Anelídeos: o que são, exemplos e principais características

Anelídeos são animais invertebrados, de corpo mole e alongado, composto por pequenas estruturas em forma de anéis. Um dos representantes mais famosos é a minhoca.

Dentro do Filo dos Anelídeos encontram-se animais muito conhecidos por todos nós, como as minhocas e as sanguessugas. E outros nem tão conhecidos, como os poliquetas. Saiba mais sobre as características desses animais nesta aula de Biologia para o Enem!

O Filo Annellida é composto pelos chamados vermes anelados. Isso porque os anelídeos são animais de corpo mole e alongado, composto por pequenos metâmeros na forma de anéis. O nome do grupo, inclusive, se refere a esses anéis.

Características gerais dos Anelídeos

Dentro desse filo encontramos mais de 200 mil espécies descritas. Todavia, devido à muitas espécies viverem enterradas no substrato e serem poucos estudadas, acredita-se que o número de espécies de anelídeos seja bem maior.

Como dito acima, os anelídeos são animais de corpo mole divido em anéis. Esses anéis ou metâmeros são estruturas que não só se repetem por fora, como também internamente. Ou seja, internamente a cada anel, podemos encontrar órgãos que se repetem.

Minhocas - anelídeosFigura 1: Fotografia de várias minhocas em detalhe. Na imagem é possível ver os pequenos anéis (metâmeros) que formam o corpo desses animais e que dão nome ao Filo dos Anelídeos. Fonte: Getty Images.

Em geral, são bastante pequenos, medindo poucos centímetros de comprimento. No entanto, há espécies que podem atingir tamanhos bem significativos, como os minhocuçus, que chegam a ter três metros de comprimento.

Hábitos e habitats dos organismos do Filo Annellida

Os anelídeos são animais que possuem um corpo relativamente frágil em relação à desidratação. Sendo assim, em geral encontramos esses animais em ambientes aquáticos, tanto dulcícolas quanto marinhos, e também em ambientes terrestres úmidos.

Como dito acima, muitos anelídeos vivem enterrados no substrato. Esse hábito, inclusive, é muito importante para os ecossistemas, uma vez que o deslocamento desses animais sob o solo cria túneis. Esses túneis facilitam a entrada de ar e água nos solos, aumentando a sua fertilidade.

Húmus de minhoca - AnelídeosFigura 2: O húmus de minhoca é um tipo de adubo muito utilizado. Ele é composto por partículas minerais e pelos excrementos desses animais, fruto da ciclagem de nutrientes da qual participam. Fonte: Getty Images.

Os anelídeos podem ter diferentes hábitos alimentares. Boa parte das espécies, como o caso das minhocas, têm hábitos detritívoros. Ou seja, alimentam-se de restos de matéria orgânica. Esse hábito alimentar também ajuda a ciclagem de nutrientes nos solos, contribuindo com a sua fertilidade.

Além disso, alguns grupos de anelídeos, como o grupo das sanguessugas, podem atuar como carnívoros predadores ou ainda como ectoparasitas (parasitas externos) hematófagos (que se alimentam de sangue).

Há ainda algumas espécies de anelídeos que podem atuar como filtradores, como alguns poliquetas marinhos.

Desenvolvimento embrionário dos anelídeos

Os anelídeos são animais triblásticos, ou seja, eles possuem três folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme e endoderme) na fase de gástrula do desenvolvimento embrionário.

São também os primeiros animais da escala zoológica a apresentarem celoma verdadeiro. Ou seja, possuem uma cavidade interna (o celoma) onde se alojam os órgãos internos. E esse celoma é totalmente revestido por tecidos que se originam da mesoderme.

Outro fator importante a ser lembrado sobre o desenvolvimento embrionário dos anelídeos é o fato de que eles são animais protostômios. Isso quer dizer que durante a fase embrionária a boca é formada antes do ânus no desenvolvimento do sistema digestório.

Simetria

Os anelídeos são animais com simetria bilateral, assim como a maior parte dos demais animais. Isso quer dizer que se os dividirmos longitudinalmente, obteremos duas partes iguais ou simétricas.

Anatomia dos Anelídeos

Em seguida, veja as características da superfície corpórea dos anelídeos, seu sistema digestório, respiração, sistema circulatório, excreção, sistema nervoso e reprodução.

Superfície corpórea dos anelídeos

A superfície externa dos anelídeos é revestida por uma epiderme muito fina, recoberta por uma cutícula. Essa cutícula ajuda a proteger esses animais contra a desidratação.

Além disso, muitos animais desse grupo apresentam cerdas em seus revestimentos externos. Essas cerdas são semelhantes a pequenos pelos duros, compostos de quitina.

Essas estruturas ajudam esses animais a aderirem sobre as superfícies, como um ancoramento, facilitando seu deslocamento.

Inclusive, nos poliquetas essas cerdas são bem desenvolvidas e estão dispostas nas laterais desses animais. Nesses casos, as cerdas funcionam como patinhas primitivas e são chamadas de parapódios.

Poliqueta - AnelídeosFigura 3: Fotografia de um poliqueta. Observe que nas laterais do corpo do animal há cerdas espessas. Elas são os chamados parapódios. Fonte da imagem: https://bit.ly/2ESVQsb

Sistema digestório

O tubo digestório dos anelídeos é completo, iniciado em boca e terminado em ânus e com digestão totalmente extracelular.  Ao longo desse tubo digestório encontramos regiões diferenciadas. Como nos casos das minhocas, onde encontramos um papo que armazena alimento e uma região mais musculosa, a moela, que ajuda a triturar o alimento.

Alguns dos anelídeos também podem apresentar diferenciações na boca. As sanguessugas, por exemplo, possuem uma ventosa na boca e na região posterior, o que irá facilitar a fixação desses animais em seus hospedeiros.  Já os poliquetas podem apresentar fortes mandíbulas.

Respiração dos anelídeos

A respiração dos anelídeos varia de acordo com o ambiente em que se encontram. Contudo, em geral, são organismos aeróbios, utilizando oxigênio em sua respiração.

Os anelídeos que vivem em ambientes terrestres úmidos e em água doce, como as minhocas e algumas espécies de sanguessugas, realizam uma respiração cutânea indireta.

Isso quer dizer que esses animais realizam trocas gasosas através de sua pele úmida. No entanto, os gases não são trocados diretamente com os tecidos subjacentes, mas sim com o sangue.

Já os anelídeos marinhos (representados pelos poliquetas) e também algumas espécies de sanguessugas, possuem respiração branquial. As brânquias desses animais são compostas por dobras de pele em forma de lâminas ou fios. Essas estruturas são altamente vascularizadas, permitindo que ocorra uma grande superfície de contato com a água para a realização das trocas gasosas.

Sistema circulatório dos anelídeos

Como os anelídeos possuem um corpo mais complexo, com várias camadas de tecidos, a difusão não é suficiente para fazer o transporte de gases e outras substâncias.

Sendo assim, esses animais apresentam um sistema circulatório composto por um conjunto de vasos sanguíneos interligados que formam um circuito. No interior desses vasos sanguíneos, encontra-se o sangue desses animais. Muitos deles apresentam pigmentos respiratórios como a hemoglobina para o transporte de oxigênio e gás carbônico.

Como o sangue desses animais circula apenas dentro dos vasos sanguíneos (não saindo deles para passar por entre as células), dizemos que o sistema circulatório dos anelídeos é fechado.

Excreção

A excreção desses animais é realizada através de estruturas chamadas de metanefrídeos ou ainda nefrídeos.

Em cada anel, há um par dessas estruturas. Uma das extremidades do nefrídeo ou do metanefrídeo é voltada para a cavidade celomática e tem a forma de um funil ciliado. Isso porque elas filtram o líquido celomático retirando dele as excretas.

Já a outra extremidade desses órgãos excretores desembocam na superfície do animal, em poros chamados de nefridióporos.

Sistema nervoso

O sistema nervoso dos anelídeos é ganglionar. É composto por dois grandes gânglios próximos à faringe e um par de gânglios nervosos em cada um dos segmentos. Esses gânglios são interligados através de dois espessos cordões ventrais.

Reprodução dos anelídeos

A maior parte das espécies de minhocas e sanguessugas são monoicas ou hermafroditas. Isso quer dizer que esses animais possuem ambos os sexos em um único corpo.

Apesar dessa característica, esses animais não fazem autofecundação, mas sim fecundação cruzada, trocando gametas com parceiros.

Para isso, uma minhoca (ou sanguessuga) coloca na espermateca de sua parceira uma quantidade de espermatozoides. Após essa troca de gametas masculinos, uma região do animal chamada de clitelo, onde encontramos um anel um pouco maior, produz um casulo. Esse casulo vai se deslocando pelo corpo do animal em direção à região anal. Quando passa pelo oviduto, os óvulos são liberados.

Em seguida, esse casulo cheio de óvulos passa por cima da abertura do receptáculo seminal (espermateca) e os espermatozoides são liberados. Sendo assim, apesar de inicialmente os espermatozoides serem colocados dentro do corpo da minhoca, a fecundação é externa, já que ocorre dentro do casulo.

Depois desse processo, formam-se ovos que são depositados no solo juntamente com o casulo. O desenvolvimento nesses animais é direto, sem a formação de larvas.

Reprodução das minhocas- anelídeosFigura 4: Esquema demonstrando a reprodução das minhocas. Ao lado, há uma fotografia de duas minhocas se reproduzindo.

Já os poliquetas são, em sua maioria, animais dioicos. Isso quer dizer que esses animais possuem sexos separados. Em geral, nas épocas reprodutivas esses animais liberam seus gametas na água, onde ocorre a fecundação. Em seguida há a formação de uma larva planctônica, chamada de larva trocófora. Portanto, desenvolvimento dos poliquetas é indireto.

Classes de anelídeos

Classe Polychaeta

Os animais presentes nessa classe são os anelídeos menos conhecidos. Chamados comumente de poliquetas, recebem esse nome porque apresentam grande quantidade de cerdas ao longo de seus corpos.

Algumas dessas cerdas, como dito acima, são mais espessas e se localizam na lateral do animal, funcionando como patas rudimentares, facilitando o deslocamento dos poliquetas de vida livre.

Todos os animais desse grupo são aquáticos, sendo a enorme maioria das espécies marinhas. Entretanto, há alguns representantes que habitam ambientes dulcícolas ou de água salobra.

A maior parte desses animais é de vida livre e encontrada sobre o substrato, comportando-se como seres bentônicos na fase adulta. Quando filhotes, são larvas planctônicas. Isso é importante para ajudar a espalhar as espécies no ambiente.

Todavia, algumas espécies de poliquetas podem ser fixas ao substrato. Nesses casos, esses animais formam uma espécie de tubinho que recobre a base de seus corpos e também permite que se escondam quando se sentem ameaçados.

Veja no pequeno vídeo a seguir os poliquetas que vivem fixos em recifes de corais:

Esses poliquetas que se encontram fixos são, em geral, animais filtradores. Suas brânquias capturam partículas de matéria orgânicas que são direcionadas à boca.

Já os poliquetas que se deslocam sobre o fundo possuem fortes mandíbulas ou faringes eversíveis, alimentando-se de algas ou de outros animais. Inclusive, algumas espécies de poliquetas são necrófagas, alimentando-se de animais mortos.

Classe Hirudínea

Os hirudíneos ou aquetas são representados pelas sanguessugas.

Esse grupo de anelídeos é caracterizado pela ausência de cerdas ao longo do corpo. Além disso, comumente possuem uma ventosa em volta da boca e outra na região posterior ventral do corpo.

Em geral, os aquetas são animais encontrados em ambientes aquáticos dulcícolas, mas também podem ser encontrados em ambientes terrestres.

São famosos pelo hábito de grudarem na pele de animais para sugarem o sangue. No entanto, como você viu acima, há espécies de sanguessugas que podem atuar como predadoras.

Duvida? Veja o vídeo a seguir (na minha opinião um dos melhores vídeos de animais dessa internet), onde uma sanguessuga devora uma minhoca:

Outra característica interessante desse grupo é o fato de que muitas espécies de sanguessugas ectoparasitas produzem uma saliva anestésica chamada de hirudina. Essa substância, além de anestésica, é também anticoagulante. Essa característica auxilia na alimentação desses animais e é utilizada em tratamentos médicos para a melhoria da circulação de certos pacientes.

Curioso, não é mesmo? Saiba mais sobre isso na reportagem a seguir:

Classe Oligochaeta

No grupo dos oligoquetas encontramos grandes anelídeos, chamados de minhocuçus, que podem chegar a três metros de comprimento. Contudo, a maior parte dos oligoquetas são animais pequenos, de poucos centímetros de comprimento: as minhocas.

Para conhecer mais sobre os minhocuçus, veja este vídeo do canal Diário Animal:

Esses animais, em geral, são encontrados em ambientes terrestres úmidos. São caracterizados pela presença de poucas cerdas ao longo do corpo. Essas cerdas, inclusive, praticamente não são visíveis a olhos nus.

Sendo assim, ao os observamos, geralmente vemos uma superfície corpórea brilhosa e lisa devido à presença de um muco que mantém os seus corpos úmidos. Além disso, esse muco ajuda a estruturar os túneis que eles formam ao escavarem o solo úmido.

Esses animais, em sua maioria, são detritívoros e contribuem para a ciclagem de nutrientes nos solos.

Videoaula

E aí? Conseguiu aprender mais sobre os anelídeos? Beleza! Então, para finalizar seus estudos, veja esta aula do canal Biologia Prof Guilherme.

Exercícios

1- (UECE/2020)    

Os representantes do filo Annelida são organismos

a) protostômios e segmentados.

b) protostômios e assegmentados.

c) deuterostômios e segmentados.

d) deuterostômios e assegmentados.

2- (UFT/2019)    

Um estudante coletou uma amostra de solo da horta do seu quintal. Ao analisar o material em microscópio ótico, ele observou vários animais alongados, sem pernas, com tamanho variando entre 0,3 e 1 mm. Eles possuíam sistema digestivo completo, eram cilíndricos e afilados nas extremidades, exibiam simetria bilateral e não apresentavam segmentação corporal. Em suas anotações, o estudante concluiu que se tratavam de anelídeos oligoquetas. Com base nessas informações, assinale a alternativa CORRETA:

a) a conclusão do estudante é inválida, pois anelídeos oligoquetas não apresentam simetria bilateral.

b) a conclusão do estudante é inválida, pois anelídeos oligoquetas são encontrados apenas na água do mar.

c) a conclusão do estudante é inválida, pois anelídeos oligoquetas apresentam o corpo segmentado.

d) a conclusão do estudante é inválida, pois anelídeos oligoquetas têm sistema digestivo incompleto.

3- (UNICAMP SP/2019)    

Nos quadrinhos a seguir, o personagem Garfield questiona a relevância ecológica do animal representado à direita.

Tirinha do Garfield(Disponível em http://www.aprendendocomopenomato.wordpress.com/.)

Assinale a alternativa que descreve corretamente aspectos zoológicos e ecológicos referentes a esse animal.

a) As minhocas são invertebrados do filo dos anelídeos, possuem corpo celomado e segmentado, convertem detritos ingeridos em matéria orgânica e melhoram o arejamento do solo.

b) As cobras-cegas são vertebrados do filo dos anelídeos, possuem corpo pseudocelomado e reprodução sexuada, são predadoras de pragas agrícolas e melhoram o arejamento do solo.

c) As cobras-cegas são invertebrados do filo dos cordados, possuem corpo celomado e não segmentado e são capazes de controlar ervas daninhas, pois consomem suas raízes.

d) As minhocas são invertebrados do filo dos anelídeos, possuem pseudoceloma e reprodução assexuada, são predadoras de pragas agrícolas e melhoram o arejamento do solo.

4- (UFJF MG/2017)    

Estudo que contou com a participação de um pesquisador brasileiro revela que a presença das minhocas no solo aumenta a produtividade agrícola. O resultado mostra que a presença das minhocas aumentou a produtividade de grãos e a biomassa aérea de plantas, afirma George Brown, pesquisador em ecologia do solo da Embrapa Florestas (PR). “O resultado era esperado”, afirma Brown. “Há centenas de anos as minhocas são consideradas aliadas do agricultor, ajudando no crescimento das plantas. Contudo, o que não sabíamos ainda era a dimensão do efeito positivo, nem como ele funcionava”.

Fonte: texto modificado a partir de https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-
/noticia/2057172/minhocas-aumentam-produtividade-agricola. Acesso em 04/10/2016.

Leia as afirmativas a seguir:

I. As minhocas vivem em galerias escavadas no solo e a sua atividade de escavação melhora a textura e a estrutura do solo tornando-o mais poroso e aerado.

II. As minhocas se alimentam da matéria orgânica disponível no substrato, acelerando a sua decomposição e reincorporação ao solo.

III. As minhocas são predadores que se alimentam de invertebrados do solo prejudiciais para as plantas, ajudando, assim, no controle de pragas de plantações.

IV. Os excrementos das minhocas são ricos em nitrogênio, um dos nutrientes mais importantes para o crescimento das plantas.

V. As fezes das minhocas, quando incorporadas ao substrato, formam o húmus, um excelente adubo natural.

Assinale a alternativa com as afirmativas CORRETAS:

a) Somente I, II, IV, V.

b) Somente II, IV, V.

c) Somente I, II, III, IV.

d) Somente I, III, IV, V.

e) Somente I, III, IV.

GABARITO: 

  1. A
  2. C
  3. A
  4. A

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

Compartilhe: