Fertilização in vitro e inseminação artificial

Você sabia que em 2018 o primeiro “bebê de proveta” completou 40 anos? Conheça mais sobre a fertilização in vitro e sobre a inseminação artificial, duas técnicas de reprodução assistida que revolucionaram a ciência. Revise Biologia para o Enem.

Há 40 anos nascia Louise Brown, o primeiro “bebê de proveta” do mundo. A menina inglesa foi uma revolução e um marco na história das ciências biológicas e médicas. De lá pra cá a técnica se modernizou e se “popularizou”, ajudando casais a realizarem o sonho de ter um bebê. Você sabe como é feita fertilização in vitro? E, conhece as principais diferenças em relação à inseminação artificial? Não? Então revise Biologia com este post para arrebentar em Ciências da Natureza no Enem!

Fertilização in vitro

Como o seu próprio nome já diz, nesta técnica de reprodução assistida a fecundação ocorre dentro de um vidro de laboratório. Uma das vidrarias utilizada no processo é a proveta. Daí o apelido da técnica: “bebê de proveta”.

A fertilização in vitro é processo complexo e caro. É indicado para casos severos de infertilidade, como tubas uterinas interrompidas ou baixíssima produção de gametas. Além disso, é utilizado por mulheres com idade avançada, mulheres que passaram por procedimentos quimioterápicos e precisaram congelar seus óvulos, casais homoafetivos e por pessoas que fizeram esterização cirúrgica (vasectomia e laqueadura).

Para realizar uma fertilização in vitro o primeiro passo é administrar para a mulher medicamentos que estimulem os ovários a produzirem folículos. Após alguns dias, em uma clínica, a paciente recebe medicamentos que estimulam a maturação dos óvulos. Em seguida, os óvulos são coletados da paciente através de uma punção sob anestesia.

Os óvulos maduros obtidos são levados para o laboratório, onde os espermatozoides do doador são preparados.

A fecundação pode ser feita de duas maneiras:

– O óvulo é colocado em uma placa e é rodeado de espermatozoides para que um o fecunde.

– Através da técnica de ICSI, onde o espermatozoide é introduzido dentro do óvulo através de um instrumento como na imagem a seguir:

Inseminação por ICSI.

Após a fertilização e a formação dos zigotos, os embriões são cultivados em laboratório e seu desenvolvimento é observado. Características não compatíveis com a vida são rastreadas para verificar a qualidade e viabilidade dos embriões.

Ao atingirem certo estágio de desenvolvimento, os embriões são transferidos para o útero da mãe. Geralmente são introduzidos dois ou três embriões, para aumentar a taxa de sucesso do procedimento, que chega a 40%. Por conta dessa implantação múltipla, é comum que as gestações provenientes de fertilização in vitro seja de gêmeos.

Dica: Estude também a clonagem terapêutica. Esse é também uma assunto de biologia moderna que pode aparecer no Enem. Revise o assunto nesta aula da professora Juliana.

Devido ao tratamento de indução de ovulação, muitos óvulos são coletados e a partir deles são produzidos múltiplos embriões. Como nem todos os embriões são implantados, os restantes podem ser congelados para posterior utilização.

Além disso, os óvulos utilizados não necessariamente são da gestante. Podem vir de doadoras, caso a futura mãe não consiga produzi-los ou quando a gestante é uma “barriga solidária”.

Veja na imagem a seguir um esquema resumindo a fertilização in vitro:

Esquema de fertilização in vitro.

Inseminação artificial

A inseminação artificial é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade. É consideravelmente mais barata que a fertilização in vitro (de quatro a cinco vezes mais barata).

Esta técnica de reprodução assistida é indicada para casais jovens em que a mulher é fértil e o homem possui motivos leves de infertilidade (como espermatozoides com dificuldade de deslocamento), para mulheres que desejam ser “mãe solo” ou ainda para casais homossexuais que desejam ter filhos.

Basicamente, a inseminação artificial diminui a distância que o espermatozoide precisa vencer ao se deslocar para chegar até o óvulo. Sendo assim, nesta técnica, a fecundação ocorrerá dentro do corpo da mãe.

Para que isso aconteça, há várias etapas no tratamento. O primeiro passo para a inseminação artificial, assim como na fertilização in vitro, é estimular os ovários da mãe através de medicamentos. Em seguida, a ovulação é induzida com injeções de hormônios.

Dica: Revise as divisões celulares que dão origem aos gametas e às células do embrião. Mitose e meiose são assuntos com presença garantida no Enem. Revise biologia com esta aula.

No dia da inseminação programada, o doador fornece o esperma e os espermatozoides são preparados em laboratório. Eles são “turbinados” para aumentar seu potencial de fecundação ao serem introduzidos no útero materno.

Por fim, os espermatozoides são aplicados no interior do útero da futura mãe com a ajuda de um longo cateter. Espera-se então cerca de 7 a 14 dias para confirmar a gravidez que ocorre em cerca de 16% das tentativas.

Veja na ilustração a seguir um esquema resumindo a técnica da inseminação artificial:

Esquema da inseminação artificial.

A revolução da reprodução assistida:

O nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê nascido a partir da fertilização in vitro, causou alvoroço no meio científico e também na sociedade. A notícia de seu nascimento ocupou a capa de diversos jornais pelo mundo e fomentou inúmeros debates sobre a ética do procedimento.

Jornal com manchete sobre o nascimento do primeiro bebê de proveta.

A revolução promovida pela técnica foi tão grande que um dos cientistas responsáveis por sua criação, Robert Edwards, ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 2010.

O médico Robert Edwards com Lesley Brown e sua filha Louise, em 2010. Disponível em https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,ha-40-anos-nascia-o-primeiro-bebe-de-proveta-do-mundo-,70002413932

Ao longo dos anos, a técnica foi aprimorada e “popularizada”. No Brasil, o SUS oferece o custeio de parte do processo em algumas cidades do país.

No Brasil e no mundo o número de pessoas que procuram a fertilização in vitro cresce a cada ano. Um dos principais motivos apontados é o avanço da idade materna. Mulheres têm tido buscador engravidar cada vez mais tarde e, com a diminuição da fertilidade com a idade, têm recorrido à reprodução assistida.

Para você ter uma ideia, segundo o Comitê Internacional de Monitoramento de Reprodução Assistida, cerca de 8 milhões de crianças nasceram através da técnica da fertilização in vitro nos últimos 40 anos. Em alguns países, como a Dinamarca, o uso da técnica é tão alto que quase 10% da população atual é fruto dessa técnica.

As técnicas hoje são tão avançadas que não só aumentam o sucesso da fertilização in vitro quanto possibilitam feitos inimagináveis décadas atrás. Hoje é possível fazer o mapeamento genético dos embriões, procurando possíveis genes que poderiam gerar doenças no indivíduo. É possível selecionar até mesmo o sexo dos embriões.

Para finalizar sua revisão, veja este vídeo que mostra o passo-a-passo da fertilização in vitro através de uma animação:

 

 

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.