Embriologia: Anexos embrionários

O que mantém um embrião no interior de um ovo? E dentro do útero? Como alimento e oxigênio chegam ao feto? Aprenda isso e muito mais nesta aula de Biologia para o Enem!

Todo mundo tem umbigo. Mas, você sabia que, na verdade, o umbigo é uma cicatriz? Essa cicatriz marca o local onde durante a sua gestação havia um anexo embrionário: o cordão umbilical. Ele manteve você nutrido(a) durante seu desenvolvimento embrionário. Mas, o cordão umbilical não era a única estrutura a te manter vivo(a). Outros anexos embrionários também fizeram seu papel, assim como ocorre em todos os animais vertebrados.

Aprenda mais sobre os anexos embrionários nesta aula de embriologia para mandar bem nas questões de biologia do Enem!

Anexos Embrionários

Durante o desenvolvimento embrionário dos vertebrados, existem estruturas que ajudam a sustentar a vida do novo organismo que está sendo gerado. Essas estruturas, chamadas de anexos embrionários, são derivadas dos folhetos embrionários do próprio embrião.

Os anexos embrionários, apesar de se originarem do embrião, não fazem parte do seu corpo, mas são essenciais ao seu desenvolvimento. Vamos estudá-los com mais detalhes:

Saco vitelínico

Também chamado de vesícula vitelínica, o saco vitelínico é uma estrutura membranosa que se origina do folheto embrionário mais externo do embrião, a ectoderme. Esse anexo embrionário armazena substâncias nutritivas essenciais para o desenvolvimento do embrião.

Encontramos sacos vitelínicos bem desenvolvidos em peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos ovíparos. Porém, nos mamíferos placentários (aqueles que desenvolvem a placenta, que veremos mais a seguir) essa estrutura é pouco desenvolvida.

Isso porque, depois que se fixa ao útero e os demais anexos embrionários se desenvolvem, o embrião passa a receber alimento através da placenta e do cordão umbilical. Dessa maneira, o saco vitelínico nestes animais funciona como fonte nutricional somente no início do seu desenvolvimento, quando ainda não se fixou no útero.

Após a sua fixação, o saco vitelínico passa a ter outra função, passando a produzir as hemácias, que são as primeiras células sanguíneas do embrião.

saco vitelinico anexos embrionários
Figura 1: Embrião de galinha com 5 dias sobre seu grande saco vitelínico. Nessa imagem podemos ver o enorme saco vitelínico amarelado embaixo do embrião. Vemos também uma série de vasos sanguíneos que levam os nutrientes até o embrião. Lembre-se que as aves possuem ovos megalécitos, ou seja, que possuem uma enorme quantidade de vitelo.

 

embrião saco amniótico
Figura 2: Embrião humano de 9 semanas com placenta, saco amniótico e saco vitelino (indicado pela seta). Como a placenta e o cordão umbilical já estão perfeitamente desenvolvidos, o embrião não precisa mais do saco vitelínico como fonte nutricional. Sendo assim, ele tem a função de produzir as células sanguíneas do embrião. Note a enorme diferença de tamanho entre os sacos vitelínicos das aves e dos mamíferos.

 

Âmnio

Você já deve ter visto nas novelas todo aquele ~drama~ que envolve o parto. Para ficar mais “emocionante”, sempre rola aquela frase: “a bolsa rompeu”. Depois disso, segue-se todo aquele corre-corre. Apesar de os partos humanos em sua maioria não transcorrerem dessa maneira, esse exemplo provavelmente te ajudou a entender o que é o âmnio. Ele é justamente a bolsa que se rompe (ou não) nos partos.

Popularmente chamado de “bolsa”, o âmnio ou bolsa amniótica é um anexo embrionário que envolve os embriões de répteis, aves e mamíferos. Esta estrutura é composta por uma membrana que se forma, assim como o saco vitelínico, da ectoderme.

O âmnio é preenchido pelo líquido amniótico, que protege o embrião contra desidratação e choques mecânicos. Ele também permite os movimentos do feto em seu interior. Nos mamíferos placentários, o líquido amniótico é constantemente renovado pelo organismo materno, que o absorve e secreta novamente.

O saco amniótico foi uma adaptação importante na conquista definitiva do ambiente terrestre pelos vertebrados. Os répteis foram os primeiros animais a conquistarem definitivamente esse ambiente sem depender da água em seus ciclos reprodutivos.

E, isso se deu especialmente por terem ovos capazes de manterem seus embriões protegidos contra o ressecamento. Enquanto anfíbios e peixes tinham embriões sem sacos amnióticos e precisavam que seus ovos se desenvolvessem na água; répteis, mamíferos e aves podem ter seus filhotes sem dependerem do ambiente aquático.

anexos embrionarios feto
Figura 3: Dentro do saco amniótico, envolvendo o feto, encontramos o líquido amniótico, que o protege contra choques mecânicos e ressecamento. Na imagem podemos observar um bebê ainda envolto em seu saco amniótico após o parto. Bebês nascerem envoltos com seu saco amniótico ainda intacto é algo muito raro. Chamamos esse tipo de nascimento de parto empelicado.

 

Cório

O cório é caracterizado por uma película muito fina que envolve e protege o embrião e seus anexos embrionários. É um anexo embrionário que, assim como o saco amniótico, ocorre em répteis, aves e mamíferos.

Nas aves, répteis e mamíferos ovíparos, o cório também tem a função de superfície respiratória. Através dele, o ovo troca gases com o ambiente. A superfície porosa da casca dos ovos permite a passagem dos gases e o cório faz a seleção do que atingirá a parte mais interna do ovo.

Alantoide

O alantoide ocorre em répteis, aves e mamíferos. É um anexo embrionário que surge a partir de uma evaginação (dobra para fora) do fim do intestino do embrião.

Nos vertebrados ovíparos, o alantoide é responsável por armazenar as excretas produzidas pelo embrião durante seu período de desenvolvimento. Além disso, o alantoide também realiza a transferência de cálcio da casca do ovo para o esqueleto do animal que pouco a pouco está se desenvolvendo. O alantoide pode ainda auxiliar nas trocas gasosas que ocorrem entre o embrião e o ambiente.

Nos mamíferos placentários, o alantoide se funde com o cório. Isso forma uma estrutura chamada de alantocório que formará a parte fetal da placenta.

Placenta

Encontrada exclusivamente em mamíferos placentários, a placenta é a estrutura responsável por realizar as trocas de várias substâncias entre embrião e mãe. Através da placenta, o embrião recebe da mãe oxigênio, nutrientes, hormônios e anticorpos. Já a mãe receberá do embrião o gás carbônico e as excretas do embrião, que deverão ser eliminadas por seu organismo.

Para que essas trocas entre o embrião e a mãe ocorram, dentro da placenta, vasos sanguíneos da mãe e do feto correm paralelamente. Sendo assim, através de difusão e osmose, os sangues dos dois organismos trocam substâncias. Dessa maneira, é importante você lembrar que não há contato direto do sangue da mãe com o sangue do bebê durante a gestação.

Além de realizar essas trocas fisiológicas, a placenta também atua como uma barreira, que chamamos de barreira placentária. Essa barreira, na verdade, funciona mais como um filtro que impede a entrada da maioria dos microrganismos patogênicos para dentro do ambiente uterino.

placenta anexos embrionarios
Figura 4: Bebê ainda ligado à placenta após o parto.

 

Cordão umbilical

O cordão umbilical é o anexo embrionário que liga o embrião (e posteriormente o feto) à placenta. Como ele está relacionado à placenta, também estará presente apenas nos mamíferos placentários.

Dentro desse anexo embrionário há três vasos sanguíneos: duas artérias e uma veia. O sangue do embrião/feto vai até a placenta através das duas artérias e volta através da veia.

cordão umbilical
Figura 5: Cordão umbilical da minha filha sendo cortado por mim após o parto.

 

Para finalizar sua revisão sobre os anexos embrionários, veja esta videoaula do nosso canal:

Agora que você já sabe tudo sobre os anexos embrionários, que tal testar seus conhecimentos em embriologia?

Questão 01 – (FCM MG/2019)    

“Estudos envolvendo a utilização do sangue de cordão umbilical foram intensificados na última década, devido ao grande potencial que estas possuem nas pesquisas de transplantes e ontogenia celular. A investigação dos métodos para purificação e caracterização dessas células em diferentes animais pode aumentar a utilização destes como modelos experimentais para uma variedade de propostas científicas e terapêuticas.”

(http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10132/tde-29042004-180938/pt-br.php. Acesso 21 de agosto de 2018)

Os animais que poderiam ser utilizados nesses modelos experimentais são

a) jacu e sucuri.

b) gato e gambá.

c) elefante e onça.

d) ornitorrinco e rato.

Questão 02 – (UFRGS/2019)    

Observe a tira abaixo.

exercício de anexos embrionários

Fonte: Zero Hora, 07 e 08 de março de 2018.

Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes aos amniotas.

(   )   Seus embriões desenvolvem-se em ambiente aquoso.

(   )   Seu ovo permite a passagem de O2 e CO2.

(   )   Seu líquido amniótico tem como função estocar resíduos metabólicos.

(   )   Seu ovo é permeável à água, ocasionando a perda da gema nos mamíferos.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

a) F – V – V – V.

b) V – F – V – F.

c) V – F – F – V.

d) F – F – V – F.

e) V – V – F – F.

Questão 03 – (UNESP SP/2018)    

Ao longo da evolução dos vertebrados, alguns grupos passaram a explorar o ambiente terrestre, o que demandou adaptações que permitissem o desenvolvimento do embrião nesse novo ambiente. A mais emblemática dessas adaptações talvez seja o âmnio, razão pela qual os répteis (incluindo as aves) e os mamíferos são chamados de amniotas.

A importância do âmnio está em

a) armazenar o vitelo, que será consumido pelo embrião durante seu desenvolvimento.

b) armazenar os resíduos metabólicos tóxicos que seriam lançados diretamente na água.

c) permitir que ocorram trocas gasosas que garantam a respiração do embrião.

d) permitir que o embrião se desenvolva protegido de choques mecânicos e dessecação.

e) desenvolver uma rede de vasos que transportem nutrientes para o embrião.

GABARITO: 

1) Gab: C

2) Gab: E

3) Gab: D

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.