Veja os quatro fusos horários do Brasil: resumo de geografia

Veja os Paralelos e os Meridianos no Globo Terrestre. Entenda como funcionam os 24 Fusos Horários, demarcados pelos Meridianos a partir de Greenwich. Contando a Oeste, a cada Meridiano, uma hora a menos. Confira aula gratuita:

Para entender o que são fusos horários do Brasil é importante relembrar e compreender as coordenadas geográficas. As coordenadas geográficas são uma rede de linhas imaginárias denominadas paralelos e meridianos, traçadas sobre o globo e que tem como finalidade permitir a localização de qualquer ponto na superfície terrestre.

O paralelo máximo é a linha do Equador, que divide a Terra em duas porções iguais: o hemisfério norte e o hemisfério sul. Sobre cada um desses hemisférios, podemos traçar infinitas linhas paralelas ao Equador.

Paralelos e Meridianos

Essas linhas são identificadas por sua distância em relação ao Equador, medida em graus. Essa distância é o que chamamos de latitude, que pode variar de 0º a 90º, tanto para norte quanto para sul.

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Já os meridianos são todas as semicircunferências traçadas de forma a ligar os dois polos da Terra. Todos os meridianos têm o mesmo tamanho e qualquer um deles pode ser utilizado para se dividir o planeta em duas porções iguais: hemisfério ocidental (a oeste) e hemisfério oriental (a leste).

Seu ponto central e de referência é chamado Meridiano de Greenwich.

Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida também em graus, em relação ao meridiano de Greenwich. Essa distância é o que chamamos de longitude e varia de 0º a 180º, tanto para leste quanto para oeste.

Resumo de Latitude e Longitude

Para facilitar a sua compreensão sobre como se organizam os quatro fusos horários no Brasil, faça uma pausa agora aqui para ver o resumo do professor Raphael Carrieri sobre Latitude e Longitude:

Como você acompanhou no resumo acima, o meridiano de Greenwich é considerado o referencial das longitudes, ele também passou a ser considerado o da determinação de um horário-base no planeta.

Para a localização de um ponto qualquer na superfície do planeta é preciso, então, cruzar um paralelo com um meridiano, ou seja, é necessário conhecermos a sua latitude e a sua longitude.

Como funcionam os fusos horários

Devido ao seu movimento de rotação (movimento da Terra ao redor de um eixo imaginário, que a atravessa de um polo a outro, no sentido do Oeste para o Leste), a Terra apresenta dias e noites. Como resultado, diversos pontos da superfície terrestre apresentam diferenças de horários.

A determinação da hora parte do princípio de que a Terra é uma circunferência perfeita, medindo 360º, e de que a rotação terrestre dura 24 horas. Com isso, conclui-se que esse é o tempo necessário para que todos os meridianos que “cruzam” o planeta passem, num determinado momento, frente ao Sol.

Fusos horários
Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração do movimento de rotação, resultam 15 graus. Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora – e cada uma dessas 24 faixas recebe o nome de fuso horário.

No interior dessas faixas, por convenção, passou a vigorar um mesmo horário. Essa padronização do tempo ocorreu no século 19, num momento em que o Reino Unido era a principal potência econômica e militar do planeta. Por isso, o meridiano que passava no observatório de Greenwich, então nos arredores de Londres (hoje, dentro da cidade), foi considerado o meridiano zero.

A hora de Greenwich tornou-se a hora universal, no sentido de que é em relação a ela que se determinam os horários em outros pontos do globo terrestre. A leste de Greenwich, as horas aumentam a cada faixa de 15º, variando entre 0 e 12. Ao contrário, a oeste de Greenwich, as horas diminuem, em idêntica variação.

O horário de Greenwich também é chamado de GMT, ou seja, Greenwich Mean Time (mean significando “média”).

Os quatro fusos horários do Brasil

O Brasil, como sabemos, é um país de dimensões continentais e, por isso, possui muitas variações ao longo de seu território. Uma delas é referente aos fusos horários, a demarcação oficial das horas nas diferentes partes do espaço geográfico nacional. O problema é que, com as diferentes mudanças ao longo do tempo, muitos ficam na dúvida: afinal, quais são os fusos horários atuais do Brasil?

Hoje em dia, o Brasil possui quatro fusos horários, mas não foi sempre assim. Inicialmente, apenas um único fuso cobria todo o território nacional, o que mudou em 1913, quando o decreto de lei nº 2.784 – sancionado pelo então presidente Hermes da Fonseca – determinou quatro fusos horários, de modo a organizar melhor a distribuição dos horários com base no Meridiano de Greenwich, criado algumas décadas antes.

A configuração dos fusos horários foi assim estabelecida:

  • 1º Fuso: duas horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich – envolvia apenas algumas ilhas vulcânicas e a Zona Econômica Especial do Brasil no Oceano Atlântico.
  • 2º Fuso: três horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia as regiões sudeste, norte, sul, além de metade do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e a capital, Brasília.
  • 3º Fuso: quatro horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia a metade oeste do estado do Pará, além de Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e a maior parte do Amazonas.
  • 4º Fuso: cinco horas de atraso em relação a Greenwich – envolvia uma pequena parte oeste do Amazonas e o estado do Acre.

Essa configuração nos fusos horários do Brasil permaneceu inalterada por 95 anos, isto é, até o ano de 2008 – isso se não considerarmos as mudanças territoriais e políticas dos estados do país.

No ano de 2008, depois de uma proposta advinda do Senado, aprovada também na Câmara dos Deputados e posteriormente sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o quarto fuso foi excluído.

Além disso, o estado do Pará não permaneceu mais dividido em dois horários, passando a estar totalmente integrado ao 2º fuso horário do país, três horas atrasado em relação a Greenwich.

No entanto, essa foi uma proposta polêmica, principalmente em relação à população do Acre.

Boa parte da população era favorável ao novo horário, principalmente porque, no horário de verão – que não é adotado na região –, a diferença de tempo em relação ao horário oficial de Brasília aumentava para três horas. Os que eram contrários à modificação argumentavam, entre outras coisas, que o tempo deveria seguir o ciclo natural do dia e não a questões políticas.

A solução para o impasse: fez-se um plebiscito, em 2010, para que a população escolhesse a melhor opção.

Após uma disputa ligeiramente apertada, com 56,8% da população do Acre e do oeste do Amazonas, houve o retorno do fuso horário antigo, duas horas atrasado em relação a Brasília. Por isso, o projeto de 2008 foi totalmente derrubado e retornou-se para as configurações de 1913.

Mas esqueceram-se de um detalhe: o oeste do Pará, também afetado com a mudança, não foi consultado em plebiscito!

Ora, como poderia a população do Acre e do oeste do Amazonas decidir pela população do Pará? Por isso, a então presidenta Dilma Rousseff vetou a alteração.

Só em 2013 o projeto foi novamente enviado para a sua mesa, e apenas as áreas consultadas no plebiscito tiveram seus fusos alterados, permanecendo o estado do Pará totalmente integrado em um horário só.fusos horários brasileirosÉ verdade que muitas pessoas estão insatisfeitas com essas mudanças, outras, nem tanto. De toda forma, o melhor, nesse momento, é deixar os parâmetros atuais por um tempo inalterados, a fim de evitar tantas confusões a respeito dos fusos horários no Brasil.

Resumo: os quatro fusos horários do Brasil

Excelente este resumo do professor Carrieri. Vale a pena ver de novo.

Simulado de Fusos Horários

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Sobre o(a) autor(a):

Priscila é formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina.

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