Formações vegetais dos biomas terrestres e suas relações com o clima

Nesta aula você vai estudar a relação entre o clima e as formações vegetais que caracterizam os grandes biomas terrestres. Estude Geografia para o Enem!

Se eu te disser que “a vegetação é o espelho do clima”, você consegue interpretar a frase? A relação entre os diferentes tipos de formações vegetais e climas em nosso planeta são intrínsecas e ter essa noção é fundamental pra mandar bem nas suas provas.

Há sempre uma combinação complexa e diversificada de elementos do ambiente que criam na superfície terrestre características muito específicas nas diferentes regiões do planeta. A formação dos biomas é resultado desses processos.

O que são as formações vegetais

Os biomas são compreendidos como conjuntos de vida animal e vegetal, constituídos pela aglomeração contínua de tipos de vegetação em uma escala regional, com características climáticas e alterações ambientais semelhantes, o que lhes garante características biológicas próprias.

Na geografia, identifica-se o bioma considerando sua formações vegetais típicas, que vai sempre apresentar particularidades relacionadas ao clima que domina a região onde ocorre. Em resumo, os biomas são grandes unidades com certa homogeneidade em termos de clima e vegetação, principalmente, mas também de tipos de solo e agrupamentos de seres vivos.

A relação entre vegetação e clima é, portanto, muito íntima. A variação na quantidade de chuva, na temperatura e na incidência de radiação solar nas diferentes partes do planeta determina se será possível haver formações vegetais e de que tipo ela será.

Diferentes formações vegetais e suas características

Por todo o mundo, em áreas de clima equatorial (quente e chuvoso o ano todo), predominam as florestas equatoriais, como é o caso das florestas Amazônica, Congolesa e da Indonésia. Suas características principais são a densidade – mata fechada com árvores que ultrapassam 40 metros de altura – e heterogeneidade, possuindo inúmeros tipos de espécies vegetais, o que faz com que contenham riquíssima biodiversidade.

Onde há o clima tropical, estão presentes as florestas tropicais. Elas possuem grandes semelhanças com a floresta equatorial, inclusive por causa de sua localização entre os trópicos. Dentre as semelhanças estão o fato de serem densas e heterogêneas, com árvores de grande e médio porte, ombrófilas e com espécies latifoliadas.

A Mata Atlântica brasileira é uma floresta tropical e, atualmente, possui apenas 7% de sua cobertura original. Essas formações também foram devastadas em outras regiões onde predominam, como na América Central, costa da Guiné-Bissau e no sudeste asiático.

As savanas são formações arbustivas de raízes profundas (para absorção de água do lençol freático durante as secas de inverno), folhas grossas e troncos retorcidos. Essas características estão relacionadas à adaptação em relação à alternância entre um período de seca e outro de chuva durante o ano. Essa formação é presente no Brasil com o nome de Cerrado, considerado um dos hotsposts mundiais de biodiversidade. Nas regiões tropicais também estão presentes, nas áreas alagadas, os pântanos e manguezais.

Onde predomina o clima temperado, verifica-se a presença de florestas temperadas, além de estepes ou pradarias. Porém, a distribuição das coberturas vegetais é um pouco mais complexa, pois devemos considerar que o clima pode ser temperado quente ou frio.

Onde há o clima temperado frio, temos as florestas boreais, homogêneas, com árvores coníferas, de folhas aciculifoliadas, perenes, duras e resistentes ao gelo (taiga). Essa vegetação se estende por todo o centro-norte do Canadá, da Escandinávia e da Rússia.

Já no clima temperado quente, encontramos alguns tipos diferentes de cobertura vegetal. A floresta pluvial temperada é composta por espécies perenes, com destaque às sequoias – árvores muito altas, que são favorecidas pela elevada umidade relativa do ar tanto no verão como no inverno – manifestando-se no noroeste norte-americano, sul chileno, leste australiano e Tasmânia, além da Nova Zelândia.

As florestas sazonais temperadas também marcam presença nesse clima (de estações bem definidas), distribuindo-se pela Europa Ocidental, leste norte-americano, em algumas localidades da Oceania e na Ásia (sobretudo China e Japão). Suas árvores têm grande porte, são latifoliadas e perdem todas as suas folhas, ou parte delas, nas estações do outono e do inverno (decíduas ou caducifólias), recuperando-se na primavera e, principalmente, no verão por conta do calor e umidade. Dentre as poucas espécies que formam esse tipo de vegetação estão a faia, o carvalho e a nogueira.

A vegetação mediterrânea se adapta ao clima mediterrâneo – presente em pequenas áreas próximas a desertos, como na Califórnia (EUA), centro do Chile, extremos norte e sul da África, além do sul europeu –, com seus verões quentes e secos, influenciados pela expansão de massas de ar seco dos desertos vizinhos, e invernos brandos e úmidos, quando essas massas de ar recuam e se mantêm sobre os desertos. Suas espécies são variadas e se adaptam à pequena umidade, como as oliveiras, amendoeiras e os ciprestes. As formações mais comuns são os maquis (arbustos e moitas mais altos) e os garrigues (moitas mais baixas).

As vegetações herbáceas, conhecidas como estepes ou pradarias, também são típicas dessa região climática, sendo compostas principalmente por gramíneas (típicas de clima frio e seco), ocupando predominantemente regiões de planícies, o que facilita a criação de gado e cultivo agrícola. Como os diferentes fatores geram uma variação em seus aspectos e formas, temos distintas nomenclaturas. As pradarias são muito comuns no Canadá e EUA. Na América do Sul – Uruguai, Argentina e no estado brasileiro do Rio Grande do Sul –, a região com predomínio dessa vegetação é chamada de Pampa. Já na Europa e Ásia estão presentes as estepes, que se desenvolvem no clima temperado continental. Sua diferença em relação às pradarias é a baixa umidade, devido à continentalidade, que ocasiona certa adaptação.

A tundra também é uma vegetação rasteira, mas é característica das regiões polares. Como o frio intenso inibe o crescimento da vegetação, os musgos, líquens e gramíneas (espécies pequenas e simples) da tundra apenas se manifestam nos períodos em que a neve derrete e o solo fica exposto.

A vegetação de altitude é característica de regiões montanhosas, variando de acordo com as mudanças altimétricas. Deste modo, nos topos das montanhas estão presentes as neves eternas e, conforme diminui a altitude, surgem diferentes tipos de vegetação até o sopé das montanhas, que apresentam vegetação, em geral, igual a de seu entorno.

Por fim, temos as vegetações desérticas, que estão presentes em áreas de clima árido e semiárido e também nas regiões polares. As espécies das regiões quentes adaptam-se à falta de umidade, são conhecidas como xerófilas, tendo como destaques as cactáceas e bromeliáceas. Elas apresentam, geralmente, espinhos e raízes profundas, além de reterem água para resistir à falta de umidade.

Agora que você já sabe tudo sobre os tipos de vegetação existentes em nosso planeta e suas relações com os diferentes climas, analise os dois mapas abaixo e perceba as suas semelhanças:

aula de formações vegetais

Fonte: IBGE

aula de formações vegetais

aula de formações vegetais

aula de formações vegetaisFonte: IBGE

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Referências:

IBGE. Atlas geográfico escolar – 6. ed. – Rio de Janeiro: IBGE, 2012.

LUCCI, Elian A.; BRANCO, Anselmo L.; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado: Geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Saraiva, 2014.

PICCOLI, Ana Paula. Livro do Professor: Geografia – 6º Ano. – 3. ed. – Fortaleza: Sistema Ari de Sá de Ensino, 2016.

SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia geral do Brasil, volume 1: espaço geográfico e globalização: ensino médio. São Paulo: Scipione, 2010.

TAMDJIAN, James Onnig; MENDES, Ivan Lazzari. Geografia geral e do Brasil: estudos para a compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2013.

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]