O imperialismo na África e a divisão do continente africano

O imperialismo na África rendeu divergências na cultura local e influencia até hoje na língua e nos costumes africanos.

O imperialismo na África rendeu diferentes resultados para o continente. Por que se fala inglês na África do Sul e na Nigéria? E Francês no Congo? Essas são algumas das questões que tem relação com o colonialismo sofrido por esse país

Aliás, caso não saiba, se você fosse para a Angola ou Moçambique poderia falar português com os nativos. Talvez não seja uma novidade para os/as estudantes mais interessados em História de que a África e a Ásia foram colonizadas ao longo do século XIX por nações europeias. Contudo, ainda assim é importante relembrarmos como isto ocorreu.

O sistema mercantilista que originou o imperialismo

Então o processo colonizador empreendido pelos europeus a partir do século XV se deu ao redor do globo, porém, o continente americano foi o principal alvo de suas incursões. Entretanto sua ocupação e exploração não foi apenas uma causa da chegada daqueles povos nestas terras, mas também da mentalidade mercantilista que os movia.

Explorar o máximo possível os recursos destas terras afim de enriquecer sua burguesia e seus tesouros nacionais era o maior objetivo do sistema que vingava naquele período. Porém, esta realidade se alterou quando no século XIX as colônias europeias acabaram se emancipando das metrópoles na América.

Com a perda destas fontes de recursos as nações europeias voltaram seus olhos para outras terras onde ainda não haviam explorado totalmente: os continentes africano e asiático. Entretanto o contexto era outro.

A expansão do mercantilismo

Com o capitalismo mais avançado, as nações europeias industrializavam-se, e buscavam tanto matérias-primas quanto mercados consumidores.

Mapa representando a partilha da África entre as nações europeias utilizando uma legenda de cores. Mapa representando a partilha da África entre as nações europeias utilizando uma legenda de cores. A Bélgica dominava a região central do continente, com um acesso ao litoral pelo Congo, a França dominou a maior parte do norte ocidental da África, com destaque para a Argélia, a Alemanha com a Tanzânia e a Namíbia, a Grã Bretanha com possessões em diferentes regiões, mas com destaque para a África do Sul, Egito e Sudão, Itália com destaque para a Somália e parte do atual Líbano, Portugal com o território da atual Angola e Moçambique, e, por fim, a Espanha com alguns territórios na Guiné, Marrocos e no litoral atlântico do Saara.

A conferência de Berlim e o imperialismo na África

O processo de dominação europeia no continente africano foi muito rápido e intenso. Portanto até 1880 cerca de 80% do continente ainda era governado por autoridades nativas, em 1914 a situação se inverte. Ou seja, os europeus já ocupavam algumas regiões do continente desde as navegações dos séculos anteriores, mas não era nada comparado ao que veio no final do século XIX.

Um marco decisivo deste processo foi a Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885. Com ela houve o processo formal de divisão do continente africano entre os líderes de diversas nações europeias que buscavam recursos para disputar a corrida dos impérios.

De princípio, a conferência não tinha o objetivo de dividir o continente. Tratava-se, inicialmente, de um evento para evitar conflitos entre as nações do continente europeu em matéria de domínios. Presidida por Oto von Bismark, o primeiro ministro que foi figura central na Unificação da Alemanha, a conferência acabou por definir os limites de futuras ocupações na África.

O imperialismo na África e a divisão do continente

Observe no mapa anterior como muitas fronteiras políticas do continente africano são retilíneas. Diferentemente de muitas outras fronteiras nos outros continentes, que se dão muitas vezes por divisas naturais, as fronteiras dos países africanos foram literalmente repartidas entre as nações imperialistas.

Dica 1: Está por dentro do atual movimento de revisionismo dos patrimônios históricos mundo a fora? Saiba que na Europa até a estátua do antigo Rei Leopoldo II, da Bélgica, está na linha de movimentos populares que pedem o fim de homenagens públicas à figuras envolvidas com a morte e escravidão de indivíduos:

Justificativas de ocupação no imperialismo na África

Todo exercício de poder vem acompanhado de justificativas que buscam legitimá-lo. Não foi diferente em relação ao imperialismo europeu na África. Se o colonialismo dos séculos anteriores era justificado na maioria das vezes por razões religiosas, neste novo processo o elemento científico veio somar na legitimação do poder.

Portanto ocupar aquele continente e extrair dele o máximo de riquezas possível não seria, de acordo com as justificativas em voga no período, um benefício apenas para a Europa, mas também para a África. Defendia-se que o progresso econômico levado ao continente era também um processo civilizatório.

Colonizador branco vestindo roupas brancas e um chapéu de aba redonda apontando para o braço decepado de um menino negro, que está sem camisa e com uma expressão de sofrimento. imperialismo na ÁfricaColonizador branco vestindo roupas brancas e um chapéu de aba redonda apontando para o braço decepado de um menino negro, que está sem camisa e com uma expressão de sofrimento. A imagem é uma fotografia do período em que o Congo foi uma colônia Belga.

O imperialismo na África e o apagamento da cultura

Os congolenses, zulus e as outras nações africanas estariam diversos degraus abaixo da evolução dos povos aos olhos dos europeus, que, convenientemente, estariam no topo. Entretanto o colonizador e magnata britânico Cecil Rodhes sintetizava este sentimento em sua frase: “Nós somos a primeira raça no mundo, e, quanto mais do mundo habitarmos, melhor para a raça humana”.

Sendo assim esta visão era supostamente comprovada cientificamente pelo Darwinismo social, doutrina que objetivava compreender o status quo social através dos conceitos do biólogo Charles Darwin. Contudo, tratava-se de uma deturpação das ideias do cientista britânico, que desenvolveu sua teoria para ser aplicada em uma perspectiva social humana.

Crise de refugiados no imperialismo na África

Há alguns anos o mundo, e principalmente a Europa, vem testemunhando uma crise de refugiados que migram dos continentes asiático e africano para os países centrais. Famílias palestinas, argelinas, nigerianas e de diversas outras nações buscam refúgio de conflitos e oportunidades de uma vida melhor nos países que outrora colonizaram sua população.

Tal crise deve ser vista principalmente como uma consequência direta do processo de exploração daqueles continentes pelas nações europeias. A maioria dos países destes continentes conseguiram sua emancipação política apenas a partir da metade do século XX, o que é algo muito recente em termos históricos. Soma-se a isso o fato de que tal emancipação não significou uma ruptura completa com o capital estrangeiro.

As maiores indústrias do mundo ainda buscam mão de obra barata nestas nações que ainda estão em processo de fortalecer sua soberania.

Video-aula

Revise esta aula com este vídeo do canal Evolucional sobre Partilha da África e o Tratado de Berlim:

Exercícios

Questão 01 – (UCB DF/2018)

Do final do século 19 até o início do século 20, os territórios da África foram divididos entre as principais potências europeias, notadamente a Grã-Bretanha e a França. Acerca das questões que explicam a expansão imperialista europeia na África, assinale a alternativa correta.

a) A teoria do darwinismo social, que se embasava na crença em uma superioridade racial e cultural europeia, pregava que os superiores (europeus) dominam naturalmente os inferiores (africanos).

b) A doutrina cristã evangélica foi a maior defensora dos povos africanos, lutando contra a dominação do território e se opondo à escravidão.

c) A Partilha da África, entre a França e a Grã- Bretanha, impediu que outros países europeus ocupassem áreas coloniais no território africano.

d) O interesse das potências europeias em relação à ocupação do território africano foi motivado exclusivamente por questões ideológicas.

e) A Conferência de Berlim, em 1885, reuniu as principais potências europeias interessadas em ocupar os territórios africanos. Esse acordo resultou na divisão equitativa e prévia do território da África entre os países europeus.

Questão 02 – (Faculdade Baiana de Direito BA/2018)

“Sustento que somos a primeira raça no mundo, e quanto mais do mundo habitarmos, tanto melhor será para a raça humana… Se houver um Deus, creio que Ele gostaria que eu pintasse o mapa da África com as cores britânicas.”Cecil Rhodes

O pensamento de Cecil Rhodes reflete o processo político e econômico de

a) estabelecimento das Cruzadas, pelas quais a nobreza feudal, interessada nas riquezas do norte da África, que barraram a expansão muçulmana, impedindo a conquista islâmica sobre o continente africano.

b) expansão marítima e comercial mercantilista através das quais a conquista, o domínio e a partilha da África possibilitaram o controle da rota comercial de escravos e da sua utilização na exploração das riquezas africanas.

c) controle da mão de obra africana, pelas grandes indústrias britânicas, buscando garantir a oferta de trabalhadores, o que possibilitou o desencadear da Primeira Revolução Industrial Inglesa.

d) dominação imperialista sobre a África o que possibilitou o conhecimento e a exploração do continente africano pelo capital britânico em nome do progresso da humanidade e da civilização.

e) apoio dos britânicos ao processo de descolonização africana interessada em barrar o crescente aumento das áreas de influência soviética e estadunidense sobre a África no contexto da Guerra Fria.

GABARITO

1- A
2 – D

 

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

Compartilhe: