A Revolução de 1930 e a Era Vargas na Presidência

Era Vargas foi o período em que Getúlio Vargas foi presidente do Brasil entre 1930 e 1945, começando como revolucionário e terminando como ditador. Veja como ele toma o poder com a Revolução de 30, e como implanta a Ditadura do Estado Novo em 1937. Em 45 é obrigado a deixar o poder. Retorna eleito em 1950, e comete suicídio em 1954.

A Era Vargas foi o período em que Getúlio Vargas foi presidente do Brasil pela primeira vez, entre 1930 e 1945. Esses 15 anos de governo são divididos em três fases distintas: Governo Provisório, Governo Constitucional e Estado Novo, todos com características diferentes. Ele foi de “pai dos pobres” a ditador.

Flertou com o fascismo, entregou presos políticos para sere mortos pelo nazismo, mas terminou aliando-se aos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Getúlio fica fora do poder desde o final de 1945 até o início de 1951, quando novamente toma posse, desta vez eleito pelo voto popular. O jingle de rádio da campanha vitoriosa dizia “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar”.

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Mas, o segundo governo de Getúlio Vargas é conturbado politicamente, com sucessivas crises e pressão na imprensa, sob liderança do opositor Carlos Lacerda. Vargas não resiste, e comete sucídio em 1954. Veja agora.

A Revolução de 1930

A política brasileira na década de 1920 era marcada pelo que ficou conhecido como política do café-com-leite, quando se alternavam no poder presidentes indicados pela elite agrária dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Como esses estados eram grandes produtores de café, leite e seus derivados surgiu o apelido mencionado anteriormente.

O descontentamento com os rumos do país era geral, muitos setores da sociedade queriam maior participação política e isso só seria possível com o fim do coronelismo e o voto de cabresto.

Nas primeiras décadas do século XX no Brasil grupos de jovens militares se organizaram em movimentos de oposição ao coronelismo. Este movimento ficou conhecido como Tenentismo. Entre os líderes do Tenentismo estavam Juarez Távora, Siqueira Campos, Juracy Magalhães, Matos Cosa, Eduardo Gomes e Luís Carlos Prestes.

Nas eleições para presidente em 1930, os mineiros romperam com os paulistas. Isso aconteceu devido ao presidente paulista Washington Luís indicar outro paulista para sua sucessão, Júlio Prestes, quando deveria ter sido um mineiro, seguindo com a alternância.Era Vargas 1Getúlio Vargas em cartaz de campanha nas eleições de 1930

Os mineiros apoiaram a chapa de oposição, a Aliança Liberal com o gaúcho Getúlio Vargas para presidente e o paraibano João Pessoa para vice. No entanto, as eleições, que eram constituídas por voto aberto, foram vencidas por Júlio Prestes. A oposição acusou o governo de ter fraudado o processo, muitos foram as ruas apoiando a Aliança Liberal.

O Sistema Eleitoral da República Velha

Confira agora com o professor Dudu Volpato, do canal do Curso Enem Gratuito, as características político-eleitorais de 1929, ainda nos tempos da Rep[ublica Oligárquica, e que resultaram na Revolução de 1930. Começou ali o ciclo de poder de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945.

O contexto eleitoral pré-revolução de 1930:

O descontentamento com os rumos do país era geral, muitos setores da sociedade queriam maior participação política e isso só seria possível com o fim do coronelismo e o voto de cabresto.

Nas eleições para presidente em 1930, os mineiros romperam com os paulistas. Isso aconteceu devido ao presidente paulista Washington Luís indicar outro paulista para sua sucessão, Júlio Prestes, quando deveria ter sido um mineiro, seguindo com a alternância.

Os mineiros apoiaram a chapa de oposição, a Aliança Liberal com o gaúcho Getúlio Vargas para presidente e o paraibano João Pessoa para vice. No entanto, as eleições, que eram constituídas por voto aberto, foram vencidas por Júlio Prestes. A oposição acusou o governo de ter fraudado o processo, muitos foram as ruas apoiando a Aliança Liberal.

Em 26 de julho de 1930 João Pessoa foi assassinado, o que serviu de estopim para que Getúlio Vargas e militares que o apoiavam tomassem o poder no que ficou conhecido como Revolução de 1930. A maioria dos militares que estavam alinhados com o Tenentismo apoiaram Getúlio Vargas e com ele chegaram ao poder.

Fases da Era Vargas

A Era Vargas é dividida em três fases: o Governo Provisório (1930-1934), o Governo Constitucional (1934-1937) e o Estado Novo (1937-1945).

O Governo Provisório (1930 – 1934)

Getúlio Vargas assumiu a presidência em caráter provisório, até que novas eleições ocorressem. Concentrou o poder em suas mãos, fechou o Congresso e nomeou interventores para governar os estados.

Vargas tratou de colocar em prática várias de suas promessas de campanha, principalmente com relação a classe trabalhadora, criou o salário-mínimo, estabeleceu jornada de oito horas, repouso remunerado, férias e indenização trabalhista. Em contrapartida, criou mecanismos de controle dos sindicatos, diminuindo a liberdade desses de se manifestarem.

Os paulistas, principalmente os produtores de café, não se conformaram com a derrota sofrida na Revolução de 1930 e tentaram retomar o controle do governo no que ficou conhecido como Revolução Constitucionalista de 1932.

O movimento paulista saiu derrotado, mas pressionaram Vargas para convocar eleições para Assembleia constituinte, que criaria uma nova Constituição para o país em 1934.

Essas eleições já foram muito diferenciadas das anteriores, o voto passou a ser secreto, todos alfabetizados maiores de 18 anos seriam obrigados a votar, incluindo mulheres que não tinham tal direito até então.

A nova constituição consolidava várias mudanças do governo provisório: instaurou o voto secreto e obrigatório; estabeleceu o direito ao voto feminino; tornou o ensino primário obrigatório gratuito; criou a Justiça do Trabalho; e aprovou os direitos trabalhistas.

Governo Constitucional (1934-1937)

A Assembleia Constituinte elegeu o próprio Getúlio Vargas para o mandato seguinte de presidente até 1938. Nesse período, Vargas teve de lidar com grupos políticos em crescimento, que faziam oposição ao seu governo: os comunistas e os integralistas.

O primeiro grupo se organizou na Aliança Nacional Libertadora (ANL) e defendia mudanças mais profundas em prol da classe trabalhadora. Dentre as diversas correntes que participaram da ANL estava o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi proibido pelo governo Vargas de funcionar livremente.

Em 1935 a ANL, que defendia a derrubada do governo sobre nova revolução, foi proibida de atuar. Os comunistas organizaram uma rebelião chamada de Intentona Comunista, mas o movimento foi fortemente repreendido e suas lideranças presas, como Luís Carlos Prestes e sua esposa Olga Benário.

Para entender mais sobre esse movimento e seu período de atuação, indico o filme Olga, de 2004, do diretor Jayme Monjardim.

Com ideias completamente opostas à ANL, os integralistas se organizavam na Ação Integralista Brasileira (AIB) liderados pelo escritor Plínio Salgado. A AIB tinha ideias inspiradas nos fascismos da Europa, entre elas, o anticomunismo. O período é marcado por conflitos entre os dois grupos.

O governo, em geral, tinha simpatia pelos integralistas. Porém, quando Getúlio Vargas conseguiu o poder total nas mãos em 1937, mandou fechar a AIB. Os integralistas se revoltaram e atacaram o Palácio da Guabanara em 1938, mas a ação foi reprimida pelas forças do governo.

Resumo sobre os Governos Provisório e Constitucional

Entenda melhor como foram os primeiros sete anos da Era Vargas neste vídeo de História, com o professor Felipe:

Estado Novo (1937-1945)

Getúlio Vargas, em 1937, para se manter no poder inventou uma conspiração comunista, chamada por ele de Plano Cohen. Esse previa que o Brasil seria acometido por uma série de greves, assassinatos de líderes políticos e ataques a igrejas. Com isso, Vargas convenceu os militares que o Brasil precisava de uma ditadura para conseguir controlar as forças comunistas.

No fim de 1937 era instaurado o Estado Novo, quando Getúlio Vargas adquiriu amplos poderes, fechou o Congresso Nacional, proibiu a existência dos partidos políticos, censurou a imprensa e novamente nomeou interventores para os estados da federação.

Em 1939 criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) com objetivo de cuidar da propaganda do Estado Novo. O DIP cuidava de diversas manifestações culturais pelo país, entre elas grandes festas cívicas em homenagem a Vargas, como as que ocorreram no Dia do Trabalhador em estádios de futebol.Era Vargas Getúlio Vargas chegando ao Estádio São Januário no Rio de Janeiro.

Através do rádio, o presidente criou a imagem de “pai dos pobres”, principalmente no programa “Hora do Brasil”, que todas as estações deveriam transmitir no mesmo horário. Essa criação de uma imagem do presidente próxima a classe trabalhadora é conhecida como populismo, uma das características marcantes da Era Vargas.

Na economia seu governo foi marcado pelo desenvolvimento de uma indústria de base nacional. Planejou hidrelétricas; criou a Companhia do Vale do Rio Doce para extrair e exportar ferro; o Conselho Nacional do Petróleo; e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), para abastecer a indústria nacional com aço.

Resumo sobre o Estado Novo

Para se aprofundas nas características do Estado Novo, assista ao resumo em vídeo a seguir.

O fim da Era Vargas

Em 1942, o Brasil entra na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Com a vitória das forças aliadas em 1945, os regimes totalitárias na Alemanha e Itália chegaram ao fim. No Brasil, cresceram os movimentos que pediam fim do estado autoritário de Vargas e o retorno da democracia.

Diante das pressões o presidente convocou novas eleições, concedeu anistia aos presos políticos e liberdade para a organização de partidos políticos. Em outubro de 1945, Vargas deixa o poder sob pressão das forças armadas, e convoca eleições presidenciais.

Disputam dois candidatos principais, o marechal Eurico Gaspar Dutra, apoiado por Getúlio Vargas, e o Brigadeiro Eduardo Gomes. Dutra vence o pleito, e governa até 1950.

Eleito em 1950, suicida-se em 1954

Getúlio volta ao poder eleito pelo voto direto, na campanha de 1950, e assume novamente a Presidência da República em 1951. Porém, o Brasil já era mais o mesmo que ele tinha comandado de 1930 a 1945. Ele enfrenta forte oposição na imprensa carioca, dominada pelo jornalista e político Carlos Lacerda.

No dia 5 de agosto de 1954 um atentado a bala contra Carlos Lacerda resulta na morde do Major  Rubens Vaz, da Aeronáutica, que fazia parte da comitiva de segurança de Lacerda. Durante as apurações para identificar os criminosos surge o envolvimento do segurança pessoal de Getúlio,  Gregório fortunato. que era conhecido por Anjo Negro.

A pressão política contra Getúlio Vargas cresce, postulando que ele renunciasse ao cargo. Porém, no dia 24 de agosto Getúlio Vargas comete suicídio, às 8h54min da manhã, com um tiro no coração. Ele deixa uma Carta Testamento, onde lista as razões pelas quais “Deixo a vida para entrar na história”, e o país todo fica paralisado em comoção para o funeral de Vargas.

Multidões vão às ruas, em todo o país, e condenam a campanha jornalística de Carlos Lacerda como o estopim da morte de Vargas.

Veja na imagem acima a orla do Rio de Janeiro tomada pela procissão que se formou na despedida após a morte de Getúlio.

Veja abaixo, ao lado esquerdo na imagem, Tancredo Neves, João Goulart, e Juscelino Kubitschcek, ao lado do caixão, no enterro de Getúlio, no Rio Grande do Sul.Termina assim a mais longa história política de um brasileiro na presidência da república.

JK vence as eleições

Nas eleições seguintes, elege-se presidente Juscelino Kubitsheck de Oliveira. Veja um resumo dos anos JK na presidência da república. O mote da campanha era “50 anos em 5”.

Juscelino Kubitischeck entrou para a história sob as marcas de JK, e de Presidente Bossa Nova. Ele acelerou a indústria, a produção de energia elétrica, a construção de rodovias, e construiu Brasília, que passou a ser a nova capital do país.

Dica de Literatura sobre a Era Vargas

Para quem gosta de literatura, o escritor Érico Veríssimo escreveu uma trilogia chamada “O tempo e o vento” em que narra a história da formação do estado do Rio Grande do Sul. O terceiro volume da série se inicia com o contexto das eleições de 1930 e a revolução. Caso queira ler apenas a parte que fala sobre a Revolução de 1930 indico o capítulo “O Cavalo e o Obelisco”.

Exercícios sobre a Era Vargas

Para terminar, resolva os exercícios sobre a Era Vargas selecionados pela equipe do Curso Enem Gratuito!

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A versão original deste post foi complementada pela direção do Curso Enem Gratuito em outubro de 2021

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