Figuras de linguagem: onomatopeia

As figuras de linguagem costumam aparecer em vários textos literários e em propagandas. Esse conteúdo não pode ficar de fora da sua revisão para o Enem!

A linguagem é uma atividade humana. Podemos manipulá-la a fim de nos comunicar, expressar nossos sentimentos ou convencer pessoas, por exemplo. Para que isso aconteça de forma plena, precisamos dominar alguns recursos que possibilitem o efeito desejado. E é aí que entram as figuras de linguagem.

O que são figuras de linguagem

Figuras de linguagem são recursos estilísticos que aparecem no nível dos sons, das estruturas sintáticas, das palavras e dos significados para dar uma riqueza aos textos, torná-los mais expressivos.

Como são divididas

Para melhor estudá-las, podemos dividi-las em algumas categorias. Como nesta revisão nosso foco é a onomatopeia, vamos trazer um apanhado de algumas figuras de linguagem e, logo em seguida, conhecer um pouco mais da nossa figura escolhida para esta aula.

Figuras Sonoras

Dependendo da situação e necessidade, os falantes precisam explorar sons para produzir o efeito de sentido desejado. Alguns desses efeitos sonoros têm um uso mais frequente. Vamos citar as mais comuns.

Aliteração consiste na repetição de um mesmo som de consoante. Costuma aparecer bastante em letras de música, por exemplo.

Assonância é parecida com a aliteração, mas o som repetido é de vogal.

Paronomásia é quando temos palavras com sons e grafias bem próximas, e isso, de certa forma, é explorado no texto.

Parônimos são palavras de significados diferentes, mas que têm grafia e pronúncia muito parecidas. Exemplo: praça e graça.

Figuras de palavra

É bem provável que você já tenha usado uma palavra em um contexto pouco esperado fazendo com que esse termo ganhe um novo sentido. Esses “deslocamentos” de contextos são bem comuns. Tão comuns que passaram a ser reconhecidos como figuras de palavra.

A metonímia ocorre quando uma palavra é utilizada em lugar de outra por causa de sua “proximidade”. Exemplo: Magali é boa de garfo.

Conhecendo a referência à personagem de Maurício de Sousa, sabemos que a expressão “boa de garfo” que dizer que Magali gosta muito de comer.

Uma antonomásia pode ser compreendida como um tipo de metonímia que consiste na identificação de uma pessoa por um atributo muito particular, que a difere das demais. Um exemplo clássico: Castro Alves, poeta da terceira geração romântica, era conhecido como poeta dos escravos.

A comparação e a metáfora são bem próximas. A comparação ocorre quando se aproxima elementos de campos semânticos diferentes a fim de compará-los por meio de um termo gramatical específico. Exemplo:  Seus olhos são como estrelas.

A metáfora também é uma comparação, mas implícita. Exemplo: Quem estuda pelo Curso Enem Gratuito fica fera.

Uma curiosidade: a palavra grega Metaphorá significa transporte. Agora, ficou ainda mais fácil entender a sua função.

Temos a catacrese, que nos ajuda quando nos falta aquela palavra para designar um determinado objeto, daí usamos outra no lugar. Batata da perna ou asa da xícara são bons exemplos, não acha?

Quando temos a mistura de sensações, ocorre a sinestesia. Essa figura de linguagem aparece muito em poemas simbolistas do Cruz e Sousa, por exemplo.

A onomatopeia

Onomatopeia parece um nome estranho, né? Não se assuste, pois trata-se de um fenômeno linguístico dos mais divertidos, usuais e comuns: a formação de palavras pela imitação dos sons naturais. Exemplos de onomatopeia são as palavras tique-taque, vrumm, boom.

São palavras alegres essas onomatopeias. Com suas raízes na oralidade, base mais primitiva de todo e qualquer idioma, estão sempre ali para nos avisar que uma língua não é só esse recurso altamente complexo e abstrato que sem ela homens e mulheres modernos não conseguiriam se relacionar, expressar suas emoções e compreender a sua realidade.

Frente às onomatopeias, somos lembrados de que ainda reside em nós aquele bebê que, começando a falar, adquirindo a comunicação, chama passarinho de piu-piu.

Como reconhecê-las

Nem sempre é uma tarefa simples reconhecer uma onomatopeia logo de cara. Algumas delas passam por um processo conhecido como gramaticalização. Elas entram de tal forma à corrente principal da língua que dão origem a novas expressões e se integram perfeitamente ao idioma.

Se o verbo tiquetaquear é, como você já deve ter sacado, derivado de tique-taque, som feito pelos relógios antigos, é bem mais complexo chegar à conclusão que chiar, por exemplo. O próprio shhh da chiadeira que a maioria dos falantes ouve nele.

E aí, estudante, temos o segredo das onomatopeias: quando as lemos, são ouvidas. Ainda que não se tenha o conhecimento sobe o que querem dizer, fica fácil sacar o que significam. A arbitrariedade que mora no coração da maioria dos signos linguísticos (o que há de árvore na palavra “árvore” é rigorosamente nada) não se cria com elas.

Primitivas, brincalhonas, bagunceiras, as onomatopeias são como crianças travessas que amamos e são mais importantes do que pensamos.

Agora que já temos uma base revisada sobre as figuras de linguagem, vamos falar da escolhida para esta revisão.

Chamamos de onomatopeias as palavras especiais criadas para grafar sons particulares. Podem ser ruídos, vozes de animais, barulhos naturais etc.

Veja essa tirinha:
figuras de linguagem - onomatopeia
Fonte: Google Imagens

Esses personagens são bem conhecidos nossos, né? Foram criados por Maurício de Sousa.

Na tirinha escolhida, temos uma situação bem familiar – e não estamos falando da surra que o Cebolinha levou – que é a presença da onomatopeia.

A grafia de GRR é a tentativa de imitar o som produzido pela Mônica ao perceber a travessura do amigo. Essa expressão é bem comum nos quadrinhos e já é uma convenção entendê-la como um rosnado, sinalizando raiva.

Temos ainda o POW – que pode ser lida como pou ou pau – que nos traz a ideia de um estampido, uma batida seca, resultado da coelhada.

Fica fácil perceber que todo o trabalho de humor da tirinha sai da representação de efeitos sonoros.

Veja essa clássica abertura de Batman, seriado dos anos 60:

Viu só? Apesar de dublada, as onomatopeias permanecem as mesmas, pois, mesmo sendo em outro idioma, podemos reconhecê-las.

Vale lembrar que no caso de vozes de animais, as onomatopeias mudam. Ah! Você já ouviu falar em verbos onomatopaicos? São verbos que se originaram de onomatopeias puras a fim de tentar reproduzir o som emitido por um animal.

Como você sabe, nas fábulas, os personagens principais são animais, então, é comum encontramos verbos onomatopaicos nesse tipo de narrativa.

Mugir, por exemplo, é um verbo onomatopaico para se referir à fala de um boi.

Para finalizar sua revisão sobre as figuras de linguagem e onomatopeias, resolva os exercícios a seguir.

Exercícios

1 – (Fac. Direito de São Bernardo do Campo SP/2018)    

O conto “Conversa de Bois”, integrante de Sagarana, apresenta uma linguagem rica de recursos poéticos e estilísticos, como os que seguem: 

– Cristo! Cris-pim – cris-pim – cris-pim – crispim! …

Um par de joãos-de-barro arruou no caminho, pouco que aos pés de Tiãozinho.

– Seriam bem dez horas, e, de repente, começou a chegar – nhein … nheinnhein …renheinnhein … do caminho da esquerda, a cantiga de um carro-de-bois.

Assim, as figuras presentes nos trechos, são

a) Pleonasmos, pela repetição dos mesmos vocábulos, o que torna a expressão redundante.

b) Anáforas, pela constância repetitiva dos mesmos sons, por meio da decomposição estrutural da palavra.

c) Onomatopeias, pela incorporação dos sons da natureza capazes de aproximar ou reproduzir dados da realidade.

d) Comparações, pela aproximação entre sons e sentidos na reprodução e representação do canto da ave e do ruído das rodas do carro.

2 – (IFBA/2019)    

ELA E EU

Há flores de cores concentradas

Ondas queimam rochas com seu sal

Vibrações do sol no pó da estrada

Muita coisa, quase nada

Cataclismas, carnaval

 

Há muitos planetas habitados

E o vazio da imensidão do céu

Bem e mal e boca e mel

E essa voz que Deus me deu

Mas nada é igual a ela e eu

Trecho de uma canção de Caetano Veloso, cantada por

Marina Lima no álbum Marina Lima, do ano de 1991.

Disponível em: https://www.vagalume.com.br/marina-lima/ ela-e-eu.html>. Acesso em: 06/08/2018.

Assinale a alternativa em que encontramos um exemplo de antítese:

 a) “Muita coisa, quase nada”.

b) “Há flores de cores concentradas”.

c) “Ondas queimam rochas com seu sal”.

d) “Mas nada é igual a ela e eu”.

e) “Vibrações do sol no pó da estrada”.

3- (IFAL/2019)

DESEJO DO CHEIRO DA CASA DA AVÓ:

Tudo o que a avó fabrica em sua cozinha encantada tem cheiro bom:

bolo de chocolate, biscoito de nata, sonhos embrulhados em açúcar e canela, que são como nuvens no céu da boca e expulsam qualquer pesadelo. As mãos da avó, cheias de farinha e tempo acumulado, acariciam, tocam na superfície dos pães e da pele da gente com tanto amor que curam qualquer defeito do lado esquerdo ou direito.

Na casa da avó o ar é perfumado e parece um abraço e até o final dos tempos o cheiro da casa da avó fica grudado em nosso pensamento.

(Fonte: MURRAY, Roseana. In: Poço dos Desejos Ed. Moderna, 2014.)

O texto acima, pela presença de uma linguagem não literal, dispõe de vários trechos em que se pode verificar a presença de algumas figuras de linguagem, tão relevantes à composição de textos dessa natureza. Há uma delas que se sobressai, dado o propósito comunicativo do texto. Assim, a partir do título “Desejo do cheiro da casa da avó”, indique qual é essa figura predominante.

a) personificação.

b) antítese.

c) eufemismo.

d) sinestesia.

e) onomatopeia. 

1- Gab: C

2- Gab: A

3- Gab: D

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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