Teorias da evolução das espécies: Darwinismo e Lamarckismo

As teorias evolucionistas mais famosas são o Darwinismo e Lamarckismo. Confira as diferenças entre as teorias da evolução e as características de cada uma!

Nós, seres humanos, somos curiosos natos. Observar o mundo e tentar explicar os fenômenos que ocorrem ao nosso redor são traços registrados desde os filósofos da natureza, na Grécia Antiga.

Explicar como e por que existiram seres diferentes em outras eras e como eles se modificaram até chegar à biodiversidade que temos hoje é um dos nossos desafios mais antigos. Ao longo dos séculos, dois cientistas se destacaram nesta difícil tarefa para identificar as origens e a evolução das espécies: Lamarck e Darwin.

As teorias destes dois naturalistas são as mais famosas teorias evolucionistas de todos os tempos e, sendo assim, são assunto frequente nas questões de vestibulares e também do Enem. Para você ter uma ideia, desde o ano 2000 o Enem já cobrou este assunto mais de 30 vezes.

Neste post, vamos explicar para você as teorias da evolução das espécies de Charles Darwin e Jean-Baptiste Lamarck. O conteúdo é muito importante para as questões de Biologia no Enem e nos vestibulares.

Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829)

Lamarck foi um naturalista francês que viveu em uma época em que algumas ideias evolucionistas começavam a surgir. Ele trouxe elementos de ruptura com as linhas de pensamento que até então estavam estabelecidas.Lamarck teorias da evoluçãoAntes de Lamarck apresentar sua teoria predominava no meio científico o chamado Fixismo, que dizia que os seres vivos não se modificavam ao longo do tempo, ou seja, eram fixos, imutáveis (ideia altamente influenciada por questões religiosas).  Lamarck então elaborou uma das mais famosas (agora desacreditada) teorias sobre as mudanças ocorridas nas espécies ao longo do tempo. Ele foi um evolucionista pioneiro ao elaborar leis e fundamentos para tentar explicar a evolução das espécies.

Hoje sabemos que a maior parte das ideias de Lamarck estavam erradas. Porém, é importante conhecer suas leis para entender que sua teoria abriu caminho para os estudos no campo da evolução em uma sociedade onde a ideia predominante era a fixista e a criacionista, até mesmo entre os principais cientistas da época.

O Lamarckismo

Lamarck, antes de tudo, era adepto da abiogênese. Essa teoria que dizia que os seres vivos poderiam surgir espontaneamente a partir da matéria inanimada, principalmente os mais simples, como as bactérias. Sendo assim, para Lamarck a vida tenderia sempre a se modificar, partindo dos seres vivos mais simples e se modificando e aumentado seu nível de complexidade.

Lamarck considerava que essas mudanças nos seres vivos eram direcionadas pelas características que o ambiente apresentava. Segundo ele, mudanças nas condições ambientais forçariam mudanças nos seres vivos que os adaptassem à estas novas condições ambientais.

Logo, as mudanças que ocorrem nos seres vivos, segundo Lamarck, seriam dirigidas pelas necessidades impostas pelo ambiente. Para explicar como os seres vivos se modificavam, ele elaborou duas leis:

  • Lei do uso e desuso

Segundo Lamarck, quando um ser vivo utilizasse muito um determinado órgão, este tenderia a se desenvolver mais que outras partes do corpo, ficando cada vez maior ou mais complexo. O contrário também deveria acontecer: quanto menos se utilizasse um órgão, menos ele deveria se desenvolver e atrofiar.

exigência ambiental lamarckismo evolução

A partir de observações bastante superficiais, poderíamos até considerar esta ideia como verdadeira.

Pense comigo: se você se expõe ao Sol, sua pele produz cada vez mais melanina para proteger seu corpo da radiação. Logo, o uso maior da melanina é igual a uma produção de melanina cada vez maior. Isso condiz com o uso e desuso de Lamarck, certo?

Porém, quando lembramos que essa produção de melanina tem um limite, delimitado geneticamente, essa ideia cai por terra. Veja: uma pessoa branca pode até ficar com a pele mais escura se ficar exposta ao Sol se bronzeando, porém jamais terá pele negra, por mais que se exponha ao Sol.

  • Lei dos caracteres adquiridos

Segundo Lamarck, quando um ser vivo adquire uma característica (resultado do uso e desuso) ao longo da sua vida e esta característica o auxilia a ter vantagens no ambiente em que ele vive, essa característica poderá ser passada aos seus descendentes.

Assim, de acordo com a lei dos caracteres adquiridos, as serpentes não teriam patas porque ao se adaptarem ao modo de vida rastejante, suas patas teriam perdido o uso, tendo se atrofiado e desparecido e, assim, seus descendentes teriam herdado patas cada vez mais atrofiadas que em algum momento desapareceram.

Charles Darwin (1809 – 1882) e a Evolução das Espécies

O cientista Charles Darwin era um inglês de família extremamente religiosa que jovem viveu em uma “aventura” ao redor do mundo que mudou a história da sua vida e também das ciências biológicas.

Darwinismo e Lamarckismo - Charles Darwin

Com vinte e poucos anos, embarcou no navio HMS Beagle, da marinha mercante inglesa, em uma viagem para atualizar mapas e que duraria mais de cinco anos. Esta viagem (que o levou a pontos incríveis do planeta – inclusive o Brasil) permitiu a Charles Darwin a observação da enorme biodiversidade do planeta.

Quando voltou à Inglaterra, Darwin pôs-se a organizar os dados que havia compilado na sua viagem e se jogou em outra jornada que viria a durar mais de 20 anos: a elaboração de sua teoria evolucionista – a Seleção Natural.

Duas décadas após sua viagem, Darwin lança seu célebre livro, “A Origem das Espécies” e sua teoria se populariza, não só entre os cientistas da época, mas também entre a sociedade inglesa.

O Darwinismo

Durante muito tempo, Darwin buscou provas para a sua teoria da evolução das espécies. Com você já sabe, foram mais de vinte anos escrevendo o seu livro.

Darwin era muito meticuloso e também havia algo que o preocupava: as ideias evolucionistas que ele tinha iam de encontro com sua religiosidade e de sua família. Porém, um ponto crucial e decisivo para a divulgação da Seleção Natural aconteceu quando Darwin recebeu uma carta de um jovem naturalista, chamado Wallace. Para surpresa de Darwin, Wallace escrevia para consultá-lo sobre uma ideia que teve para explicar a evolução.

Wallace descrevia em sua carta uma teoria muito semelhante à de Darwin, que explicava a evolução pela seleção dos mais aptos. Assim, apesar de estar preocupado com o impacto de sua obra na sociedade e em sua própria família, Charles apresentou com Wallace suas ideias para a sociedade científica (em um congresso) e, em seguida, publica seu famoso livro. Por tal motivo, o Darwinismo é também conhecido como Teoria Darwin-Wallace.

Como funciona a seleção natural?

Segundo Darwin (e Wallace), os indivíduos com maiores chances de sobreviverem ao ambiente seriam aqueles cujas características fossem mais apropriadas para enfrentar as condições ambientais aos quais estavam submetidos, levando assim a um maior sucesso reprodutivo.

Para Darwin, a seleção natural funcionaria preservando as variações favoráveis e rejeitando as variações prejudiciais.

Para entender melhor, veja esse resumo do mecanismo da seleção natural:

  • Antes de tudo é importante que você lembre que os indivíduos de uma espécie podem ter muitas variações (tanto na sua fisiologia, quanto na sua anatomia)
  • Muitas das características de um indivíduo são transmitidas para seus descendentes (na época Darwin não sabia disso, mas hoje sabemos que essas características são transmitidas através do DNA).
  • Caso todos os indivíduos de uma população sejam capazes de se reproduzirem, a população iria crescer de maneira acelerada, em progressão geométrica.
  • Os recursos disponíveis em um ambiente são limitados. Há limites de espaço, de alimento, de água. Dessa maneira, os indivíduos de uma população irão competir por esses recursos em uma lua pela vida e pela sobrevivência de seus filhotes.

Segundo Darwin, nesta luta pela vida, apenas os seres mais adaptados ou aptos conseguiriam sobreviver e produzir descendentes (seleção natural). Essas características aumentariam a sobrevivência e o sucesso reprodutivo e seriam transmitidas para os descendentes do indivíduo.

Darwinismo versus Lamarckismo

Os vestibulares adoram fazer questões comparando as teorias de Lamarck e de Darwin. Então, vamos comparar as duas teorias usando um exemplo sempre lembrado pelos professores de biologia: o tamanho do pescoço das girafas.

  • Teoria lamarckista

A partir das leis de Lamarck, poderíamos explicar o enorme tamanho do pescoço das girafas dizendo que ocorreram modificações ambientais que tornaram o alimento escasso e as girafas tiveram que tentar se alimentar de folhas em ramos mais altos de árvores e arbustos. O esforço de esticar o pescoço para alcançar as folhas mais altas teria levado ao consequente aumento gradativo do órgão.

Veja no diagrama a seguir um resumo da proposta de Jean-Baptiste Lamarck:

teorias da evolução girafas lamarckismo
No cenário Lamarckista, a princípio não haveria variação entre os integrantes de uma população, ou seja, todas as girafas teriam pescoços curtos. O uso constante do órgão fez com que o órgão se desenvolvesse mais (lei do uso e desuso).

Sendo assim, ainda de acordo com esta teoria, o pescoço mais longo se tornaria vantajoso e esta característica seria transmitida aos descendentes (lei dos caracteres adquiridos), que a cada geração teriam um pescoço um pouco maior.

Podemos notar então que, segundo as ideias de Lamarck, as alterações nos seres vivos surgem a partir da necessidade de adaptação às condições ambientais, são induzidas pelo ambiente.

  • Teoria darwinista

Como você já sabe, segundo o darwinismo, o ambiente seleciona os seres vivos mais aptos. Em um cenário darwinista, existiriam variações entre as girafas – algumas teriam pescoços mais longos, outras, mais curtos.

Assim, quando o ambiente se modificou e a vegetação rasteira ficou mais escassa, somente os indivíduos com pescoços mais longos conseguiriam se alimentar e sobreviver. Dessa maneira, esta característica seria selecionada e transmitida às futuras gerações. Veja no esquema a seguir:

teorias da evolução darwinismo girafas

Para Darwin, o ambiente não produz as variações nos indivíduos: elas já existem naturalmente nas populações. Ou seja, o ambiente não promoverá as mudanças (como Lamarck dizia), mas selecionará variações mais adaptadas às condições apresentadas – seleção natural.

Para resumir essa comparação, veja a imagem a seguir:

comparação entre darwin e lamarck

Para ajudá-los a compreender melhor as teorias da evolução, a professora Juliana fez uma super videoaula, confira!

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.