Roma Antiga (Parte 2) – Ascensão e queda de um Império

Conheça um pouco sobre o desdobrar de acontecimentos que possibilitaram o surgimento e a queda de um dos maiores Impérios da História, o Império Romano! Revise História para o Enem e os vestibulares!

Nesta aula, continuaremos estudando a história de Roma, falando da queda da República e o início do Império Romano.

Gregos e Romanos

Após as conquistas dos povos periféricos à cidade, a cultura romana se misturou com diversas outras culturas. A grega, por exemplo, teve forte influência nas artes plásticas (pintura e escultura) e na arquitetura, com adesão ao uso do mármore.

O latim incorporou palavras gregas ao vocabulário e a educação também era usualmente relegada aos gregos. Na religião, os deuses gregos passaram a ser venerados, apesar de ganharem nomes latinos. Este processo é chamado de “helenização”, pois ocorre no período helenístico da região grega.

Dica: esta é a segunda parte de uma aula sobre a Roma Antiga e o Império Romano. Se você ainda não estudou a primeira parte, não perca tempo e confira! 🙂

Declínio da República

A expansão territorial e comercial modificou a realidade em Roma. Os comerciantes, classe nobre em formação, começaram a influenciar em decisões políticas e em outros setores da sociedade. Neste processo os Patrícios perderam poder, por estarem em menor número e por serem um grupo mais restrito.

Já que os Plebeus tinham voto nas assembleias, para conquistá-los os nobres promoviam festas, distribuíam esmolas, alimentos e faziam espetáculos. Posteriormente os gladiadores e seus embates também compuseram a chamada política do “Pão e circo”, o que possibilitou que os nobres controlassem o Senado e vários cargos da Magistratura.

Dica: Veja a análise do Professor Felipe Figueiredo cruzando história e cinema, por meio do filme Gladiador

Outra classe oriunda desse momento é a dos cavaleiros. Eram pessoas ricas que agiam como comerciantes e faziam serviços públicos, como cobrança de impostos e coordenação de obras públicas.

A desigualdade neste período crescia muito. Enquanto nobres e cavaleiros enriqueciam, os Plebeus sofriam com o empobrecimento, muitos camponeses fixavam-se mais nas cidades, assim como os pequenos proprietários que perderam suas terras por conta de dívidas.

Nas cidades os serviços eram feitos por escravos e estrangeiros livres, portanto estes lavradores que agora estavam nas cidades, juntavam-se a uma massa de pessoas sem emprego. A política de guerra e expansão contribuiu para a desintegração dessas classes médias agrárias.

Este êxodo rural contribuiu para o surgimento de diversos problemas como: saneamento básico, falta de moradia, escassez de alimento, desemprego e acúmulo de lixo urbano. Estas questões ocasionaram problemas e conflitos sociais entre ricos e pobres, que começaram a abalar a república.

A Plebe e o Senado

Em 133 a.C. o representante da Plebe (Tribuno da Plebe) propôs algumas medidas para reduzir a desigualdade e o êxodo rural. Tibério Graco pretendia estabelecer limites para a posse de terras. Isto incomodou os latifundiários e senadores poderosos que planejaram seu assassinato.

Anos após, em 124 a.C., seu irmão Caio retomou as ideias de Tibério e propôs que as decisões da república fossem feitas por uma assembleia popular, como na democracia grega, e não mais pelo Senado.

Ele também defendia uma reforma agrária, para que as terras públicas fossem distribuídas entre os mais pobres. Tal como o irmão, Caio foi assassinado por membros do Senado descontentes. Este evento agravou ainda mais os enfrentamentos entre Plebe e Patrícios, gerando uma guerra civil que acabou correndo ainda mais o período republicano de Roma.

imperio romano tiberio e caio
Figura 5: Estátua dos irmãos Tibério e Caio. Retirada de: https://goo.gl/KkRjmb Marcadores: Tibério, Caio, República Romana.

Outra classe que enriqueceu foi a dos militares, que ganharam prestígio e influência política durante a expansão do território romano. Entre 60 e 46 a.C. Roma foi governada por um triunvirato: os Generais Pompeu, Marco Licínio Crasso e Júlio Cesar.

Posteriormente Cesar tornou-se diretor vitalício e concentrou todo o poder político em sua figura. Uma característica de seu governo foi que não liderou Roma pensando em uma classe específica, tomando algumas decisões controvérsias em relação às classes privilegiadas.

Além disto concentrou em si diversas funções de cargos públicos e tomou medidas para diminuir o desemprego, como distribuir mais de 80 mil pessoas para além mar, exigir que pecuaristas possuíssem pelo menos um terço de seus trabalhadores em condição de libertos e estendeu cidadania a quase todos os habitantes da península itálica, antes resguardada a quem praticasse a cultura romana.

O Império Romano

Visto como uma ameaça à república romana, Júlio César foi assassinado e Roma passou a ser governada por outro triunvirato: Marco Antônio, Lépido e Caio Otávio, filho de César. Em 27 a.C. Caio Otávio assumiu Roma e deu inicio a uma nova era para a cidade de Roma, iniciando o maior Império da Antiguidade Clássica.

Após assumir o Império Romano e atribuição de “Augusto” (divino), Caio Otávio procurou controlar o descontentamento social e as crises econômicas, no intuito de solidificar a nova fase da cidade romana. Foi um momento de relativa tranquilidade nestes setores, também conhecido como Pax Romana, auxiliado pela manutenção da política do Pão e Circo, já adotada em outros momentos.

Foi um período bastante calcado no comércio, em uma economia escravocrata e principalmente na expansão territorial. Entretanto a força econômica do Império também se tornou um grande problema. A necessidade constante de mão de obra escrava forçava o Império Romano a estar constantemente em conflito com outros povos, o que resultava em perdas materiais e humanas crescentes.

O aumento territorial também apresentava uma dificuldade administrativa diferente de outros tempos. Tal como o constante aumento de impostos, que provocava cada vez mais o descontentamento da população, necessário para a manutenção de um Império com a envergadura que tinha.

O Império durou alguns séculos, tendo seu fim no século V d.C, com a queda do Império Romano do Ocidente. Um império tão vasto quanto o romano, certamente receberia pressão de todos os lados de suas fronteiras.

As constantes invasões dos povos germânicos trataram de drenar pouco a pouco as riquezas e o material humano do império. Em 476 d.C. o último Imperador Romano, Rômulo Augusto, foi deposto pelo general Flávio Odoacro. Este evento é considerado o marco para o fim do Império Romano, mas, também, para o início da Idade Média, segundo a divisão clássica da história ocidental.

mapa do império romano
Figura 6: Mapa indicando o crescimento de Roma em suas diversas fases. Retirado de: https://goo.gl/vFhR57 Marcadores: Mapa, Roma, Império

 

Veja mais sobre o Império Romano com a aula do prof. Felipe:

Questões para fixar

(Mackenzie) – A ruralização econômica do Império Romano do Ocidente (do século III ao V d.C.) NÃO teve como consequência:

a) o rebaixamento de muitos homens livres à condição de colonos que se tornaram presos à terra.

b) o surgimento do colonato, que se constituiu no arrendamento de terras aos camponeses.

c) o latifúndio, principal unidade de produção, tornou-se quase autossuficiente.

d) o aumento do afluxo de escravos para Roma, que dinamizou a expansão da economia agrícola.

e) o campo tornou-se mais seguro que as cidades, em decorrência das desordens político-sociais e da crise econômica.

Resposta: D

(IFSP 2014) A partir do século III, o mundo romano havia cessado as guerras de conquista e reflexos negativos na economia e na mão de obra já se faziam sentir. Entre essas dificuldades, pode-se citar corretamente,

a) a inflação, causada pelos altos preços dos alimentos, dada a baixa produtividade; o aumento no valor dos escravos, pela escassez dessa mão de obra.

b) a derrota romana nas guerras Púnicas que envolveram Roma e Cartago; o êxodo romano causado pela miséria que se instalou em Roma após essas guerras.

c) os altos impostos instalados após a conquista da Gália por Júlio César para que fosse aumentado o número das legiões; as revoltas dos escravos, sendo a principal, a liderada por Espártacus.

d) a deflação no preço dos alimentos pois os romanos após as guerras de conquista, fizeram do Mediterrâneo o mare nostrum, intensificando o comércio com o Oriente; esse comércio provocou uma desvalorização nos produtos romanos.

e) a escassez de alimentos no sul da Itália devido às erupções do Vesúvio que causaram o soterramento da cidade de Pompeia; grande emigração de romanos para o Oriente em busca de uma vida melhor.

Resposta: A

(OSEC) – Quanto à história de Roma, pode-se considerar que: a) Roma conheceu apenas dois regimes políticos:

a) República e o Império;

b) na passagem da República para o Império, Roma deixou de ser uma democracia e transformou-se numa oligarquia;

c) os irmãos Tibério e Caio Graco foram dois tribunos da plebe que lutaram pela redistribuição das terras do Estado (ager publicus) entre todos os cidadãos romanos;

d) no Império Romano, todos os homens livres – os cidadãos – eram proprietários de terras;

e) no Império Romano, a base da economia era o comércio e a indústria.

Resposta: C

 

Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.