Invasão da Ucrânia pela Rússia: entenda os motivos da guerra

Entenda as crises históricas entre a Ucrânia e a Rússia. Veja os movimentos de Independência Ucranianos em direção à libertação do Império Russo e da Rússia comunista após a revolução de 1917. A independência só chega em 1991, com o fim da URSS.

O início do ano de 2022 foi marcado por uma trágica notícia: o início de um conflito armado no Leste Europeu. Trata-se da invasão da Ucrânia pela Rússia. Apesar de se tratar de um evento histórico relativamente recente, as rivalidades entre ucranianos e russos já se estendem por longos anos.

Conheça a história da relação entre os dois países e entenda por que a Rússia invadiu a Ucrânia. Confira no resumo a Invasão da Ucrânia em 6 minutos.

As origens da Rússia e da Ucrânia

As nações russa e ucraniana têm um passado em comum de longa data. Ambas as nações remontam a um mesmo povo (Rus) e, eventualmente, passaram a distinguir-se entre si.

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Outro ponto em comum é o fato de que estas duas nações (e aqui devemos entender nação como um grande grupo com raízes étnicas em comum) são formadas por uma população de maioria eslava. Apesar dessas similaridades, elas compartilham um passado repleto de conflitos.

A Ucrânia enquanto nação foi por dominada pela vizinha Rússia por um longo período, desde o século XVII com o Império Czarista.

Durante a Revolução Russa de 1917, a Ucrânia tentou aproveitar o enfraquecimento do Império para tornar-se independente. Contudo, o Partido Bolchevique, liderado por Lênin, forçou novamente a integração da Ucrânia à Rússia.

Com o surgimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1922, o regime Czarista é enterrado de vez. No entanto, a Ucrânia continua sob domínio russo e torna-se uma das 15 Repúblicas Socialistas Soviéticas, sob controle da Rússia.

Mapa da URSS - Invasão da Ucrânia
Fonte da imagem: Arte/Folha Online (https://bit.ly/3ty9pT5)

O acidente nuclear em Chernobyl

Em 1986 ocorreu um dos momentos mais dramáticos da Guerra Fria e da história da Ucrânia. Isso porque um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl (cidade localizada em território da Ucrânia soviética) explode, causando um grande desastre radioativo.

A região, de grande importância para a URSS, passa a ser isolada em virtude do perigo radioativo, o que dura até os dias de hoje. Para saber mais sobre o acidente nuclear de Chernobyl, confira o post da nossa página no Instagram:


Independência da Ucrânia e movimento pró-Ocidente

A independência plena da Ucrânia só veio em 1991, durante o contexto de desagregação da URSS. Junto da independência houve o crescimento de um movimento pró-Ocidente no país. Isso passou a desagradar líderes russos, incluindo o mais popular deles, Vladimir Putin.

No ano de 2014, já com o crescimento das tensões entre Rússia e Ucrânia em virtude da aproximação dos ucranianos aos países do Ocidente, Putin decide enviar tropas para ocupar e conquistar a Península da Criméia. Portanto, já houve uma invasão da Ucrânia pelos russos em 2014. Contudo, foi em menores proporções do que a invasão de 2022.

A Criméia, que é uma região estratégica no Mar Negro, havia realizado um referendo popular para saber se a população que lá vivia preferiria viver sob o controle russo ou ucraniano. O resultado foi que cerca de 90% da população optou por fazer parte da Federação Russa.

A disputa Geopolítica na Invasão da Ucrânia

Veja agora com o professor Raphael Carrieri, do canal do Curso Enem Gratuito, uma síntese com mapas que mostram o progressivo isolamento da Rússia em relação às antigas Repúblicas Socialistas Soviéticas. A maioria delas migrou para a União Europeia.

A Otan e os interesses geopolíticos

Muito ainda se debate a respeito de por que a Rússia invadiu a Ucrânia. Mas um dos pontos mais evidentes desta manobra de Putin é sua tentativa de afastar os ucranianos da influência ocidental, principalmente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).Otan - Invasão da UcrâniaMapa criado pela BBC mostrando as zonas de influência da Otan no Leste Europeu. Fonte: https://cutt.ly/jAagbDN

A Otan é uma organização formada por diversas nações ocidentais fundada em 1949, no início da Guerra Fria. Seu principal objetivo era fazer frente ao avanço comunista no globo (lembremo-nos que se tratava do contexto de guerra fria).

Apesar da Guerra Fria ter chegado ao seu fim (ou pelo menos ter se descaracterizado com relação ao seu embate original), a Otan ainda existe e atua como uma força geopolítica para seus membros, com destaque para os Estados Unidos.

Desse modo, a Otan se configura como uma ameaça à influência da Rússia no Leste Europeu. A partir da década de 1990, muitos países da região passam a integrar esta aliança militar.

Para saber mais sobre a criação da Otan e o contexto da Guerra Fria, confira a videoaula no nosso canal:

Invasão da Ucrânia pela Rússia

O movimento pró-Ocidente dentro da Ucrânia tornou-se muito expressivo ao longo do século XXI e isso passou a ser visto como uma ameaça à influência russa na região. Em 2008, a Otan aprovou uma decisão que facilitaria o ingresso da Ucrânia e da Geórgia à aliança militar, o que desagradou à Rússia que, em represália, invadiu a Geórgia no mesmo ano.

Este cenário, somado à impugnação da eleição de Viktor Yanukovych, candidato ucraniano pró Rússia em 2014, contribuíram não só para a decisão da Rússia de invadir a Criméia naquele ano, mas também para a atual invasão da Ucrânia.

O atual presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, é pró-Ocidente e, portanto, é um dos motivos das preocupações de Putin com relação ao país vizinho.

Invasão da Ucrânia
Fonte: Nexo Jornal (https://bit.ly/3tnSMtq)

O atual conflito iniciou-se em fevereiro de 2022, quando Putin reconheceu a independência de duas regiões separatistas da Ucrânia: Donetsk e Luhansk. Uma outra preocupação afirmada por Putin seria com relação à criação de armas nucleares pela Ucrânia.

Até o momento, países ocidentais como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e a União Europeia, da qual fazem parte Alemanha e França,  vêm impondo sanções econômicas à Rússia.

Videoaula sobre a invasão da Ucrânia

Para se aprofundar mais na história da Ucrânia e da Rússia e nos motivos do conflito, confira a videoaula do nosso canal com o professor Dudu Volpato.

Desnazificação da Ucrânia?

Uma outra acusação de Putin com relação à Ucrânia é relativa à existência de grupos de extrema direita, mais precisamente grupos fascistas e neonazistas. É um fato que grupos políticos com estas características existam na Ucrânia. No entanto, sua influência sobre as decisões do governo ucraniano pode ser bem questionável. Zelenskyy vem de família judia e não há evidências de que grupos extremistas estejam no controle do país.

A acusação de Putin também baseia-se em fatos do passado ucraniano, como a colaboração de parte da população com o exército nazista em uma tentativa de se desvencilhar da influência soviética na região.

Stepan Bandera foi um desses colaboracionistas e algumas referências à sua figura foram feitas na Ucrânia durante protestos contra a Rússia em 2013. Um outro ponto é a atuação de grupos paramilitares de extrema direita, como o Batalhão Azov, que tem como alguns de seus membros indivíduos ligados à grupos neonazistas.Logo do Batalhão AzovLogo do Batalhão Azov. Fonte: cutt.ly/LAazyqe.

Para uma análise do ponto de vista da política internacional, recomendamos ouvir este trecho do episódio 283 do podcast Xadrez Verbal, apresentado pelos historiadores e professores de História Filipe Figueiredo e Mathias Pinto.

Exercícios sobre a invasão na Ucrânia

1 – (Fac. Medicina de Petrópolis RJ/2015)

O tratamento midiático dos acontecimentos recentes na Ucrânia veio confirmar que, para uma parte da diplomacia ocidental, as crises não trazem mais uma assimetria entre os interesses e as percepções de atores dotados de razão, mas se constituem como a batalha final em que o Bem e o Mal disputam o sentido da história. A Rússia se presta maravilhosamente a essa encenação, que tem o mérito da simplicidade.

ZAJEC, O. A obsessão antirrussa. Le Monde Diplomatique Brasil, ano 7, n. 81, abr. 2014. p. 18.

No recente episódio em que a região da Crimeia é anexada pela Rússia, uma assimetria de interesses confronta a decisão desse País à ação geoestratégica

a) da União Europeia, direcionada à Ucrânia.

b) da China, dirigida aos investimentos diretos na África.

c) do governo indiano, voltada para o sul da Ásia.

d) dos países do BRICS, pensada para a Eurásia.

e) dos Estados Unidos, apontada para a América Latina.

2 – (UERJ/2015)

Rússia formaliza anexação da Crimeia

A Rússia anexou formalmente a Península da Crimeia a seu território, depois de um duro discurso do presidente Vladimir Putin em meio a pesadas críticas aos E.U.A., à União Europeia e ao governo interino da Ucrânia. Nesse discurso que antecedeu a assinatura da anexação da Crimeia, Putin destacou a questão como vital para os interesses russos. Segundo ele, o Ocidente “cruzou uma linha vermelha” ao interferir na Ucrânia. “A Crimeia sempre foi e é parte inseparável da Rússia”, declarou o presidente.

Adaptado de estadao.com.br, 18/03/2014.

O evento abordado na reportagem está simultaneamente associado ao presente e ao passado dos povos envolvidos.

Para explicar essa ação russa em relação à Crimeia, são fundamentais os seguintes interesses do atual governo Putin:

a) superar o pan-eslavismo − reduzir a diversidade étnica

b) estimular a economia − ampliar a produção energética

c) combater a corrupção − reconstruir a geopolítica global

d) reforçar o nacionalismo − consolidar a geoestratégia militar

3 – (ENEM MEC/2020)

TEXTO I

A intervenção da Rússia na crise no Leste da Ucrânia reacendeu a tensão entre os aliados da Otan e Moscou. Os EUA informaram que pretendem instalar armamento pesado no Leste da Europa, plano criticado pelo governo russo. Em resposta, a Rússia anunciou o reforço de seu arsenal nuclear, novos mísseis balísticos intercontinentais, descritos como “capazes de superar sistemas de defesa mais avançados”.

STEWART, P. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 26 jun. 2015 (adaptado).

TEXTO II

Os Estados Unidos e seus aliados não vão deixar a Rússia “nos arrastar de volta ao passado”, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos em um discurso em Berlim, dia 22 de junho de 2015, quando acusou o governo russo de tentar recriar uma esfera de influência da era soviética.

Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 26 jun. 2015 (adaptado).

Que tema da geopolítica da segunda metade do século XX é o fundamento histórico da referência feita ao passado?

a) Livre comércio.

b) Luta antiditatorial.

c) Corrida armamentista.

d) Conservação ambiental.

e) Terrorismo internacional.

Gabarito:

  1. A
  2. D
  3. C

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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