Educação no Brasil hoje: retrocessos e problemas que perduram

Como as mudanças na educação básica brasileira podem influenciar na sua vida? Veja nesta aula um tema super importante de atualidades que pode te ajudar no Enem e nos vestibulares!

As políticas públicas de educação no Brasil, implantadas pelo Estado, refletem os ideais de um país e os caminhos que este país busca seguir. Que caminhos o Brasil está trilhando?

Nesta aula vamos discutir sobre a situação da educação básica no Brasil de hoje, trazendo dados estatísticos e reflexões sobre o tema em que questão. Falaremos um pouco sobre a reforma do ensino médio e sobre os reflexos que ela já está trazendo para a formação dos e das estudantes.

Vem com a gente para se dar bem nas questões envolvendo Atualidades no Enem e também na elaboração de uma boa Redação Enem!

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Indicadores da educação no Brasil

A ONU (Organização das Nações Unidas) é o órgão internacional responsável pela avaliação do índice de desenvolvimento humano dos países (IDH), utilizando os indicadores de renda, saúde e educação. No último levantamento, realizado em 2020, o Brasil ocupa o 84º lugar no ranking que abrange 188 países, do mais ao menos desenvolvido.

Nós estamos atrás de países sul-americanos como Chile, Argentina e Uruguai, e de países da América Central como Trinidad e Tobago e Barbados.

Que nós não somos exemplos de educação no mundo, já sabemos. Mas dados divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) recentemente assustam: em 2015, mais da metade dos adultos, com idade entre 25 e 64 anos, não tinham acesso ao ensino médio e 17% da população sequer tinha concluído o ensino básico.

educação no Brasil - sucateamento da educação
Sucateamento da educação. Fonte: https://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/03/retrocessos-na-educacao/

Em relação à defasagem idade-série também estamos muito atrás de outros países. De acordo com o Censo Escolar de 2020, a taxa de distorção idade-série alcança 22,7% das matrículas dos anos finais do ensino fundamental. Já no ensino médio, o número sobe para 26,2%.

Embora a pesquisa da OCDE demonstre alguns avanços na educação brasileira – entre os adultos de 25 e 34 anos, o percentual de alunos que completou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015 – ainda estamos longe de ser o país do futuro como prometeram alguns governantes.

Políticas públicas voltadas à educação

Em termos de políticas públicas, nos últimos 20 anos foram implantadas algumas medidas que trouxeram avanços para a educação no Brasil. Entre elas podemos destacar as seguintes:

  • Obrigatoriedade do ensino de Sociologia e Filosofia no ensino médio;
  • Obrigatoriedade do ensino de música na educação básica;
  • Lei 10.639/03, que obriga as escolas a incorporar temáticas vinculadas à cultura e história africanas e indígenas;
  • Criação e ampliação dos Institutos Federais, que hoje, além de oferecerem o ensino médio integrado ao ensino técnico, oferecem graduações e pós-graduações gratuitas à população.

Reforma do ensino médio e suas consequências

Nos últimos anos, surgiram reformas e movimentos a área educacional brasileira que têm o apoio de alguns setores da sociedade. Estas reformas trazem retrocessos sociais, além de reatualizar velhos problemas.

A reforma do ensino médio permitiu às escolas não oferecer as cinco áreas do conhecimento, retirou a obrigatoriedade do ensino de Artes, Sociologia e Filosofia e diminuiu a carga horária obrigatória do ensino de Educação Física.

A mensagem que o Estado quer passar parece ser mais ou menos a seguinte: pensar criticamente não é tão importante, vamos focar nas ciências e conhecimentos técnicos e práticos.

Se antes a escola já se mostrava desinteressante para muitos e muitas estudantes que, por várias razões, acabam desistindo de estudar, agora ela se torna ainda mais fechada e desinteressante. Isso porque o objetivo da escola passa a ser formar técnicos e não cidadãos críticos, sejam eles cientistas, funcionários públicos, empresários ou artistas.

As disciplinas que mais estimulavam a criatividade e o senso crítico foram retiradas. Até os esportes foram relegados a segundo plano, mostrando a incompetência do Estado para formar cidadãos pensantes e saudáveis.

Movimento “Escola sem partido” e a liberdade de expressão

Nesta mesma maré, surge o movimento da “Escola sem partido” e as críticas sobre uma suposta “ideologia de gênero” que estaria assolando as escolas brasileiras. Estes movimentos conservadores defendem que os professores e as professoras devem ser “neutros” em sala de aula, evitando tratar de “temas polêmicos”, como sexualidade, política e todas as formas de exclusão e opressão.

Como resposta, setores da sociedade se organizaram a favor da “Escola sem mordaça”, defendendo o direito à livre expressão e aos debates críticos em sala de aula, desde que eles primem pelo respeito e não firam os direitos humanos.

Vivemos um momento de grandes tensões e contradições na educação brasileira e quem perde são todos e todas, mas principalmente as populações mais vulneráveis economicamente, aquelas que não tem condição de escolher uma boa escola, que não sabem nem se terão o que comer amanhã.

Os problemas do passado perduram – evasão escolar, defasagem idade-série, índices de analfabetismo, etc – e os poucos avanços que vinham se construindo estão seriamente ameaçados.

Vivemos tempos difíceis, mas nem tudo está perdido. Que tal estudar as propostas para a educação de todos os candidatos antes das eleições? Uma parte do poder de transformar a educação do Brasil está nas nossas mãos, basta que façamos nossas escolhas com clareza e consciência.

Vídeo sobre a reforma do ensino médio e a situação da educação no Brasil

Para finalizar seus estudos, assista ao vídeo sobre a reforma do ensino médio:

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Juliana Ben para o Blog do Enem. Juliana é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Ensino de Sociologia para o Ensino Médio pela mesma universidade. Atua como professora de sociologia no RS e em SC desde 2010. Facebook: https://www.facebook.com/juliana.ben.brizola

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