Embriologia: tipos de óvulos e clivagens

Oligolécitos, telolécitos,  mesolécitos e centrolécitos. Só de ler o nome dos tipos de óvulos alguns estudantes já ficam com medo da embriologia. Mas, não se preocupe! Esta aula vai te ajudar a revisar tudo o que você precisa saber sobre os tipos de óvulos e de clivagens. Revise Biologia para o Enem.

Embriologia é o ramo da Biologia que estuda o desenvolvimento dos animais no início da sua vida. Nesta aula de Biologia para o Enem, vamos estudar a primeira parte desse desenvolvimento: os tipos de óvulos que originam os animais e seus tipos de clivagens.embriologia: tipos de óvulos e clivagensPara começar, é importante que você se lembre que a fecundação, seguida pela cariogamia (união dos núcleos do óvulo e do espermatozoide), é responsável por produzir a célula-ovo ou zigoto. Após a sua formação, o zigoto passará por diversas transformações, que chamamos de desenvolvimento embrionário.

O desenvolvimento embrionário de um animal dependerá de vários fatores. Mas, talvez o fator mais determinante no início da vida seja o tipo de óvulo que dará origem ao novo ser vivo. Isso porque, dependendo do tipo de óvulo, esse gameta terá diferentes quantidades de vitelo.

Vitelo é um material nutritivo encontrado dentro dos óvulos. É composto especialmente por proteínas e gorduras. Como o vitelo é um material metabolicamente inerte, sua quantidade vai influenciar na velocidade e na maneira como a célula-ovo (formada pela união do óvulo com o espermatozoide) irá se dividir. Lembre-se que após a sua formação, uma célula-ovo irá sofrer sucessivas mitoses, aqui chamadas de clivagens ou segmentações. Isso será necessário para formar as células do novo animal que está surgindo.

Essa primeira etapa do desenvolvimento embrionário forma um agrupamento de células indiferenciadas que chamamos de mórula (pois a estrutura se assemelha a uma amora). As células que compõem essa estrutura são chamadas de blastômeros.

Dessa maneira, usamos a quantidade e localização do vitelo para classificar os diferentes tipos de óvulos e seu desenvolvimento. De acordo com esse critério, temos quatro tipos de óvulos: oligolécitos, telolécitos, mesolécitos e centrolécitos. Veja as principais características de cada tipo com suas respectivas clivagens:

Oligolécito

Os óvulos oligolécitos (oligo = pouco, lecito = vitelo), são também chamados de alécitos (a = sem/não, lecito = vitelo) ou isolécitos (iso = igual, lecito = vitelo). Como você pode ver pelos nomes que recebe, esse tipo de óvulo possui uma pequena quantidade de vitelo. Além disso, esse vitelo encontra-se distribuído de maneira homogênea no citoplasma da célula.

Figura 1: Na imagem acima podemos observar à esquerda uma fotomicrografia de um óvulo humano, feita com microscópio óptico.  À direita, temos um esquema demonstrando o fato de nos ovos oligolécitos encontrarmos o vitelo distribuído igualmente no citoplasma na forma de pequenos grãos.

Por conta dessa pouca quantidade de vitelo, as divisões celulares sofridas pelo zigoto formam blastômeros de tamanhos semelhantes. Sendo assim, dizemos que o tipo de clivagem sofrida pelos ovos oligolécitos é holoblástica (holo = total, blasto = germe) e igual.

Figura 2: Na imagem vemos nove fotomicrografias de embriões de ouriço-do-mar em diferentes estágios do seu desenvolvimento embrionário inicial. Na primeira micrografia vemos o zigoto recém-formado. É possível notar que o citoplasma dessa célula é aparentemente homogêneo, exceto pela mancha arredondada que representa o núcleo da célula. Na segunda fotografia, vemos as duas células resultantes da primeira clivagem. As demais imagens seguem mostrando as células resultantes das sucessivas clivagens. Note que os blastômeros da última imagem possuem todos tamanhos semelhantes, característico desse tipo de clivagem e ovo. Além disso, é possível observar também nesta sequência, que as células formadas são cada vez menores. Isso porque, durante a formação da mórula, praticamente não há crescimento celular.Os ovos oligolécitos são encontrados nos mamíferos vivíparos, como os humanos. Isso porque, pouco tempo após se formarem, os zigotos originados de óvulos oligolécitos se implantam no útero da mãe e não precisam mais do suporte nutricional oferecido pelo vitelo. Além dos mamíferos, encontramos óvulos oligolécitos também em espécies que têm um desenvolvimento inicial muito rápido, como as esponjas, corais, estrelas-do-mar (todos estes formam larvas logo em seguida) e protocordados (como o anfioxo e a ascídia).

Mesolécitos

Os óvulos mesolécitos são também chamados de heterolécitos (hetero = diferente, lecito = vitelo). Eles recebem esses nomes porque possuem uma quantidade intermediária de vitelo (quando comparados com os ovos oligolécitos e telolécitos, que veremos a seguir). Além disso, a distribuição de vitelo é desigual nesses óvulos. Pois se concentra mais na região que chamamos de polo vegetal ou vegetativo. A outra região, onde não há vitelo, é chamada de polo animal.

Ovo mesolécito
Figura 3: Na figura acima vemos à esquerda a fotomicrografia de um ovócito do anfíbio Xenopus laevis produzida através de microscópio óptico. Neste ovócito podemos ver o polo animal, mais escuro situado na região superior, e o polo vegetativo, mais claro na região inferior.  Ao lado, temos uma figura esquemática que destaca as duas regiões encontradas nesse tipo de ovo: o polo animal e o polo vegetativo.

Como a região do polo animal possui pouco ou nenhum vitelo, a divisão celular ocorre de maneira rápida. Dessa maneira, formam-se nessa região células pequenas e numerosas. Já a região do polo vegetal, onde encontramos muito vitelo, divide-se lentamente. Assim, formam-se no polo vegetativo células maiores e em menor quantidade que no polo animal. Dessa forma, a segmentação ou clivagem dos ovos mesolécitos será chamada de holoblástica (ou total) e desigual.

Clivagens holoblástica desigual
Figura 4: na imagem acima podemos observar seis fotomicrografias produzidas com microscópio eletrônico de varredura. Elas representam a sequência de clivagens de uma célula-ovo originada a partir de um gameta heterolécito. Na terceira e na quarta imagens podemos observar que na parte de cima do embrião há blastômeros menores que na parte de baixo. Essa “assimetria” é característica da clivagem holoblástica desigual.

Os ovos mesolécitos são encontrados em anfíbios, alguns invertebrados (como moluscos, platelmintos e poliquetas) e vários peixes.

Telolécitos

Os óvulos telolécitos (telo = ponta) são também chamados de megalécitos (mega = grande). Esse nome se deve ao fato de os óvulos megalécitos possuírem uma enorme quantidade de vitelo. A quantidade é tão grande que o citoplasma e o núcleo se parecem com uma pequena gota em forma de disco sobre todo o vitelo. Popularmente, chamamos esse acúmulo de vitelo de gema.

óvulo telolécito
Figura 5: Na imagem acima podemos observar à esquerda uma fotografia de um ovo de galinha fecundado, 24 horas após a fecundação. É possível notar sobre a gema (polo vegetativo) uma mancha, que representa o polo animal. À direita, temos uma imagem esquemática mostrando que esse tipo de gameta feminino possui uma enorme quantidade vitelo, que caracteriza os ovos megalécitos.

Como a quantidade de vitelo é muito grande, não ocorrerá clivagem no polo vegetativo. Apenas a região do polo animal sofrerá divisões, formando um pequeno disco de células chamado de cicatrícula. Essa divisão é chamada de meroblástica (mero = parte) e desigual.

sequência de clivagens meroblástica desigual
Figura 6: Na imagem acima podemos observar seis fotomicrografias de um embrião de peixe feitas com microscópio eletrônico de varredura. É possível notar na sequência de clivagens ocorre de maneira desigual, somente na região de cima do zigoto. Sendo assim, podemos dizer que esta é uma clivagem meroblástica discoidal.

Os ovos telolécitos são encontrados em animais ovíparos, ou seja, aqueles que colocam ovos. Como o embrião fica confinado dentro do ovo durante o tempo relativamente longo do seu desenvolvimento embrionário, ele precisa de um bom aporte nutricional, oferecido pelo vitelo. Dessa maneira, encontramos os óvulos telolécitos em répteis, aves, alguns peixes, alguns moluscos e nos mamíferos ovíparos.

Centrolécitos

Os óvulos centrolécitos são gametas onde encontramos uma quantidade razoável de vitelo. Porém, ao contrário dos demais óvulos com uma boa quantidade de vitelo polarizado, o vitelo dos centrolécitos ocupa a região central da célula.

óvulo centrolécito
Figura 7: Imagem esquemática demonstrando a posição do vitelo em ovos centrolécitos.

Nos ovos centrolécitos, a região onde se localiza o vitelo não se divide. Após a formação da célula-ovo, apenas seu núcleo sofrerá divisão. Os núcleos resultantes dessas divisões nucleares migram para a periferia da célula. A partir daí, o citoplasma começa a se dividir, formando uma camada de células que irá envolver o vitelo no centro. Por conta disso, essa clivagem é chamada de meroblástica superficial.

clivagem meroblástica superficial
Figura 8: Imagem esquemática demonstrando a segmentação meroblástica superficial dos ovos de artrópodes.

Os ovos centrolécitos são encontrados em boa parte das espécies de artrópodes, especialmente dos insetos.

E aí? Conseguiu aprender mais sobre os tipos de ovos e suas clivagens? Beleza! Agora, para resumir o conteúdo, veja esta aula do nosso canal!

Agora, que tal testar seus conhecimentos com os exercícios sobre tipos de óvulos e clivagens que selecionei para você?

Questão 01 – (UEPG PR/2019)    

A quantidade e a localização de vitelo são variáveis nos diferentes tipos de ovos. Analise as alternativas abaixo e assinale o que for correto.

  1. Com exceção dos prototérios, os mamíferos têm ovo praticamente desprovido de citoplasma, sendo este ocupado por uma grande quantidade de vitelo, o qual circunda a região central do núcleo.
  2. O ovo do tipo heterolécito possui grande quantidade de vitelo, distribuído desigualmente entre os polos animal e vegetal. Exemplo de ocorrência: sapos.
  3. Em répteis e aves, o ovo é classificado como telolécito e ocorre uma nítida separação entre o citoplasma sem vitelo e com núcleo (no polo animal), e o citoplasma rico em vitelo (no polo vegetal).
  4. Presente em insetos, o ovo centrolécito apresenta quantidade relativamente grande de vitelo concentrada na região central do ovo.
  5. Os equinodermos possuem o ovo do tipo isolécito (ou oligolécito), com pouco vitelo, distribuído praticamente de maneira homogênea no citoplasma.

Questão 02 – (UEL PR/2018)   

(Rivane Neuenschwander, Mal-entendido, casca de ovo, areia, água, vidro e fita mágica, 2000.)

As células-ovo, ou zigoto, possuem substâncias nutritivas armazenadas no citoplasma, que constituem o vitelo. Assinale a alternativa que relaciona corretamente as células-ovo à quantidade e distribuição do vitelo, aos grupos animais que as apresentam e ao tipo de segmentação.

a) Ovos isolécitos, que possuem pouco vitelo distribuído de maneira uniforme, estão presentes em mamíferos e apresentam segmentação holoblástica.

b) Ovos heterolécitos, que possuem uma quantidade grande de vitelo restrita à região central, estão presentes nos moluscos e apresentam segmentação meroblástica.

c) Ovos telolécitos, que possuem pouco vitelo distribuído de maneira uniforme, estão presentes em anelídeos e apresentam segmentação superficial.

d) Ovos centrolécitos, que possuem uma quantidade moderada de vitelo distribuída de maneira uniforme, estão presentes nos anfíbios e apresentam segmentação holoblástica.

e) Ovos mesolécitos, que possuem uma grande massa de vitelo na região central, estão presentes nos insetos e apresentam segmentação meroblástica.

Questão 03 – (UFU MG/2018)    

O esquema abaixo representa os diferentes estágios de desenvolvimento de um anfíbio.

exercício de clivagens e embriologia

GILBERT, Scott F. Developmental Biology. 6.ed. Sunderland: Sinauer, 2000. (Adaptado)

De acordo com esse esquema, os diferentes estágios de desenvolvimento se originaram a partir de um ovo

a) centrolécito.

b) oligolécito.

c) mesolécito.

d) megalécito.

GABARITO: 

1) Gab: 30

2) Gab: A

3) Gab: C

 

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.