Gênero Lírico

Veja o que é o gênero lírico e exemplos do mesmo nesta aula de Literatura para o Enem e vestibulares!

Na Grécia Antiga, existiu um gênero chamado Épico. Tratava-se de poemas narrativos com a presença de um herói que representava uma nação. Porém, esse tipo de texto não supria as emoções individuais. A poesia lírica aparece então para suprir essa necessidade de manifestação individual e subjetiva. Dito isso, você já pode ter uma dica sobre o tema desta aula: sentimentos e emoções pessoais no gênero lírico.

O Gênero Lírico é aquele em que uma “voz particular” fala sobre o que sente, sobre seu estado de espírito ou manifesta, ainda, a expressão do “eu” e do “mundo interior”.

A esta “voz particular” damos o nome eu lírico ou eu poemático ou sujeito poético

Por que gênero lírico?

No começo, os poemas eram cantados e, por vezes, acompanhados de um instrumento de cordas chamado lira. Já sacou, né? O nome lírico vem justamente daí.

A separação entre poesia e música ocorreu somente no século XV com a invenção da impressa. É neste momento que a escrita começa a ganhar força sobre a tradição oral.

Já no Renascimento italiano é que esse gênero cai no gosto popular de vez, ganhando praticamente o mesmo status dos outros gêneros: o dramático e épico.

É daí em diante que o gênero lírico ganha reconhecimento como os outros.

Algumas maneiras de ser compor uma lira

Existiram muitas formas de se fazer poemas. Mas vamos revisar agora as que se tornaram mais conhecidas ao longo dos séculos. Tenho certeza de que você pensou em soneto, certo? 

A elegia é poema que trata de acontecimentos tristes.

A ode exalta valores nobres.

A écloga retrata a vida bucólica dos pastores. Lembrou do Arcadismo?

A estrutura de um soneto

O soneto obedece a uma forma fixa de se fazer. Sempre composto com 14 versos, sendo duas estrofes de 4 versos e duas últimas de 3 versos. Para compreender melhor essa estrutura, leia este famoso soneto de Vinícius de Moraes, publicado em 1946.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é  chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Quando lemos um poema, nossa atenção precisa estar não só na semântica das palavras, mas também em outros aspectos como ritmo, metro e rima.

Recursos poéticos no gênero lírico

Chamamos esses aspectos de recurso poético. Veja:

– Ritmo: pode ser entendido com um movimento regular repetitivo que, na poesia, é marcado pela alternância entre os acentos – sílabas tônicas/átonas – e pausas.

– Metro: é o número de sílabas métricas de cada verso. Chamamos de metrificação esta contagem. A contagem das sílabas acaba quando chegamos à última silabada do verso.

-Rima: é a coincidência sonora que encontramos depois da última vogal tônica de cada verso.

Vamos ver isso na prática.

De/ tu/do ao/ meu/ a/mor/ se/rei/ a/TEN/to/

An/tes,/ e/ com/ tal/ ze/lo, e/ sem/pre, e/ TAN/to

Que/ mes/mo em/ fa/ce/ do/ mai/or/ en/CAN/to/

De/le/ se en/can/te/ mais/ meu/ pen/sa/MEN/to./

Sobre os tamanhos dos versos, quero que você note que, de maneira proposital, deixei a sílaba tônica da última palavra de cada verso em caixa alta.

Pois é justamente ali que devemos parar nossa contagem. Neste exemplo, temos verso com dez sílabas métricas, ou seja, são decassílabos.

Como funcionam as rimas?

Sobre as rimas, podemos notar bem facilmente que o primeiro verso termina com a palavra “atento”. Esse verso rima com o último que finaliza com a palavra “pensamento”.

O segundo e o terceiro verso rimam entre si, pois terminam em “tanto” e “entanto”. Moleza, né? A este jogo de rimas damos o nome de parelha interpolada.

O primeiro verso sempre chamamos de A, e como esse verso rima com o último, neste soneto, então, devemos chamar o último verso de A. Como você já sabe que o segundo e terceiro riam entre si, fica assim: ABBA.

Existem outras maneiras de rimar os versos nas estrofes. Vejamos algumas.

Deus! ó Deus, onde estás que não respondes? Rima A

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes, Rima A

Embuçando nos céus? Rima B

Há dois mil anos te mandei meu grito, Rima C

Que embalde, desde então, corre o infinito Rima C

Onde estás, Senhor Deus?… Rima B

Neste fragmento do poema de Castro Alves, chamado Vozes d’África, temos a rima emparelhada. Pois a rima A e C estão emparelhadas.

Já vimos a rima intercalada no soneto de Vinícius de Moraes.

De tudo, ao meu amor serei atento Rima A

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Rima B

Que mesmo em face do maior encanto Rima B

Dele se encante mais meu pensamento. Rima A

Um exemplo de rima cruzada:

Eu ando muito feliz Rima A

Reviso no Blog do Enem Rima B

É o que todo mundo diz Rima A

Melhor que esse Blog não tem Rima B

Rima pobre e rima rica

Outro critério que podemos observar é questão das rimas. Chamamos de Rima Rica palavras rimadas de classe gramatical diferente. Já Rima Pobre quando temos classe gramaticais iguais. 

Um dos assuntos dentro da Literatura que costuma cair bastante no Enem é o Modernismo brasileiro. Dentro de todas as fases, temos grandes poetas como Cecília Meireles, Oswald de Andrade e Carlos Drummond de Andrade.

Citei apenas alguns para ilustrar a importância desta revisão e deste gênero literário chamado lírico. Dos poetas modernistas, Drummond é o mais “queridinho” do Enem.

Poemas como “Poema de Sete Faces”, “No meio do caminho” e “A noite dissolve os homens” são obras que fazem crítica ao comportamento humano. Seja do próprio poeta, seja o comportamento em geral.

Além disso, a poesia marginal, na contemporaneidade, teve sua importância em tempos difíceis do nosso país. Mulheres e homens escreviam seus poemas para denunciar o que ocorria naquela época e arriscavam suas vidas por isso.

A poesia, bem como o gênero lírico, ainda continua bem presente em nossas vidas, seja nos vestibulares, seja nas horas de lazer. Como vimos em outras aulas, o ser humano sempre precisa se expressar.

Para saber mais sobre o gênero lírico, veja nossa videoaula:

Que tal agora testar seus conhecimentos? Bora!

Questão 01)

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema

Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima

a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.

b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.

c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.

d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.

e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

Gab: C

Questão 02)

O mundo é grande

O mundo é grande e cabe

Nesta janela sobre o mar.

O mar é grande e cabe

Na cama e no colchão de amar.

O amor é grande e cabe

No breve espaço de beijar.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.

Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões linguísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as ideias relacionadas, um sentido de

a) oposição.

b) comparação.

c) conclusão.

d) alternância.

e) finalidade

Gab: A

Questão 03)

A montanha pulverizada

Esta manhã acordo e

não a encontro.

Britada em bilhões de lascas

deslizando em correia transportadora

entupindo 150 vagões

no trem-monstro de 5 locomotivas

— trem maior do mundo, tomem nota —

foge minha serra, vai

deixando no meu corpo a paisagem

mísero pó de ferro, e este não passa.

Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética.

Rio de Janeiro: Record, 2000.

A situação poeticamente descrita acima sinaliza, do ponto de vista ambiental, para a necessidade de  

I. manter-se rigoroso controle sobre os processos de instalação de novas mineradoras.

II. criarem-se estratégias para reduzir o impacto ambiental no ambiente degradado.

III. reaproveitarem-se materiais, reduzindo-se a necessidade de extração de minérios.

É correto o que se afirma

a) apenas em I.

b) apenas em II.

c) apenas em I e II.

d) apenas em II e III.

e) em I, II e III.

Gab: E