A Intertextualidade na literatura

Conheça e entenda o que é a Intertextualidade nas obras de arte. Entenda a presença dela na Literatura e estude para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

Neste post, você conhecerá mais de perto a linguagem intertextual ou a intertextualidade e perceberá como ela está presente de diversas formas nas obras de arte de todos os tempos. Vem com a gente revisar Literatura para o Enem!

O que é intertextualidade

A intertextualidade consiste na criação de um texto a partir de outro. Isso poderá ocorrer por meio de uma alusão, conotação, versão, plágio, tradução, pastiche e paródia.

A distinção entre essas modalidades ocorrerá de acordo com a visibilidade, explícita ou implícita, de um texto em outro. Também pode ocorrer intertextualidade com outras formas além do texto verbal, como na música, pintura, filme, novela etc.

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Toda vez que uma obra fizer alusão à outra ocorre a intertextualidade. O termo (intertextualidade) foi cunhado por Julia Kristeva em 1966, mas passou por diferentes interpretações desde então.

intertextualidade entre musica e desenhoVemos nessa imagem, por exemplo, como Os Simpsons fazem referência à capa do disco Abbey Road dos Beatles. Veja como a foto cria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera da capa, reunindo um conjunto de elementos que recria a cena. Claro que é necessário que o observador conheça a cena para efetuar-se o jogo intertextual.

A intertextualidade é capaz de aproximar culturas e categorias de arte diferentes – música e desenho animado, no caso – captando influências, gerando efeitos (o cômico, neste caso), e estabelecendo contato entre obras e autores.

Tipos de intertextualidade na literatura e fora dela

Alusão: não revela diretamente o elemento ou fato ao qual faz referência, apenas sugerindo-o por meio de correlações ou metáforas. A expressão “presente de grego”, é um exemplo de alusão (ao Cavalo de Tróia).

Bricolagem: é o nome que se dá a um procedimento intertextual das artes plásticas e da música também surge na literatura. Neste processo, um texto é montado a partir de fragmentos de outros textos.

exemplo de bricolagem e intertexualidade
Exemplo de Bricolagem: http://artedemestre.blogspot.com/2014/03/arte-da-bricolagem.html
Veja um exemplo de Bricolagem na música com a composição de Gilberto Gil, “Retiro Espiritual”

Citação: é a transcrição direta de um fragmento de texto ou fala alheia, marcada por aspas – para indicar a autoria de outrem – e geralmente acompanhada pelo nome do autor. O trecho em questão costuma também vir com a fonte alterada no tamanho, ou com itálico ou negrito:

“Pode até parecer antipático o que vou dizer, mas na arte não há lugar para democracia. A criação da arte é coisa para poucos. Tem muito pouca gente que tem coragem de dizer isso, mas eu tenho. Então, a arte não pode se guiar pelo gosto médio. O gosto médio guia os meios de comunicação de massa. Se você levar isso pra arte, você se liquida como artista. É fatal. Na arte, é melhor você ter mau gosto do que ter um gosto médio.”

(Ariano Suassuna, em entrevista para a Rádio Cultura, 1993)

Crossover: é aparição ou reunião de personagens que pertencem a universos fictícios distintos. Exemplo:  fanzines que reúnem personagens de desenhos animados diferentes, o Capitão Gancho (de Peter Pan) aparecendo no Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato; Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, aparecendo no Brasil em O Xangô de Baker Street, de Jô Soares.

Epígrafe: é um fragmento, título ou citação de outra obra, que tenha com a obra que a evoca alguma relação indireta ou subentendida. Exemplos de epígrafes são aqueles pequenos trechos de outros autores no início de capítulos de livros ou de teses.

Paráfrase: é a recriação, nas palavras do autor que faz a paráfrase, de um texto já existente. O poeta Carlos Drummond de Andrade possui um poema que exemplifica bem essa distinção:

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
[…]
Gonçalves Dias

Paráfrase

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
[…]
Carlos Drummond de Andrade

Paródia: realiza a apropriação de uma determinada obra, porém subverte o texto anterior e por meio da ironia, da crítica e do humor. É muito comum encontrarmos paródias em programas de humor, que é quando o comediante canta uma canção já existente com uma nova letra, normalmente criticando um assunto ou “parodiando” a anterior.

Pastiche: é a imitação deliberada e aberta do estilo de outros autores. Exemplos são: Em Liberdade, de Silviano Santiago, que é pastiche do estilo de Graciliano Ramos. Ou os livros Amor de Capitu, de Fernando Sabino, e Capitu – Memórias Póstumas, de Domício Proença Filho, que reescreveram Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Plágio: é a cópia ou alteração indevida de uma obra artística, científica ou literária de alguém que se apropria inclusive de sua autoria. A música possui diversos exemplo de plágios como “Do Ya Think I’m Sexy”, de Rod Stewart, plagiada de “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor.

Sample: é o recorte de trechos de outras músicas usados em novas (sic) produções. O Sample é muito recorrente no Hip Hop. Conheça alguns exemplos: Rappin Hood & Caetano Veloso – Rap Du Bom (Parte 2), reproduz  parte da canção “Odara” (Caetano Veloso – 1998); Racionais Mc’s – O Homem na Estrada – possui samples de “Ela Partiu”, de Tim Maia.

Tradução: é a adequação de um texto produzido em uma língua para outra. Exemplo: a tradução das Mil e Uma Noites do árabe para o português, do Dom Quixote de Cervantes, do espanhol para o português.

Transliteração: é a técnica que consiste em adequar termos, nomes e expressões de uma língua para outra, em outro alfabeto. Exemplo: a palavra חנוכה, /ˡχanuka/ em hebraico moderno, é transliterada como chanucá, chanukah, hannukah ou mesmo ranucá em textos escritos em português.

Para finalizar sua revisão sobre intertextualidade, veja esta aula da professora Camila:

Questões sobre intertextualidade

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Sobre o(a) autor(a):

Renato Luís de Castro é graduado em Letras/Francês pela Unesp-Araraquara, e mestrado em Estudos Literários também na Unesp, atualmente concluindo Licenciatura pela UFSC.

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