Império Bizantino – Arte e expansão em Bizâncio

Conheça mais o famoso Império Romano do Oriente, conhecido como Império Bizantino e entenda sua ascensão e queda. Revise História para o Enem e para os vestibulares!

Ao fim da Idade Antiga, segundo a divisão clássica da história ocidental, e início da dita Idade Média, por volta do século IV, o Império Romano do Ocidente sofria com as diversas invasões dos povos bárbaros. Já sua sede no oriente, conhecida como Império Bizantino, sendo sua capital Istambul, ia aos poucos tornando-se uma das potências mais influentes na região entre Europa e Ásia da época.

mapa do imperio bizantino
Figura 1: Mapa do Império Bizantino. Retirado de: https://goo.gl/gfTtd5 Marcadores: Mapa, Império Bizantino, Império Romano.

A configuração política bizantina se conceituava como uma autocracia absoluta. Ou seja, as decisões políticas eram oriundas dos ideais do governante, sem a necessidade de uma legitimação para além do poder real. No caso bizantino, o basileu (o rei) conduzia as leis, exercia o cargo de líder militar, tinha o poder de realojar pessoas em cargos de forma arbitrária.

A sociedade bizantina possuía um forte caráter hierárquico. O Imperador e seus familiares ocupavam o topo da estrutura social. Em seguida a nobreza urbana, composta por mercadores, banqueiros e funcionários públicos de alta patente.

Havia também uma nobreza regionalizada no campo, como latifundiários, e, por fim, os trabalhadores livres, servos, muitas vezes vinculados aos proprietários de terras, e escravos.

A arte no Império Bizantino

Um aspecto marcante da efervescência cultural em Bizâncio foi a arte. Uma das funções das manifestações artísticas do período era a adoração do divino, entretanto o basileu era tão influente, que a arte também se manifestava na exaltação do Estado.

Uma das formais mais fáceis de se observar a manifestação artística é por meio da arquitetura do Império, com a construção de grandes basílicas imponentes. Estas estruturas arquitetônicas, além de terem um caráter ostensivo, também tinham funções sociais de servirem de local de reunião para os devotos orarem em comunhão.

basilica de santa sofia imperio bizantino
Figura 2: Basílica de Santa Sofia, construída entre 532 e 537. Retirado de: https://goo.gl/WDntV7 Marcadores: Basílica, Santa Sofia, Istambul.

Apesar da importância das obras arquitetônicas, os mosaicos destacaram-se ainda mais no Império Romano do Oriente. O mosaico é feito através de pequenas peças de argila ou azulejos até que se forme uma imagem maior e coerente e era uma das formas de registro artístico prediletas na época, sempre trazendo representações referentes ao poder do Estado, mas principalmente aos ídolos cristãos.

imperador justiniano do imperio bizantino
Figura 3: Painel com o Imperador Justiniano, juntamente com bispos e outros cargos importantes, datado do século VI. Retirado de: https://goo.gl/3h91pE Marcadores: Justiniano, Mosaico, Império Bizantino.
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Justiniano e a expansão do Império

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, por conta das constantes invasões dos povos bárbaros, o desejo de retomar os tempos áureos de expansão imperial em Bizâncio intensificou. O Imperador Justiniano, a partir de 527, aglutinou este desejo inflamado.

Poucos anos depois de assumir o trono, Justiniano reforçou as fronteiras do Império Bizantino, reestruturou o exército e avançou sobre o norte da África, conquistando também a península itálica. Duas décadas depois Justiniano guiou Bizâncio à invasão da península ibérica, anexando a região sul ao Império.

Ainda na trajetória para restaurar o antigo Império Romano, Justiniano resgatou e reuniu em um código os antigos princípios legais do Direito Romano. Conhecido como código de Justiniano, regulamentava em normas o cotidiano na sociedade bizantina, tendo se tornado público em 529.

Ainda nesta linha, Justiniano reformou escolas de direito e produziu um manual básico sobre a legislação bizantina direcionado aos estudantes. Isto influenciou em como o Direito foi compreendido durante o século na Europa e, em alguns aspectos, influenciou o direito ocidental na atualidade, sendo considerado a maior contribuição do reinado de Justiniano.

periodo justiniano no imperio bizantino
Figura 4: Mapa comparativo entre o período pré e pós Justiniano. Retirado de: https://goo.gl/m3AXAb Marcadores: Império Bizantino, Justiniano, Expansão.
Início do fim

Em 565 Justiniano falece e seus sucessores falham em manter a unificação do Império. Nos séculos seguintes, o Império Bizantino foi aos poucos perdendo território, como Palestina, Pérsia, Egito e as regiões da península ibérica, para outros povos, principalmente os islâmicos.

Além das crises territoriais, Bizâncio sofria de convulsões internas, referentes às revoltas e disputas religiosas. No início do século XIII, cruzados partindo de Veneza seguiam para Jerusalém, entretanto mudaram sua rota e acabaram tomando a cidade de Constantinopla.

Neste evento diversas peças de arte, livros e outros tesouros foram destruídos ou saqueados, a capital de Bizâncio foi incendiada e sofreu danos estruturais irrecuperáveis.

Neste período havia uma grande separação entre Igreja Católica Apostólica Romana, no ocidente, e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, no oriente, conhecida como Cisma do Oriente. O evento se iniciou na metade do século XI, motivado em grande parte por disputas teológicas e eclesiásticas. A ruptura mostrou-se presente quando o Império Bizantino ruía, pois não houve apoio algum à Constantinopla durante as invasões otomanas.

Em 1453, após semanas resistindo, os esforços dos bizantinos mostraram-se ineficientes e a cidade foi tomada pelos turcos otomanos, liderados por Maomé II. Segundo a historiografia ocidental, este é o marco para a queda do Império Bizantino e, por consequência, fim da conhecida Idade Média e início da Idade Moderna.

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Questões para fixar o conteúdo de Império Bizantino

(PUC-Campinas) O Império Bizantino , ao longo de sua história, apresentou um governo que se caracterizou por:

a) proporcionar condições sociais que possibilitaram eliminar, desde suas origens, o problema da escravidão.

b) procurar eliminar suas origens romanas e por restringir o poder dos soberanos, que era bastante limitado.

c) apresentar um caráter despótico associado à grande influência religiosa, dando-lhe uma feição teocrática.

d) controlar, chegando a eliminar completamente, o poder da burocracia no Estado.

Resposta: C

(UECE) Na origem do chamado “Cisma do Oriente”, pode-se apontar corretamente:

a) as desavenças entre os membros da hierarquia católica e o Imperador bizantino diziam respeito à cobrança das indulgências e à corrupção dos bispos.

b) significou o aparecimento de inúmeras seitas “reformadas”, que se desligaram da Igreja romana.

c) no Império Bizantino, a Igreja era submetida ao Imperador e promovia um excessivo culto aos ídolos e às imagens.

d) em Bizâncio, ao contrário do cristianismo ocidental, as imagens e os ídolos dos santos não eram objetos de adoração e culto.

Resposta: C

(Puc-pr) A História do Império Bizantino abrangeu um período equivalente ao da Idade Média, apesar da instabilidade social, decorrente, entre outros fatores:

a) dos freqüentes conflitos internos originados por controvérsias políticas e religiosas.

b) da excessiva descentralização política que enfraquecia os imperadores.

c) da posição geográfica de sua capital, Constantinopla, vulnerável aos bárbaros que com facilidade a invadiam frequentemente.

d) da constante intromissão dos imperadores de Roma em sua política.

e) da falta de um ordenamento jurídico para controle da vida social.

Resposta: A

 

Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.