Anfíbios: Classificação e características gerais dos animais

Anfíbios são os primeiros vertebrados a ocuparem o ambiente terrestre. Porém, a maior parte das espécies ainda depende do ambiente aquático.

Os anfíbios compõem uma classe de animais do Filo dos Artrópodes. Entretanto seus representantes mais conhecidos são os sapos, rãs e pererecas. Todavia, há outros grupos de anfíbios menos conhecidos (mas, bastante interessantes), como as salamandras e as cecílias.

Em suma esses animais são considerados os primeiros vertebrados a colonizar o ambiente terrestre. Apesar disso, algumas características do seu ciclo vital, obriga boa parte das espécies desse grupo a dependerem fortemente do ambiente aquático. Um exemplo disso é quando estão em fase larval aquática com pele muito fina e permeável.

Assim como citado acima, essa característica de pele fina, inclusive, é o que dá nome ao grupo. Pois a palavra anfíbio vem do grego e significa vida (bio) dupla (amphi), já que cada parte de seu ciclo de vida é desenvolvida em ambientes completamente diferentes.

Fotografia da parte de baixo de uma fina folha, onde vemos a sombra de uma perereca. Fonte da imagem: Getty Images.Fotografia da parte de baixo de uma fina folha, onde vemos a sombra de uma perereca. Fonte da imagem: Getty Images.

Hábitos e habitats dos anfíbios

Como parte do ciclo de vida da maioria das espécies de anfíbios se dá na água, então grande parte da diversidade desses animais está relacionada a ecossistemas úmidos. Especialmente nos ecossistemas das regiões tropicais, onde há uma grande quantidade de fontes de água doce.

Portanto, os anfíbios irão ocupar diferentes nichos ecológicos ao longo do seu ciclo vital, nesses ambientes. Por exemplo, os girinos são em geral animais herbívoros, pois se alimentam de algas e plantas que se desenvolvem na água.

Já os adultos, podem permanecer na água ou próximo dela, atuando como predadores e alimentando-se de invertebrados e até mesmo de pequenos vertebrados. Além disso, há espécies que podem ser arborícolas ou habitarem a serapilheira, ou seja, esses animais usam a água acumulada em bromélias para a postura de ovos e desenvolvimento. Também existem espécies de anfíbios que costumam se enterrar em solo úmido.

Fotografia de uma cecília. As cecílias são anfíbios da ordem dos ápodes e vivem enterrados em solo úmido. Fonte: Revista Galileu Fotografia de uma cecília. As cecílias são anfíbios da ordem dos ápodes e vivem enterrados em solo úmido. Fonte: Revista Galileu

Características gerais dos anfíbios

Existem quase 6.000 espécies de anfíbios ao redor do planeta. Porém, cerca de 600 vivem no Brasil. Apesar de serem animais bastante variados, com formatos e cores muito diversos, em geral têm tamanho pequeno, não ultrapassando poucos centímetros.

Por isso são, comumente, animais tetrápodes. Ou seja, quando adultos possuem quatro patas, com exceção do grupo das cecílias. Essas patas podem ter adaptações ao deslocamento aos saltos, como é caso dos sapos, ou ainda podem ser adaptadas ao caminhar e à natação, como é o caso das salamandras.

Em relação à sua temperatura corpórea, os anfíbios, assim como os peixes e répteis, são considerados animais heterotérmicos (ou pecilotérmicos). Ou seja, isso quer dizer que não possuem mecanismos para regular a sua temperatura corpórea, tendo geralmente a temperatura do ambiente.

Desenvolvimento embrionário dos anfíbios

Como todos os demais animais cordados, os anfíbios são classificados como triblásticos e celomados. Isso quer dizer que possuem três folhetos embrionários na fase de gástrula (ectoderme, mesoderme e endoderme). Esses folhetos irão dar origem às diferentes estruturas do corpo do animal.  Então entre essas estruturas está o celoma, cavidade que abriga os órgãos internos.

Além disso, dizemos que eles são animais deuterostômios, pois durante o desenvolvimento de seus sistema digestório, o ânus se forma antes da boca.

Outra característica importante que você deve lembrar sobre o desenvolvimento embrionário dos anfíbios é que eles possuem notocorda durante essa fase. Ou seja, essa estrutura dá sustentação ao embrião e normalmente será posteriormente substituída pela coluna vertebral.

Simetria

Os anfíbios, tanto em sua fase larval quanto na fase adulta são animais com simetria bilateral. Ou seja, podem ser divididos longitudinalmente formando duas partes iguais.

Anatomia dos anfíbios

Para fazermos a análise da morfologia dos animais da classe dos anfíbios, é necessário que façamos uma distinção entre os adultos e as larvas. Isso porque essas duas fases apresentam características bastante distintas.

– Sistema digestório dos anfíbios

O sistema digestório dos anfíbios é completo, iniciando em boca e finalizando em cloaca. Sendo assim, esse orifício é utilizado não somente para eliminar fezes, mas também para liberar urina e tem relação com o sistema genital. Além da boca e da cloaca, fazem parte do tubo digestório desses animais o esôfago, o estômago e o intestino.

Geralmente os anfíbios não possuem dentes, apesar de algumas espécies poderem apresentar pequenos dentes que aparecem inclusive no céu da boca. Entretanto, geralmente engolem suas presas inteiras.

Por isso, as espécies do grupo dos anuros possuem uma longa língua envolta em muco (produzidas por inúmeras glândulas na boca do animal). Essa língua é elástica e é lançada em direção às presas para capturá-las. Nos girinos encontramos a mesma constituição (exceto a longa língua). Porém, é mais comum encontrarmos pequenos dentes.

– Revestimento

A pele dos anfíbios é muito e fina e pobre em queratina. Além disso, encontramos uma grande quantidade de vasos sanguíneos bastante superficiais e inúmeras glândulas mucosas.

Essas glândulas produzem um muco que ajuda a manter a pele desses animais sempre úmida. Todas essas características são importantes porque, quando adultos, os anfíbios trocam gases com o ambiente pela pele e pela mucosa bucal, complementando a respiração pulmonar.

Todavia, essa pele fina e permeável apresenta-se frágil no ambiente terrestre, sendo a umidade do ambiente essencial para a manutenção da sua saúde. Além disso, por conta dessa característica, os anfíbios são altamente suscetíveis à poluição atmosférica.

Figura 3: Fotografia de uma rão-de-vidro (Hyalinobatrachium pellucidum). Essa espécie é famosa pela delicadeza da sua pele que permite a visualização dos órgãos internos. Fonte: Net Nature

– Esqueleto dos anfíbios:

Nos girinos, o esqueleto é constituído de cartilagem, semelhantemente ao que ocorre com nos peixes condrictes (tubarões e raias).

Já nos adultos, o esqueleto é ósseo, apesar de ser bastante delicado.

– Respiração:

Por viverem em ambiente aquático, os girinos apresentam brânquias para a realização das trocas gasosas.

Os anfíbios adultos, por sua vez, apresentam uma respiração pulmonar. Porém, os pulmões deles são bastante rudimentares. Sendo assim, como vimos acima, as trocas gasosas são também realizadas através da pele e da mucosa bucal.

– Sistema cardiovascular dos anfíbios

Os anfíbios apresentam uma circulação fechada. Isso quer dizer que o sangue circula apenas dentro dos vasos sanguíneos. Além disso, são os primeiros animais a terem uma circulação dupla. Sendo assim, o sangue irá seguir dois diferentes caminhos no corpo do animal: do coração para os tecidos e de volta ao coração; e do coração aos órgãos respiratórios e de novo ao coração.

Essa capacidade se deve especialmente ao fato de que o coração dos anfíbios é tricavitário, com dois átrios e um ventrículo. Sendo assim, boa parte do sangue venoso (rico em gás carbônico) que chega ao coração pode ser enviado aos órgãos respiratórios. E o sangue arterial (ricos em oxigênio) que vem dos órgãos respiratórios, pode ser enviado aos tecidos.

Entretanto, é importante salientar que o sangue arterial e o venoso se misturam parcialmente no ventrículo, já que este é único e recebe o sangue vindo dos dois átrios. Por isso, podemos também dizer que a circulação dos anfíbios é incompleta.

Figura 4: Desenho esquemático demonstrando a circulação nos anfíbios. Fonte: Cola da Web

Excreção

O sistema urinário dos anfíbios é composto por dois rins, dois ureteres e uma bexiga que, por sua vez, se liga ao fim do intestino para desembocar na cloaca.

Nos adultos, a excreção é feita através de ureia diluída em água. Porém os girinos excretam amônia.

Sistema nervoso dos anfíbios

Os anfíbios, assim como os demais vertebrados, possuem um sistema nervoso complexo, composto por órgãos encefálicos (no interior do crânio) e um cordão nervoso dorsal (medula espinal) protegido no interior das vértebras.

A esse sistema nervoso estão ligados órgãos sensoriais bastante desenvolvidos. Os anfíbios possuem uma boa visão proporcionada por um par de olhos bastante complexos com pálpebras (com exceção das cecílias, que vivem embaixo da terra e que possuem olhos muito pequenos ou ser cegas). Têm também um bom olfato percebido pelo epitélio olfativo presente nas narinas e audição (apesar de não possuírem orelha externa).

Reprodução dos anfíbios

Os anfíbios possuem hábitos reprodutivos bastante diversos, intimamente adaptados aos ambientes onde são encontrados.

Mas, em geral, podemos dizer que realizam reprodução sexuada e têm comportamento de cópula. Porém, como os machos não possuem pênis, geralmente a fecundação é externa. Ainda assim, existem espécies de cecílias em que conseguem everter parte da cloaca para introduzir espermatozoides nas fêmeas.

O ciclo reprodutivo mais conhecido dessa classe de animais é o dos anuros (sapos, rãs e pererecas). Nesse ciclo, há um comportamento de cópula onde os machos emitem sons para atrair as fêmeas. Em seguida, o macho sobe na fêmea e a massageia, induzindo-a a liberar seus óvulos na água.

Após isso, o macho libera seus espermatozoides sobre os óvulos, formando ovos. Sendo assim, dizemos que são animais ovulíparos.

Esses ovos apresentam um revestimento bastante delgado e, portanto, são extremamente frágeis em relação ao ressecamento. Sendo necessário que sejam mantidos em ambiente aquático.

Depois de um curto tempo de desenvolvimento, os ovos liberam os estágios larvais dos anfíbios, os girinos. Esses girinos permanecerão no ambiente aquático por um tempo variável (dependendo da espécie), de modo que possam completar sua metamorfose, perdendo a cauda e desenvolvendo membros para poderem se locomover no ambiente terrestre. Sendo assim, podemos dizer que realizam desenvolvimento indireto.

Figura 5: Desenho esquemático demonstrando as fases de desenvolvimento dos anfíbios anuros.

Para ilustrar esse processo de metamorfose, veja o vídeo a seguir, onde você pode acompanhar as fases do ciclo de vida de um sapo:

É importante destacar aqui novamente que nem todos os anfíbios se reproduzem dessa maneira. As salamandras, por exemplo, podem fazer fecundação interna. Para isso, o macho coloca no ambiente uma pequena bolsa cheia de espermatozoides e induz a fêmea ficar sore ele, de modo que os espermatozoides entrem pela sua cloaca.

Já as cecílias podem fazer fecundação interna e, nesses casos, frequentemente serão ovovivíparas. Até mesmo alguns a anuros podem destoar do ciclo vital mais conhecido dos anfíbios, como é o caso do sapo-pipa. Nessa espécie, o desenvolvimento embrionário dos filhotes se dá em ovos encrustados na pele da mãe. Veja no curioso vídeo a seguir:

Classificação dos anfíbios

– Ordem Anura

O anuros (do grego: an = sem e nura = cauda) são representados pelos sapos, rãs e pererecas. Caracterizados pelo corpo curto e sem cauda quando adultos, os anuros possuem patas traseiras longas e musculosas, adaptadas à locomoção aos saltos.

Os sapos, em geral, têm a pele mais fosca e verrugosa. Em geral, apresentam um par de glândulas de veneno (glândulas partoides) atrás dos olhos. Essas estruturas não são capazes de inocular (injetar) toxinas, porém ao ser pressionada ou esmagada libera o veneno, o que é muito útil quando esses animais são abocanhados.

Figura 6: Fotografia de um sapo. Observe a pele mais rugosa e a presença das duas grandes glândulas paratoides (formato oval) situadas atrás dos olhos. Fonte: Getty Images.

Já as pererecas são caracterizadas pela presença de ventosas na ponta dos dedos, permitindo que escalem folhas e outras superfícies. Esses animais podem apresentar glândulas de veneno por todo o dorso.

Figura 7: Perereca da espécie Dendrobates azureus encontrada na região amazônica. As pererecas dessa família frequentemente têm colorações chamativas (coloração críptica) que servem de alerta aos predadores, já eu muitas produzem potentes toxinas. Fonte da imagem: Getty Images.

As rãs, por sua vez, estão intimamente ligadas ao ambiente aquático, o que faz com que boa parte das espécies tenham membranas interdigitais bem desenvolvidas utilizadas para a natação.

Esses animais, inclusive, são utilizados na alimentação humana. Veja no vídeo a seguir como funciona um ranário:

– Ordem Urodela

Os urodelos são anfíbios de corpo alongado que mantêm uma cauda comprida ao longo de toda a sua vida. Suas patas são curtas, adaptadas ao caminhar ou à natação, deslocamento que realizam também com movimentos serpenteantes do corpo.

São representados pelas salamandras e tritões. Animais que, em geral, têm poucos centímetros de comprimento. Porém, na Ásia, há uma espécie de salamandra gigante que pode chegar a mais de um metro e meio de comprimento.

No Brasil, temos apenas cinco representantes dessa ordem. Todas são salamandras do gênero Bolitogrossa e vivem na floresta amazônica.

Figura: fotografia de uma salamandra da espécie Bolitogrossa tapajônica, uma das poucas espécies de salamandra encontradas no Brasil.

– Ordem Gymnophiona (Ápodes)

Os ápodes são anfíbios de aparência curiosa que podem fazer com que sejam confundidos com grandes minhocas ou cobras. Tanto é que esses animais, representados pelas cecílias, são chamados em algumas regiões de cobras-cegas.

Esses animais são os únicos anfíbios a não apresentarem patas. Vivem em túneis escavados em solos úmidos e costumam se alimentar de minhocas e detritos. Sua pele têm segmentações que lembram os anéis das minhocas.

Outra característica interessante desse grupo é o fato de que muitas espécies desse grupo apresentam cuidado parental, cuidando dos filhotes nos primeiros estágios de desenvolvimento.

Video-aula

Agora que você já sabe tudo sobre os anfíbios, que tal ver uma videoaula para resumir o conteúdo? Então, veja essa aula do canal Biologia Prof Guilherme:

Exercícios

1 – (UEM PR/2020)    

Sobre os vertebrados, assinale o que for correto.

01)         Animais eutérios, com placenta bem desenvolvida e duradoura, são classificados como mamíferos.

02)         Entre os animais tetrápodos estão os anfíbios, os répteis, as aves e os mamíferos.

04)         O ornitorrinco, encontrado na Austrália e na Nova Guiné, pertence ao clado Prototheria, é ovíparo e amamenta os filhotes.

08)         Os répteis adaptaram-se ao ambiente terrestre por apresentarem endotermia, fecundação interna e ovos pequenos sem vitelo.

16)         Os anfíbios são tetrápodos que, na fase adulta, possuem respiração cutânea, glândulas na pele e excretam ureia.

2 – (UNIOESTE PR/2019)    

Os anfíbios estão entre os vertebrados mais ameaçados de extinção. Mudanças climáticas, poluição e o desmatamento estão entre as principais causas que têm levado ao declínio da população destes animais. Com relação à biologia dos anfíbios, pode-se dizer que

a) são animais predadores, que se alimentam de diversos tipos de presas. Muitas espécies se alimentam de insetos e podem ajudar no controle biológico de mosquitos causadores de diversas doenças humanas.

b) vivem em ambientes úmidos porque, além de necessitarem da água para a reprodução, a respiração ocorre exclusivamente através da superfície da pele (respiração cutânea) que não possui adaptações que impeçam a dessecação.

c) a circulação é do tipo fechada e o sistema circulatório é constituído por dois átrios e dois ventrículos parcialmente divididos, o que permite a mistura do sangue arterial e venoso.

d) além da presença de quatro membros utilizados para locomoção, estes animais são caracterizados pela ausência de cauda e têm como representantes típicos sapos, rãs e salamandras.

e) a excreção é realizada através de rins metanefros, assim como ocorre em répteis, aves e mamíferos sendo a amônia o principal produto de excreção. Além disso, são animais homeotérmicos que conseguem regular a temperatura corporal.

3 – (UniRV GO/2019)    

Anfíbios são animais ectotérmicos e apresentam de maneira geral uma estreita dependência reprodutiva com o meio aquático. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.

a) Esses animais são conhecidos popularmente como sapo, rã e perereca.

b) Dentre suas importâncias ecológicas, cita-se o controle biológico de várias espécies de insetos.

c) Apresentam sistema circulatório aberto, com dois átrios e dois ventrículos.

d) Possuem ovos desprovidos de casca, por isso sua estreita dependência com o meio aquático.

4 – (UNICAMP SP/2018)    

Os anfíbios constituem um dos grupos de animais com maior número de espécies ameaçadas de extinção. Entre outras razões, isso ocorre porque eles são suscetíveis à contaminação por substâncias nocivas e à infecção por fungos. Os anfíbios apresentam tal suscetibilidade porque têm

a) hábitos aquáticos, que os tornam suscetíveis a predadores.

b) pulmões bem desenvolvidos, que acumulam impurezas e fungos.

c) sangue frio, que diminui a atividade de enzimas hepáticas.

d) pele úmida e permeável, que possibilita a respiração cutânea.

GABARITO

1) Gab: 23

2) Gab: A

3) Gab: VVFV

4) Gab: D

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