Concordância nominal

Você sabia que concordância nominal sempre cai no Enem? Fique de olho nesse post e vá bem nas provas.

A concordância nominal diz respeito à conformidade de palavras que mantêm relações entre si. Vamos entender?

Para compreender, precisamos saber que quando construímos frases ou falamos, usamos palavras que acompanham um substantivo ou que o substituem ficando no mesmo gênero e no mesmo número que ele (normalmente, são artigos, adjetivos, numerais e pronomes). Quando isso acontece estamos fazendo uso da concordância nominal.

O professor Fernando Pestana exemplifica que as palavras que acompanham um substantivo ou substituem-no ficam no mesmo gênero e no mesmo número que ele (normalmente, são artigos, adjetivos, numerais e pronomes).

E, outra, segundo ele, sabe por que os falantes cultos jamais colocariam no feminino os vocábulos um, no, o, mesmo e ele? Por causa de um princípio da língua, chamado concordância nominal.

A concordância nominal trata da adequada variação em gênero e número dos determinantes (artigos, adjetivos, numerais e pronomes) com o substantivo.

Regra geral da concordância nominal

O adjetivo, o artigo, o numeral adjetivo e o pronome adjetivo concordam em gênero e número com o substantivo (ou pronome substantivo) a que se referem. Exemplo: Aqueles dois meninos estudiosos leram os livros antigos.

Neste exemplo, ‘aqueles” concorda com meninos’; ‘dois concorda com meninos; ‘estudiosos concorda com meninos; ‘os’ concorda com livros; e, ‘antigos’ também concorda com livros.

Concordância Nominal com Adjetivos De acordo com a regra geral, os determinantes artigo, pronome, numeral, adjetivo (e o particípio) concordam em gênero e número com o substantivo (ou outra palavra de valor substantivo).

a) Quando um só adjetivo se refere a um substantivo, concorda com ele normalmente.

Ex.: – O aluno sempre foi muito atento, mas a aluna nunca foi tão atenta quanto ele.

b) Quando o adjetivo é composto, só o último termo varia com o substantivo.

c) Quando o adjetivo se referir a mais de um substantivo, concordará com todos os substantivos ou com o mais próximo.

Ex.: – Os alunos e as alunas atentos entenderam tudo. – Os alunos e as alunas atentas entenderam tudo.

d) Se o adjetivo vier antes dos substantivos, a concordância será feita obrigatoriamente com o mais próximo.

Ex.: – Comprei as velhas gramáticas e manuais de que precisava para uma pesquisa.

e) É obrigatória a concordância com o substantivo mais próximo quando o sentido exige ou quando os substantivos são sinônimos, antônimos ou em gradação.

Ex.:  – Eu comprei frango e carne bovina. (o sentido exige) – Você tem ideias e pensamentos fixos. (sinônimos) – Neste lugar, é sempre calor e frio absurdo. (antônimos) – O sorriso, o riso, a gargalhada solta era sua maior característica. (gradação)

f) Dois ou mais adjetivos podem modificar um mesmo substantivo, que fica no plural; no entanto, se colocarmos um determinante antes do segundo adjetivo, o substantivo fica no singular.

Ex.: – Os setores público e privado formaram uma parceria.

– O setor público e o privado formaram uma parceria.

g) Os adjetivos iniciados pela preposição de, quando se referem a certos pronomes indefinidos (algo, muito, nada, tanto…), ficam no masculino singular. Mas, por atração, podem concordar com o sujeito.

Ex.:  – Seus olhos têm algo de sedutor. (Cegalla)

– Esse lugar nada tem de interessante.

– Júlia tinha tanto de magra e sardenta, quanto de feia. (Ribeiro Couto)

2 – Um substantivo determinado por mais de um adjetivo: quando houver um único substantivo para vários adjetivos, existem duas possibilidades de concordância:

 Ex.: Estudava os idiomas francês, inglês e italiano.

Estudava o idioma francês, o inglês e o italiano.

Casos especiais de concordância nominal

1)  As expressões é bom / é necessário / é proibido – expressões formadas por verbo mais essas expressões não variam. Mas, se o sujeito vier antecedido de artigo (ou outro determinante), a concordância será obrigatória.

Ex.: Água mineral é bom

A bebida é alcoólica é proibida.

2) Quando têm valor adjetivo, tais palavras variam normalmente: mesmo, próprio, só, extra, junto, quite, leso, obrigado, anexo/apenso, incluso.

Ex.: – A mulher mesma fez o trabalho.

– As mulheres vivem acusando a si próprias.

– As crianças ficaram sós. (= sozinhas)

3) Não variam quando advérbios: caro, barato, bastante, meio, junto. Entretanto, quando adjetivos, variam normalmente.

Ex.: – A gasolina não custa caro, nem barato. (advérbios) – As carnes estão cada vez mais caras, mas as bebidas continuam baratas. (adjetivos)

– Está meio nervosa, porque trabalhamos bastante. (advérbios)

– Elas procuram resolver juntas seus problemas. (adjetivo)

_ Bastantes pessoas compareceram à reunião.

_ Já falei isso bastantes vezes.

_ Tomou meia garrafa de refrigerante.

4) Não variam nunca os substantivos que se tornam adjetivos pelo contexto: padrão, fantasma, relâmpago, pirata, monstro, surpresa etc. Certos vocábulos e expressões tomadas como adjetivos também não variam: menos, alerta*, salvo, exceto, pseudo, a olhos vistos (e qualquer outra locução adverbial) etc.

Ex.: – Fizeram duas festas monstro anteontem na zona sul da cidade.

– Existem muitas firmas fantasma por aqui.

– Nossos times conquistaram vitórias relâmpago no fim do campeonato. – Sempre realizamos festas surpresa na empresa.

– Compre menos farinha, menos frutas, menos alface… compre livros também.

– Os soldados brasileiros devem sempre estar alerta.*

– Salvo/Exceto elas, ninguém mais chamou a atenção do diretor da peça.

5) Concordância com numeral ordinal + substantivo (somente o substantivo é que varia). Mas, o plural será obrigatório se o substantivo vem antes dos numerais.

Ex.: – A primeira e segunda séries foram aprovadas.

– A primeira e a segunda série(s) foram aprovadas.

6) Pronomes de tratamento – A concordância dos pronomes de tratamento será sempre em terceira pessoa.

Ex.: Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.

Complete seus estudos sobre concordância nominal com esse vídeo do canal Descomplica:

 

 

 

Sobre o(a) autor(a):

Regina é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e, além de manjar de Português, gosta de desenhar pessoas.