Tipos de métodos científicos

Para que um conhecimento produzido possa ser considerado científico, é preciso que tenha sido construído a partir de um método. Isso ajuda a validar esse conhecimento perante a comunidade em geral. Você conhece os tipos de métodos científicos?

A Biologia, assim como a física, a química e a história são ciências. O conhecimento abordado por cada uma dessas áreas é considerado ciência porque pode ser comprovado através de fatos, documentos, testes e/ou experimentos. Para tornar ainda mais confiável a produção científica, o ideal é que os/as cientistas sigam métodos científicos.

Isso permite, por exemplo, que outros pesquisadores possam, em caso de dúvidas, repetir o caminho traçado em uma determinada descoberta ou aplicar os mesmos procedimentos para a produção de outros conhecimentos.

Então o que são métodos científicos?

Sendo assim, os métodos científicos têm certo rigor com a descrição e organização classificatória do conhecimento produzido. Resumidamente falando, podemos conceituar método científico como uma rotina de procedimentos utilizados para averiguar uma ideia, uma observação.

E, assim, chegar a uma conclusão que possa ser aceita pela comunidade científica e a população em geral.

Dependendo do objeto de estudos e do campo da ciência do qual estamos falando, existem inúmeros métodos científicos que podem ser aplicados na busca de conhecimentos.

Porém, podemos classificar todos esses métodos científicos em, basicamente, dois grandes grupos: os métodos dedutivos e os métodos indutivos.

Métodos científicos dedutivos

No método dedutivo, o/a pesquisador/a irá observar generalidades de seus objetos de estudos para chegar em conclusões específicas, particulares.

Para isso, o/a cientista fará diferentes observações sobre seu objeto de estudos e, a partir delas, elabora uma conclusão.

Para exemplificar esse método, vamos imaginar que um pesquisador observe o fato de que os mamíferos que ele conhece têm os corpos cobertos de pelo, mamilos onde desembocam glândulas mamárias e têm filhotes que se desenvolvem no interior do útero de suas mães.

Sendo assim, se ele observar um ornitorrinco pela primeira vez, animal que não tem mamilos (apesar de ter glândulas mamárias) e cujos filhotes não se desenvolvem em ovos, ele provavelmente concluirá a partir de suas generalizações que o ornitorrinco não é um mamífero. E estará errado.

A partir desse exemplo você consegue ter uma ideia do quanto pode ser complicado chegar a conclusões para algo específico a partir de generalizações. Sendo assim, esse método, caiu em desuso e raros são os estudos que têm ele como base.

Método indutivo

O método indutivo é praticamente o inverso do método dedutivo. Neste método, largamente utilizado, são analisadas e testadas várias hipóteses.

A partir disso, é estudado um número razoável de casos específicos (número que pode variar, dependendo da área científica em que o trabalho está sendo feito) para que o/a cientista possa alcançar uma conclusão generalizada plausível.

Neste método, o/a pesquisador/a segue uma série de protocolos e etapas, onde são realizados experimentos e observações controladas. Cada procedimento é registrado e avaliado com rigor, para que o conhecimento científico produzido possa ser considerado válido pela comunidade científica.

imagem métodos cientificas
Imagem 1: A ciência não é solitária. Para que o conhecimento científico seja produzido e validado, ele precisar ser partilhado. Não só entre os pares, mas também com toda a comunidade. Na imagem vemos três cientistas, um homem negro, uma mulher asiática e um homem branco. Os três vestem jalecos brancos e se encontram em frente a uma bancada de laboratório com vidrarias. A mulher segura um tubo de ensaio contendo algo rosa. Todos sorriem.

A maneira como os estudos são conduzidos no método indutivo, como dito no início dessa aula, pode variar de acordo com a área da ciência que está atuando.

Porém, podemos dizer que uma pesquisa que utiliza o método indutivo segue as seguintes etapas:

Observação de um fato:

O/a pesquisador/a deve observar um fato ou um evento que esteja ocorrendo (ou já tenha ocorrido) que lhe desperte curiosidade.

Formulação de uma pergunta:

Ao observar um determinado fato, o/a pesquisador/a poderá realizar uma série de perguntas que nortearão sua pesquisa. Por exemplo: Por que este fato ocorre? Como este fato ocorre? Quais as consequências de sua existência?

Levantamento de hipóteses:

Quando observamos um evento, além das possíveis perguntas que nos fazemos acerca do fenômeno, também acabamos formulando possíveis respostas para nossas próprias perguntas.

Essas possíveis respostas são chamadas de hipóteses e, juntamente com as perguntas, deverão traçar o rumo da pesquisa e, principalmente, a metodologia utilizada pelo/a pesquisador/a para averiguá-las.

Experimentação:

Nesta etapa, o/a pesquisador/a realizará experimentos e/ou coletas de dados para testar e averiguar suas hipóteses. Você não deve pensar que quando falamos aqui de experimentos estamos falando exclusivamente de experimentos estereotipados, dentro de laboratórios.

Dependendo do campo de atuação do/a cientista, essa experimentação pode ser feita das mais variadas formas: aplicando uma atividade para uma turma de alunos, seguindo um animal selvagem e o observando de longe, cultivando plantas em diferentes ambientes e até mesmo analisando sites como esse que você está visitando agora.

Análise dos resultados e conclusão:

Após a realização dos experimentos, o/a cientista deve registrar os dados obtidos e analisar os resultados. A partir disso, uma conclusão poderá ser elaborada.

doutora primatologista
Imagem 2: Na imagem vemos a doutora Jane Goodall tocando a mão de um pequeno filhote de chimpanzé. Jane é a mais renomada primatologista do mundo, dedicou sua vida inteira para estudar os chimpanzés. Por anos morou em meio à mata de países africanos.

Método indutivo x método dedutivo

Como você pode ver, ao contrário do método dedutivo, no método indutivo analisamos amostras de casos particulares para posteriormente fazermos generalizações.

Esse método reduz as margens de erro de uma pesquisa. Além disso, como você já sabe, ao seguir esses protocolos e registrar tudo com rigor, a divulgação científica fica mais confiável e permite que outros/as pesquisadores possam repetir os experimentos.

A repetição dos experimentos ajuda a comprovar os conhecimentos obtidos e permite a expansão dos estudos realizados, ampliando o conhecimento.

métodos cientificos e revistas cientificas
Imagem 3: Imagem da magnífica capa da Revista Nature de janeiro de 2001 divulgando a pesquisa sobre o Genoma Humano. A Revista Nature, publicada desde 1869, é um dos mais renomados periódicos científicos do mundo. Nela são publicadas pesquisas revolucionárias nas diferentes áreas da física, da química, da biologia e das ciências médicas. Revistas como a Nature são veículos de divulgação científica não só para a comunidade científica, mas também a comunidade em geral.

Um exemplo disso é o que podemos ver em relação ao coronavírus. No Brasil, apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença, cientistas conseguiram sequenciar o genoma do vírus.

Isso porque os/as cientistas brasileiros já utilizavam a técnica com outros vírus e puderam transpô-la para o novo coronavírus.

Além disso, através da divulgação dos trabalhos de outros/as cientistas em grandes periódicos científicos, os/as cientistas brasileiros/as puderam saber de antemão algumas valiosas informações e assim aplicaram em seus estudos aqui no Brasil.

Conclusão: elaboração de leis e teorias

Para explicar o conhecimento obtido através de suas pesquisas, os/as cientistas muitas vezes recorrem à elaboração de leis e teorias. Você sabe a diferença entre elas?

– Leis:

As leis são generalizações elaboradas para explicar fenômenos que ocorrem recorrentemente sob determinadas condições e que foram largamente comprovadas através de experimentos e observações.

Um exemplo de lei muito famosa na Biologia é o que conhecemos como “Leis de Mendel”. As Leis de Mendel, como você talvez se lembre, são um conjunto de leis que explica como ocorrem os diferentes tipos de mecanismos de herança genética.

– Teorias:

Muitas pessoas acham que o termo “teoria” é algo que não foi comprovado, que apenas traduz ideias. Essas pessoas acabam usando erroneamente o termo teoria como sinônimo para hipótese. Acontece que, se você lembra o que acabei de explicar aí em cima, hipótese é o mesmo que “possível resposta”. Ou seja, uma resposta que pode estar correta, como também pode não estar. E, portanto, deve ser testada.

Acontece que teoria, na verdade, corresponde a um conjunto de leis, modelos e conceitos para explicar um conjunto de fenômenos interligados. Para elaborar uma teoria o/a cientista dispõe de inúmeros fatos averiguados através de experimentos e muito tempo de estudo e dedicação.

Um exemplo clássico de teoria que podemos citar é a Teoria da Seleção Natural de Charles Darwin. Através dessa teoria (descrita no Livro “A Origem das espécies”) Darwin consegue comprovar que a evolução é um fato e descreve as diferentes maneiras como ela ocorre.

Vale lembrar aqui que uma teoria, apesar de bem embasada e documentada, não necessariamente é uma verdade absoluta.

O conhecimento científico é produzido pelos seres humanos de maneira dialética com o período histórico em que ela foi construída. Ela pode ser limitada por vários fatores, como por exemplo, a tecnologia. A própria Teoria da Seleção Natural apresenta vários “furos” que representam os limites de Darwin e sua época.

Agora, para resumir o que você estudou até aqui e fixar o conteúdo, veja esta videoaula sobre métodos científicos com o professor Samuel do canal Biologia com Samuel Cunha:
Para finalizar sua revisão, que tal testar seus conhecimentos com os exercícios que selecionei para você?
Questão 01 – (IFCE/2016)    

Sobre método científico, é correto afirmar-se que

a) o início de uma pesquisa científica é marcado a partir de seus primeiros experimentos.

b) uma pesquisa científica inicia-se a partir da observação de determinado fenômeno, seguido de questionamentos.

c) a hipótese deve ser formulada logo após a metodologia, para evitar testes falsos.

d) as conclusões que forem tiradas nunca poderão servir de base para novas hipóteses.

e) os cientistas devem compartilhar suas informações exclusivamente por meio de congressos.

Gab: B

Questão 02 – (UEA AM/2014)

O método científico é literalmente uma investigação, na qual o pesquisador procura, a partir de observações de fatos ou eventos, formular hipóteses. Essas hipóteses devem ser metodologicamente testadas e experimentadas repetidamente, para que posteriormente haja

a) conclusão de seu experimento, independentemente de os resultados confirmarem ou rejeitarem as hipóteses testadas.

b) comprovação de que suas hipóteses estavam corretas, caso contrário o experimento não pode ser conclusivo.

c) demonstração de que sua metodologia de experimentação confirma, sem margem de erro, suas hipóteses formuladas.

d) formulação de novas perguntas sobre o mesmo fato, pois os experimentos científicos jamais chegam a uma conclusão.

e) utilização comercial de suas descobertas, gerando lucros que financiarão novas pesquisas sobre o tema pesquisado.

Gab: A

Questão 03 – (UNIMONTES MG/2015)    

Método científico pode ser considerado como sendo o conjunto de etapas para realizar uma pesquisa científica. A figura a seguir apresenta elementos relacionados com esse assunto. Analise-a.

exercício método científico

Considerando a figura e o assunto abordado, analise as afirmativas abaixo e assinale a CORRETA.

a) II não pode representar uma pesquisa realizada separada de I.

b) Embora I e II representem experimentos diferentes, a conclusão poderia ser a mesma.

c) IB e IIB podem representar resultados obtidos durante a pesquisa.

d) IIC e IC correspondem ao final de toda a pesquisa.

Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

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