras regiões onde pode ocorrer o acúmulo de água, formando ambientes ideais para a postura de ovos e desenvolvimento das larvas.

Para por seus ovos, o mosquito prefere ambientes de água limpa e parada. Porém, já está comprovado que algumas populações de Aedes aegypti conseguem se reproduzir, inclusive, em água muito suja, contaminada por esgoto.

reprodução do Aedes aegypti
Imagem 2: Fotografia de vários pneus amontoados, local ideal para o acúmulo de água e postura de ovos de Aedes aegypti.

As fêmeas são as responsáveis pela transmissão de doenças. Para conseguirem colocar seus ovos, precisam de um alimento altamente nutritivo: o sangue. Sendo assim, as fêmeas de Aedes são hematófagas. Ao picarem as pessoas para se alimentarem podem transmitir os vírus através da sua saliva. Os machos de Aedes aegypti não transmitem doenças, uma vez que são herbívoros e se alimentam da seiva de plantas

aedes aegypti características
Imagem 3: A imagem é um diagrama que descreve o ciclo de vida do Aedes aegypti e suas características. Além das informações que você já viu sobre as suas características, o gráfico traz outros dados importantes sobre o mosquito: a fêmea pode colocar até 40 ovos por vez e esses ovos podem ficar esperando condições favoráveis por até um ano antes de eclodir; após a eclosão, são 7 dias de desenvolvimento larval até a formação do mosquito; o tempo total do ciclo de vida desse vetor é de cerca de 30 dias. Fonte: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/combate-ao-aedes

 

Mais um detalhe que você não pode esquecer: os mosquitos Aedes não nascem com as doenças que transmitem. Para que ocorra a transmissão, é necessário que o mosquito pique uma pessoa infectada e ingira os vírus. Ao picar outra pessoa, inicia a transmissão.

Doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

No início do século passado, o mosquito da dengue era responsável pela transmissão de duas doenças nas áreas urbanas brasileiras: a febre amarela e a dengue. Porém, com a vacinação contra a febre amarela, esta doença permaneceu controlada em áreas urbanas durante várias décadas. Dessa maneira, nos últimos anos, o controle do mosquito focava na prevenção contra a dengue.

Porém, recentemente, outras duas doenças virais transmitidas por mosquitos Aedes sp passaram também a ser transmitidas no Brasil. Os surtos de chicungunha e zika, juntamente com a perda de sazonalidade das epidemias de dengue ligaram um sinal de alerta para os profissionais da saúde em nosso país.

Dessa maneira, é imprescindível que você conheça as principais características das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Além de ser importante para a sua saúde, conhecer mais sobre essas doenças virais pode te ajudar a mandar bem no Enem. Vamos lá?

Dengue

A dengue, no Brasil, é causada por quatro cepas diferentes de vírus da família dos Arbovírus. Por conta de sua frequência, as pessoas costumam subestimar a dengue, tratando-a como doença corriqueira. Porém, a dengue é uma doença grave que pode matar.

Sintomas: A forma mais frequente da doença, chamada de dengue clássica, geralmente apresenta sintomas após três dias da picada. Os sintomas mais comuns da forma mais tradicional de dengue são:

– Febre alta de início abrupto (de repente);

– Dores de cabeça fortíssimas, especialmente atrás dos olhos;

– Dores nos ossos e articulações;

– Manchas pelo corpo;

– Náuseas e vômitos.

– Moleza e muito cansaço.

Em geral, os sintomas da dengue clássica duram cerca de 7 dias. Porém, ela pode evoluir para o quadro mais grave, chamado de dengue hemorrágica. Em geral, esse quadro acomete pessoas que estão pegando dengue pela segunda ou terceira vez.

A dengue hemorrágica possui os mesmos sintomas da dengue clássica no começo, porém evolui rapidamente para os sintomas mais graves. Nesses casos, a vítima terá dores abdominais, sangramentos nas mucosas (com a gengiva), dificuldades respiratórias, sede excessiva, confusão mental e perda de consciência. Todos esses sintomas se agravam ainda mais em pessoas mais velhas e crianças. Cerca de 5% das pessoas que apresentam dengue hemorrágica morrem.

dengue x dengue hemorrágica
Imagem 4: Diagrama comparando os sintomas da dengue clássica e da dengue hemorrágica.

Transmissão: A dengue é transmitida pela picada de mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus.

Prevenção: Recentemente a Anvisa aprovou a comercialização de uma vacina contra a dengue no Brasil. Porém, pouco tempo depois restringiu a indicação. Segundo a Anvisa, apenas pessoas que já tiveram algum quadro dengue podem tomar a vacina com segurança. Sendo assim, a vacina ajudaria a impedir novas infecções (já que existem 4 cepas diferentes de vírus, poderíamos pegar dengue 4 vezes).

Além dessa restrição, a vacina não está disponível no SUS e a dose em clínicas particulares ultrapassa os R$ 100,00. Sendo assim, a melhor maneira de prevenir a dengue continua sendo o combate ao vetor.

formas de combate Aedes aegypti
Imagem 5: Diagrama ilustrando as formas de combate ao mosquito. Todas as imagens presentes na figura tratam de formas de evitar que a água se acumule formando criadouros.
Febre amarela

Nos últimos anos, a febre amarela que parecia controlada no país voltou a preocupar a população.  Vários casos têm sido registrados desde 2016, o que levou o Ministério da Saúde a estender a vacinação para toda a população (e não mais aos habitantes de áreas endêmicas da doença).

A febre amarela é causada por um vírus da família dos Flavivirus. Assim como a dengue e o Aedes aegypti, a febre amarela também não é uma doença originária do Brasil. Surgiu provavelmente na África, porém, hoje se encontra espalhada em praticamente todos os países da região tropical.

Sintomas: Inicialmente a febre amarela causa sintomas que podem ser confundidos com diversas outras doenças. Os sintomas inespecíficos podem variar, mas é comum que a pessoa infectada tenha:

– Febre alta;

– Mal-estar e cansaço;

– Náuseas e vômitos.

Quando o caso se agrava, a vítima pode começar vomitar sangue e ter fortes diarreias. Em cerca de 15% dos casos, a doença evolui, causando:

– Hemorragias internas;

– Enfartes em vários órgãos;

– Sangramentos no nariz e nas gengivas;

– Hematomas por toda a pele;

– Hepatite e degeneração aguda do fígado. Quando isso ocorre, há a liberação de grande quantidade de bilirrubina no sangue, fazendo com que a pele e os olhos da pessoa fiquem amarelados (icterícia).

A combinação desses fatores frequentemente leva o paciente ao óbito.

Transmissão: A transmissão da febre amarela em áreas urbanas, assim como a dengue, é realizada pelo Aedes aegypti. Porém, ela pode ser transmitida também por outro mosquito do gênero Aedes, o Aedes albopictus.

Nas áreas de floresta e zonas rurais, temos um outro vetor: os mosquitos do gênero Haemagogus.

Prevenção: a forma mais efetiva de prevenção contra a febre amarela é a vacinação. O SUS disponibiliza uma vacina de dose única que pode ser tomada por pessoas de 9 meses até 60 anos de idade.

Além disso, o combate ao vetor das áreas urbanas também ajuda bastante no combate contra essa doença.

Zika

O zika vírus, assim como o vírus da febre amarela, é um vírus da família Flaviridade. Originário de alguns países da África e do sudeste da Ásia, foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2015. Inicialmente confundida com a gripe, a doença logo foi relacionada com o grande aumento de casos de microcefalia no país.

Sintomas: O zika vírus é um agente menos potente que os demais da sua família. Em geral, após a picada, os sintomas levam 10 dias para aparecer. Após esse período de incubação, a pessoa passa a apresentar febre baixa constante, dores musculares e nas articulações, coceira acompanhada de erupções na pele e conjuntivite. Em geral, a doença evolui de forma benigna e desaparece espontaneamente após 7 dias. Não há casos de morte relacionados ao zika.

Porém, o zika vírus se torna uma infecção importante em mulheres grávidas. O vírus é capaz de atravessar a barreira placentária afetando o desenvolvimento do feto. As alterações podem ser variadas. Em geral, causam microcefalia.

A microcefalia é caracterizada por uma circunferência cefálica igual ou menor que 32cm em um recém-nascido.  Consequentemente o cérebro desses bebês é menor que o esperado. Isso causa uma série de efeitos sistêmicos variáveis.

Transmissão: O zika vírus é transmitido pelos mosquitos do gênero Aedes, especialmente o Aedes aegypti, e também do Culex, conhecidos popularmente como muriçocas. Há também registros de transmissão através de relações sexuais.

Prevenção: Não há vacina. A prevenção é feita com combate ao mosquito, uso de repelentes e telas mosquiteiros.

Chicungunha

A febre chicungunha é causada por um arbovírus também proveniente do continente africano. O nome vem de uma palavra de um dos idiomas oficiais da Tanzânia e significa “tornar-se dobrado ou contorcido”, fazendo referência aos sintomas da doença.

Sintomas: Os sintomas, em geral, começam a se apresentar por volta de 12 dias após a picada. Os principais sintomas são dor de cabeça, dores musculares, erupções cutâneas e dor nas articulações. As dores nas articulações podem sumir juntamente com os demais sintomas, porém há registros em que a dor persiste por meses e até anos. Crianças pequenas e idoso podem ter quadros mais graves.

Transmissão: Ocorre através dos vetores do gênero Aedes. Porém, tem sido considerada também a transmissão placentária.

Prevenção: Não há vacina. A prevenção deve ser feita através de combate ao vetor.

Agora, para resumir o conteúdo e tirar as tuas dúvidas, veja a minha videoaula sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no nosso canal do YouTube, o Curso Enem Gratuito:

Para finalizar sua revisão, que tal testar seus conhecimentos resolvendo os exercícios que selecionei para você? Bons estudos!

Questão 01 – (Fac. Israelita de C. da Saúde Albert Einstein SP/2018)    

zica, chicungunha e dengue
Fonte: <https://conteudo.imguol.com.br/blogs/58/files/2016/02/paixaoMosquito.jpg>

A charge faz uma sátira às múltiplas potencialidades vetoriais do mosquito Aedes aegypti.

Para completar a charge, seria necessário incluir mais uma bola com o nome

a) malária.

b) febre amarela.

c) escarlatina.

d) tuberculose.

Questão 02 – (UDESC SC/2018)    

Resultados recentes de trabalhos de pesquisadores da Fiocruz, de Pernambuco, mostraram que além do mosquito Aedes aegypti, o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo ou muriçoca, também é capaz de transmitir o zika vírus.

Analise as proposições em relação à informação, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

(  )    Novas medidas de controle populacional dos mosquitos serão necessárias, já que os pernilongos Aedes e Culex possuem características genéticas diferentes.

(  )    Esses resultados não trazem informações relevantes uma vez que todos os mecanismos de transmissão do zika vírus já são conhecidos, assim como o tratamento para a doença.

(  )    Os vírus são seres vivos e agentes infecciosos diminutos, e como possuem metabolismo próprio podem se replicar rapidamente no ambiente, por isso não é aconselhavel deixar água parada em recipientes ao ar livre.

(  )    O zika é um vírus transmitido pelo Aedes aegypti e pode-se dizer que é o mesmo vírus da dengue, transmitida pelo mesmo mosquito, apenas mudando o nome da doença.

(  )    Devido ao fato de ser uma doença causada por vírus, a confirmação da doença zika vírus ocorre apenas por sintomas, não tendo outra forma de confirmação, a exemplo, pelo exame de sangue.

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.

a) V – F – F – F – F

b) V – F – V – V – F

c) V – F – F – F – V

d) F – F – V – V – F

e) F – V – V – V – F

Questão 03 – (UFSC/2018)    

A disseminação do vírus zika a partir do Nordeste brasileiro ocorreu de forma rápida e discreta, pois a detecção da doença em diversos países demorou meses, conforme mostra a figura abaixo.

vírus zika
GUIMARÃES, M.; TOLEDO, K. Fronteiras ultrapassadas. Pesquisa FAPESP, n. 256, p. 51, jun. 2017. [Adaptado].
Com base na figura e sobre os assuntos relacionados à transmissão dos vírus e de seus vetores, é correto afirmar que:

01) a disseminação do vírus zika nas Américas ocorreu através das migrações periódicas do mosquito Aedes aegypti.

02) o Nordeste brasileiro é a região de origem da contaminação com o vírus zika em seres humanos no mundo.

04) a liberação de Aedes aegypti machos transgênicos para o controle da população desse mosquito é uma ameaça à saúde pública, pois eles transmitem os vírus da dengue, chicungunha e zika.

08) o desenvolvimento larval do Aedes aegypti é holometábolo, assim como o de todos os representantes da classe dos insetos.

16) o aquecimento global pode favorecer a propagação do Aedes aegypti e de outros mosquitos transmissores de doenças.

32) o Aedes aegypti, ao longo do seu processo evolutivo, apresentou um nicho ecológico em expansão, com novos comportamentos que favoreceram a propagação dos vírus da dengue, chicungunha e zika.

64) por ocasião da primeira detecção da doença no Nordeste brasileiro, foram confirmadas em Porto Rico microcefalias originadas pelo vírus zika.

GABARITO: 

1) Gab: B

2) Gab: A

3) Gab: 48

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.