Conheça a arte bizantina: mosaicos, arquitetura e pintura

A arte bizantina possui forte ligação com o cristianismo, e no governo do imperador Constantino, no século IV d. C. Suas maiores expressões são os mosaicos e a arquitetura.

Após a divisão do Império Romano, eis que nasce uma nova civilização, que viria a existir por 11 séculos: a dos bizantinos. Vem com a gente entender melhor sobre como isso aconteceu e, especialmente, quais eram as formas de manifestação artística desse povo tão dedicado à religião. Estude sobre a arte bizantina para o Enem!

O Império Bizantino

O Império Bizantino atravessou um longo período de existência. Entre os anos de 330 a 1453 a. C., a civilização, também conhecida como Império Romano do Oriente, tinha como sede a capital Constantinopla, onde atualmente encontra-se Istambul, capital da Turquia. Situado no Oriente, entre Europa e Ásia, o Império Bizantino presenciou inúmeros conflitos entre o cristianismo e o islamismo, tendo seu fim marcado pelos muçulmanos.

Entretanto, o desenvolvimento e expansão dos bizantinos ocorreu após a queda de Roma, no ano de 478 d. C. Após invasões bárbaras sequenciais e destruidoras, a parte ocidental foi severamente prejudicada.

Foi assim que, no ano 330 d. C., o imperador Constantino foi levado a transferir a capital do Império para Bizâncio, cidade que mais tarde viria a ser batizada como Constantinopla. Dessa forma, diante do lado ocidental totalmente enfraquecido, seria a porção oriental de Constantino que levaria a civilização adiante. No contexto de um império que se reerguia em uma localização privilegiada, a civilização bizantina alçou novos rumos.

Arte Bizantina

A arte Bizantina é fortemente influenciada pela religião. O Imperador Constantino foi quem estabeleceu o cristianismo como religião oficial do Estado. Era, inclusive, função do clero organizar e gerenciar as produções artísticas. Assim, os artistas eram meros executores.

Contudo, no início houve muita resistência ao cristianismo e diversas perseguições. Sendo assim, não havia locais públicos de culto. Por isso, as igrejas eram pequenas e muito discretas. Entretanto, com o tempo, a Igreja foi conquistando seu espaço e cada vez mais fiéis, o que ressignificou sua relação com a arte.

As igrejas bizantinas

Foi nesse período que a Igreja passou a reservar espaços generosos para que toda a congregação pudesse assistir à missa. Assim, as igrejas passaram a adotar imensos salões de reunião, conhecidos ainda hoje como “basílicas” e que, em tradução aproximada, significa “salão real”.

Catedral de Santa Sofia - Arte bizantina

Catedral de Santa Sofia, localizada em Istambul. A igreja é um dos maiores símbolos da arte bizantina. Foto: Jeremy Horner, Getty Images.

Quanto à decoração destes espaços, acreditava-se que não poderia haver estátuas, pois eram próximas demais a imagens esculpidas e ídolos pagãos, condenados pela Bíblia. Assim, colocar a figura de Deus ou de algum santo sobre o altar estava longe de ser colocado em questão.

Mosaicos bizantinos

Entretanto, confrontando a maioria, o Papa latino Gregório Magno, que viveu no final do século VI d. C., era a favor das pinturas. Defendia que elas poderiam ser úteis para fins didáticos, já que grande parte das pessoas não sabia ler. Defendia que as pinturas poderiam fazer pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que leem.

Este ato deu um novo curso à arte do Império Bizantino. As pinturas, porém, contavam histórias bíblicas de forma muito simplificada e clara.

O milagre dos pães e dos peixes, 520 d. C. - arte bizantinaO milagre dos pães e dos peixes, 520 d. C. Fonte: https://bit.ly/3nKrKsx.

A obra acima, produzida em uma basílica em Ravena, ilustra a passagem do evangelho em que Jesus Cristo alimenta cinco mil pessoas com apenas cinco pães e dois peixes. A técnica utilizada é a do mosaico, montado a partir de pequenos pedaços de pedra ou vidro que, lado a lado, constroem a figura nitidamente.

A igreja, coberta com esses painéis, recebe um aspecto solene e esplendoroso. A atmosfera da imagem e a forma como a história é contada sugere ao espectador que há algo de milagroso e sagrado.

Os iconoclastas

Apesar de o Papa Gregório Magno ter muitos apoiadores, havia também aqueles que eram contra as imagens, mesmo que em pinturas e mosaicos. Eram os chamados iconoclastas (ou destruidores de imagens). Em 754 d. C., conseguiram que todas as artes religiosas fossem retiradas da Igreja do lado Oriental do Império.

Períodos da arte bizantina

O período em que os mosaicos floresceram até a imposição dos iconoclastas foi chamado de Era de Ouro. Após a iconoclastia, iniciou-se o período Médio, que durou de 843 a 1261. Ele foi seguido, por fim, por uma época de grande importância e representatividade artística, chamada de arte bizantina tardia.

Esse período perdurou até a queda de Constantinopla, no ano de 1453, e foi marcado pela representação mais voltada para o abstrato e decorativo, com o uso de cores vibrantes. Outra característica importante é o uso de simbolismos, que tinham o intuito de criar uma atmosfera mística, que fosse mais capaz de levar as pessoas à crença e aceitação dos dogmas ortodoxos.

Na arquitetura, os mosaicos continuavam presentes e com cada vez mais relevância.  Os artistas em geral eram anônimos e criavam, além dos mosaicos, afrescos, pinturas, ícones e esculturas com motivos religiosos, a fim de decorar as igrejas e os monastérios ilustrando a vida e os ensinamentos de Cristo.

Os artistas bizantinos apreciavam muito o uso da cor, a qual usavam deliberadamente. Um dos critérios para a escolha da cor é sua capacidade de refletir a luz. Nas igrejas bizantinas, a luz natural que vinha do lado externo pelas partes mais altas era direcionada para os mosaicos que, feitos de vidro e cacos de cerâmica coloridos e dourados, tornavam-se muito refletivos. Os mosaicos eram feitos nas paredes e no chão. Assim, difundiam a luz por todo o ambiente facilmente.

Interior da Basílica de Santa Sofia - Arte BizantinaFotografia do interior da Basílica de Santa Sofia.

Características da arte bizantina

Apesar da temática especialmente voltada ao cristianismo, a arte bizantina defendia um senso de ordem bastante rígido, pautado na matemática, teoria dos números e geometria abstrata. Assim, inúmeros artistas tinham conhecimentos práticos acerca da geometria simples e proporções.

Possuíam também um senso de hierarquia com relação às figuras representadas: a imagem de Cristo, sempre olhando diretamente para o espectador, era o foco principal da obra. Os outros personagens eram colocados abaixo ou ao lado dele, de acordo com sua importância. Dessa forma, fica ilustrada e didática a ideia principal da doutrina cristã: a de que existe um só Deus.

No período final da era e da arte bizantina, diversos pintores, tais como Giovanni Cimabue, se afastaram das regras rígidas estabelecidas pela igreja, buscando um estilo mais naturalista (ou seja, próximo da realidade). Um exemplo importante dessa transição foi o italiano Giotto.

Sendo assim, depois da queda de Constantinopla, a Rússia passou a ser herdeira da civilização bizantina. Portanto, a sociedade como um todo, incluindo a produção artística, sofreu influências e passou por grandes mudanças. Na arte, os personagens tornaram-se mais alongados e longilíneos, e o conteúdo das obras continha uma nova emotividade intensa.

Videoaula sobre a arte bizantina

Para compreender um pouco mais sobre a arte bizantina e sobre os mosaicos, assista o vídeo do canal reVisão!

Exercícios

1- (Concurso – Prefeitura de Campinas, 2012)

Sobre a Arte Bizantina, analise as assertivas abaixo.

I. O momento de esplendor da capital do Império Bizantino coincidiu historicamente com a oficialização do cristianismo. A partir daí, a arte cristã primitiva, que era popular e simples, foi substituída por uma arte cristã de caráter majestoso, que exprime poder e riqueza.

II. A arte bizantina tinha um objetivo: expressar a autoridade absoluta e sagrada do imperador, considerado o representante de Deus, com poderes temporais e espirituais.

III. Foi estabelecida uma série de convenções, tal qual como ocorrera na arte egípcia, como a frontalidade, por exemplo.

É correto o que se afirma em

a) I e II, apenas.

b) II e III, apenas.

c) I e III, apenas.

d) I, II e III.

2- Dentre as técnicas principais utilizadas pelos artistas, está:

a) a cerâmica;

b) o hieróglifo;

c) o afresco;

d) o desenho;

e) a gravura.

3- A temática mais explorada pelos bizantinos foi:

a) O cristianismo;

b) O ceticismo;

c) A vida dos governantes;

d) O cotidiano das pessoas;

e) O registro da história.

Gabarito:

  1. D
  2. C
  3. A

Sobre o(a) autor(a):

Renata Gambagorte é formada em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná com pós graduação em Cenografia pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente atua na rede de ensino em Curitiba. Facebook: https://www.facebook.com/renatagmbgrt

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