República Oligárquica: veja as características da Política do Café com Leite

Nesta postagem falaremos sobre a República Oligárquica, período da história brasileira também conhecido como República do Café com Leite, República Velha ou Primeira República.

A República Oligárquica ocorreu no Brasil entre os anos de 1889 e 1930, ou seja, tem início a partir do fim do segundo reinado e termina com a Revolução de 1930, que inaugura um novo momento político da história do Brasil – a Era Vargas.

O Brasil foi um dos últimos países americanos a adotar o regime republicano. Como sabemos, nos primeiros 67 anos após a independência em relação a Portugal o país viveu sob regime monarquista, no entanto, durante todo o século XIX a perspectiva republicana ganhou corpo, sendo a republica proclamada em novembro de 1889, pouco mais de um ano após a abolição da escravidão, fator este determinante para a perda do apoio das classes dominantes ao Imperador Pedro II.

A deposição do imperador foi feita por militares, mas não seria possível sem o apoio das elites e classes médias. Assim sendo, logo após a proclamação os militares mantiveram relativa liderança no processo de transição política, sendo os dois primeiros presidentes militares, a saber, o Marechal Deodoro da Fonseca, seguido de Floriano Peixoto.caricatura sobre república oligárquicaImagem:  LEMOS, Renato. Uma história do Brasil através da caricatura. Rio de Janeiro: Bom Texto/expressões, 2001. P. 34.

Tal situação fez com que os primeiros anos republicanos ficassem conhecidos como República da Espada. Deodoro governou, inicialmente, de forma provisória, mas seria eleito como primeiro presidente em 1891. Entretanto, por conta de seu autoritarismo renunciou ao cargo meses após a eleição. Floriano Peixoto, seu vice, deveria por lei convocar novas eleições, mas descumpriu a recém-criada constituição e manteve-se no poder, não sem ter de enfrentar duas importantes revoltas: a revolta da armada e a revolução federalista.

Manifestações, revoltas populares, movimentos messiânicos e a questão trabalhista em um Brasil em pleno esforço de industrialização e modernização deram a tônica desses primeiros 41 anos de “democracia”.

A democracia permaneceu seletiva e excludente, analfabetos, mulheres, militares de baixa patente e religiosos estavam vetados das urnas, no entanto, se considerarmos o voto de cabresto sob domínio dos coronéis (grandes proprietários de terra), poder votar representava perigo de sofrer castigos físicos para aqueles que deliberadamente “desrespeitassem” a vontade dos poderosos.

Na República Oligárquica, as relações clientelistas resultaram em décadas de governos voltados para o interesse dos mais ricos e opressão aos mais pobres em um país marcado pelo domínio financeiro das oligarquias paulistas e mineiras, a ponto do período ser também conhecido como república do café com leite.

A tabela abaixo apresenta os nomes dos presidentes brasileiros da primeira república e seus respectivos tempos de governo.

Fonte: http://fazendohistorianova.blogspot.com.br/2011/05/republica-velha-no-brasil-1889-1930.html

Diversos conflitos atrelados aos diferentes interesses sociais marcaram o período da República Oligárquica. Entre os movimentos messiânicos, com presença marcante do viés religioso podemos citar a Guerra de Canudos, ocorrida no sertão baiano e eternizada por Euclides da Cunha em “Os Sertões”, a Guerra do Contestado, área disputada pelos governos catarinense e paranaense, e o movimento liderado pelo Padre Cícero Romão Batista, em Juazeiro do Norte. Tais movimentos explicitam de maneira contundente as desigualdades sociais e as condições de vida precárias e miseráveis nas zonas campesinas.

Dentro da caserna, os militares brasileiros também se revoltaram contra a corrupção, desrespeito à constituição e o autoritarismo, caso da Revolta da Armada, e também contra os castigos físicos ainda presentes na marinha, caso da Revolta da Chibata, sem contar os movimentos tenentistas como a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, Revolta de São Paulo e a Coluna Prestes.

No ambiente urbano, além das revoltas militares, questões como a Revolta da Vacina e as greves operárias de 1917 comprovam que a situação precária das classes mais pobres não era exclusividade do campo, mas principalmente na capital federal, o Rio de Janeiro, que passou por importantes projetos de reforma que atingiram diretamente a população mais pobre, caso da expulsão dos moradores dos cortiços para modernização do centro da cidade.

Assim sendo, as questões populares e trabalhistas foram tratadas como caso de polícia na República Oligárquica. As forças do Estado sempre agiram de acordo com os interesses das elites políticas.

Na questão econômica, o café foi a mola propulsora de nossa economia. As condições do solo no oeste paulista proporcionaram grandes produções, o que em alguns momentos impactou a economia de forma negativa, haja vista o claro desrespeito das relações de oferta e demanda.

Neste sentido, para salvaguardar os interesses dos cafeicultores, o Convênio de Taubaté estabeleceu medidas para o controle da produção, mas também implicou na compra dos excedentes do café e sistemática queima do produto para forçar o aumento dos preços.

Para reforçar sua revisão, veja o vídeo sobre a República Oligárquica gravado pelo prof. Felipe para o nosso canal do YouTube:

Veja também a paródia que conta a história da produção de café no país!

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Sobre o(a) autor(a):

Bruno é historiador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de história em escolas da Grande Florianópolis desde 2012.