Imperialismo japonês na Ásia e a participação do Japão na 2ª Guerra Mundial

Entre o fim do século XIX e o início do XX, o imperialismo japonês fez o país dominar vários territórios na Ásia e entrar em conflito com outras potências durante a 2ª Guerra Mundial.

O fim da era dos samurais marca o início do imperialismo japonês na Ásia do século XIX. Quer saber o porquê? Venha conferir esta aula do Curso Enem Gratuito e descubra essa e mais outras coisas sobre a história do Japão.

A importância do domínio de um território

Com o passar dos milênios, a partir do surgimento das primeiras civilizações, as noções de território e fronteiras ganharam cada vez mais importância. As sociedades humanas que se sedentarizaram precisavam cada vez mais de recursos à medida que cultivavam a terra, criavam animais e se multiplicavam.

Entretanto, a disputa por espaço não se restringiu apenas ao domínio de recursos – pelo menos não para a mera sobrevivência da população. O domínio da terra propiciou a acumulação de riquezas, influência sobre povos e possibilidades de estratégias de dominação. Dessa forma, governantes criaram leis, exércitos e muralhas para defender e ampliar seus domínios.

A questão dos territórios e fronteiras é, portanto, geopolítica. Em outras palavras, diz respeito à disputa e controle político do espaço físico e a influência que ele mesmo exerce nesta disputa. Os jogadores de War conhecem bem a importância disso. O controle de uma região ou de uma passagem, o posicionamento de exércitos para influenciar as decisões dos inimigos e até mesmo a manutenção da paz nos territórios são importantes para se ganhar o jogo.

O Japão no fim do século XIX

A partir 1868, a dinastia Meiji retorna ao poder no Japão com a ajuda dos Estados Unidos. Até então o país vivia isolado das outras nações, principalmente do Ocidente. Era o período do Xogunato Tokugawa, quando o domínio político era exercido pelo Xogum (chefe militar), que governava com o auxílio da aristocracia.

No entanto, esse cenário muda quando os estadunidenses chegam ao país pressionando os japoneses a abrirem seus portos, fazendo do país um importante caminho para o mercado asiático.

Imperador Meiji - Imperialismo japonêsGravura do Imperador Meiji, coroado em 1868. Fonte:  https://cutt.ly/Bscf7WY.

Apesar dessa intervenção estrangeira nos rumos da política, o governo japonês decide participar da competição entre as nações modernas e inicia um processo de industrialização. Para isso e como consequência disso, o domínio de territórios, de populações e a obtenção de recursos são necessárias. O Japão queria se tornar a potência do Oriente.

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O imperialismo japonês

No século XIX, o Japão já havia obtido importantes conquistas territoriais advindas de sua política expansionista para a industrialização. O primeiro alvo foi a Coréia e, em seguida, a região da Manchúria, na China. Esse último conflito ficou conhecido como a Guerra Sino-Japonesa.

Além de obter territórios (Manchúria, Taiwan e ilhas pescadores), o Japão exigiu indenização dos chineses e a liberação da circulação de suas embarcações pelo rio Azul (Yangtze).

Assim, no início do século XX, o Japão consolida seu domínio sobre a Manchúria e a Coréia após derrotar a Rússia no conflito que ficou conhecido como a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Durante a Primeira Guerra Mundial, o Japão alia-se aos países da Tríplice Entente e obtém, ao final do conflito, o controle de ilhas no Pacífico que antes pertenciam à Alemanha.

Todas estas conquistas rendem ao Japão muitos recursos naturais e o enriquecimento de seus empresários. Contudo, os custos da guerra aumentam a dívida pública e o país vive uma crise nos anos 1920.

Além disso, um grave terremoto em 1923 e a crise de 1929 pioram a situação do Império Japonês. A fim de construírem uma União Asiática em que os japoneses fossem os líderes, investiram ainda mais na ocupação da Manchúria.

Hirohito, imperador japonês - Imperialismo japonêsHirohito, imperador japonês coroado em 1928. Fonte: https://cutt.ly/IshJPeC.

Em 1933, o Japão sai da Liga das Nações após esta ficar ao lado dos chineses contra as investidas do imperialismo japonês na Manchúria. Ainda entre 1938 e 1939, os japoneses atacam novamente o território soviético na Manchúria e na Mongólia, mas são derrotados. Assim, com inimigos para derrotar e territórios para conquistar, o Japão adentra a Segunda Guerra Mundial ao lado da Alemanha e da Itália.

O Japão na Segunda Guerra Mundial

Até 1941, o Japão não havia entrado em conflito direto contra os ocidentais (ingleses, franceses e norte-americanos). No entanto, naquele ano eles tomaram os territórios da França (ocupada pela Alemanha) na Indochina (com destaque para Vietnã e Camboja).

Nesse momento, os EUA param de fornecer petróleo para o Japão. Em resposta, em dezembro daquele ano, os japoneses resolvem atacar Pearl Harbor, uma base militar dos EUA no Havaí. O episódio serve de justificativa para os EUA também entrarem na guerra.

Posteriormente, os japoneses ainda atacam Hong Kong (na época um protetorado britânico) e as outras regiões nas Filipinas. Kuala Lumpur, Singapura, Birmânia e a Indonésia também foram alvo do imperialismo japonês e acabaram sendo invadidos. Todavia, o controle de tantos territórios provocou reações locais. Os recursos japoneses também eram bem inferiores em comparação aos dos Aliados.

A partir de então, os estadunidenses avançam cada vez mais sobre os domínios japoneses. Em 14 de agosto de 1945, os japoneses se rendem após sucessivos bombardeios dos EUA em seu território e por conta da invasão da União Soviética na Manchúria. Por fim, os territórios conquistados pelo imperialismo japonês acabaram sendo devolvidos.

Videoaula

Sabia que as bombas atômicas não foram o principal motivo da rendição do Japão na Segunda Guerra? Saiba mais sobre essa história com o vídeo do canal Leitura ObrigaHistória e, em seguida, resolva os exercícios.

Exercícios sobre o imperialismo japonês

1- (ETEC SP /2018)

Na manhã de 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos atacaram a cidade de Hiroshima, no Japão, com uma bomba atômica que matou, instantaneamente, cerca de 60 mil pessoas. Após a explosão, a região atingida foi tomada por um incêndio, enquanto, formada por uma nuvem de poeira radioativa, uma chuva ácida contaminou rios, plantações, poços de água e o solo de Hiroshima. Nos sobreviventes, a contaminação causou perda de cabelo, falência de órgãos, colapso do sistema imunológico e desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.

Sobre o ataque estadunidense à cidade de Hiroshima, é correto afirmar que

a) estabeleceu uma nova ordem mundial, na qual o Japão ocupou o centro como potência hegemônica militar e econômica.

b) ocorreu no momento em que a Guerra Fria atingiu o ápice da tensão, como resposta dos Estados Unidos à expansão da União Soviética na região dos Sudetos.

c) criou as condições políticas para a implementação de um novo acordo entre as potências asiáticas, no qual a Coreia do Norte desempenhou o papel de mediadora.

d) foi um dos últimos eventos da Segunda Guerra Mundial e ocorreu quando a guerra já havia acabado no continente europeu, com a rendição da Itália e a morte de Hitler.

e) marcou o início da intervenção militar europeia na Ásia e na África, caracterizada pela adoção de medidas econômicas protecionistas e pela exploração de metais preciosos.

2- (UFU MG/2012)

As pretensões expansionistas japonesas na Ásia, a construção da Grande Ásia Oriental, colidiam com os interesses norte-americanos para a região. Os imperialistas seguiam as estratégias siberiana e colonial. A primeira encarregou o Exército de expandir o domínio Japonês para a China do Norte, Mongólia e Sibéria, rivalizando com a União Soviética. A estratégia colonial, delegada à Marinha, visava a conquista de colônias inglesas, francesas e holandesas na Ásia. O obstáculo para esse projeto era a força dos Estados Unidos no Pacífico (Alaska, Ilhas Aleutas, Filipinas e Havaí).

O projeto imperialista japonês

a) buscava contemporizar seus interesses com as forças chinesas, vistas como um importante apoio na luta contra o imperialismo norte-americano.

b) ganhou força com o bombardeamento de Pearl Harbor e a entrada dos EUA na guerra, forçando o recuo dos movimentos anti-imperialistas nipônicos.

c) manteve, com o fim da Segunda Guerra, suas anexações territoriais, o que lhe permitiu continuar como uma grande potência.

d) previa a mobilização de recursos das áreas ocupadas para realimentar o complexo industrial-militar que se fortalecia internamente.

3- (IBMEC SP/2008)

“Em novembro de 1867, o novo xógun – da família Mito, do clã dos Tokugawas, e governante desde meados de 1866 – acossado por problemas financeiros, dificuldades externas, rebeliões e confrontos internos, entregou sua renúncia, ao jovem imperador Meiji que havia subido ao trono em fevereiro de 1867, após a morte do imperador Komei (1831-1867)”.

(CARRERAS, José U. Martínez. El Japon Meiji. In: Los imperios frente a frente. Siglo XX, Historia Universal. Madri, Historia 16, 1997, p. 116).

A Revolução Meiji provocou profundas transformações no Japão. Entre essas transformações, NÃO podemos assinalar a (o):

a) Criação de uma moeda nacional, o Iene.

b) Enfraquecimento dos samurais na estrutura militar.

c) Enfraquecimento do exército japonês.

d) Controle político do Estado pelos industriais e militares.

e) Expansão da industrialização no Japão.

Gabarito:

  1. D
  2. D
  3. C

Bibliografia:

SAKURAI, CELIA. Os Japoneses. Editora Contexto, São Paulo, 2007.

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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