Os quatro Fusos horários do Brasil: Geografia Enem

Você sabe o que são fusos horários? Lembra o que são paralelos e meridianos? Não? Então revise este conteúdo importantíssimo para você gabaritar Geografia no Enem e nos vestibulares!

Para entender o que são fusos horários é importante relembrar e compreender as coordenadas geográficas. As coordenadas geográficas são uma rede de linhas imaginárias denominadas paralelos e meridianos, traçadas sobre o globo e que tem como finalidade permitir a localização de qualquer ponto na superfície terrestre.

O paralelo máximo é a linha do Equador, que divide a Terra em duas porções iguais: o hemisfério norte e o hemisfério sul. Sobre cada um desses hemisférios, podemos traçar infinitas linhas paralelas ao Equador. Essas linhas são identificadas por sua distância em relação ao Equador, medida em graus. Essa distância é o que chamamos de latitude, que pode variar de 0º a 90º, tanto para norte quanto para sul.

Já os meridianos são todas as semicircunferências traçadas de forma a ligar os dois polos da Terra. Todos os meridianos têm o mesmo tamanho e qualquer um deles pode ser utilizado para se dividir o planeta em duas porções iguais: hemisfério ocidental (a oeste) e hemisfério oriental (a leste). Seu ponto central e de referência é chamado Meridiano de Greenwich.

latitude e longitude

Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida também em graus, em relação ao meridiano de Greenwich. Essa distância é o que chamamos de longitude e varia de 0º a 180º, tanto para leste quanto para oeste.

Como o meridiano de Greenwich é considerado o referencial das longitudes, ele também passou a ser considerado o da determinação de um horário-base no planeta.

Para a localização de um ponto qualquer na superfície do planeta é preciso, então, cruzar um paralelo com um meridiano, ou seja, é necessário conhecermos a sua latitude e a sua longitude.

Fusos horários

Devido ao seu movimento de rotação (movimento da Terra ao redor de um eixo imaginário, que a atravessa de um polo a outro, no sentido do Oeste para o Leste), a Terra apresenta dias e noites. Como resultado, diversos pontos da superfície terrestre apresentam diferenças de horários.
A determinação da hora parte do princípio de que a Terra é uma circunferência perfeita, medindo 360º, e de que a rotação terrestre dura 24 horas. Com isso, conclui-se que esse é o tempo necessário para que todos os meridianos que “cruzam” o planeta passem, num determinado momento, frente ao Sol.

Fusos horários
Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração do movimento de rotação, resultam 15 graus. Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora – e cada uma dessas 24 faixas recebe o nome de fuso horário.

No interior dessas faixas, por convenção, passou a vigorar um mesmo horário. Essa padronização do tempo ocorreu no século 19, num momento em que o Reino Unido era a principal potência econômica e militar do planeta. Por isso, o meridiano que passava no observatório de Greenwich, então nos arredores de Londres (hoje, dentro da cidade), foi considerado o meridiano zero.

A hora de Greenwich tornou-se a hora universal, no sentido de que é em relação a ela que se determinam os horários em outros pontos do globo terrestre. A leste de Greenwich, as horas aumentam a cada faixa de 15º, variando entre 0 e 12. Ao contrário, a oeste de Greenwich, as horas diminuem, em idêntica variação.

O horário de Greenwich também é chamado de GMT, ou seja, Greenwich Mean Time (mean significando “média”).

Fuso horário brasileiro

O Brasil, como sabemos, é um país de dimensões continentais e, por isso, possui muitas variações ao longo de seu território. Uma delas é referente aos fusos horários, a demarcação oficial das horas nas diferentes partes do espaço geográfico nacional. O problema é que, com as diferentes mudanças ao longo do tempo, muitos ficam na dúvida: afinal, quais são os fusos horários atuais do Brasil?

Hoje em dia, o Brasil possui quatro fusos horários, mas não foi sempre assim. Inicialmente, apenas um único fuso cobria todo o território nacional, o que mudou em 1913, quando o decreto de lei nº 2.784 – sancionado pelo então presidente Hermes da Fonseca – determinou quatro fusos horários, de modo a organizar melhor a distribuição dos horários com base no Meridiano de Greenwich, criado algumas décadas antes.

A configuração dos fusos horários foi assim estabelecida:

  • 1º Fuso: duas horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich – envolvia apenas algumas ilhas vulcânicas e a Zona Econômica Especial do Brasil no Oceano Atlântico.
  • 2º Fuso: três horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia as regiões sudeste, norte, sul, além de metade do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e a capital, Brasília.
  • 3º Fuso: quatro horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia a metade oeste do estado do Pará, além de Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e a maior parte do Amazonas.
  • 4º Fuso: cinco horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia uma pequena parte oeste do Amazonas e o estado do Acre.

Essa configuração nos fusos horários do Brasil permaneceu inalterada por 95 anos, isto é, até o ano de 2008 – isso se não considerarmos as mudanças territoriais e políticas dos estados do país.

No ano de 2008, depois de uma proposta advinda do Senado, aprovada também na Câmara dos Deputados e posteriormente sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o quarto fuso foi excluído.

Além disso, o estado do Pará não permaneceu mais dividido em dois horários, passando a estar totalmente integrado ao 2º fuso horário do país, três horas atrasado em relação a Greenwich.

No entanto, essa foi uma proposta polêmica, principalmente em relação à população do Acre.

Boa parte da população era favorável ao novo horário, principalmente porque, no horário de verão – que não é adotado na região –, a diferença de tempo em relação ao horário oficial de Brasília aumentava para três horas. Os que eram contrários à modificação argumentavam, entre outras coisas, que o tempo deveria seguir o ciclo natural do dia e não a questões políticas.

A solução para o impasse: fez-se um plebiscito, em 2010, para que a população escolhesse a melhor opção.

Após uma disputa ligeiramente apertada, com 56,8% da população do Acre e do oeste do Amazonas, houve o retorno do fuso horário antigo, duas horas atrasado em relação a Brasília. Por isso, o projeto de 2008 foi totalmente derrubado e retornou-se para as configurações de 1913.

Mas esqueceram-se de um detalhe: o oeste do Pará, também afetado com a mudança, não foi consultado em plebiscito!

Ora, como poderia a população do Acre e do oeste do Amazonas decidir pela população do Pará? Por isso, a então presidenta Dilma Rousseff vetou a alteração. Só em 2013 o projeto foi novamente enviado para a sua mesa, e apenas as áreas consultadas no plebiscito tiveram seus fusos alterados, permanecendo o estado do Pará totalmente integrado em um horário só.

fusos horários brasileiros

É verdade que muitas pessoas estão insatisfeitas com essas mudanças, outras, nem tanto. De toda forma, o melhor, nesse momento, é deixar os parâmetros atuais por um tempo inalterados, a fim de evitar tantas confusões a respeito dos fusos horários no Brasil.

Para terminar sua revisão, assista ao vídeo do prof. Carrieri sobre o assunto:

Exercícios sobre fusos horários

Questão 1

A linha imaginária considerada o marco 0° dos fusos horários é:

a) Linha do Equador
b) Trópico de Capricórnio
c) Meridiano de Greenwich
d) Trópico de Câncer

Gab.: c

Questão 2

(PUC-MG) Ao dividir os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração do movimento de __________, o resultado é 15 graus. A cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora. Assim, cada uma das 24 divisões da Terra corresponde a um __________.

Para que o texto fique adequadamente preenchido, as lacunas devem ser completadas, respectivamente, por:

a) translação e meridiano.
b) translação e paralelo.
c) rotação e círculo.
d) rotação e fuso horário

Gab.: d

Questão 3

(UFSM-RS) Observe o mapa a seguir e responda à questão adiante.

Fusos horários 7

Desconsiderando horários de verão locais, as coordenadas geográficas do mapa permitem, também, deduzir que uma competição esportiva que ocorra em Sydney, às 16 horas, seja assistida pela TV, ao vivo, em Nova York à(s):

a) 7 horas.
b) 8 horas.
c) 2 horas.
d) 1 hora.
e) meia-noite.

Gab.: d

Sobre o(a) autor(a):

Priscila é formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina.