Contrarreforma da Igreja Católica

Entenda como a Igreja Católica respondeu às reformas protestantes que ocorreram na Europa do século XVI. Estude com a gente esse assunto do ensino médio que é cobrado nas questões de História do Enem e dos vestibulares!

O que foi a contrarreforma

Entre os séculos XVI e XVII, a Igreja Católica viu seu domínio ser contestado por uma série de reformadores que deram origem a religiões protestantes como o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo. Como resposta, a Igreja promoveu a revisão de dogmas, valores e práticas. Esse movimento ficou conhecido como contrarreforma.

A volta da Inquisição, a realização do Concílio de Trento e a criação da Companhia de Jesus são elementos fundamentais para entender o que foi a contrarreforma católica. Nos aprofundaremos nesses assuntos ao longo da aula.

A volta da Inquisição

Apesar de tentar frear as ideias de Martinho Lutero desde o início, foi somente na década de 1540 que a Igreja Católica passou a tomar medidas mais ostensivas. Em 1542, houve uma reestruturação do Tribunal do Santo Ofício sob o comando do papa Paulo III. Assim, ele recriou a instituição com o nome de “Sagrada Congregação da Inquisição Universal”.

Se no período medieval a Inquisição tinha o objetivo de punir hereges, nesse momento ela também assumiu a função de se livrar do movimento protestantes. Foi durante os séculos XVI e XVII, inclusive, que a instituição teve seu apogeu.

A atuação dos inquisidores era tão combativa que religiosos e juristas lançaram numerosas obras dedicadas a descrever as diferentes formas de atuação do demônio. Dessa forma, celebrações populares, como as realizadas em períodos de colheita, foram condenadas como rituais demoníacos.

Formas tradicionais de cura que utilizavam ervas e chás também eram vistas como bruxarias. Assim, a contrarreforma ficou marcada como o período em que os “hereges” foram mais perseguidos pela Inquisição.

O Concílio de Trento

As bases da contrarreforma religiosa, no entanto, foram construídas no Concílio de Trento. Um concílio é uma ocasião em que o clero se reúne para fazer deliberações acerca da Igreja Católica. Com todas as reformas protestantes, surgiu a necessidade de convocar essa reunião para realinhar os dogmas e práticas da instituição.

Após uma série de adiamentos ocorridos por conflitos internos, o concílio aconteceu, com algumas interrupções, entre 1545 e 1563, na cidade de Trento. As propostas ficavam a cargo dos legados papais (representantes do papa), e as normas foram redigidas com o auxílio de professores universitários. Poderiam votar bispos e outros membros do alto clero. Abades, teólogos e leigos – até mesmo os reis – foram excluídos.

concilio de trento - contrarreforma
O Concílio de Trento, por Elia Naurizio, 1633.

Resoluções do Concílio de Trento

Ao final do Concílio de Trento, algumas decisões afastaram a Igreja ainda mais dos protestantes. Ao contrário do que os reformadores propunham, foi definido que os fiéis católicos seriam proibidos interpretar a Bíblia individualmente, pois essa seria uma atividade pagã. Somente os clérigos é que poderiam decifrar corretamente as escrituras com base em seus estudos teológicos.

O celibato dos padres foi mantido, assim como a prática dos sete sacramentos (batismo, crisma, eucaristia, penitência, unção dos enfermos, ordem e matrimônio) como o caminho da salvação. Enquanto isso, Lutero pregava o fim do celibato e adoção de apenas dois sacramentos: batismo e eucaristia.

A permanência do culto à Maria e aos santos também foi na direção contrária à dos reformadores. Do mesmo modo, permaneceu a crença católica de que pão e vinho poderiam ser transformados em carne e sangue de Cristo (transubstanciação). A única prática que foi abandonada na contrarreforma foi a comercialização de indulgências, ainda que seu culto tenha permanecido.

No Concílio de Trento também foram tomadas decisões com o objetivo de melhorar a formação teológica do clero. Foram criadas cátedras de ensino sobre as Sagradas Escrituras nas catedrais, e seminários foram abertos para educar futuros padres, por exemplo.

Por fim, foi criado o Index Librorum Prohibitorum, um catálogo de livros proibidos aos católicos por conterem ideias consideradas perigosas à fé católica. Em sua primeira versão, foram listadas cerca de 500 obras, mas, ao longo do tempo, a lista só cresceu.

E ela não ficou restrita ao período da contrarreforma. A última versão foi publicada em 1948 e proibia quatro mil títulos. Somente em 1966, mais de 400 anos depois de sua criação, é que o index for revogado. Entre os livros que já apareceram na lista estão trabalhos de autores como Victor Hugo, Rene Descartes, Thomas Hobbes e Alexandre Dumas.

A Companhia de Jesus

Outra medida tomada na contrarreforma foi a criação de novas ordens que aproximassem a população das escrituras e auxiliassem os mais necessitados. A mais importante delas foi a Companhia de Jesus, ou Ordem Jesuítica.

Fundada por Inácio de Loyola – que mais tarde seria canonizado – em 1940, a ordem já nasceu com propósitos de salvar almas de infiéis. Seu objetivo inicial era ir até a Palestina para angariar e recuperar fiéis cristãos.

companhia de jesus - contrarreforma
Papa Paulo III recebendo a ordem da Companhia de Jesus, gravura de 1540.

Pois esse era justamente o diferencial que fez a Companhia de Jesus ser considerada a ordem modelo da contrarreforma. Eles não esperavam que voluntários fossem até os mosteiros em busca de salvação, eles saíam em busca de novas almas para serem salvas.

Por esse motivo é que os jesuítas logo foram enviados a várias partes do mundo para converter e catequizar novas populações. Essa foi uma estratégia da Igreja de recuperar o poder e o número de adeptos que havia perdido com as reformas.

A forte aliança que os reinos ibéricos possuíam com a instituição possibilitaram que os jesuítas fossem enviados para colônias na Ásia, África e principalmente na América. A presença da ordem no Brasil seria responsável por um importante capítulo da história da colonização do nosso território.

Conflitos entre protestantes e católicos

A separação da Igreja feita pelos reformadores e reforçada na contrarreforma não acabou com os conflitos religiosos de nobres e da população em geral. Houve perseguições dos dois lados, muitas vezes com motivos políticos envolvidos. Contudo, os católicos eram os que mais se excediam.

A nobreza germânica apoiava Lutero, não apenas por convicção, mas porque assim se livrava dos impostos cobrados pela Igreja Católica. Por causa disso, ocorreram vários conflitos com o imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Eles só tiveram fim em 1555, quando foi assinada a Paz de Augsburgo. O acordo estabelecia que os príncipes poderiam definir a religião dos seus domínios.

Na França também houve conflitos entre católicos e huguenotes (protestantes franceses), mas com episódios mais violentos. No dia 24 de agosto de 1572, dia de São Bartolomeu, os católicos começaram a atacar os huguenotes de forma ostensiva.

massacre são bartolomeu
O Massacre da Note de São Bartolomeu, por François Dubois (1529-1584).

Por fim, os ataques terminaram dois meses depois e milhares de pessoas foram mortas. O episódio ficou conhecido como o Massacre da Noite de São Bartolomeu. A tolerância entre os dois grupos só foi alcançada posteriormente, em 1598, com a assinatura do Édito de Nantes, que permitia o culto protestante na França.

Para continuar estudando sobre reforma e contrarreforma, assista à videoaula do canal Parabólica:

Exercícios sobre a contrarreforma

1 – (UEM PR/2020)  

A Contrarreforma ou Reforma Católica foi um processo de reorganização da Igreja cristã no século XVI, diante do contexto de crise institucional motivado, dentre outros aspectos, pela Reforma Protestante. Sobre as ações da Contrarreforma ou Reforma Católica, assinale o que for correto.

01. A Companhia de Jesus, criada por Ignácio de Loyola, foi concebida para enfrentar os desdobramentos da Reforma na Europa e disseminar a doutrina católica em todas as partes do mundo.

02. A Igreja católica instituiu o Index, lista de autores e de livros proibidos que constituíam uma ameaça à fé. Tratava-se de livros de filosofia, de literatura, de tratados de teologia que, conforme a instituição, não poderiam ser lidos.

04. O Concílio de Trento confirmou e definiu os dogmas e os rituais católicos, dentre os quais estavam os sete sacramentos, os cultos à Virgem Maria e aos santos, todos criticados pelos reformistas.

08. A reorganização do Tribunal da Inquisição deixou de ser um processo interno da Igreja e passou a investigar somente os religiosos, para se associar aos reinos católicos e investigar qualquer membro da corte suspeito de heresia.

16. Ao final do Concílio de Trento, o papa João XXIII iniciou os processos de beatificação e canonização do rei Henrique VIII, pela sua luta em defesa da Igreja católica na Inglaterra.

2 – (UEPG PR/2020)

Reforma Protestante e Contrarreforma Católica são movimentos que se complementam e que tiveram forte impacto entre os séculos XV e XVII. A respeito desse tema, assinale o que for correto.

01. Enquanto a Reforma Protestante passou a tratar a usura, o enriquecimento pessoal, como algo condenável, a Contrarreforma Católica se posicionou no sentido inverso, estimulando seus fieis à obtenção de lucros cada vez maiores em suas transações comerciais.

02. A burguesia, que nasceu a partir do avanço das grandes navegações e do renascimento comercial, foi uma classe social que deu suporte aos movimentos de Reforma Protestante dentro da Europa.

04. Alemanha, Suíça, França e Inglaterra foram países nos quais houve um forte movimento em direção à Reforma Protestante. Anglicanismo, Calvinismo e Luteranismo são religiões que surgiram nesses países.

08. Apesar das características particulares, as religiões protestantes possuem pontos em comum. Por exemplo, todas elas defendem a prática das indulgências, isto é, a compra monetária da salvação da alma.

16. Os Jesuítas, congregação católica fundada na Espanha, divergiu radicalmente da chamada Contrarreforma Católica e se negou a participar desse movimento. Essa postura foi duramente debatida entre os católicos no Concílio de Trento.

3- (IFMT/2016)

O Concílio de Trento, ocorrido durante o século XVI, teve como principal objetivo posicionar-se diante das críticas do protestantismo.

Indique a alternativa INCORRETA sobre o objetivo do Concílio de Trento.

a) Reafirmação dos dogmas da Igreja Católica, da manutenção dos sacramentos e a confirmação da transubstanciação.

b) Visou manter a hierarquia do clero e do celibato clerical.

c) Formulou normas para coibir abusos, como a venda de indulgências, e aprovou propostas para a fundação do seminário de teologia, destinados a melhorar a formação do clero.

d) Proibiu o funcionamento da Companhia de Jesus, fundada pelo padre protestante Inácio de Loyola.

e) Criou o Index Librorum Proibitorum, uma lista de livros, cuja leitura era proibida aos católicos.

GABARITO: 

1- 15

2- 06

3- D

Sobre o(a) autor(a):

Ana Cristina Peron é formada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e é redatora do Curso Enem Gratuito.

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