Desigualdade digital

Nós nos acostumamos de maneira tão rápida a usar dispositivos digitais que naturalizamos todas as tarefas que fazemos na internet. Parece que todo mundo só conversa por aplicativo, faz pagamento apenas por Pix e estuda com cursos online. Contudo, ainda tem muita gente longe dessa realidade. Por isso, o módulo 8 é sobre desigualdade digital.

Neste módulo do Curso Conectados e Ligados você vai aprender quais são os diferentes tipos de desigualdade digital no Brasil. Os conteúdos desse módulo foram elaborados pela equipe do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br), em parceria com o Instituto Vero.

A fim de aproveitar todo o conteúdo deste módulo, assista ao vídeo e baixe o e-book!

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Vídeo: desigualdade digital

No vídeo deste módulo você vai descobrir como é o acesso da população brasileira à internet. É todo mundo que tem WiFi com qualidade? E o que os brasileiros costumam fazer na internet? Quem te conta tudo sobre isso são a Larissa Machado e o Victor Durigan, integrantes do Instituto Vero:

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Pra se aprofundar nos estudos sobre desigualdade digital, faça o download do e-book do módulo 8! Se você não quiser ou não puder baixar o e-book, leia o texto a seguir e confira as recomendações complementares!

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Texto

A Internet já tomou conta do mundo. Ela está cada vez mais presente na nossa vida e é quase impossível achar uma pessoa que não esteja conectada ou que não saiba o que é a Internet. Contudo, apesar da sua grande popularidade, ainda há parte da população mundial que sequer consegue ter acesso à essa tecnologia.

No Brasil, por exemplo, dados da pesquisa TIC Domicílios de 2020 mostram que 83% da população tem acesso à internet. Mas, na área rural, apenas 70% dos domicílios estão conectados. Ou seja, a população rural é a que sofre mais com os problemas de conectividade.

Usuários da internet por área - Desigualdade digital
Fonte: TIC DOMICÍLIOS – Pesquisa Sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros.

É fácil experimentar isso. Quando vamos para áreas mais interioranas do nosso país, é comum as pessoas comentarem que estão com a conexão lenta, ou sequer possuem sinal de internet. A pandemia de COVID-19, por sua vez, escancarou ainda mais esse abismo de desigualdade.

Como o acesso à internet foi uma condição necessária para continuar convivendo em sociedade durante o lockdown, muitas pessoas se viram fora de atividades como de trabalho, de educação, de acesso à informação. Assim, apesar da maior digitalização da população nesse período, as desigualdades digitais continuaram firmes, já que uma parte da população sequer tinha condições adequadas para acessar esses serviços.

Ademais, entre os conectados, há também uma disparidade quanto à própria qualidade de acesso. Apesar da popularidade e difusão dos computadores em domicílios, ainda há quem apenas consiga se conectar através de telefones celulares, principalmente entre a população de baixa renda e escolaridade.

Ou seja, essas pessoas elas estão conectadas, mas a sua convivência muda drasticamente para aquelas que estão conectados através de computadores, inclusive na própria questão das habilidades digitais, ou seja, na capacidade de usar as tecnologias de modo a permitir que os indivíduos aumentem os benefícios desse uso e reduzam os possíveis danos ou resultados negativos associados ao engajamento com o mundo online.

Desigualdade digital na pandemia

Um exemplo disso é o estudo do Painel TIC COVID-19, que mostrou que, dentre as classes D e E, o uso de telefones celulares predominou. Em comparação, as classes A e B usaram, predominantemente, computadores, notebooks e tablets. Ou seja, as desigualdades digitais apenas refletem as desigualdades que já existem na nossa sociedade, como as de gênero, raça, poderio econômico, entre outros. O questionamento seria: como, então, diminuir essas desigualdades digitais?

Dispositivos digitais usados na pandemia - Desigualdade digital
Fonte: Painel TIC – Pesquisa web sobre o uso da Internet no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus.

Primeiramente é preciso compreender o aspecto econômico por trás das conexões de internet. Há muitos locais onde sequer há um provedor comercial ou o serviço é caro e/ou muito precário. Isso porque os provedores estão visando o lucro, assim como qualquer outra empresa privada.

Por isso, elas querem encontrar locais onde haja o maior número de pessoas e domicílios possíveis para dar esse tipo de acesso. Assim, locais mais afastados, com menos pessoas, acabam não sendo uma prioridade desse tipo de empresa. Até porque, quanto mais afastado dos centros, mais difícil é manter a infraestrutura e manutenção do local.

Políticas públicas de inclusão digital

Por isso, é preciso que haja mais políticas públicas que estimulem a inclusão digital. Ao longo dos últimos anos, houve projetos voltados para garantir o acesso à populações mais marginalizadas, como, por exemplo, o programa Banda Larga nas Escolas (PBLE) para levar a internet para locais sem conexão, e também o GESAC (que hoje é chamado de WiFi Brasil), trazendo conexão via satélite. 

Já para minimizar os danos na educação pelo COVID-19, foi criada a Lei da Conectividade, para garantir pacotes de internet móvel ou fixa para alunos e professores. Contudo, o Governo Federal acabou entrando com uma ação no STF por conta disso, informando que não tinha dinheiro para implementar. 

Felizmente, há outras formas de contornar esse problema, como é o caso da criação de redes comunitárias com pequenos provedores locais. A população, para poder ter uma rede comunitária, precisa passar por uma formação técnica para conseguir configurar os equipamentos e garantir o acesso. Além disso, a própria população que racha a conta desse tipo de serviço, o que o torna mais barato.

No Brasil, quase 20% dos usuários compartilham sinal de internet com os vizinhos, fazendo sua própria rede comunitária. É uma forma de abrir o acesso para mais pessoas, popularizando-o através de uma iniciativa local.

E aí, curtiu? Então clique aqui para fazer o download do e-book e guardar esse material nos seus arquivos!

Módulos anteriores do curso Conectados e Ligados

  1. O que é a internet
  2. Privacidade e proteção de dados pessoais
  3. Como se proteger na Internet
  4. Como não cair em desinformação na internet
  5. O que é cibercultura e net-ativismo
  6. Trabalho por plataformas
  7. O que é economia digital

Sobre o(a) autor(a):

Somos pesquisadores e influenciadores digitais comprometidos com a proteção da democracia, a promoção do discurso online e a construção de soluções para o combate à desinformação. Juntos, formamos um instituto de nativos da internet que tem o objetivo de estabelecer um ambiente digital saudável para o desenvolvimento individual e coletivo.

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