As principais Bacias Hidrográficas brasileiras

O Brasil é conhecido mundialmente por sua grande disponibilidade de águas continentais. Por todo o território nacional, grandes rios formam bacias hidrográficas que são essenciais para as mais diversas atividades socioeconômicas e culturais de cada região. Leia a aula a seguir e conheça algumas das mais importantes bacias hidrográficas brasileiras! 

O Brasil possui um grande potencial hidráulico devido às características do seu relevo, considerando que aproximadamente 59% da superfície do país está acima de 200 metros de altitude. Os climas, em geral chuvosos, fazem com que os rios que dali nascem tornem-se caudalosos em seus cursos.

A vasta e densa rede hidrográfica brasileira, formada por essa grande quantidade de chuva, representa cerca de 13% das reservas de água doce do nosso planeta. Duas das bacias hidrográficas brasileiras estão entre as maiores do mundo: a Platina e, é claro, a Amazônica.

Podemos observá-las junto a outras importantes bacias na Figura 1, logo abaixo.Mapa mostrando as principais bacias hidrográficas brasileirasFonte: GEOMAPAS. Disponível em: <http://www.geomapas.com.br/wolupload/produto/capa/brasil-hidrografico-231.jpg>. Acesso em: 25/03/2020.

Bacias hidrográficas são áreas na superfície terrestre compostas pelas terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes, junto às nascentes. Então, elas são separadas por elevações chamadas de divisores de água. 

Segundo a classificação de relevo do geógrafo Jurandyr Ross, os principais divisores das grandes bacias hidrográficas brasileiras são:

  • A cordilheira dos Andes, origem dos formadores do rio Amazonas.
  • Os planaltos norte-amazônicos, de onde nascem os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas.
  • O planalto e a chapada dos Parecis, fazendo a divisão entre bacia Amazônica e bacia Platina.
  • Os planaltos e serras de Goiás e Minas e os planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba, que dividem as importantes bacias do rio Tocantins e do rio São Francisco.
  • Os planaltos e as serras do Atlântico-Leste-Sudeste, onde nasce o rio São Francisco, os rios que dão origem ao rio Paraná e seus afluentes do lado esquerdo.

As principais bacias hidrográficas brasileiras

As principais bacias hidrográficas brasileiras são a Amazônica, a Platina, a do Paraná, a do Paraguai, a do Tocantins-Araguaia, a do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba. Ainda existem as bacias do Nordeste, do Leste e do Sul-Sudeste. Confira as principais características de cada uma abaixo.

Bacia Amazônica

A maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia Amazônica, drena aproximadamente metade do território do Brasil: isto é, 6,5 milhões de km². Além disso, ainda ocupa áreas de outros seis países do subcontinente sul-americano. Cerca de 20% de toda a água fluvial que chega aos oceanos, atravessa a foz do rio Amazonas. 

É nos Andes peruanos que está a origem de suas águas. Lá nasce com o nome de Ucaiali e, após passar por uma grande extensão de floresta equatorial no Peru, adentra o território brasileiro pelo estado do Amazonas, com o nome de rio Solimões. 

Nas proximidades de Manaus, suas águas marrons de barro encontram-se com as águas muito mais escuras do rio Negro. A partir desse ponto é que recebe o nome de rio Amazonas.

Por correr sobre a planície Amazônica, esse largo e volumoso rio não possui quedas d’água e corredeiras, sendo muito utilizado para a navegação, umas das principais maneiras de locomoção em toda a região. O que não quer dizer que na bacia não haja potencial hidrelétrico.

Afinal, no relevo caracterizado por planaltos e depressões há grandes afluentes que nascem em altitudes bem mais elevadas que as do Amazonas, que ao longo de milhares e milhares de quilômetros varia menos de 80 metros em relação ao nível do mar.

Os projetos de hidrelétricas de grande porte são complexos e geram muitos debates em relação aos impactos socioeconômicos e ambientais. Considerando que para sua realização é necessário o alagamento de vastas áreas onde há floresta e onde habitam comunidades indígenas e ribeirinhas, que têm a cultura e a subsistência muito relacionadas ao rio e à pesca.  

Bacia Platina

A bacia Platina (ou do rio da Prata) é composta em nosso território por três importantes subdivisões, que são as bacias do Paraná, Paraguai e Uruguai. Na fronteira entre Argentina e Uruguai, todas essas águas se juntam rumando ao oceano Atlântico.

Bacia do Paraná

A bacia do Paraná é planáltica e, por isso, tem uma grande produção hidrelétrica. Dentre muitas outras importantes usinas, é nessa bacia que está localizada a gigante binacional Itaipu (brasileira e paraguaia).

Bacia do Paraguai

A bacia do Paraguai, típica de planície, tem o seu rio principal nascendo no estado do Mato Grosso e atravessando o Complexo do Pantanal – onde está sua maior extensão – até chegar no país vizinho, de mesmo nome, onde encontra o rio Paraná. Desde o município de Cáceres, possui uma grande extensão navegável que chega até as capitais Buenos Aires e Montevideo, em nossos países vizinhos Argentina e Uruguai, respectivamente.

A bacia do Uruguai tem grande trecho de relevo planáltico. O rio Uruguai nasce na junção dos rios Canoas e Pelotas, dividindo grande parte do limite territorial entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além disso, percorre a fronteira entre Brasil e Argentina e entre Uruguai e Argentina, até desembocar no rio da Prata.

Bacia do Tocantins-Araguaia

A bacia do Tocantins-Araguaia vincula-se ao mesmo ecossistema que a bacia Amazônica e possui grande importância para a organização socioespacial da Amazônia Oriental. Por drenar terras elevadas, possui grande potencial hidrelétrico. 

Nessa bacia está localizada a maior usina de Tucuruí, uma das maiores e totalmente brasileira. Numa área entre os estados do Tocantins, Pará e Maranhão, o rio Tocantins recebe as águas do Araguaia, seu principal afluente. Ali se encontra a ilha do Bananal, maior ilha fluvial do planeta. O rio Tocantins é ainda uma importante hidrovia para escoar a produção de grãos das proximidades, principalmente a soja.

Bacia do rio São Francisco

A bacia do rio São Francisco localiza-se quase que inteiramente em áreas de depressão. Ela é alongada e seu rio principal, o São Francisco (com 3.100km), nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, atravessa o sertão semiárido, o que lhe confere grande importância, e limita os estados de Sergipe e Alagoas, até desembocar no oceano Atlântico.

Esse rio não tem muitos afluentes e é muito utilizado para a navegação e irrigação – sobre essa atividade e esse rio é importante conhecer o projeto de transposição. No seu curso inferior há geração de hidreletricidade. Destacam-se ali, entre outras, as usinas de Sobradinho e Paulo Afonso.

Bacia do rio Parnaíba

A bacia do rio Parnaíba também se localiza em região semiárida, apresentando pequena vazão média ao longo do ano. O rio Parnaíba tem afluentes temporários e, no baixo curso, alguns perenes. Esse rio divide politicamente os estados do Maranhão e do Piauí.

Há ainda um conjunto de bacias hidrográficas brasileiras que merecem destaque. São as bacias secundárias que localizam-se na região litorânea, apresentando rios de pequena extensão, com poucos afluentes de modo geral. Dentre elas temos:

Bacias do Nordeste

Com destaque aos rios Mearim, Turiaçu e Itapecuru (MA), Parnaíba (MA/PI); Beberibe e Capibaribe (PE). Entretanto, os rios temporários no sertão são a maioria, como é o caso do Jaguaribe (CE), um dos maiores rios temporários do mundo.

Bacias do Leste

Com destaque aos rios Jequitinhonha (MG), Doce (MG) e Paraíba do Sul (SP/RJ).

Bacias do Sudeste-Sul

Com destaque aos rios Ribeira do Iguape (SP), Itajaí (SC) e o Tubarão (SC). No Rio Grande do Sul, ainda se destacam os rios Guaíba e Jacuí. 

Por hoje, era essa a nossa revisão sobre as bacias hidrográficas brasileiras. Agora é a hora de assistir um vídeo sobre o assunto e, depois, fazer os exercícios sobre esse conteúdo. Boa sorte, estudante!

Exercícios

Questão 01 – (UEM PR/2019)

Sobre as bacias hidrográficas brasileiras e suas dinâmicas no território brasileiro, assinale o que for correto.

  1. O principal curso d’água da bacia do rio São Francisco é utilizado para navegação e para irrigação.
  2. Na bacia do rio Tocantins-Araguaia encontra-se uma ilha de origem fluvial, chamada de Bananal, que se destaca como referência mundial devido à sua extensão.
  3. A bacia Amazônica tem as nascentes dos seus cursos d’água no território brasileiro e, devido a sua característica topográfica, os rios dessa bacia não apresentam potencial hidrelétrico.
  4. Os rios que compõem as várias bacias hidrográficas no Brasil possuem drenagens tanto exorreicas quanto endorreicas.
  5. A bacia do rio Paraná se restringe aos limites do estado do Paraná.
Questão 02 – (PUC RS/2019)    

Analise o mapa que representa as bacias hidrográficas brasileiras e as afirmativas a seguir

mapa para resolução de exercício sobre bacias hidrográficas brasileiras

Fonte: asnovidades.com.br.
Acesso em 10/07/2018.

I. Os rios da bacia 1 configuraram uma rede que, ao longo do processo colonial, permitiu o desenvolvimento e a integração de importantes centros urbanos no nordeste do País.

II. A bacia 2, em função do bom grau de navegabilidade de seus rios, é responsável pelo escoamento da produção de soja da região.

III. O principal rio da bacia 3 contribuiu para a formação histórico-social do espaço brasileiro; entretanto, vem apresentando graves problemas ambientais.

IV. Os rios das bacias 4 e 5 são muito utilizados para produção de energia, além de constituir as maiores hidrovias do Brasil.

Estão corretas apenas as afirmativas

  1. a) I e II.
  2. b) I e IV.
  3. c) II e III.
  4. d) II, III e IV.
Questão 03 – (UNESP SP/2018)

O cerrado brasileiro é conhecido como o “berço das águas” da América do Sul, pois abastece as grandes bacias hidrográficas e reservatórios de água doce do continente.

(http://semcerrado.org.br. Adaptado.)

Considerando o conhecimento sobre as águas subterrâneas, a área destacada na figura corresponde ao Sistema Aquífero

a) Urucuia, associado às rochas sedimentares do Escudo das Guianas.

b) Guarani, constituído por rochas metamorfizadas do Escudo Atlântico.

c) Guarani, formado por rochas permeáveis da Bacia Sedimentar do Paraná.

d) Urucuia, formado por rochas basálticas do Cráton do São Francisco.

e) Cabeças, constituído por rochas ígneas da Bacia Sedimentar do Parnaíba.

Questão 04 – (FUVEST SP/2018)

Observe os mapas referentes à delimitação da bacia hidrográfica do rio Xingu, com o detalhamento da parte sul, onde fica o Parque Indígena do Xingu (PIX).

 

Com relação às áreas delimitadas nos mapas, está correto o que se afirma em:

a) Devido ao avanço do desmatamento nessa bacia hidrográfica nas últimas quatro décadas, processo iniciado pela atividade pecuária ao longo dos rios e seguido pelo avanço da monocultura de eucalipto, inviabilizam-se quaisquer ações de recuperação e de conservação do bioma Amazônico.

b) O Parque Indígena do Xingu, criado principalmente para proteger diversas etnias indígenas, atua hoje como inibidor do avanço do desmatamento, função esperada para as diversas unidades de conservação previstas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

c) Dentre as grandes bacias hidrográficas amazônicas, a bacia hidrográfica do rio Xingu, na disposição leste-oeste, é uma das bacias da margem esquerda do rio Amazonas com importante conectividade entre dois biomas brasileiros: a Caatinga e o bioma Amazônico, ambos biológica e geologicamente diversos.

d) O desmatamento, observado no mapa, é resultado da monocultura de babaçu, praticada pelos indígenas que extraem seu óleo e vendem-no para indústrias de cosméticos.

e) O avanço do desmatamento nessa área deve-se às monoculturas de cana-de-açúcar e laranja, ambas cultivadas com variedades transgênicas adaptadas ao bioma Amazônico.

GABARITO:  

1) Gab: 11

2) Gab: D

3) Gab: C

4) Gab: B

Um grande abraço e bons estudos!

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]

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